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João Marques, o jogador revelação da Liga, esteve à conversa com o Visão de Mercado: «Identifico-me com o Otávio, porque tecnicamente é incrível e tem bastante agressividade sem bola»

Nome: João Miguel Vieira Freitas Silva Marques
Posição: Médio ofensivo
Idade: 21 anos (13-02-2002)
Clubes: Sporting, Barreirense, Vitória FC e Estoril
Títulos: Liga Revelação e Taça Revelação

João Marques tem sido a principal revelação da Liga neste arranque, tendo inclusive ficado em 2.º nos melhores médios de Agosto e deixado a sua marca na estreia pelos sub-21 de Portugal. Ora, na 1.ª parte de duas partes da entrevista ao Visão de Mercado o jovem craque do Estoril falou das suas características e como recebeu os elogios de Roberto Martínez.

– Venceste a Liga e a Taça Revelação há 2 épocas, estreaste-te na equipa principal na temporada passada depois de a teres iniciado nos sub-23. Hoje, já és considerado um potencial jogador revelação do campeonato. Esperavas estar a atingir este patamar atualmente? Qual foi o ‘click’?
JM: Eu sempre trabalhei diariamente ao longo do tempo para chegar aos patamares mais altos e sinto que quando tive oportunidade consegui agarrá-la. Na altura, foi o mister Nélson Veríssimo que me chamou para treinar. É uma história curiosa, porque eu tinha sido expulso na Liga Revelação. O mister Pedro Guerreiro falou com o mister Veríssimo e, como eu não tinha feito nada de grave, acharam que eu poderia vir treinar à equipa A, não podendo jogar nos sub-23. Disseram-me para mostrar o meu potencial e acabou mesmo por acontecer. Sempre tive o sonho de chegar ao mais alto nível do futebol profissional e, até agora, está a correr bem.

– Qual é a posição onde te sentes melhor dentro de campo e em que sistema gostas mais de jogar?
JM: A posição que eu sempre gostei de jogar é médio centro, 8/10. Se jogar a 6, também não tenho problemas, mas consigo fazer mais a diferença como interior. No entanto, quando cheguei ao Estoril, na Liga Revelação, fui adaptado a um misto de interior e extremo e gostei muito de jogar nessa posição. O Otávio, no FC Porto, tinha dinâmicas parecidas e até é um jogador com que me identifico, porque tecnicamente é incrível e tem bastante agressividade sem bola. Por norma, quando recebemos por dentro, entrelinhas, se nos conseguirmos virar, estamos de frente para o jogo. Aprendi muito no meu primeiro ano com o Mister Vasco Botelho da Costa. Em relação ao sistema, sinto-me confortável a jogar em 4-3-3, mas também gosto de 4-4-2.

– Quais são as tuas maiores qualidades como jogador, na tua visão?
JM: Eu acho que sou um jogador que consegue meter intensidade dentro de campo, compreender os ritmos de jogo. Mesmo não tendo muita experiência neste patamar, consigo entender quando tenho de acelerar, quando é que o jogo tem de acalmar. Sinto que, quando transporto jogo para a frente, sou difícil de ser travado, porque consigo proteger bem a bola com o meu corpo. Também houve uma evolução física importante, ao longo do tempo.

– Há ano e meio, entrevistámos o André Franco, que tem um percurso algo parecido com o teu depois de chegar ao Estoril. Chegaste a partilhar ideias com ele?
JM: O Franco é uma pessoa que tenho muita estima. É curioso que ele foi o meu padrinho no Sporting, na altura, quando tivemos um mundialito. E é interessante como os nossos caminhos se voltaram a cruzar, passado tanto tempo. Quando eu estava nos sub-23 e ele na equipa A do Estoril, brincávamos e falávamos muito um com o outro e eu pedia-lhe algumas opiniões. Entretanto ele saiu para o FC Porto e, quando me estreei na equipa A, deu-me os parabéns. Quando chegou o momento de eu renovar com o Estoril, o André foi uma das pessoas que eu contactei, pois ele tinha passado por um processo idêntico.

– O André dizia que o ponto que podia evoluir mais era a intensidade do seu futebol. O que sentes que podes evoluir no teu jogo para obter mais rendimento?
JM: A nível de intensidade, acho que consigo ser um pouco superior ao Franco, embora sinta que, com o passar dos minutos durante o jogo, me torne mais displicente e perca algum discernimento. Nos momentos finais, por vezes, é necessário ter mais bola. Acho que é um ponto que posso melhorar no meu futebol.

– O Pedro Alves, que, entretanto, deixou o cargo de diretor, foi determinante para a tua contratação e consequente ascensão dentro do clube?
JM: O Pedro é uma pessoa que sinto que tem um carinho especial por mim. No entanto, a pessoa que foi importante no processo da minha ida para o Estoril foi o nosso diretor desportivo dos sub-23, na altura, o André Sabino. Fiquei também com um carinho muito especial por ele, porque ajudou-me bastante na integração e na adaptação e acabamos por ficar com uma relação de amizade, fora do futebol.

– Recentemente Roberto Martínez elogiou-te na conferência da convocatória da seleção. Estavas a ver em direto? Ou contaram-te e nem acreditaste?
JM: Foi uma pessoa da minha família que me enviou o vídeo. Estava a vir embora do treino, do campo de treinos para o estádio, de autocarro, e o nosso diretor desportivo anunciou que eu mais o Rodrigo Gomes e o Mateus Fernandes íamos à seleção sub-21. Fiquei muito contente e depois soube que o Roberto Martinez falou sobre mim. Senti-me lisonjeado porque é o selecionador nacional a falar sobre ti perante o público. É importante saber que por onde quer que os jogadores joguem, as pessoas estão atentas.

– Acredito que estivesses à espera desta chamada à seleção sub-21. É um sonho realizado vestir de quinas ao peito?
JM: Estava à espera, mas sempre na dúvida, pois nunca fui chamado a uma seleção nacional. Sabia que as coisas me estavam a correr bem até agora e, por isso, sabia que havia uma forte possibilidade. No entanto, havia sempre receio por saber da qualidade dos sub-21 e por não ter histórico da seleção. Fiquei muito feliz e só quero desfrutar.

Hugo Moura 

hugo7
Author: hugo7

7 Comentários

  • Hugo
    Posted Setembro 13, 2023 at 8:34 pm

    Vejo um futuro muito risonho para o Joao porque talento ele tem e muito

  • AngeloGJ
    Posted Setembro 13, 2023 at 9:36 pm

    Boa entrevista. Penso que a evolução natural da carreira do João Marques será inevitavelmente chegar a um outro patamar, e pelas suas características pode dar e ser um jogador diferente em cada um dos grandes. A começar pelo FCP e pela forma do João jogar parece claramente um jogador com o potencial e as características para herdar as funções do Otávio na equipa com o acréscimo de dar uma maior capacidade de progressão com bola MAS não vejo como possa ingressar no FCP por causa da quantidade de opções que existem na equipa, no Sporting poderia ser um novo Matheus Nunes e faria sentido a aposta num jogador com estas características, e no Benfica pela agressividade, capacidade de progressão e facilidade em chegar a área e remate, vejo que o João poderia ser um bom sucessor do Rafa, dando ao Benfica aquilo que o Veerman dava ao PSV do Schmidt(era o 10), e’ esperar para ver quando da o salto mas ja está aqui um excelente jogador.

  • Antonio Clismo
    Posted Setembro 14, 2023 at 7:07 am

    A importância da Liga Revelação em dar chance a 500 jovens todos os anos de continuarem a evoluir e a jogar antes ingressarem no futebol sénior.
    Sem essa competição muito dificilmente continuariam ligados ao jogo e desses 500 por ano perder-se-iam 10 ou 15 craques futuros.

    • filipe19
      Posted Setembro 14, 2023 at 11:05 am

      E mesmo assim ainda somos das ligas com a maior percentagem de estrangeiros = 58,6%. Na segunda divisão temos a quase 50%, comparando com a Bundesliga 2 com 34% de estrangeiros.
      A minha questão é se realmente é necessário ter uma liga revelação e se a nossa matéria prima não chegava o suficiente para preencher ao menos os lugares na segunda divisão e ter as oportunidades ali em vez de andar na LR.

      • Antonio Clismo
        Posted Setembro 14, 2023 at 2:07 pm

        Desses 60% de estrangeiros, facilmente se poderiam substituir 15% de jogadores estrangeiros sem qualidade e substituir esses lugares com jovens portugueses para evoluírem nesse nível. Uma Liga portuguesa com 45/50% de estrangeiros seria o mais sustentável para a nossa realidade de aproveitamento e exportação de talento, cada vez mais fulcral para a sobrevivência dos clubes portugueses.
        A liga teria de alterar a regulamentação dos atuais 8 formados em Portugal por plantel para 10, mas na minha opinião deveriam ser 12 por plantel, mas teria de ser gradual. Subir de 8 para 10 na próxima época e de 12 para 12 na época seguinte.

      • Antonio Clismo
        Posted Setembro 14, 2023 at 2:09 pm

        Sou contra quotas, logo a única ferramenta da Liga para combater a expeculação nos jogadores estrangeiros que existe em Portugal é através da regulamentação da obrigação de números específicos de jogadores formados no país por plantel. Quotas não funcionam na UE. E olhamos para as outras Ligas de topo e todas estão a apertar a regulamentação para reduzir as vagas de extra-comunitários o máximo que podem de forma a evitar desperdícios e gorduras e fazerem um aproveitamento mais eficaz do talento desenvolvido internamente.

  • JJayy "Non Believer"
    Posted Setembro 14, 2023 at 4:41 pm

    Bom jogador. Agora falta perceber o que ele pretende. Se tentar competir a sério na Europa e nas melhores ligas, ou ir pras arábias encher os bolsos.

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