Sporting 0-0 FC Porto
No que diz respeito à partida, apesar do mau futebol foi um encontro electrizante, emotivo e acima de tudo equilibrado. Na 1ª parte, o Porto apostou essencialmente no jogo directo para Hulk e nas transições ofensivas, enquanto que os leões tentando fazer mais posse acabaram por falhar sempre no passe e na decisão. Apenas os lances de bola parada mereceram nota de destaque. Maicon proporcionou boa defesa a Patrício, Otamendi também apareceu com perigo, mas foi de Polga a melhor oportunidade, com uma cabeçada para uma defesa enorme de Helton. No 2º tempo, o duelo foi mais emotivo (principalmente mais partido), electrizante e jogado numa grande intensidade. O Porto começou melhor, Hulk bem isolado por Moutinho e numa das várias vezes que ultrapassou facilmente Polga, proporcionou a Patrício uma excelente defesa. Domingos respondeu a esse ascendente portista com a entrada de Matias e Izmailov. E o russo foi mesmo um dos grandes destaques dos últimos 30m. Primeiro cabeceou ao lado, depois com um excelente passe isolou Wolfswinkel (que não conseguiu bater Hélton), e acabou mesmo por falhar uma oportunidade clara depois de uma boa jogada de Matias ao permitir a Alvaro Pereira tirar a bola em cima da linha quando Helton estava completamente fora do lance. Depois desse lance ao minuto 83, numa fase em que o Sporting estava claramente por cima, nos últimos minutos o Porto foi mais perigoso e James por duas vezes, principalmente já nos descontos em situação favorável podia ter feito o 1-0 (Otamendi de uma forma caricata fez de defesa leonino e tirou o golo ao colombiano). Em suma, um resultado justo por todo o equilíbrio apresentado.
Destaques
Domingos/Vítor Pereira – Denotaram essencialmente uma preocupação em não perder, mas o técnico leonino, mesmo tendo mérito na aposta em Neto e Carrillo, demorou muito a tirar Capel (o espanhol foi menos 1, e devia ter saído na vez do peruano), tinha obrigatoriamente de vencer, e como tal, acabou por perder este duelo. Por sua vez o Porto apesar do mau futebol apresentado, principalmente pelas acções do Incrível, foi mais perigoso, e foi claro que este empate foi um mal menor e que VP conseguiu claramente incutir a sua estratégia (e isso acontece quando os jogadores respeitam o que está definido): futebol directo para Hulk e transições rápidas.
João Pereira/Maicon – O brasileiro foi uma das melhores unidades em campo. Secou Capel, esteve seguro a defender, e ainda proporcionou 2 lances de perigo através de situações de bola parada; já o português, não tendo jogado mal, não definiu bem os lances ofensivos e ainda pecou defensivamente com uma perda de bola infantil perante “Cebola”.
Onyewu/Rolando – O Capitão América venceu quase todos os duelos com Hulk e levou a melhor neste confronto; o português praticamente não teve oposição na sua área de acção.
Polga/Otamendi – Duas exibições que coincidiram em alguns momentos: ambos falharam boas oportunidades, ambos foram batidos defensivamente, mas Polga foi um dos piores em campo e perdeu 90% das disputas com Hulk (voltou a demonstrar que já não tem condições para ser titular num “grande”) e como tal, perdeu este duelo.
Insúa/A. Pereira – Partidas seguras defensivamente (o uruguaio teve de socorrer a Fernando e Moutinho para travar Carrillo, no entanto acabou por tapar bem o seu flanco), mas com um maior caudal ofensivo por parte do argentino. Apesar de “Palito” ter tirado o 1-0 ao evitar um golo em cima da linha, Insúa venceu este duelo.
Renato Neto/Fernando – Apesar da estreia (a titular) positiva do ex-Cercle – conseguiu impor o seu físico, e apesar do nervosismo inicial, acabou por cumprir; Fernando foi mais preponderante no meio campo e no apoio aos laterais, e venceu este duelo.
Elias/Moutinho – O brasileiro foi menos decisivo que habitualmente (aliás está claramente numa fase menos boa), enquanto que o português esteve melhor nas acções defensivas e não fazendo uma boa exibição desequilibrou a balança a seu favor com a assistência para Hulk no início do 2º tempo.
Schaars/Belluschi – O argentino foi a pior unidade do Porto e uma autêntica nulidade, enquanto que o holandês (com o regresso de Matias e Izmailov parece claro que até ao regresso de Rinaudo vai actuar de maneira frequente a trinco como aconteceu hoje nos últimos 35m) não sendo exuberante (o meio campo leonino esteve mal no capítulo da decisão) foi superior neste confronto.
Capel/”Cebola” – À semelhança do que tinha acontecido frente ao Benfica, aliás como tem sido frequente nos últimos jogos, o espanhol foi uma nulidade e o pior jogador do Sporting (já se sabe que a sua técnica é acima de tudo assente na sua velocidade, e que o espanhol peca pela falta de visão de jogo, mas frente ao adaptado Maicon tinha de fazer mais); Por sua vez o uruguaio pela 1ª parte participativa em termos ofensivos (apesar de ter falhado no último passe) venceu este duelo.
Carrillo/Djalma – Nos últimos 20 minutos do 1º tempo o encontro quase parecia um duelo entre o peruano e Hulk, tal foi a maneira como tentaram desequilibrar. “La Culebra”, é certo, que nem sempre definindo bem estava a ser uma das unidades mais em foco nos leões e não se percebeu a sua saída; já o angolano foi cumpriu, mas tem de soltar a rigidez táctica e missão de sacrifício que VP lhe impõe, e perdeu este duelo.
Wolfswinkel/Hulk – O holandês que não marca um tento de bola corrida para a Liga desde Setembro, voltou a falhar um golo fácil e entregou-se pouco ao jogo (sempre muito preso no meio dos centrais); enquanto que o Incrível foi o melhor jogador em campo. Rematou, desequilibrou, jogou praticamente sozinho perante os 4 defesas leoninos, mas mesmo assim criou sempre perigo nas suas acções e provou mais uma vez que este Porto é Hulk e os outros.
Izmailov/James – Entraram no decorrer da partida mas podiam ter sido os protagonistas das mesmas. O russo foi mesmo o melhor jogador em campo do Sporting. Assistiu Wolfswinkel, apareceu duas vezes em zona de finalização, deu outra qualidade ao futebol leonino e a lamentar apenas ter saído novamente de uma partida lesionado (ainda não sabe a extensão da mesma); já o colombiano também entrou bem, e depois de um bom remate, dispos mesmo de uma oportunidade flagrante no último minuto mas foi traído pela a acção de Otamenti.
Patrício/Hélton – Duas exibições de Top e impossíveis de desempatar. Hélton travou Polga e Wolfswinkel de maneira incrível, mas a segurança demonstrada pelo português foi igualmente de grande nível.
PS – Solicitamos aos leitores que não se limitem a fazer comentários sobre a arbitragem (aliás todos os que abordarem esse assunto só vão ser aceites amanhã). Como sabem o VM não aborda esse tema, e sendo certo que não podemos impedir os portugueses de resumir todos os jogos a isso, é triste que depois de um clássico que apresentou várias curiosidades: estreia de Neto, a nulidade de Capel, as enormes exibições de Patrício e Hélton, o regresso em grande e nova lesão de Izmailov, a excelente partida de Maicon, o estilo de jogo do Porto, a ineficácia de ambas as partes (principalmente de Wolfswinkel), etc…os leitores resumam tudo o que se passou no clássico pela a acção do árbitro.


