Esta rubrica destina-se a jogadores nascidos em 2000. Os parâmetros de selecção são os feitos dos jogadores até ao momento e, principalmente, o seu potencial e o nível (patamares em termos de projecção Mundial) que poderão atingir no futuro.
Olhando para Diego Lainez, é impossível não imaginar uma espécie em vias de extinção. Baixinho e leve como uma pena, o jovem mexicano encapsula um tipo de jogador pertencente a uma era passada. Uma era em que ser extremo não passava necessariamente por ser pressionante e defensivamente comprometido; uma era em que ser extremo incluía perder a bola várias vezes por jogo, mas que, em contrapartida, também incluía espalhar pinceladas de magia a qualquer momento e decidir partidas completamente atadas.
O estilo de Lainez é, assim, tanto uma maldição como uma bênção. Por um lado, o seu jeito irreverente foi essencial para lhe garantir um espaço na equipa principal do colosso América, onde somou 51 jogos antes de atingir idade de sénior; por outro lado, esse mesmo jeito, como se esperava, está a complicar a sua adaptação ao futebol europeu e, apesar de ter mostrado bons pormenores na época passada (chegou em Janeiro ao Bétis, que o contratou por 14 Milhões de Euros), esta temporada, com as dificuldades enfrentadas pelos béticos (havia grandes expectativas para o clube andaluz, mas a verdade é que após 13 rondas só estão no 17.º lugar), vem sendo relegado para um papel secundário, não tendo ainda tido a oportunidade de figurar no XI inicial de Rubi – e no último mês e meio, só participou em 12 minutos.
Ainda assim, deverá ser uma questão de tempo até o mexicano vingar no Velho Continente. Sendo provável que perca alguma explosividade em detrimento de melhores noções tácticas (o ideal seria encontrar um treinador capaz de unir as duas vertentes – curiosamente, Quique Setién parecia perfeito para essa tarefa, mas foi demitido), o seu nível técnico é de tal modo impressionante que, por si só, chegaria para se tornar num bom jogador da La Liga. Rapidíssimo, com um controlo de bola acima da média (mesmo a elevada velocidade raramente perde a noção de onde está a “redondinha”), Lainez é um esquerdino que gosta de alinhar na sua ala natural, apesar de também poder partir da direita ou como médio ofensivo. Desequilibrador nato e detentor de um poder de aceleração e drible únicos, gosta de ir até à linha de fundo, razão que ajuda a explicar a menor apetência pelo golo (nunca será jogador para chegar aos dois dígitos numa época, nem sequer tem perfil para surgir com frequência nos momentos decisivos – ao invés, é ele que os cria).
Conforme apontado previamente, há aspectos chave no estilo de Lainez que poderão atrasar a sua afirmação plena no futebol europeu (na América Latina teria mais facilidade em exponenciar ao máximo os seus atributos), daí que o modo como será trabalhado daqui em diante (provavelmente ser-lhe-á exigido melhorar a composição física e o seu comprometimento táctico) se revista de importância máxima. Veremos, acima de tudo, se conseguirá manter intactas as suas virtudes, tipicamente presentes em jogadores de uma era há muito passada, à medida que se integra no futebol “moderno”.
António Hess
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6 Comentários
Abilio
O típico jogador que daqui a uns tempos vai ser emprestado a uma equipa portuguesa
APereira
Gostaria que os users aqui no VM dessem a sua opinião acerca do Benfica (digo Benfica por ser Benfiquista, poderia ser outro dos grandes) poder tentar comprar este craque. Ou seja, acham que é possível? Ou já tem um estatuto que não permite? Eu pelo (pouco) que vi dele acho-o fantástico, um talento enorme e não está a jogar no Betis. Talvez um empréstimo com opção de compra. Por mim seria já em Janeiro mas confesso que não sei até que ponto isto é possível, daí ter perguntado.
Pedrosdopereira
Era bom era…mas já é impossível para os cofres do Benfica.
Daniel Alves
Bem, o Bétis pagou 14 milhões por ele e ainda só tem 19 anos. Assumindo que havia dinheiro para o ordenado, só se o Bétis se quisesse livrar dele é que talvez tivéssemos hipóteses. Por menos de 20M não deve sair. E como aponta a idade, ainda é demasiado novo para o Bétis desistir dele.
Rodrigo Ferreira
Belo texto. De facto, o 1.º parágrafo é sintomático do futebol de hoje.
nomster
Acho o Lainez um jogador com uma qualidade técnica tremenda. Faz-me lembrar o compatriota Guardado quando apareceu. Imenso potencial, sem dúvida, mas acho que o seu futuro vai ser em zonas mais interiores (a 8/10), à semelhança do que aconteceu com Andrés.
Posso estar enganado, mas penso que vai ter uma carreira ao mesmo nível (infelizmente, pois acho que tem capacidade para mais).