Mozart e Chopin, dois dos mais importantes compositores de música clássica na história da humanidade, compuseram as suas primeiras grandes obras, respetivamente, com 8 e 7 anos. São designadas de precoces, as crianças assim: capazes de ações impróprias para a idade, que nem a maioria dos adultos seria hábil de efetuar. No contexto futebolístico, também encontramos “meninos precoces” – e esta rubrica está plena deles. Afinal, de que outro modo os conheceríamos se seguissem a norma, destacando-se apenas quando atingissem o escalão sénior? O caso de hoje é dos mais peculiares e intrigantes: senhoras e senhores, Marcus Rashford.
A primeira vez que Rashford tocou numa bola de futebol resultou em golo. Este facto, de génese tipicamente Zlataniana, provavelmente é falso, mas permitiria explicar a tara de Marcus em “fazer o gosto ao pé” em estreias. Primeira partida a titular pelo Manchester United? Dois golos; estreia na Premier League? Dois golos; estreia no derby de Manchester? Um golo; primeiro jogo pela seleção inglesa? Um golo. Simultaneamente, foi-se divertindo, no decurso da época transata, a bater recordes: mais jovem de sempre a marcar em competições europeias com a camisola dos “Red Devils” (destronando a lenda das lendas George Best), jogador mais novo a bisar no campeonato inglês, atleta mais jovem a marcar pela seleção do “três leões”. Mais números e registos poderiam ser evocados, mas estes serão suficientes para perceber a dimensão daquilo já alcançado pelo “menino” de 19 anos – e com apenas 10 meses de equipa principal.
Gladiando por conquistar um lugar ao sol no vasto e mediático plantel do Man. United, Rashford tem dado boa conta de si. Apresentando caraterísticas de um ponta de lança puro, o jovem britânico tem, quando é chamado, dividido as despesas ofensivas com Ibrahimovic. Não tendo a capacidade técnica nem a criatividade de outros elementos à ordem de José Mourinho (ainda assim é bastante evoluído nestes aspetos), o camisa 19 compensa tais lacunas com um sentido de baliza excecional, aproximando-se com óbvia facilidade dos últimos metros do terreno de jogo, sendo uma ameaça constante para as defensivas contrárias (é dotado de um repentismo muito próprio). A boa qualidade na hora da finalização é outro ponto a favor, ainda que, naturalmente, haja visíveis progressos a serem feitos neste capítulo. A entrega e vontade com que disputa os lances são, também, predicados importantes de assinalar, ou não nos estivéssemos a referir a um atleta inglês. Em suma, um elemento entusiasmante, que “leva” o jogo em frente quando tem a bola sob controlo e que gosta de aparecer – mas apenas quando sabe que tem condições para deixar marca.
No seio de uma equipa milionária e com uma concorrência assustadora (Martial apresenta caraterísticas semelhantes… só que custou mais de 50 M€), este jovem precoce tem merecido, com justiça, de modo regular um lugar entre os eleitos do “Special One”. Nesta fase, por exemplo, dos atacantes ao dispõr do português apenas Ibra e Rooney têm mais tempo de jogo, algo que comprova cabalmente a confiança que toda a estrutura dos “Red Devils” deposita no avançado nascido e criado em Manchester. Se a aposta for feita segundo o princípio da continuidade, poucas dúvidas restam do valor que, num futuro não muito distante, Rashford atingirá.
António Hess
Top 20 de 1997:
5.º
6.º
7.º
8.º
9.º
10.º
11.º
12.º
13.º
14.º
15.º
16.º
17.º
18.º
19.º
20.º


7 Comentários
Sergio Garcia
Por vezes quando uma equipa está numa fase muito negativa e entra um jovem com personalidade irreverente ( algo comum nos extremos), acaba por ser o melhor cenário de estreia porque não existe qualquer pressão, apenas vontade e espontaneidade .
Rashford, muito bem, fez isso e tem feito muito mais, contudo tenho reparado que os jogos mais seguros e controladores do United têm sido sem ele. Espero que não seja mais um Welbeck entre muitos outros jovens ingleses que depois não dão o salto táctico, ou melhoria nas decisoes.
Nelson Mohr
Em relação ao teu primeiro parágrafo, podemos aplicar isso ao caso do Gelson no Sporting, tem claramente talento, mas sobressai-se mais por causa do mau momento da equipa no geral, e porque no outro lado está um autentico zero a jogar….
RodolfoTrindade
Este ano anda a jogar um pouco mais longe da baliza e em missões que exigem mais sacrifício da parte dele.
Tem tudo para ser um referência inglesa nos próximos anos.
Abdeeint
Craque, este não engana!
Ainda assim não gosto da forma como o Mourinho tem gerido a sua utilização, e ainda menos a de Martial. São jogadores que têm golo, não podem jogar tão longe da baliza.
Tiago Silva
Este menino é entusiasmante! Estreou-se a titular numa fase negra do United e marcou 2 golos! Tê-lo no ataque fez o United de Van Gaal crescer e a partir daí ele foi um indiscutível para o Van Gaal.
Chegou o Mourinho mas mesmo assim ele joga mesmo após a contratação do Zlatan que é só um dos melhores pontas de lança do Mundo, apesar de estar a jogar na ala (vai-se esforçando mas não é aquela a sua posição).
O Rashford tem golo, movimenta-se muito bem, tem grande qualidade técnica e tática, tem garra… tem tudo para vir a ser uma referência no United e na sua seleção.
João S
É muito positivo para o Rashford não ter de assumir já um papel fundamental na equipa do Manchester.
Joga muito bem tendo em conta que tem 19 anos, mas, se estagnasse, com 23 ou 24 não seria o suficiente para ser um avançado de topo.
Terá, assim, tempo para crescer na sombra, sem pressão e absorvendo tudo o que elementos como Ibra ou Rooney tem para ensinar
Rabiot
Rashford um craque em ascenção, ta aqui uma pérola por lapidar…Vamos ver se vai se conseguir impor como estrela no Manchester United ou acabará esquecido