O HMS Bounty ficou famoso, não pelas batalhas ou campanhas em que participou, mas pelo motim que permitiu à tripulação tomar conta do navio, posteriormente largando o seu comandante à deriva no mar. Insatisfeitos com a dura disciplina imposta, cederam aos apelos da vida na Polinésia, escrevendo assim um episódio da História que inspirou livros e filmes. Isto a propósito de…
Rafa Benítez acabou de ser despedido do Real Madrid. Os maus resultados e más exibições costumam ter como consequência a saída do treinador, e o Real Madrid não é mais nem menos que os outros. Até aqui, nada de novo. Mas se este era um desfecho previsível por aqueles que duvidavam das capacidades do treinador, ainda este nem se havia comprometido oficialmente com os merengues, a verdade é que existia um punhado de homens capazes que podiam provar o quão os detractores estavam errados. Mas desde o dia da apresentação, ficou claro que estes pareceram mais interessados em acelerar o processo do que propriamente em revertê-lo.
É fácil dizer que Benitez foi um erro de casting, que é incompetente e não tem pulso para uma equipa como o Real. Mas a verdade é que ele foi apenas mais uma vítima de uma epidemia que também ataca técnicos competentes, conceituados e de punho forte, todos eles acabando na rua. Facto comum? Os jogadores não estavam com eles. José Mourinho, conhecido pela estreita relação que mantém com os seus jogadores, perdeu o balneário. De Nuno Espírito Santo os jogadores do Valência não gostavam. Em ambos os casos, as capacidades profissionais dos elementos despedidos não foram colocadas em causa, mas simplesmente, estes não tinham os jogadores do seu lado. E quando assim acontece…
Actualmente está na moda elogiar a excelência dos grandes gestores, a visão dos líderes, a audácia dos empresários. Mas se estes não tiverem atrás de si uma equipa dedicada e competente, estão condenados ao fracasso. O mesmo se passa com os treinadores. Podem apresentar filosofias de jogo inovadoras, implementar metodologias de treino perfeitas, colocar em campo modelos de jogo, planos A, B e C, terem ideias e montarem um plantel com o qual o mais fervoroso adepto do FM jamais sonhou, mas se os jogadores não quiserem… não têm a menor hipótese de sucesso.
No futebol actual os jogadores são tratados como estrelas, como autênticos princípes. Têm mordomias profissionais e pessoais com as quais o comum dos mortais nem sonha. Ou melhor, sonha, pois vê-as desfiladas à sua frente. Aliás, tomara muitos atletas profissionais de diversas modalidade terem o tratamento de excelência dado aos futebolistas de elite que, como se diz na gíria, são tratados nas palminhas. No entanto…
Não é incomum os jogadores mostrarem publicamente a sua insatisfação. Seja pela pouca utilização que têm, ou com o modo como são colocados em campo. Seja pelos resultados, dos quais são participantes mas nunca responsáveis, seja por não sentirem carinho e afecto. Ou por receberem pouco, relativamente ao muito que fazem. Os jogadores, verbalmente ou através das redes sociais, demonstram uma panóplia de sentimentos negativos, que vão da angústia à infelicidade, com tal ênfase e frequência que parece inacreditável como a profissão de futebolista não é referida naquelas listas que descrevem os piores empregos do mundo. Tivesse feito Paulo Futre doutrina, assistiríamos a um desfile de rescisões por falta de condições psicológicas, tanto o sofrimento infligido.
Os balneários actuais são minados por todo um leque de quezílias, como diferenças salariais, quem está ou não próximo dos centros de decisão, sejam eles Direcção ou equipa técnica, quem é mais querido pelos adeptos, quem é criticado pela imprensa, quem é o responsável pelas vitórias e o culpado pelas derrotas. As disputas hierárquicas e o confronto de egos sempre foram e serão parte integrante de qualquer organização colectiva, mas existem situações que começam a extravasar aquilo que é concebível num ambiente profissional, até porque se torna visível até ao olho destreinado que demasiadas vezes os actores colocam os seus interesses pessoais à frente dos interesses do grupo. Situação esta facilitada porque, embora o futebol continue a ser um desporto colectivo e a palavra “grupo” seja a mais utilizada, nunca o individualismo falou tão alto. Ou não fossem também os prémios individuais valorizados como nunca. Ou não houvesse hoje em dia tantos adeptos de jogadores quanto há adeptos de clubes. Ou talvez mais. Na verdade, o futebol profissional ao mais alto nível está sob elevada pressão mediática, pelo que em dia uma equipa profissional é acompanhada por um exército de técnicos especializados e psicólogos. Mas alguns comportamentos levam a pensar que o que ainda faz falta ao staff é uma educadora de infância, pois a dinâmica em muito se assemelha à encontrada na pré-primária.
Chegados a este ponto, perguntamo-nos o porquê da corda partir sempre do lado do treinador. Os dirigentes devem ter a consciência de que os jogadores estão de má-fé, numa atitude ainda por cima recorrente. Os adeptos conseguem enxergar que um jogador não se aplica no relvado. Os jornalistas vêem que os atletas boicotam o treinador. Então porque não correr com todas as divas e crianças mimadas?
A resposta mais simples é de que é mais simples, rápido e barato despedir um do que despedir onze. O treinador foi, é e será o elo mais fraco, pois é francamente mais complicado construir um plantel do que uma equipa técnica. Existe o argumento de que um clube não pode ficar refém do trabalho e das manias de um treinador, mas o facto é que acaba por ficar refém sim, de um grupo de jogadores que acaba por pôr e dispôr à sua vontade. Outro ponto é o do relacionamento com os adeptos, e na realidade estes têm muita culpa no cartório, pois além de raramente tomarem partido do treinador, acabam por eles próprios potenciar os comportamentos negativos, com a sua devoção. Afinal, deslocamo-nos ao estádio para ver vinte e dois artistas atrás de uma bola, e não vinte e dois a correrem, mais dois a mirarem do banco suplentes. O que não deixa de ser curioso é que a um Messi que se sente “pressionado” porque está num lucrativo processo de renovação, ou a um Ronaldo que marca o dobro dos golos do Benzema mas não recebe o dobro dos prémios e o triplo dos mimos, tudo se perdoa, enquanto que a um desgraçado que queira rescindir por vencimentos em atraso se exija “brio profissional”. Ou de que a um atleta semi-amador tudo se exija, sem a menor contemplação, enquanto que para um futebolista pago principescamente haja sempre uma boa desculpa ou justificação.
Mas mesmo que uma Direcção tente varrer o chão, hoje é tremendamente complicado um clube livrar-se de um jogador. Os investimentos são infinitamente superiores, pelo que o retorno deve ser minimamente proporcional, os salários elevados (dos quais os atletas não abdicam) reduzem a oferta disponível, e ao contrário do que acontecia no passado, colocar um jogador na prateleira apenas serve para manter uma despesa até que o contrato que o une ao clube expire. E por exemplos recentes, até há jogadores que nem se incomodam em ficar um ou dois anos sem jogar, desde que recebam o deles no fim do mês.
Por tudo isto, a melhor solução continua a ser a mais óbvia. Por melhores intenções que tenha o comandante do navio, se cada um remar para o seu lado, a embarcação não chegará a bom porto, mesmo que aquele seja um perito a ler mapas e interpretar ventos. E assim sendo, perante uma revolta generalizada, o comandante é largado à deriva, enquanto os amotinados seguem a sua vida, como se nada se tivesse passado.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui!): Nuno R.
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0 Comentários
Rodrigo Ferreira
No fundo, quem manda são os jogadores. E não é de agora. O jogador que sair do clube, força e acaba por conseguir o que quer. O jogador não gosta do treinador, acaba por não render e o resultado acaba sempre da mesma forma: o treinador é despedido. O jogador acha que a táctica utilizada para si e para a equipa não é a melhor, opina e acaba por recolher o apoio dos adeptos e, consequentemente, impede uma resposta do treinador sob pena de causar um descontentamento do seu jogador e isso reflectir-se no seu rendimento e nos resultados.
Deste modo, muitas vezes os atletas até podem ter razão, mas nota-se, de facto, alguma falta de profissionalismo por vezes, algo incomprensível quando na maior parte dos casos se tratam de atletas muito bem pagos e que alinham em grandes clubes.
Diogo Palma
Para mim se um clube quer ter sucesso tem de arranjar forma de conciliar a direção, equipa técnica, jogadores e adeptos de forma a haver harmonia e sintonia na forma de trabalhar.
Não faz sentido mudar de projeto a cada ano, tem de haver estabilidade e tempo para os jogadores assimilarem os processos incutidos pela equipa técnica e oposto também acontece porque quanto melhor o treinador conhecer os seus atletas melhores tácticas e outras formas de treino irá criar.
Alexis
Concordo e dou os parabéns pelo texto.
Mas há excepções: veja-se o conflito entre Messi e Luis Enrique no ano passado. Chegou a haver discussões calorosas, e Messi é simplesmente o melhor do Mundo e, para os adeptos Culés, o melhor de todos os tempos. No entanto, cheirou banco durantes uns jogos, e acabou por acatar as decisões de Luis Enrique. Resultado? Ganharam o que se sabe, e ambos serão coroados como os melhores do ano. Creio ser mérito dos dois, conseguiram chegar a um entendimento pelo bem do Barcelona… porque não pode ser sempre assim? Afinal falamos de homens adultos e com um objectivo em comum (?)
Zé Barros
Concordo com tudo o que foi dito em cima. Muito bem
César Torres
Alexis acho que já não te lembras do jogo contra a Real Sociedade em que o Barcelona tinha a obrigação de ganhar porque o Real tinha perdido no dia anterior. O que o Luis Enrique fez? Deixou o Messi e o Neymar no banco, o Barça perdeu e todo mundo estava a pedir a cabeça do treinador. Foi apartir desta confusão que ele deixou de experimentar e estabeleceu a equipa principal.
Os jogadores não estavam chateados por ficarem no banco, estavam chateados porque o treinador não explicava concretamente qual era o seu plano principal, não explicava o porquê de tanta rotação. Um erro que ele(Luis Enrique) depois de ganharem a liga conseguiu assumir, disse que faltou comunicação treinador-jogadores no princípio.
Adolfo Trindade
Messi esteve um jogo no banco, esse no Anoeta, pois chegou mais tarde das férias natalicias tal como Neymar. Luis Enrique cedeu pois os jogadores consideravam-no demasiado autoritário. Houve bom senso.
Alexis
Ora ai está, a partir desse jogo houve cedencias de parte a parte… houve entendimento, e a partir daí, ninguém os parou.. se os jogadores em causa quisessem, queimavam o Luis Enrique, e não ganhavam nada.. Acho que é um claro exemplo de cedências de parte a parte em prol de um objectivo comúm…
Bhc
Grande texto…
Pessoa
Grande texto.
Já tinha pensado neste assunto à uns tempos. Quando via o Chelsea jogar. Simplesmente havia certos jogadores a arrastarem – se em campo. Quando digo o Chelsea digo outros clubes. E se estão em má forma, deviam ser responsabilizados, caso seja o pouco empenho e desempenho nos treinos e jogos gritante. No mercado do futebol, cada vez se vê mais, uma falta de profissionalismo incrível, quando nas empresas privadas de outros géneros, vemos cada vez mais, um ciclo competitivo cada vez maior, sendo o rigor, empenho, desempenho e resultados a serem a única garantia de futuro.
Flávio Trindade
Antes de mais excelente texto Nuno.
As relações de poder que se estabelecem num balneário sempre existiram e continuarão a existir.
E é esse lado humano do jogo que continua a fazer toda a diferença no futebol actual e que às vezes passa ao lado do adepto comum que se preocupa apenas com a bola que entra e a tática que se usa.
Quanto mais capaz for o treinador de compreender esse lado humano e psicológico do jogo mais possibilidades terá de ter sucesso.
Anónimo
Pensando no caso do Mourinho, Porto, Chelsea (1º passagem) e Inter, eram capazes de dar tudo em campo por ele… Madrid (2 primeiros anos, especialmente segundo) também, mas desde lá para cá, que isso não acontece. Ou seja, nem sempre por melhor que um treinador compreenda esse lado que falas consegue dar a volta a esta questão (na minha opinião).
No caso do Mourinho bastou uma pequena decisão, que foi a meio do terceiro ano quando Iker esteve algum tempo parado por lesão, colocá-lo no banco, e começou a ser minado.. uma decisão tão básica (que certamente terá parecido a mais racional na altura ao treinador), que teve um efeito de bola de neve gigantesco!!
P.S. –> Não estou a dizer que mourinho é um santo na forma como lida com os jogadores.
Cumps,
Rui Sousa
hdff
O que já li sobre o insucesso do Mourinho nesses casos referidos é que os jogadores cansaram-se dele, dos seus mind-games, como dizem os brasileiros, ficaram de saco-cheio, ou seja, extenuados de levar com os "filmes dele" Ao inicio dá resultado mas passado um tempo farta
Dani
Eu continuo a achar que o Mourinho devia ter metido meio mundo a ver os jogos na bancada e jogar com os que quisessem realmente fazer alguma coisa. O Chelsea não tem uma das equipas jovens mais promissoras do mundo? Alguns devem ter nível para jogar na premier. Pior que "quase despromoção" não teriam feito, e podia ser que abrissem a pestana.
Mas que espécie de profissionais deixam de dar o máximo porque a gaja boa da fisioterapia foi despedida? E logo jogadores de futebol do mais alto nível, que dificilmente têm problemas em arranjar paletes/charters de mulheres. Haja paciência para meninos destes.
Anónimo
Acho que o que realmente se deveria retirar disto não é ''quem manda são os jogadores'' mas sim ''quem manda, é quem manda… mais''
Como diz no texto ''Por melhores intenções que tenha o comandante do navio, se cada um remar para o seu lado, a embarcação não chegará a bom Porto, mesmo que aquele seja um perito a ler mapas ou interpretar ventos''
Ou seja, como eu já referi aqui antes acho que cada vez mais um treinador tem de ser exímio em termos psicológicos, que consiga imprimir motivação, determinação e confiança nos seus jogadores. Não é só preciso ter uma tática… é preciso que os jogadores acreditem nela.
Noutras palavras: Diego Simeone.
''que suerte que tengo, de tener jugadores que quieren jugar la pelota''
Luis Freitas
Kafka I
Nuno R
Excelente texto e concordo com practicamente tudo
Deixa-me só acrescentar que a Lei Bosman foi um catalisador importante para o o estado actual das coisas onde os jogadores têm um poder desmesurado, porque antigamente um jogador mesmo que fizesse birra não tinha alternativa pois não lhe adiantava esperar pelo fim de contrato para sair a custo zero como hoje em dia sucede, logo os clubes na altura punham e dispunham
Com a Lei Bosman o poder mudou e agora os clubes vivem no constante medo do jogador não querer renovar e assim perder milhões e portanto isso dá um poder enorme aos jogadores
José S.
Nem mais!!
Anónimo
Tendo levantado essa questão…qual a tua posição relativamente aos efeitos da Lei Bosman? Isto é, mencionas e bem que a Lei Bosman foi um dos (provavelmente o maior) catalisadores que gerou esta mudança de paradigma no futebol moderno, no entanto achas que trouxe mais benefícios ou problemas?
Cumps,
Rui Sousa
Pedritxo
Passou dos 8 aos 80, dantes os clubes mandavam ,agora os jogadores, nao ha meio -termo.
Kafka I
Rui Sousa
Respondendo-te subscrevo o que o Pedritxo disse, ou seja, passamos do 8 ou 80…. os clubes antes eram Reis e Senhores e "abusavam" disso perante os jogadores, agora é o inverso e são os jogadores que fazem o que querem e lhes apetece…
Na minha opinião falta o "meio-termo"
José Soares
O futebol está a sofrer as consequências de ser considerado o "desporto rei". Os interesses prevalecem e sobrepõem-se aquilo que todos nós queremos ver, o espéctaculo.
Para atingir esse "meio-termo", talvez não era má ideia a implementação daquilo que existe na NBA, a possibilidade de um jogador livre ser restricted ou não. Não invertia totalmente a situação, mas servia para se amenizar muito deste problema.
Kafka I
Concordo José Soares, o Futebol só tinha a ganhar se fosse buscar algumas das regras que existem na NFL e na NBA
Anónimo
José Soares, podes explicar o que essa lei diz? Não sigo NBA por isso não sei…
Ricardo
SC
Um jogador que seja Restricted Free Agent, basicamente é um jogador que pode assinar por qualquer equipa, mas a equipa onde ele joga pode manter esse jogador se pagar o que a outra equipa oferece. Vou dar um exemplo:
Vamos imaginar que o Manuel que joga no Barça e é Restricted Free Agent. Vem o Real e oferece-lhe um salário de 50M por 2 épocas. O Manuel aceita o contrato do Real. Se o Barça quiser ficar com o Manuel basta pagar-lhe os mesmos 50M por 2 épocas que o Real está a oferecer e assim o Manuel não tem escolha e fica no Barça. É basicamente assim que funciona. Não sei se me fiz entender bem, mas qualquer dúvida é só dizer.
Nuno R
Quando um jogador termina um contrato, pode ser UFA ou RFA, sendo que o primeiro é livre de assuinar por quem quiser, e no segundo caso, o clube de onde saiu pode cobrir qualquer oferta que receba.
Não sei ao certo quais as circustâncias em que um jogador fica R(estricted) ou U(nrestricted).
De qualquer modo, na NBA um jogador tem a vantagem (ou desvantagem, conforme) de ter o contrato garantido, ou seja, se assinou X anos por valor Y, ele vai sempre receber esse valor, mesmo que nem jogue. O mesmo vale para os clubes, que têm de pagar sempre aquele contrato, mesmo que se arrependam. O m+áximo que podem fazer é trocar o jogador (mas os salários de quem entra e sai obedecem a certas normas), ou colocá-lo na waiver, o que significa que podem diluir o que lhe devem por mais anos (mas têm sempre de pagar).
A NBA (e qq liga americana) tem um conjunto de regras rígidas que transformam o management numa arte.
José Soares
Os free agents, ou seja, jogadores livres são os jogadores que chegam ao fim do seu contrato. Porém, existem dois tipos de free agents (pelo menos na NBA), os unrestricted e os restricted. Os unrestricted são os "clássicos" jogadores livres que podem escolher o seu futuro não dependendo de terceiros. Por sua vez, os restricted, possuem uma clausula no seu contrato que afirma que após o termino do mesmo, outras equipas que não a sua, podem efetuar uma proposta ao jogador no valor de X (penso que existe um valor minimo). Se o jogador aceitar, a equipa actual tem (julgo que) 3 dias para igualar a oferta, arriscando-se a perder o jogador. Por exemplo, o Carrillo é restricted e, vamos supor, o Porto propunha-lhe um contrato. O peruano aceita, mas o Sporting iguala a oferta do Porto, ou até a supera, portanto o Carrillo vai ter que continuar em Alvalade.
Não sou grande especialista no tema, mas dentro daquilo que sei, espero ter ajudado caro Ricardo.
Cumprimentos.
Kafka I
Caro SC
Podes dar todos os exemplos possíveis, menos do "Manuel" no Barça :)…
A forma veemente como o "Manuel" aqui no blogue defende o LFV …ai enganei-me quis escrever Benfica, leva-me a acreditar que jamais ele vestiria outra camisola que não a do LFV…outra vez a enganar-me, Benfica… :)
A não ser que o LFV um dia venha a ser Presidente do Barça…ah espera não pode porque não é sócio, o Barça deve ser dos poucos clubes no Mundo que o LFV não é sócio…
SC
Eu como não tenho clube português passa-me um bocado ao lado os posts dos 3 grandes, mas já percebi que existe aqui malta um pouco excessivamente tendenciosa. Não foi para picar ninguém, foi mais numa de JJ que chama "Manel" a qualquer um por ser um nome típico português.
André Gomes
Nuno R, as circunstâncias para um jogador seja R ou U é o último ano do contrato que ele assinou. Se ele assina um contrato em que o último ano é um Qualyfing Offer (ou seja, o clube atual pode cobrir qualquer oferta feita por ele), ele é um Free Agent restrito. Quando se é irrestrito não há nenhuma limitação. Assina por quem ele quiser.
Bruno Rodrigues
Relativamente a este tema, recomendo um filme, The Damned United.
VettelF1
Já o vi duas vezes, é brutal esse filme.
Lá está, o Brian Clough já estava condenado ao insucesso assim que chegou ao Leeds.
Alves
Nunca vi, é sobre quê? Tem bons atores?
diogoribeiro
O melhor filme de futebol que já vi.
João
Já o procurei no YouTube mas só o encontrei em espanhol. Sabe onde posso encontrar a versão original? Agradecia.
Anónimo
Excelente texto Nuno, e muito pertinente.
Nada a acrescentar.
Cumps,
Rui Sousa
Paulo Matos
Isto faz deste aspecto do futebol um péssimo exemplo para a sociedade, em especial para as crianças. Mas o mal nem começa no futebol, mas sim no peso desmesurado que o dinheiro tem em quase tudo na vida. O futebol apenas reflecte uma sociedade cada vez mais apegada a esta virtualidade, esquecendo cada vez mais tantos outros aspectos importantes que contribuem para o nosso bem estar. A título de exemplo, observem quantos jogadores ou treinadores estão mesmo felizes a desempenhar a sua função, com um sorriso genuíno. É difícil encontrar alguém no mundo do futebol que está mesmo a desfrutar daquilo que mais gosta de fazer, como se fosse uma criança a jogar à bola sem se aperceber que a sua mãe já o chamou para jantar há mais de uma hora.
Pedritxo
Concordo inteiramente com o texto, se os jogadores quiserem fazer a folha, o treinador esta feito, e para o clube torna-se mais facil despedir meia duzia de pessoas do que dezenas de jogadores, e depois os melhores jogadores do mundo , nota-se que sao muito mimados, ninguem pode contrariar os meninos, que fazem logo birra.
E por isso que defendo que os treinadores deviam ter melhor ordenado do que os jogadores,porque isso ja impunha um certo respeito sobre alguns.
Pedro Barata
Grande texto Nuno, parabéns.
Gostaria só de acrescentar umas palavras de Arbeloa numa entrevista recente:
"Nessa noite Camacho, que tinha acabado de perder 3-0 com o Leverkusen no primeiro jogo da Champions (com Ronaldo e Figo no banco), deixa de fora a Beckham, Raúl e ao avançado que ele não queria, Owen, porque tinha pedido um médio de contenção. E mete de início Juanfran e Celades. Estávamos em Setembro e o balneário já era um barril de pólvora.
"Agora vão contar o onze aos vossos amigos da imprensa!", gritava Camacho depois de ter dado o onze. E um jogador riu-se. "Sim, ri-te", continuava o técnico. E eu, jovem de 20 anos, só pensava "fogo, estes tipo estão acima do bem e do mal".
Kafka I
Melhor complemento ao texto do NUno R era impossivel
Zé Barros
Desconhecia essa entrevista, mas as palavras não podiam estar mais acertadas.
Anónimo
Desconhecia essa entrevista também. Sabes onde consigo ler na íntegra (o Arbeloa é um jogador que aprecio bastante, não tanto pela qualidade mas mais pela postura)?
Óptimo complemento.
Cumps,
Rui Sousa
Zé Barros
Excelente texto. Parabéns
Realmente hoje, cada vez mais, "só" os jogadores mandam.
Temos dois exemplos recentes: Rafa Benítez e Mourinho.
O Mourinho, como todos sabemos, é um dos melhores treinadores de sempre. Mas durante esta época, os jogadores fizeram de tudo para o tirar do Chelsea (talvez o caso com Eva Carneiro tenha "ajudado"). Não queriam jogar bem e, salvo raras excepções, não jogaram mesmo nada bem.
Sobre Benítez, desde o início os jogadores não o queriam lá (sempre se percebeu que eram próximos e confiavam em Ancelotti, talvez pela conquista da Décima) e Benítez nem conseguiu bem pode tentar remediar a situação.
Casos un pouco diferentes mas com um elo comum muito bem explicado no texto: quando os jogadores não querem, não se pode fazer nada
Anónimo
Texto espectacular, concordo a 100%.
António Matias
Rodolfo Trindade
Excelente texto Nuno R.
E Jorge
Eu sinceramente não concordo com a forma que se tenta limpar a imagem dos treindores aqui no blog. É que quando ganham ninguém lembra-se que o treinador x ou y tem problemas com o jogador z, mas quando as coisas vão mal é porque fizeram-lhe a cama.
Nunca nenhum treinador do Real Madrid teve tanto poder dentro do clube como o Mourinho. O homem queria ser treinador e director, quando na verdade deveria tentar relacionar-se melhor com os jogadores. Mourinho chegou a ficar 1 ano sem falar com o Káká, Sergio Ramos e Casillas. Sendo ele português, deveria mostrar aos restantes jogadores que os portugueses no estrangeiro são unidos e não aturam bifanas de ninguém. Mas não, criou guerras e perdeu o apoio dos 3 portugueses que encontravam-se no plantel, 2 deles eram dos jogadores mais importantes do plantel.
Em relação a sua última temporada no Chelsea, achar que o Mourinho estava próximo do último lugar porque fizeram-lhe a cama é simplesmente não querer reconhecer que o homem parou no tempo…
A equipa do Nuno não jogava nada. Quem viu pelo menos 5 ou 6 jogos seguidos do Valência com o Nuno sabe bem do que falo. Mas lá está, muita gente não viu e deixou-se levar pelos títulos tendenciosos de jornais como Record e o Jogo, que apesar de serem bons na divulgação de conteúdo desportivo, também são bons na sobrevalorização de tudo que seja português fora do país e que esteja a fazer um trabalho razoável.
O Benítez é outro que parou no tempo. Contra os pequenos assumia a postura de dono de campo mas contra os grandes ficava todo cheio de medo. É que esta temporada ainda não vi o Real Madrid a assumir o jogo contra uma equipa média ou grande.
Esta última parte que estou a escrever aplica-se a passagem do Benítez e a do Mourinho no Real, e acho que ajuda a acabar com a idéia de que os jogadores lhes fizeram a cama. Jogadores como Ronaldo, Pepe, Modric, Kroos e Marcelo são conhecidos como jogadores que levam a profissão muito a sério. Mas um Ronaldo vai deixar de marcar por causa das birras contra o treinador? O Ronaldo quer ganhar, quer ser melhor do mundo, quer poder dizer que na temporada x ou y foi melhor do que o Messi. Uma pessoa assim, não deixa de fazer o seu jogo habitual porque não tem uma boa relação com o treinador.O Modric esta temporada não tem rendido nada, acham mesmo que é só porque queria fazer a cama ao treinador? O Pepe com o Ancelotti encostou por completo o Varane, isto depois do Mourinho ter dito que o Pepe estava chateado porque foi ultrapassado por um rapaz de 20 anos. Acham mesmo que iria quebrar na presente temporada só por causa do treinador? Por favor…
Francisco Vieira
"Eu sinceramente não concordo com a forma que se tenta limpar a imagem dos treinadores aqui no blog". Eu não concordo com a forma em que se tenta queimar os treinadores aqui no blog. É o Wenger, é o Mourinho, o Ancellotti, o Guardiola, etc. Estamos a falar de treinadores que daqui a 100 anos ainda serão considerados como parte dos melhores treinadores de sempre. E depois quando têm um resultado menos bom, estão acabados ou "pararam no tempo". Gostava de ver o que diriam do Clough no Leeds, ou até do Ferguson quando esteve quase a sair do United. O primeiro estava acabado e tinha parado no tempo e o segundo não tinha estaleca para a Premier League.
Será que o Chelsea passou de 1º para lutar pela manutenção porque o Mourinho parou no tempo? De um ano para o outro a desatualização do Mourinho foi tanta que isto aconteceu? O futebol deve ter mudado muito nos últimos 6 meses realmente.
Como é que uma equipa que mantém o treinador e o plantel desce de primeiro para quase último em poucos meses? Como é que há 10 ou mais jogadores que seguem a melhor temporada das suas vidas com a pior? Resumir isto a "o Mourinho parou no tempo" é ridículo. Um pouco de noção sff.
Queimar um treinador porque não gostamos dos seus métodos ou das suas decisões deve ser das piores coisas que se deve fazer no futebol. É os jogadores a colocarem-se à frente do clube. Preferem que o clube esteja numa má posição do que levarem raspanetes do treinador ou ficar no banco. E a verdade é muito mais comum do que se pensa, principalmente nas camadas jovens.
alaranjado
Bom texto, tenho o mesmo ponto de vista, é um dilema muito grande para o presidente quando isto acontece. O caso típico é como disseram o Real Madrid, em que via-se em campo que os jogadores à frente da defesa só queriam ver se marcavam o seu golo, e se a equipa ganhava era um objectivo secundário, pois ninguém acusa os marcadores dos golos das derrotas. Com isto, o presidente ao despedir o treinador está a ceder aos jogadores/adeptos, que assim já sabem que para a próxima vez é fazer a mesma coisa e o presidente acabará por ceder. O oposto era para mim o Man Utd de Fergunson, em que os jogadores sabiam que não havia hipótese de ele sair, por isso tinham de "comer e calar", e acho que o sucesso dele nos últimos anos deveu-se a isso em parte.
NoSense
E porque não limitar a entrada e saída de treinadores ao mesmo período das transferências? Será que Hazard e Diego Costa a ir para o banco os jogos todos não iam começar a jogar melhor (é que há partida, já sabiam quem mais dia, menos dia Mourinho era despedido e voltariam a jogar, mas se tivessem que ficar com ele até Janeiro, tinham que se habituar à condição de suplente meia época)…e isto tendo como exemplo apenas o Chelsea, porque muitos mais casos existem
Anónimo
Texto Fantástico, parabéns !
Nines
Judge Dredd
Muitos treinadores tb fazem a cama a si mesmos(Benitez, Lopetegui)
RMSO
Grande texto Nuno R., mais um.
Na minha opinião é preciso urgentemente encontrar um meio termo. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A aplicação de algumas medidas tipo NBA, como aqui já se falou, podia ser uma solução. A verdade é que algo tem que mudar urgentemente.
Anónimo
Bruno de Carvalho é um exemplo para esses jogadores que pensam que estão acima do clube, Carrillo, Ilori, Bruma são exemplos disso, não há ninguém acima de um clube, há que respeitar o clube e a massa associativa, e estes três desrespeitaram o Sporting e a sua massa associativa, por muito má lingua que seja BDC, não deixa que desrespeitem o Sporting
Carlos