Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 2000. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Os resultados dos últimos anos, quer a nível desportivo, quer a nível da gestão, até podem não o traduzir completamente, mas a verdade é que o Valencia continua a ser uma potência do futebol espanhol. A turma Che, que no início do século se sentava à mesma mesa de um Barcelona ou Real Madrid, apesar da óbvia quebra competitiva, tem sido capaz de se fortalecer através de uma das melhores academias da Europa, que lhe permite, por exemplo, contar, neste momento, com o notável número de 5 canteranos entre os jogadores mais regularmente utilizados do plantel, depois de num passado recente já ter revelado craques como Juan Bernat e Paco Alcácer, entretanto transferidos.
Ora, nesse capítulo, nenhum superará o potencial de Ferrán Torres. O jovem natural de Foios, pese a parca idade, vai na terceira época de utilização na equipa principal do Valencia (estreou-se na La Liga com apenas 17 anos, tornando-se no primeiro jogador nascido nos anos 2000 a fazê-lo), sendo que desde a temporada passada se vem assumindo como peça importante do XI inicial – é, inclusivamente, o extremo com mais minutos cumpridos pelos valencianos neste ano desportivo. Aliás, ainda teenager, soma o incrível registo de 67 partidas disputadas pelas hostes máximas do Valencia – números superiores aos de qualquer outro atleta formado no Mestalla, esta década, com a mesma idade.
Quem vê Ferrán Torres jogar, percebe porquê. O camisa 20, que já admitiu ver em Gonçalo Guedes um exemplo a seguir (considera o português próximo no estilo), tem sido constantemente uma das maiores referências da selecção espanhola nas camadas jovens (conquistou os Campeonatos Europeus de sub-17, em 2017, e sub-19, este ano, além de ter chegado à final do Mundial de sub-17 também em 2017, sendo sempre uma das figuras da Roja), e promete manter o nível com a passagem para os seniores. Um extremo direito com uma compleição física assinalável (tem 184 cm, aos quais acrescenta uma excelente capacidade de resistir ao choque), muito veloz, Ferrán prima pela irreverência, não hesitando em partir para cima do adversário em situações de 1X1. Em simultâneo, não receia arriscar o remate ou aproximar-se da baliza oposta, razão pela qual surge, muitas vezes, em posição privilegiada para marcar, sendo essa apetência uma das características que o podem levar mais longe (aparenta ter potencial para chegar aos 10 golos por época). Desequilibrador nato, com espírito combativo (não desiste facilmente da bola, apesar de defensivamente ainda haver espaço para melhorarias), deverá preocupar-se em limar algumas arestas no seu jogo (por vezes alheia-se do que se passa dentro das quatro linhas e ainda é algo irregular), mas, de resto, não há dúvidas de que estamos na presença de um talento em bruto.
Com contrato a terminar no Verão de 2021 (dentro de pouco mais de um ano, caso não renove, é livre de assinar por um clube à sua escolha), e associado aos colossos Borussia Dortmund e Juventus, é uma incógnita perceber quanto tempo mais irá Ferrán Torres permanecer no Mestalla. O Valencia, mercê de uma organização desportiva no mínimo questionável (a saída de Marcelino, treinador mais consensual desta década nos Che, continua a levantar ondas), nem sempre toma as decisões correctas, mas, atendendo ao que Torres pode oferecer à equipa, tudo o que não seja apostar ao máximo na renovação do seu contrato terá de ser visto como gestão danosa.
António Hess
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2 Comentários
Tiago Silva
Este miúdo é um craque, não tenho dúvidas que vá ser um dos melhores do Mundo na sua posição.
T. Pinto13
É um excelente jogador. E acho que por exemplo nas mãos do JJ explodia de vez.