Se “de promessas está o inferno cheio”, então o Giuseppe Meazza está lotado. Casa de dois dos maiores clubes do passado recente do futebol europeu, o também denominado San Siro transformou-se num recinto dececionante, decadente (ao invés do clima vivo e de êxtase de outrora), albergando emblemas cujas promessas de renascimento nada mais são que tentativas desesperadas para tornar as instituições credíveis. Se o caso do AC Milan atinge níveis de gravidade preocupantes, o do Inter prometia reverter-se rapidamente, tal foi a aposta na contratação de jogadores de renome. Contudo, nestes últimos dois anos, poucos se conseguiram impôr, sendo o “eclipse” de Kondogbia o mais surpreendente.
Pago a preço de ouro (os nerazzurri desembolsaram 35 M€ para o resgatar ao Mónaco, depois dos monegastos terem investido 20 M€ em si), Kondogbia foi instantaneamente visto como uma espécie de “salvador”, responsável por duas vitórias simultâneas: por ser um elemento que o Inter necessitava e por ter rumado ao conjunto de Roberto Mancini em detrimento do rival AC Milan. E havia, de resto, razões para júbilo. O centrocampista francês apresentava caraterísticas em falta na equipa três vezes campeã europeia, fazendo recordar o “de boa memória” Patrick Vieira. Pelo que mostrara no Mónaco (ficou memorável a exibição no Emirates, contra o Arsenal, a contar para os “oitavos” da Champions 2014/15), aguardava-se que segurasse fácil e brilhantemente um lugar no onze milanês, mas tal não sucedeu. Foi utilizado com frequência (26 partidas na Serie A, a maioria como titular) mas nunca foi capaz de justificar o investimento nele realizado. Falhas de posicionamento, passes e decisões erradas, enfim, os lapsos amontoaram-se, alimentando a ideia de ser um “corpo estranho” num conjunto por si incompreensível. Assim, a queda de Geoffrey acompanhou a do Inter que, após um início prometedor (a “falsa partida” da Juventus criou a ideia de que aquele poderia ser o ano dos nerazzurri), acabou a temporada num imperdoável 4º lugar, a 24 pontos da liderança. Curto para tão elevadas expetativas.
Esta época a índole autodestrutiva do Inter manteve-se. Alterar a composição da equipa técnica às portas do início do campeonato, elegendo um treinador sem experiência fora da “terra mãe” (Frank de Boer, quando se pedia um nome consolidado) foi uma decisão obviamente prejudicial para o grupo milanês, como atualmente se constata. Apesar da belíssima matéria prima (além de Kondgbia há Murillo, Miranda, Banega, João Mário, Candreva, Icardi e Gabriel Barbosa, entre outros), o arquitecto insiste em optar pelo caminho mais fácil, montando uma equipa que se limita a um estilo rudimentar e na qual palavras como dinamismo e união são abstrações impossíveis de colocar em prática. No centro de um furacão cada vez mais instável (o caso Icardi é apenas o mais recente…), Kondogbia vai caindo no esquecimento e na consideração do seu treinador, que não teve pejo em retirá-lo de campo após 28 minutos de jogo, na recente receção ao Bolonha. Será Geoffrey vítima da situação ou um dos causadores da mesma? O francês tem estado claramente aquém do esperado (nem os pessimistas imaginariam um cenário tão negativo), não conseguindo assumir-se como titular num Inter onde até parece encaixar na perfeição (o trio Medel, João Mário, Banega precisa de um “box-to-box” incansável, que “cavalgue” com a bola rumo à área adversária), colocando-se diversas questões quanto à sua verdadeira utilidade.
Não sendo a qualidade individual uma caraterística que se perde instantaneamente, a valia revelada pelo médio em Sevilla e no Mónaco não terá desaparecido, apenas estará “escondida”, aguardando por um cenário mais favorável para “explodir” novamente. O cenário certamente não é o melhor, mas é em fases adversas que os grandes jogadores se afirmam – haverá momento mais propício para tal?
António Hess


23 Comentários
Kafka
Jorge Jesus no Milan e Simeone no Inter, é esta a chave para reerguer os 2 clubes de Milão… Senão a Juve corre o sério risco de ganhar 15 campeonatos consecutivos… Já tem 6
Billy
Calma, a procissão ainda agora vai no adro… Não nos podemos esquecer que o futebol, tal como a vida, muitas vezes é matreiro
Logen
Para mim era
Handa ,candreva,miranda,murillo,Santon,kond,banega,João,perisic,eder,icardi
Abdeeint
O Kondogbia está horrível, os adeptos do Inter nem o querem ver pintado.
Pedro Jorge
Eu sei que gostavam, mas deixa lá o Jorge Jesus onde está que está bem e feliz.
cards
Desde que continue a não ganhar NADA, por mim pode continuar até ao final da carreira no Sporting.
bmcrl
Não metas JJ no mesmo patamar de Simeone.
Kafka
Não pus no mesmo patamar do Simeone, só queria o Jesus fora do Sporting, só isso
Kafka
Ainda assim e apesar de acima de tudo o querer ver fora do Sporting (e do Porto), mas para além desse factor, eu acredito piamente que faria um grande trabalho em Milão e teriamos de volta o grande Milan
Não sei se conseguiria ganhar um campeonato à Juve, mas que o Milan voltaria a contar para o Totabola, nisso acredito piamente que voltaria
bmcrl
Não acredito que fizesse um bom trabalho no estrangeiro, Kafka.
M4R7UCH0
Muitas vezes não concordo com você Kafka, mas dessa vez foi na mosca.
JJ e Simeone seriam o ideal para as equipas de Milão.
JMVA
Muita calma, nos próximos 9 anos ainda vai parar um campeonato a Udine ;)
Há de haver um ano (digo eu, não sou o Professor Karamba) em que qualquer uma das outras equipa se sobressai e é campeã. Resta saber qual e em que ano, mas parece-me muito mas mesmo muito difícil chegar aos 15 campeonatos seguidos.
José S.
Seria bastante interessante.
Simeone estão bem confortado no atlético, mas inter seria muito aproximado para ele.
Para jj qualquer clube histórico fora de portugal seria um brilho nos olhos dele.
Cumps
Fabio Teixeira
Metam-no a 6 declarado como nos primeiros tempos no Sevilha. João Mário e Banega em linhas mais subidas.
João Lains
Carreira estranha. Despontou muito jovem no Lens, um autêntico viveiro de talentos, ao lado de futuras promessas como Aurier e Varane (Thorgan Hazard também lá estava e Darnel Situ saiu para o Tottenham). Do Sevilha, recordo-me essencialmente de ser associado com muita frequência ao Real Madrid, e depois, de forma surpreendente, acaba por rumar ao Mónaco, cujos contornos do negócio, salvo erro, não terão sido bem claros. Um dos principais talentos franceses no seu país natal, tinha tudo para correr bem, mas nem por isso se afirmou de imediato na equipa. Por exemplo, lembro-me de Obbadi ser utilizado com muita regularidade por Ranieri, ao lado de Toulalan, Moutinho e James. No segundo ano no principado, destaca-se sobretudo nessa memorável noite de Londres e no duplo confronto com a Juventus (para mim, terá sido o melhor em campo em ambos os desafios). Transferiu-se para o Inter, e o início até foi auspicioso, assim como o de toda a equipa. O resto da história está retratado no texto. Foi campeão mundial de sub-20 em 2013 e que talento reunia essa equipa francesa! Areola, Zouma, Umtiti, Digne, Pogba e o próprio Kondogbia. Varane, que nem sequer foi convocado, também pertence à mesma geração. 4 deles fizeram parte da última convocatória de Deschamps. Os outros são Umtiti, que assumiu a titularidade no Europeu face às ausências, Zouma, uma presença regular, e finalmente, o protagonista deste texto. Poderia aqui estar uma espinha dorsal como a dos campeões do mundo Neuer, Höwedes, Boateng, Hummels, Khedira e Ozil, que já tinham conquistado juntos o Europeu de Sub-21 em 2009.
Max Alves BR
Mais um caso de um jogador que nao escolhe bem o clube e depois dentro de um time sem um bom tecnico ou com um esquema que o favoreca se ve em um beco sem saida,precisa sair dali logo porque hoje a inter é um cemiterio para treinadores assim como jogadores promissores,talvez um novo treinador com novas ideias,ou um emprestimo seria muito benefico,mas tambem tem aquele lado que quando se destacou foi atuando a trinco com seu pulmao de aço,mas ainda penso que num arsenal caisse como luva.No milan seria indiscutivel com certeza tambem.
Tiago Silva
O Kondogbia tem muito potencial e de certeza que vai dar a volta se o resto da equipa der também. Uma equipa não se reergue por ter um conjunto de jogadores de top (ajuda claro!), mas uma equipa reergue-se se existir união no clube, garra nos jogadores e apoio dos adeptos. Isso não está a acontecer em Milão!
O Kondogbia, nos primeiros tempos da sua carreira, fazia-me lembrar o Matuidi de agora: muita agressividade e intensidade, um box-to-box completo. Na altura preferia que ele se juntasse ao AC Milan porque penso que o seu jogo encaixaria melhor aí, mas o Inter não deixa de ser um bom clube, um clube que deixa saudades. Espero ver este Inter reerguer-se!
TheBeastonFire
E faz mesmo lembrar Matuidi, inteligência 0, nem vê la.
El Pistolero
Não percebo o porquê de o Kondogbia não ter minutos para jogar o Gnoukouri, que é banal. Não acrescenta nada ao jogo, não levanta a cabeça, tem dificuldades técnicas de levar as mãos à cabeça (principalmente na receção e no passe) e além disso abrange muito pouco terreno nos km que faz.
RodolfoTrindade
O problema do Kondogbia é que em vez de treinadores tem tido trolhas no comando das suas equipas nestes 2 anos.
Continuo a achá-lo um excelente jogador, que apenas se encontra mal enquadrado.
Por mim e para não haver problemas o Kondogbia vinha para o Benfica e o super Taarabt fazia o caminho inverso. Claro que o Inter ainda teria de pagar alguma coisa pela troca :D
Kafka
Rodolfo
Há o restaurante Chimarrão na cidade de Milão? sem chimarrão esquece…
RodolfoTrindade
Manda-se fazer ahah
Wonderkid
Dos casos mais estranhos no futebol destes últimos tempos para mim… adorava-o tanto no Sevilla como no Mónaco, e agora que chega ao Inter… nada. Espero que se reencontre. E espero que esta equipa do Inter se reergue. Têm jogadores para isso.