Dinheiro, todos sabíamos que não faltava na Rússia (principalmente devido às empresas energéticas). Agora, graças a um estudo realizado, ficamos também a saber que, juntando o orçamento de todas as equipas da Premier League Russa, atingimos um valor superior a 1,3 mil milhões de dólares! Entre os emblemas do país de Leste, 3 estão entre os 30 clubes mais ricos do planeta (apesar de terem muito menos espectadores nos estádios e menores audiências televisivas que noutros países). Isto explica as contratações sonantes de jogadores como Hulk, Witsel, Eto’o, entre outros, e a cada vez maior capacidade de atrair treinadores de topo – Hiddink, Unay Emery e Slaven Bilic, por exemplo. Apenas o facto de a Rússia estar numa zona periférica do continente europeu explica que a sua liga não tenha a visibilidade que, nesta fase, já merecia (apesar de alguns estádios ainda com poucas condições, com relvados muito maus).
Os orçamentos para 2012-13 das 16 equipas da Russian Premier-Liga:
1º Zenit S.Petersburgo (280 milhões de dólares) – O clube que mais ganha na Rússia (tem a base da selecção). As contratações milionárias de Hulk e Witsel podem ser explicadas pelas participações europeias, pelo lucro do estádio (média de cerca de 20 mil espectadores, 17 milhões em receitas), direitos comerciais e merchandising (30 milhões) e pela venda dos direitos televisivos (11 milhões).
2º – Anzhi (180 milhões de dólares) – O líder do campeonato, treinado por Guus Hiddink, duplicou o seu orçamento. A média de público do estádio é de 15 mil espectadores, que regularmente assistem às partidas de Eto’o, Traoré, Lass Diarra ou Zhirkov. Há, no entanto, grande diferença entre despesas e receitas, como facilmente se percebe pelos salários milionários de alguns jogadores (o camaronês é o jogador mais bem pago do mundo).
3º Rubin Kazan (145 milhões de dólares) – Um clube que foi recentemente campeão e que pagou balúrdios por Carlos Eduardo ou Obafemi Martins, sem grande retorno. Tem média de 15 mil espectadores. Este ano apostou forte em Rondon.
4º D.Moscovo (125 milhões de dólares) – Ano após ano vai aumentando o seu orçamento, contando no plantel com jogadores como Dzusdzsák ou Kurany. Vai reestruturar o seu estádio, que habitualmente tem cerca de 10 mil pessoas nas bancadas.
5º – Lokomotiv Moscovo (115 milhões de dólares) – O seu treinador Slaven Bilic é dos mais bem pagos da liga. Para trazer Pavlyuchenko de volta, a equipa da capital pagou cerca de 9 milhões, a sua compra mais cara de sempre. A média de público é de 14 mil pessoas.
6º Spartak Moscovo (105 milhões de dólares) – É, a par do Zenit, o clube mais popular da Rússia e o que tem melhor média de assistências (22 mil espectadores). Adversário do Benfica, treinado por Unay Emery, conta com jogadores excelentes como Rômulo, Jurado ou Kallstrom.
7º CSKA Moscovo (90 milhões de dólares) – Já foi o clube mais rico do país. Nesta fase, de forma surpreendente, tem apenas o 7º maior orçamento do campeonato. Isso não impede que a equipa tenha muita qualidade (Mário Fernandes custou 12 milhões e junta-se a Doumbia, Honda, entre outros). A média é de cerca de 15 mil pessoas.
8º Terek Grozny (70 milhões de dólares) – O emblema da Chechénia foi a tentativa de imitação do Anzhi. A equipa não tem grandes estrelas, mas é bastante competitiva (segue no 5º lugar). Este ano Aílton que na época passada brilhou pelo APOEL frente ao Porto, tem sido suplente neste conjunto.
9º Krasnodar (45 milhões de dólares) – Aqui joga o português Márcio Abreu. O proprietário é um dos maiores empresários russos, que ao contrário do que se possa pensar, vai apostar forte na formação – está a construir uma academia.
10º Kuban (40 milhões de dólares) – Perdeu a sua grande estrela Lacina Traoré, mas é um clube que tem vindo a crescer. É financiado por uma das maiores empresas da Ucrânia.
11º Krilya Sovetov (40 milhões de dólares) – Teve graves problemas financeiros há 2 anos atrás. Agora, o seu orçamento voltou a crescer, segundo o proprietário, graças a uma gestão 10 vezes mais eficiente que a anterior.
12º Alania (32 milhões de dólares) – Assinou um protocolo com uma grande empresa através de Valery Gazzaev, personalidade influente no futebol russo. O orçamento não atinge números astronómicos, mas é suficiente para os objectivos do clube. Diego Mauricio (várias vezes associado ao Porto) foi um dos reforços para esta época.
13º Volga (31 milhões de dólares) – A equipa com mais problemas financeiros do país. No início do ano chegou mesmo a haver salários em atraso, o que levou à proibição de inscrição de jogadores.
14º Rostov (30 milhões de dólares) – Um caso estranho. No final da época passada havia salários em atraso, o que não impediu a renovação de contrato de Pletikosa ou a contratação, por empréstimo, de David Bentley. É também o novo clube de Pongolle.
15º Mordovia (28 milhões de dólares) – Para a estreia na primeira divisão, o clube aumentou o seu orçamento. Existem mesmo alguns jogadores, como o experiente Aldonin, com salários anuais superiores a 1 milhão de euros.
16º Amkar (21 milhões de dólares) – Um dos poucos clubes que reduziu o seu orçamento. Isto porque, de acordo com o proprietário, agora sim os números disponíveis se adequam à realidade do emblema.
Numa primeira análise, facilmente constatamos que praticamente todos os clubes têm orçamentos superiores ou semelhantes aos 3 grandes de Portugal. Por exemplo, o orçamento do Amkar daria para pagar toda a época de uns 7/8 clubes do campeonato nacional e que é superior a todas as equipas da I Liga à excepção dos 3 “grandes”. Conseguirá o campeonato russo chegar ao pódio das melhores Ligas do Mundo? Numa fase em que todos os clubes europeus acusam a crise financeira (só os russos cresceram esta época a nível orçamental), a tendência é que as referências do futebol mundial (jogadores e treinadores) reforcem cada vez mais a Russian Premier-Liga? E no que diz respeito às competições europeias, no futuro os conjuntos russos vão ser candidatos ao nível das melhores equipas italianas, inglesas e alemãs? Como é que os clubes portugueses vão conseguir contrariar este poderio financeiro?