Após ter terminado em 2.º lugar do grupo E da fase de qualificação europeia para o mundial (atrás da Polónia e à frente de Montenegro, Roménia, Arménia e Cazaquistão), a Dinamarca impôs-se à República da Irlanda no playoff. Ao nulo na primeira mão em solo dinamarquês seguiu-se um triunfo por 5-1 na Irlanda, com um super-Eriksen a marcar 3 golos que colocaram o seu país na Rússia. Ora, para os vermelho e brancos este certame surge como uma chance de dar uma sapatada no momento pouco fulgurante que vivem. Com efeito, após só ter estado presente numa grande competição internacional até 1984 (o Europeu’1964), a Dinamarca assumiu-se, nas duas décadas entre 1984 e 2004, como uma sólida e regular formação, bastando para isso salientar que marcou participação em 6 fases finais de europeus consecutivas (com a vitória final em 1992, o 3.º lugar em 1984 e os quartos-de-final em 2004) e em 3 dos 5 mundiais que se disputaram no referido período (superando a fase de grupos em todos, atingindo os quartos-de-final em 1998 e os oitavos em 1986 e 2002). No entanto, a queda nos quartos do Euro’2004 (no desempate por penáltis contra a Holanda realizado no Algarve) marcou uma viragem no percurso dos nórdicos, os quais só marcaram presença numa das 3 últimas fases finais de mundiais e numa das últimas 3 fases finais de europeus, tendo ambas as prestações (no Mundial’2010 e Euro’2012) terminado logo na fase de grupos. Uma selecção que entre 1984 e 2004 esteve em 9 fases finais e passou da fase de grupos em 6 (3 delas em campeonatos do mundo), nos últimos 14 anos tem oscilado entre falhanços no apuramento e eliminações na fase de grupos. Portanto fica claro que a Dinamarca chega à Rússia com a clara missão de inverter a tendência que se instalou no passado recente. O experiente norueguês Age Hareide chegou ao comando técnico em 2016 após vários anos de trabalho consistente nos países nórdicos, ostentando o feito de ter vencido a liga na Suécia (em 1999 pelo Helsinborgs e em 2014 pelo Malmo), na Dinamarca (em 2002 pelo Brondby) e na Noruega (em 2003 pelo Rosenborg), e logrando ter êxito na missão de devolver os dinamarqueses a um grande certame após as ausências de 2014 e 2016. Com um elenco com muitos jogadores num bom ponto de maturidade e experiência mas sem chegar à excessiva veterania (15 dos 23 convocados estão entre os 25 e os 32 anos), não restam dúvidas de que Christian Eriksen é o maior argumento competitivo desta selecção, esperando os dinamarqueses que o craque do Tottenham esteja tão inspirado quanto no playoff e faça a diferença com o seu talento. Inserida no grupo C juntamente com França, Perú e Austrália, o objecto terá de passar por atingir os oitavos-de-final e assim lograr a melhor prestação num mundial desde 2002. Uma boa entrada na estreia com o Perú será crucial, havendo depois um duelo com a teoricamente mais acessível Austrália antes da conclusão do grupo contra a França.
Estrela: Christian Eriksen (Médio, 26 anos, Tottenham) – A grande estrela dinamarquesa dos últimos aos, Eriksen mostrou que consegue levar a selecção às costas durante a fase de apuramento, contribuindo com uns fantásticos 11 tentos em 12 partidas realizadas. Há 5 temporadas no Tottenham, o criativo viveu uma campanha de grande fulgor em 2017-2018 com 14 golos e 13 assistências no spurs. Médio de enorme visão de jogo ,qualidade no passe e remate e mestria nas bolas paradas, a Dinamarca necessitará que Eriksen esteja ao seu melhor nível para criar jogo ofensivo, ele que é um dos 3 jogadores deste plantel que sabe o que é estar num mundial (tal como Kvist e Kjaer, marcou presença no África do Sul’2010).
Jogadores em destaque: Kasper Schmeichel (Guarda-redes, 31 anos, Leicester City) – Filho do lendário Peter Schmeichel (o jogador mais internacional da história da Dinamarca), Kasper fez uma carreira na qual foi subindo aos poucos, andando por vários clubes até se fixar no Leicester. Nos foxes assumiu-se como titular e figura no regresso à Premier League, primeiro, e no histórico triunfo no campeonato inglês em 2015-2016, depois. Guardião seguro e sóbrio, tem, aos 31 anos, a primeira oportunidade de ser titular num grande torneio de selecções (foi ao Euro’2012 mas como suplente).; Andreas Christensen (Defesa-central, 22 anos, Dinamarca) – Um dos nomes mais fortes da Dinamarca para o futuro, Christensen é um central alto mas forte e elegante na saída de bola. Desde muito cedo promissor, está nas fileiras do Chelsea desde os 16 anos, tendo-se destacado a nível sénior ao serviço do Borussia Monchengladbach, onde esteve cedido entre 2015 e 2017 e foi dos melhores centrais da Bundesliga. Esta época regressou aos blues para ganhar um lugar na equipa titular de Conte, fazendo 40 partidas. Thomas Delaney (Médio, 26 anos, Werder Bremen) – Após várias épocas a bom nível no Copenhaga, nas quais venceu a liga da Dinamarca por 5 ocasiões, Delaney rumou à Bundesliga a meio da época 2016-2017 e impôs-se de imediato, contabilizando 39 partidas e 7 golos pelo Bremen em temporada e meia. Estas boas prestações valem-lhe não só a titularidade na selecção como a forte cobiça do Borussia Dortmund, noticiando-se na Alemanha que pode estar perto de protagonizar uma transferência na casa dos 20 milhões de euros.
XI Base: Kasper Schmeichel; Dalsgaard Kjaer, Christensen, Larsen; Kvist, Delaney, Eriksen; Poulsen, Sisto, Jorgensen.
Jovem a seguir: Pione Sisto (Extremo, 23 anos, Celta de Vigo) – Filho de país do Sudão do Sul, Sisto nasceu no Uganda numa altura em que os seus progenitores fugiam à guerra e foi para a Dinamarca com apenas dois meses, chegando a família ao país com estatuto de refugiada. Desde muito cedo este extremo ágil, rápido e “descarado” deu nas vistas ao serviço do Midtjylland, valendo as suas prestações (tanto a nível interno como na Liga Europa, competição na qual brilhou contra o Manchester United) o ingresso na La Liga. Em Vigo não demorou a conquistar o seu espaço, somando 85 jogos e 11 golos em duas épocas. Sisto é um toque de exotismo nesta frieza nórdica e Age Hareide espera que seja o parceiro de Eriksen na hora de desequilibrar encontros.
Principal ausência: Nicklas Bendtner (Avançado, 30 anos, Rosenborg) – Vários nomes cotados, tais como Daniel Wass, Riza Durmisi ou Pierre Hojbjerg, ficaram de fora da convocatória final mas nenhum tem o peso do ex-Arsenal (cuja ausência, apesar de um confronto com Portugal não ser muito provável, é uma boa notícia para as hostes de Fernando Santos). Apesar de protagonizar uma carreira atribulada, Bendtner foi mantendo o seu estatuto na selecção (30 golos em 81 jogos) e nos últimos tempos até tem estado bem na Noruega, com 26 tentos em 55 partidas no Rosenborg. No entanto, uma inoportuna lesão deixa-o arredado da hipótese due estar na Rússia, ele que já fez golos num europeu e num mundial.
Convocatória: Guarda-redes: Frederik Rønnow (Brøndby IF), Jonas Lössl (Huddersfield Town), Kasper Schmeichel (Leicester City); Defesas: Andreas Christensen (Chelsea FC), Henrik Dalsgaard (Brentford FC), Jannik Vestergaard (Borussia Mönchengladbach), Jens Stryger Larsen (Udinese Calcio), Jonas Knudsen (Ipswich Town), Mathias “Zanka“ Jørgensen (Huddersfield Town), Simon Kjær (Sevilla FC); Médios: Christian Eriksen (Tottenham Hotspur), Lasse Schöne (AFC Ajax), Lukas Lerager (Girondins de Bordeaux), Michael Krohn-Dehli (RC Deportivo), Thomas Delaney (SV Werder Bremen), William Kvist (FC Kopenhagen); Avançados: Andreas Cornelius (Atalanta), Kasper Dolberg (AFC Ajax), Martin C. Braithwaite (Girondins de Bordeaux), Nicolai Jørgensen (Feyenoord), Pione Sisto (Celta Vigo), Viktor Fischer (FC Kopenhagen), Yussuf Poulsen (RB Leipzig)
Selecionador: Age Hareide
Prognóstico VM: 2.º lugar no grupo C e oitavos-de-final
Pedro Barata
Outras selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: Uruguai
Grupo B: Marrocos
Grupo C: França, Dinamarca
Grupo D: Islândia, Argentina
Grupo E: Costa Rica, Brasil, Sérvia
Grupo F: Suécia, Coreia do Sul
Grupo G: Inglaterra, Panamá
Grupo H: Senegal, Japão


8 Comentários
JoaoMiguel96
De facto ainda estou para perceber como é que Durmisi, Hojberg ou Wass ficaram de fora.
Boa seleção, mas depende muito de Eriksen. Vamos ver o que fazem.
T. Pinto13
O Wass foi por ter muitos jogos e estar cansado aos olhos do selecionador…
JoaoMiguel96
Então os do Sporting não deviam ter sido convocados, tinham praticamente 60 jogos em cima.
mcthespecialone
Acho que vão ficar pela fase de grupos…
Tiago Silva
A convocatória foi um bocado estranha. Nomes como o Durmisi (seria titular de caras a meu ver) ou Wass deveriam figurar na lista, nos lugares de Knudsen e Krohn-Dehli.
Mesmo assim tem muita qualidade e a equipa deve jogar para o Eriksen, este sim pode fazer a diferença, um dos melhores do Mundo na sua posição. Ele deve estar no centro da equipa, o jogo ofensivo deve passar por ele. Também gostaria de ver Dollberg como titular, mas ele jogou pouco esta época portanto o ataque deverá estar entregue a Sisto, Poulsen e Jorgensen.
Rui Miguel Ribeiro
A Dinamarca tem boas condições de se qualificar para os oitavos, tal como prevê o VM, Embora seja bastante Eriksen-dependente, penso que o fantástico médio estará à altura do desafio.
Manchester Is Red
Selecção razoável e, como o VM diz, super-dependente do super-Eriksen.
A passagem aos Oitavos poderá ser uma realidade, mas mais porque o grupo não é nada do outro mundo. Peru pode surpreender mas na teoria será França em 1º e Dinamarca em 2º.
Rabiot9
Quero ver como se safa o meu pupilo do Fm Kasper Dolberg