As eleições do Benfica estão à porta e existem 2 candidatos à presidência do clube da Luz: o actual presidente Luís Filipe Vieira – Lista A, e o seu opositor, Rui Rangel – Lista B.
Luís Filipe Vieira, empresário e antigo presidente do Alverca, extinto após falência, que chegou ao Benfica no mandato de Manuel Vilarinho (2000- 2003), para ser o assessor da SAD e responsável pelo futebol. Aproveitou o bom trabalho de recuperação do clube realizado por Vilarinho e, tal como o seu antecessor, empenhou-se no relançamento e reconstrução do clube, sendo um dos responsáveis pela construção do novo Estádio da Luz, com grande ajuda de Mário Dias, apelidado por Vieira de “o pai do estádio”, e pelo centro de estágios do Seixal. Tornou o clube na instituição com o maior número de sócios do Mundo, bem como no 21º clube do mundo com mais receitas, em 2010. Contribuiu igualmente para a reestruturação das modalidades do clube da luz e das casas do Benfica. O seu primeiro mandato foi reconhecido por muitos, inclusive Rangel, como o melhor.
No conjunto dos seus três mandatos, destacam-se a deterioração de relações com o Porto, e o uso dessa instituição e do seu presidente para incentivar alguns sócios do Benfica e os aproximar de si (aliás à imagem do que acontece nesse clube nortenho) mas, sendo quase sempre derrotado no campo e fora dele. Fica também marcado por ter na sua direcção adeptos dos principais rivais, e de ter apoiado a candidatura do antigo director da SAD do FCP, primeiro à presidência da Liga de Clubes e depois à presidência da FPF, e por ter “arrumado na prateleira” Rui Costa afastando-o totalmente do futebol (apenas vai aos sorteiros do clube nas várias competições, ele que era o seu suposto sucessor), substituindo-o pelo sportinguista António Carraça. Tem como balanço final de títulos no futebol apenas 2 Campeonatos, 1 Taça de Portugal, 1 Supertaça e 4 Taças da Liga, isto depois de ter prometido campeonatos todos os anos e ter dado a entender que queria vencer a Champions League pois, segundo o mesmo, tinha aprendido com os erros do passado. O clube tem 95 jogadores profissionais inscritos (muitos deles nem sequer 1 minuto fizeram com a camisola encarnada) e prometeu uma equipa de fazer inveja aos gigantes da Europa, mas não conseguiu, por exemplo, contratar um defesa esquerdo de qualidade e acabou por vender os dois mais importante jogadores do meio campo defensivo, Javi e Witsel, nos últimos dias de mercado sem precaver substitutos à altura, um pouco a imagem do que fez no 2º ano de Fernando Santos, depois de vender Simão e Manuel Fernandes. Compromete-se também com uma prolongação de contrato por mais um ano (até 2013) com a Olivedesportos e com a assinatura de um direito de opção com essa mesma empresa pelos direitos de televisão do clube.
Vieira é apelidado por alguns como o pior presidente da história do Benfica, isto em relação ao tempo ao leme do clube e ao número de títulos de futebol, a modalidade mais importante, de mais impacto. O clube de Lisboa ainda com grande parte do estádio e centro de estágio por pagar, tem um passivo actual assombroso, na ordem dos 500M € (era de cerca de 80M quando Vieira chegou ao clube), e o último relatório de contas foi reprovado em assembleia geral do clube, tendo o presidente do Benfica saído sob escolta policial.
Nas últimas eleições (2009), houve alguma contestação devido à falta de títulos, e o aparecimento do Movimento Benfica, Vencer Vencer, que tinha como rostos mais fortes, Rui Rangel (actual opositor), Varandas Fernandes, José Veiga e José Eduardo Moniz. Este movimento ganhou força e ameaçava anunciar um candidato forte para as eleições em Outubro, e Vieira demite-se do cargo provocando eleições antecipadas, deitando assim por terra a hipótese desse movimento preparar o tal candidato (Eduardo Moniz?). Deixou ainda no ar a ideia que iria “formar” Rui Costa para ser o seu sucessor natural, e derrotou o único opositor por cerca de 92% dos votos.
Para estas eleições tem a seu lado 2 dos seus antigos opositores que fizeram parte do tal movimento vencer, vencer que são Eduardo Moniz e Varandas Fernandes. Esta parece ser uma estratégia de Vieira, ou seja, tentar rodear-se de ex-opositores com nomes fortes (tal como tentou fazer com Rui Rangel, mas sem sucesso), de jogadores queridos do clube e treinadores reconhecidos como Scolari e Mourinho, curiosamente (ou não) todos representados por Jorge Mendes, usando-os como escudo e evitando a exposição e o debate de ideias na comunicação social.
Como opositor, tem Rui Rangel, Juiz de profissão há cerca de 20 anos, homem com uma ligação forte à qualidade dos cidadãos, sendo o presidente da Associação de Juízes pela Cidadania, sócio do Benfica há 27 anos e presença assídua no Estádio da Luz e apoiante das modalidades.
Rui Rangel, um dos fundadores do Movimento Benfica Vencer, Vencer, apresenta uma lista composta de ilustres e antigos dirigentes do Benfica, como Fernando Tavares e Olavo e Cunha, por exemplo. Apresenta a sua candidatura com o slogan « o Benfica aos Benfiquistas » e pela primeira vez nos últimos anos, propõe um projecto eleitoral. Esse projecto assenta numa política desportiva vencedora que pretende, por exemplo, dar de novo importância à tutela do director desportivo na área de suporte aos jogadores e equipas técnicas (ao que tudo indica vai fazer regressar Rui Costa a essas funções); numa gestão financeira e patrimonial sólida, propondo um modelo de equilíbrio financeiro de forma a garantir que o Benfica seja um parceiro credível na relação com os Bancos, uma auditoria às contas do clube e uma gestão dos fundos de investimento de forma a salvaguardar os interesses do clube e encontrar solução para os direitos televisivos e distribuição do canal BTV pelos países PALOP; numa política de investimento na formação, no jogador português e no desenvolvimento do futebol português apoiando, por exemplo, a implementação de novas tecnologias e tomando parte activa no processo de credibilização da arbitragem nacional; numa política que permita ao Benfica ser um clube de valores fortes e inabaláveis, baseado no sucesso desportivo tal como foi nas décadas de 60 e 70. Rangel pretende recuperar o Benfica glorioso do passado e projectar um Benfica de futuro a nível Nacional e Europeu, sem estar dependente de bancos, de fundos de investimento duvidosos e empresários que apenas pretendem o sucesso pessoal. Quem será o próximo presidente do Sport Lisboa e Benfica? Chegou ao fim o reinado de LFV, ou este ainda tem condições para presidir o clube? Valerá a pena a mudança? Conseguirá Rangel o tão desejado debate televisivo com Vieira, tal como Vilarinho conseguiu em 2000 e que o ajudou a derrotar Vale e Azevedo? Terá Rangel capacidade para governar o SLB e recolocar o clube no caminho das vitórias?
Visão do Leitor: Filipe Almeida


