Bloemfontein, 2010. Para os Ingleses, dois pesadelos. As vuvuzelas podiam ainda ecoar nos seus ouvidos, mas, nada se sobrepunha, naquele momento, à copiosa e humilhante derrota perante os Alemães. Lineker em tempos disse que, nisto do futebol, era onze contra onze, mas no fim ganhavam os Alemães. Afinal, em 90 ganharam. Em 96 ganharam. Em 2010… ganharam. Esqueça-se a controvérsia, golo ou não de Lampard, 4 a 1, esta era a pior derrota da história dos Ingleses num Mundial de Futebol. De pouco se poderão queixar ainda assim. Com empates com Argélia e USA na fase de grupos e uma vitória pela margem mínima perante a Eslovénia, o futebol não era convincente. Capello, um mestre do 442 durante os anos 90, vencedor de tudo o que havia para ganhar, estava debaixo de fogo. O 442 morrera. Enterrou-o 2010.
Odiada por muitos, amada por poucos. Temida por todos. Deu até nome a uma publicação mensal. Popular de ’90 até 2010, foram vinte anos de sucesso. Num futebol em que os defesas eram defesas. Os avançados eram avançados. O meio campo servia ambos, como incansáveis cães de caça. Os alas iam à linha cruzar venenosamente. O pinheiro de área ousava tocar o céu na luta aérea com os centrais, qual farol para marinheiro vagabundo e companheiro de luta, encarnado em segundo avançado que apenas queria lançar peixe-bola à rede. Keegan e Heighway. Shaw e Withe. Shearer e Sutton. Yorke e Cole. Futebol com duplas de avançados. Sacchi e Capello a limpar tudo. Trincos, falsos extremos, nove e meio, sobre-lotação do meio campo, autocarros… nada disso. Futebol, puro e simples. Rápido, objectivo, agressivo, incisivo. Futebol, como devia sempre ser jogado.
Em 2010 nenhum dos vencedores nacionais de Espanha, Inglaterra e Itália, jogam em 442. Ousou, o 4231, parco em iconicidade, ausente de substância, substituir sua alteza real. Não era da altura, ainda assim. As chegadas de Wenger (inicialmente) e Mourinho a Inglaterra, especialmente, ajudaram a estremecer o 442. Em 97-98, já Wenger ensaiava um 4231, com Vieira e Petit no miolo, Overmars, Parlour e Bergkamp no apoio, ora a Anelka, ora ao grande Ian Wright. Que, deriva em anos mais tarde, para outras formas, como o 433 em forma de 41221 do campeonato invencível. Em 2004 chega Mourinho para tudo mudar definitivamente. Cole, Robben e Duff davam outras garantias no jogo pelas alas e o 433 de sucesso no Porto (que às vezes era um 442 losango) impõe-se de vez. O Chelsea não voltaria a jogar em 442. E, até Sir Alex Ferguson, defensor do 442 desde o seu Aberdeen, ainda hoje último campeão escocês que não Celtic ou Rangers, foi obrigado a evoluir. O 442, matriz do campeonato britânico, estava obsoleto e deu agora lugar ao 4231, tanta na generalidade dos clubes da PL como na selecção. Hoje? Apenas uma equipa, em vinte, no campeonato inglês joga em 442 com alguma regularidade, mas não sempre. Obrigado Chris Hughton. Seja em 4231. Seja em 433, que não é bem 433 e, até, em exóticos esquemas de 352/532, como o Hull, o Sunderland ou o Cardiff. Era mais bonito, em 442.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): João Pedro Cordeiro



0 Comentários
João Lains
Excelente artigo, mais um, mas acho que houve uma coisa que não ficou bem esclarecida, o teu ponto de vista. Isto é, achas que, hoje em dia, alguma equipa ainda tem condições para ter sucesso, apostando no 4-4-2, ou é um esquema táctico ultrapassado? Até, porque gostei bastante da sugestão que fizeste para a onze inicial que a Inglaterra devia apresentar no campeonato do mundo, em que apostavas no 4-2-3-1 com, senão me engano, Hart, Johnson, Jagielka, Cahill e Baines, Henderson, Gerrard, Lallana, Sterling, Rooney e Sturridge.
LuisRafaelSCP
Essa táctica pode perfeitamente ser um 4-4-2 (com os jogadores que referiste para o 11 da selecção).
E qualquer sistema bem trabalhado pode dar resultados, o Benfica joga em 4-4-2, o Sporting também joga alguma vezes nesse modelo (com o decorrer dos jogos) e também apresenta resultados positivos.
Não acho que hajam tácticas ultrapassadas, apesar de haver umas mais usadas que outras.
Kafka I
Exactamente Luís, até porque mais do que a táctica é a dinamica que se imprime à mesma que faz a diferença…o 4-2-3-1, pode também ser um 4-4-2 sem posse de bola, pois os extremos recuam e o ponta de lança junta-se ao nº10 logo dentro do próprio jogo o 4-2-3-1 passa a 4-4-2 e vice versa….
Acho que a única táctica um pouco ultrapassada e que não vence um grande título precisamente 20 anos, é o 3-4-3 ou 3-5-2, tendo sido o Ajax a última equipa a vencer em 3-4-3…em 3-5-2 então nem me recordo da última equipa a vencer uma competição internacional, e a prova que é um sistema com algumas dificuldades para se impor, é que as equipas italianas (a Juve por exemplo joga em 3-5-2) apesar da grande equipa que tem, não se tem conseguido impor na Champions…óbvio que não é só pela táctica, mas sinceramente não me fascina esse sistema táctico
Kafka I
Ups, afinal lembrei-me, o Brasil em 2002 foi campeão Mundial também em 3-4-3, se bem que era um 3-4-3 diferente do do AJax, já que o do Ajax tinha apenas um central, e o do Brasil tinha 3 centrais…
LuisRafaelSCP
Sim, o sistema de 3 defesas, hoje em dia só é praticamente utilizado em Itália… sinceramente foi um sistema que nunca gostei, mas por exemplo recentemente (antes de Benitez) o Napoli apresentou qualidade nesse sistema apesar de não ter conquistado títulos… é a prova que um sistema bem trabalhado é o mais importante, como dizes a "dinâmica" é que faz a diferença.
João-Pedro Cordeiro
Claro que sim. Acho que é mais uma questão de dinâmica de jogo, que propriamente sistema de jogo. Se me perguntares se acho que o kick and rush ainda dá resultado actualmente? não, claro que não. Está à vista o que consegue fazer o West Ham, o Norwich ou o Villa, mesmo tendo em conta as diferenças técnicas dos participantes. Agora, 442 dinâmico, com os jogadores certos, ainda tem tudo para resultar.
Obviamente, isso iria obrigar a uma reflexão dos convocados, ou dos titulares. Ter alas mais puros. Se calhar Lallana tinha de cair, e o Ox e o Sterling jogarem mais na linha. Sturridge e Rooney como dupla de avançados podia perfeitamente funcionar. Mas se calhar o Gerrard já ia ter de sair, pelo menos da forma como vejo os médio-centro num 442, mais móveis e agressivos para permitir uma pressão em todo o lado. Na altura acabei por referir o 4231 porque é como praticamente toda a gente joga.
Guilherme
Juventus joga em 3-5-2, e internamente tem sucesso…
Kafka I
Guilherme o sucesso interno da Juventus, na minha opinião, não serve como exemplo, uma vez que em Itália neste momento a maioria das equipas joga assim, como tal alguma teria de vencer, seria quase a mesma coisa que pores as 20 equipas do campeonato a jogar em 1-1-9, alguma teria de vencer e ter sucesso a nivel interno…acho que é mais fiável aferir pelos resultados internacionais, onde a diversidade de esquemas e tácticos é total e ai sim, se vem a real fiabilidade do mesmo, e o que é certo é que a Juventus tem andado um pouco à deriva a nivel internacional..
Mounthem
Pessoal, não vão muito longe. O Porto foi campeão com o Adriaanse em 3-4-3. é escusado puxar tanto pela cabeça quando temos um exemplo recente e no âmbito nacional
Kacal l
Excelente artigo, mais um dos muitos que fazes, Parabéns João-Pedro Cordeiro! :-)
Concordo com tudo, não vou comentar, não tenho nada a acrescentar, mas gostei de ler, realmente o 4-4-4 está a "desaparecer".
LuisRafaelSCP
4-4-4? realmente só muito poucas equipas é que têm "influências" para usar esse "sistema" … ahahah
Filipe Azevedo
Concordo inteiramente com a primeira parta da tua resposta, mas discordo da segunda. Acho que qualquer equipa jogaria em 4-4-4 se pudesse. Alias, atrevo-me a dizer que se alguem conseguir usar essa tactica ganha tudo o que tem para ganhar sem grandes problemas ;)
Filipe M
O Porto às vezes ainda joga assim. Mas sim, concordo. Está a desaparecer. Nada que se compare com a década de 90, principalmente.
Kacal l
LuisRafaelSCP e Filipe Azevedo,
Realmente, enganei-me redondamente, peço desculpa, eu quis dizer 4-4-2, como é óbvio, nem reparei. :-D
Filipe M,
Sim, sobretudo quando entra o Ghilas, mas a verdade é que está a "desaparecer". :-)
Rui Miguel Ribeiro
Eu cá gosto do 4-4-2. Se for bem executado e com os jogadores adequados, dá "punch ofensivo e pode ser compacto defensivamente. O Benfica aproxima-se desse sistema, joga bem e tem bons resultados.
Diogo Palma
Um artigo interessante.
O problema do 4-4-2 é que como os extremos jogos muito colados à linha o meio-campo fica com apenas dois jogadores, o que é pouco, por isso a maioria das equipas actua com apenas um ponta-de-lança.
Mas o espírito do 4-4-2 pode manter-se, eu pessoalmente gosto muito dos extremos "à inglesa" que vão à linha cruzar, que driblam com uma rapidez impressionante e partem por completo os rins dos laterais adversários.
Para mim e como actualmente a maioria dos ponta-de-lança actua isolado no ataque tem de ser um misto entre o tal "pinheiro" e o segundo ponta-de-lança, o rato de área, uma espécie de mistura entre o Slimani com Montero ou Cardozo e Saviola no ano em que JJ foi campeão para ser simples de se perceber.
Com médios rápidos e pressionastes com "cães de caça", que não deixam os defesas/médios pensarem no jogo e os obrigam a errar.
Todas as equipas deviam ter esse espírito de jogar rápido, ofensivo, pressão alto e futebol atractivo.
Mas se olharmos para o futebol português, por exemplo, é uma tristeza, mal jogado, lento e sem emoção.
Só interessado o resultado final.
Para mim o ideal era uma equipa que tivesse:
-Um GR ao estilo nórdico, alto, calmo, com voz de comando, bom a sair dos postes e que transmitisse segurança.
-Dois laterais rápidos que arrisquem no ataque mas que pressionem em cima os seus adversários.
-Dois centrais, um muito alto que domino o jogo aéreo e outro que saiba sair a jogar e que seja rápido.
-Três jogadores no meio-campo, jogadores com raça e que seja agressivos na pressão quando a outra equipa tem a posse de bola. Um mais alto de forte fisicamente a jogar mais recuado, outro que seria o box-to-box e a seu lado um 10 mas que também trabalhasse defensivamente.
– Dois extremos puros, rápido, com qualidade de drible e cruzamento.
– Um pinheiro na área, mas com alguma qualidade de recepção de bola, passe e desmarcação. Não um cepo que só jogo de cabeça e tem dois pés esquerdos.
Filipe M
Só mudava um dos extremos puros para um extremo "mentiroso" que jogue na ala contrária ao seu pé preferido explorando as diagonais de aproximação ao ponta. De resto concordo em absoluto.
Filipe Azevedo
Excelente artigo Joao Pedro Cordeiro, muito bem escrito e informativo.
Estou curioso, se alguem me puder explicar, quais sao as semelhancas/diferencas entre o 442 tipicamente utilizado pelo Jesus no Benfica e o 442 do futebol ingles "de antigamente". Tenho muito pouco conhecimento do que era o futebol ingles antes da era Mourinho, por isso e que estou curioso de saber um pouco mais.
Obrigado a quem me possa elucidar.
Hugo
o 4-4-2 do futebol inglês está bem explicado no texto
LuisRafaelSCP
Não há muitas diferenças.. a principal será provavelmente os laterais, antigamente os laterais eram DEFESAS, hoje em dia não, muitas vezes funcionam como extremos.
De resto é idêntico, um 6 forte fisicamente como Fesja, um box-to-box que ataca e defende como Enzo.
Podemos também analisar a questão dos extremos, o que mais se assemelha é o Salvio, vertical, objectivo e procurar a linha para cruzar para os "pinheiros", Gaitán e Markovic não são propriamente tão verticais e objectivos no seu jogo.
Depois nos pontas de lança, eram possantes, não seriam Rodrigos e Limas mas sim mais na linha de Cardozo (para finalizar as jogadores dos objectivos extremos).
Bráulio
É claramente diferente.
Antigamente aos equipas inglesas jogavam com 4 defesas que não tinham nenhuma obrigação de participar no ataque, 4 médias, sendo que dois jogavam sobre as faixas e 2 PL.
Outro esquema que vale a pena diferenciar é o 4-2-4 que muitas das vezes é disfarçado de 4-4-2 mas que com extremos que pouco ou nada defendem ficam 4 jogadores suplantados no ataque.
Em relação ao esquema tático de Jesus existem claramente 2 centrais e dois laterais (fruto do futebol moderno têm a obrigação de acompanhar o extremo nos processos ofensivos). Depois há um trinco claro, i.e., um jogador que se posiciona à frente da defesas e não participa na maioria das jogadas ofensivas da equipa, têm um médio centro que inicia as jogadas de ataque, um extremo e um médio-ala, sendo que o médio ala ajuda mais no processo defensivo que o extremo. Depois tem um avançado móvel e um PL fixo.
Exemplificando com o 11 do último Benfica campeão de Jesus o Benfica jogava no papel da seguinte forma:
Quim
———————————————-
Luisão David Luiz
Maxi Coentrão
———————————————-
Ramires Javi Garcia
Aimar Di Maria
———————————————-
Saviola
Cardozo
Enquanto o esquema tradicionalmente usado em Inglaterra era o seguinte:
GR
DD DC DC DE
MD MC MC ME
PL PL
Ou seja, os laterais estão mais subidos, sobretudo quando a equipa tem a bola, no meio campo há um jogador claramente mais recuado (Javi) e outro mais avançado (Aimar), enquanto que nas alas há um jogador que ataca menos e defende mais (Ramires) para que o outro (Di Maria) tenha mais liberdade de se entrosar nos processos ofensivos da equipa. Já na frente o avançado vem atrás pegar no jogo (Saviola) e o outro PL (Cardozo) fica estático na frente de ataque.
Já no sistema inglês além dos defesas que não subiam havia 2 homens estáticos na frente, todos os médios tinham basicamente a mesma função mesmo sendo médio direito ou médio centro, a diferença era apenas a posição do relvado onde jogava.
Penso que basicamente é isto, sendo que do papel ao relvado há muitas mutações.
Rúben
Não. Jogavam com um ponta-de-lança estilo pinheiro para ganhar as bolas no jogo aéreo e ao seu lado tinha um avançado mais móvel. Ou seja, um Cardozo e um Lima/Rodrigo ao lado
Filipe Azevedo
Muito obrigado LuisRafaelSCP e Braulio. O post explicou muito bem como o sistema funcionava no geral, mas tinha ficado um pouco na duvida sobre como se organizava a defesa e o meio-campo, ao que voces explicaram muito bem. Obrigado!
João-Pedro Cordeiro
Já agora, Filipe…
Havia algo que caracterizava especialmente o futebol em Inglaterra pré-Mourinho/Continentalização, que era o chamado Kick and Rush. A rotina de jogo basicamente envolvia que ambos os médio centro fossem pressionantes para recuperar a bola, metessem a bola no extremo que metia longo no pinheiro da frente. E esse ou segurava e dava para o avançado mais móvel, ou finalizava ele. Agora, não podemos esquecer que a matriz do jogador britânico até ao fim dos anos 90 praticamente não mudou. E o avançado móvel que conhecemos hoje não era propriamente dotado tecnicamente, mas era igualmente forte fisicamente. No máximo só não era tão alto/tosco, como o companheiro de ataque. E se vires vídeos das duplas que falei no artigo, percebes a dinâmica entre ambos. Havia ainda uma grande predominância do remate de longe. A baliza era o objectivo, não a posse de bola. E, para te ser sincero, tenho pena que assim já não o seja.
E o kick and rush era uma questão cultural que os Britânicos não podiam contornar com facilidade. O futebol é um desporto de Inverno e a chuva no Reino Unido é uma constante. Só nos anos 80 o tratamento da relva começou a ser estudado e implementado e até então jogava-se em lamaçais, muitas vezes. Como é óbvio, era impossível jogar pelo chão, daí que o kick and rush tenha imperado. E a evolução do jogador britânico acabou por sofrer com isso a partir daí, bem como nos jogos continentais. Só muito recentemente se começaram a ver jogadores britânicos com grande capacidade para jogar a bola pelo chão, sem que isso fosse uma excepção (que também existiram, tipo Stanley Matthews). Não esquecer que o futebol era, também, extremamente físico e se alguém ousasse ter muito tempo a bola nos pés levava logo uma sarrafada. Basta ver o que foi o Inglaterra Portugal de 66, ou o Benfica United de 68 e o que sofreu o Eusébio com isso.
Isto obrigava a que o 442 não tivesse a dinâmica que tem actualmente. Ambos os centrais eram altos, fortes e poderosos no jogo aéreo. Não havia o central alto e o central que sai a jogar com bola. Os laterais tinham obrigações exclusivamente defensivas. Se vires um vídeo do Stuart Pearce e a seguir um do Ashley Cole, notas logo a diferença. Ambos os médio centro também eram mais de combate que propriamente um 6 e um 8, como actualmente. Os alas não procuravam zonas interiores, mas jogavam na linha e iam ao canto cruzar. A dinâmica da equipa geralmente era botar a bola longa para o canto, o ala em sprint e a cruzar para o pinheiro.
Kafka I
João, com todo o respeito pela tua opinião, essa de que o Kick and Rush se deve ao estado do tempo e do relvado, na minha opinião é uma desculpa esfarrapada, na tentativa de esconder a mais do que evidente falta de jeito dos Ingleses para a jogar futebol, pois na Holanda chove tanto ou mais que em Inglaterra, e não foi por o Ajax andar a jogar em campos que eram autênticos lamaças que deixou de inventar o futebol total, e altamente rendilhado de toque, no fim da década de 60..
Fábio Teixeira
Uma variante do 4-4-2, o 4-1-3-2 parece-me a mim o melhor sistema, de entre todos, para não dar qualquer hipóteses na saída de bola ao adversário. Pressing, puro e duro, é assim que se faz.
Kafka I
4-4-1-1 do Milan de Sachi para mim foi a táctica mais eficaz da História do Futebol, o adversário nem respirava, dava 2 toques na bola e já tinham 3 do Milan em cima, era asfixiante só de ver…
Filipe M
Mas isso acontecia pelo Milan jogar em 4-4-1-1? Ou era pela forma de jogar, dinâmica e movimentação com que a equipa jogava? Eu percebo o que dizes mas não concordo que os adversários nem respiravam apenas pelo 4-4-1-1. O Milan (ou qualquer outra equipa) podia ter utilizado essa mesma táctica com um modelo de jogo diferente.
Kafka I
Sim sim Filipe M, tens toda a razão, não me fiz explicar bem, até porque eu já tinha no meu comentário mais abaixo isso mesmo, mais do que a táctica, o fundamental é a dinâmica imprimida ao mesmo…a dinâmica sim faz a diferença
Filipe M
Já tinhas dito isso, sim senhor! Mas eu não reparei. Se tivesse visto não tinha respondido.
João-Pedro Cordeiro
Tem graça, Fábio, teres pegado no 4132. O Forest bi-campeão europeu do Brian Clough jogava, exactamente, em 4132, apesar de continuar a jogar pelas alas na mesma. Mas um dos médio-centro (McGovern) era claramente um trinco puro. Isto já no fim de 1970. Ele que no Derby jogava em 442, portanto evoluiu o 442 dele para 4132.
SLB6
O benfica joga em 4-4-2, na maioria das vezes, com fejsa enzo gaitan e markovic no meio e lima e rodrigo na frente e tem dado resultado. penso que a questao esta na verticalidade dos extremos que esta a desaparecer. hoje como o gaitan e o markovic bem o exemplificam, os extremos desmultiplicam se e avancam pelo meio dando espaço aos laterais para subir. o benfica teve sucesso quando teve bons laterais. siqueira fá-lo muito bem
Anónimo
Fantastico Joao…
Mais um… começa a ser habito. Parabens!
___
gunner
João-Pedro Cordeiro
Obrigado Gunner!
Anónimo
O título lembrou-me uma "piada": Uma recente sondagem feita a mulheres elegeu Mourinho como melhor homem para passar uma noite. O problema é que para agradar a Mourinho não basta uma mulher por-se de 4, mas sim de 4-4-2.
Agora a sério, em relação à seleção Inglesa, que neste caso merece comentário, eu apostaria num 4-2-3-1 ou num 4-4-1-1, em que Sturridge jogaria a extremo (posição que desempenha perfeitamente no Liverpool) e Lallana nas costas de Rooney. Ficaria então: Hart, Johnson, Terry, Cahill, Baines, Sturridge, Henderson, Gerrard, Sterling/Jay Rodriguez, Lallana, Rooney. Outros elementos interessantes, Jay Rodriguez que acabei de referir no 11 (o faz tudo do Southampton), Oxlade e este nem precisa de comentários, Luke Shaw como uma alternativa válida a Baines, Jagielka (excelente central) etc.
Miguel Almeida
Kacal l
Miguel Almeida,
Sim, mas também pode ser o Sturridge o PL, com o Rooney nas suas costas, o Lallana e o Sterling (ou o próprio Chamberlain) nas alas.
Anónimo
Não descarto essa possibilidade e também é muito boa. Mas também não percebo a forma de como os ingleses se fazem de "coitadinhos" com o grupo que lhes calhou no mundial. Esta seleção bem preparada consegue dar luta a Uruguai e Itália. A nível de meio campo (que no futebol atual é onde se joga e se domina as partidas) por exemplo dão 10-0 ao Uruguai.
Miguel Almeida
Kafka I
Miguel Almeida,
Não te esqueças do contexto, nem tudo se resume aos jogadores…o Uruguay vai jogar no seu Continente, com o clima que está mais habituado a jogar, e com a motivação extra de estar a jogar no Brasil que é um rival e onde à 64 anos a aconteceu aquilo que todos sabemos…isto são muitas variantes, que me leva a dar favoritismo a Itália e Uruguay para passarem o grupo
Bráulio
Sinceramente não penso que exista nenhum esquema de jogo ultrapassado, nem mesmo esquemas com 3 ou 5 defesas. Basicamente cada sistema de jogo deve ser trabalhado, estudado e aplicado de acordo como os jogadores à disposição. Lembro-me de Adrianse ser campeão em Portugal jogando com 3 defesas (2 centrais e um lateral) de uma forma que nunca vi em mais nenhuma equipa.
Mesmo este ano havia defensores de o FCPorto jogar com 3/5 defesas libertando os laterais para fazer todo o campo e jogando sem extremos (já que não havia qualidade antes da chegada de Quaresma).
O Brasil foi campeão do mundo em 2002 com 5 defesas, o Chievo surpreendeu toda a Itália com Del Neri usando uma tática de 5 defesas. Jesus foi campeão em 4-4-2, Vítor Pereira em 4-3-3 e o Barcelona joga sem nenhuma referência na área.
Havendo treino, disciplina e rigor todos os esquemas servem, mas o segredo é a interacção entre sectores, i.e., os laterais atacam (atém mais que o trinco) e os médios alas defendem acompanhando sempre o lateral adversário. Sinceramente penso que o futebol está a evoluir cada vez mais para um jogo muito corrido onde todos os jogadores de campo têm a obrigação de atacar e defender, uma espécie de Futsal para 11.
Lembro-me de Eto'o com Mourinho defender perto da sua área os ataques continuados do Barcelona, lembro-me de Mascherano (jogando a central) subir e aplicar remates fora de área e também de ver GR a iniciar os processos ofensivos com passes teleguiados e a participar no "meiinho" aos avançados. Penso que hoje em dia os jogadores estão preparados fisicamente para basicamente correr 90 min e jogadores do passado como Jorge Costa, por exemplo, que se limitava a ficar no sector recuado à espera dos ataques adversários, ou de PL como Jardel à espera que as bolas lá chegassem tendem a desaparecer.
No futebol já passamos pela era dos mais fortes, onde jogavam os mais altos e mais possantes, depois os que cumpriam melhor o seu papel em campo, onde desempenhavam as funções na sua área do terreno e tinham que ter características próprias (por exemplo um extremo/lateral tinha que cruzar, um central jogar bem de cabeça…) mas sinceramente acho que cada vez mais haverá uma tendência a homogeneizar as características dos jogadores.
Por exemplo jogadores como Moutinho ou Fabregas…. seriam vedetas se jogassem à 20 anos? Não são grandes, não são exímios o desarme e também não são mágicos a criar jogadas, mas o que têm de comum? São a nova função de 8 ou box-to-box que são os primeiros a defender quando a equipa necessita e quebram ataques adversários ainda no início, mas quando se deve atacar são dos primeiros a pegar no jogo e a executar rápido. O que eu acredito é que estas características terão que estar incorporadas nos jogadores de todas as posições, sejam central, guarda redes ou PL. O futebol é para correr, dar o litro e fazer circulação de bola, só jogam os inteligentes e que cumpram a tática.
Começamos a ver o Barcelona com centrais a sair a jogar e todos achamos estranho, mas ganharam tudo. Depois era a história do futebol de posse, mas Bayern e City também o fazem, até o FCPorto de Vítor Pereira fazia. Ou muito me engano ou este futebol (aborrecido ara muitos) veio para ficar por muitos anos.
Kafka I
Hoje em dia já não faz muito sentido de falar em 4-4-2; 4-2-3-1; 4-3-3…porque acima de tudo o que conta é a dinâmica do sistema…o Ajax criador do futebol total teve a particularidade de ser o inicio do fim dessas tácticas que ficam bonitas no papel, porque nesse Ajax e depois no Milan de Sachhi, todos defendiam e todos atacavam…logo a questão do 4-4-2 ou 4-3-3 é pouco relevante..até porque como o futebol já provou, TODOS os sistemas são válidos e fiáveis desde que devidamente interpretados…já todos os sistemas tiveram sucesso
Bruno Fonseca
Eu sou da opinião que nenhuma tática está ultrapassada.Apenas acho que têm de ser bem trabalhadas e aperfeiçoadas.Mas há algumas que dão melhor resultado do que outras.
Por exemplo o 3-5-2 da Juventus dá bons resultados em Itália ( a maior parte das equipas italianas jogam em 3-5-2 ) mas na Europa tem sempre dificuldades.
Mais um excelente artigo aqui do VM.Parabéns João Pedro Cordeiro!
Anónimo
442, na minha humilde opinião e um esquema horrível!
E explica muito dos ingleses não conseguirem ganhar nada ou pouca coisa, tanto em seleções, tanto em clubes, enquanto jogou dessa maneira.
Com esse sistema 442 inglês (pois no Brasil se jogava e ainda poucos clubes jogam em 4222, que chamamos de 442), nunca se permitia formar camisas dez e a articulação no meio, ficava com os box to box, muito pouco para vencer.
Natan Fox
André Lobo
Não podemos ser tão redutores na análise da tática. Uma tática não se resume a números, é muito mais que isso, depende muito da interpretação dos jogadores e dos principios de jogo da equipa.
Um 4-2-3-1 é muitas vezes extremamente parecido com o 4-4-2, dependendo do papel do 10 que pode funcionar mais como médio do que como avançado, o city quando joga com Silva no meio joga com um 10 mais tradicional, quando joga com Aguero e Negredo/Dzeko, joga com dois avançados, mas o sistema tática muda muito pouco.
Não me parece que o 4-4-2 esteja em desuso, a forma de o interpretar é que muito diferente, não se joga com extremos puros e pontas de lança de área. O atual campeão europeu jogava num 4-2-3-1 que era quase um 4-4-2, pois o Muller jogava como segundo avançado, sendo que em momento defensivo era um 4-4-2 declarado, o Benfica joga assim, o City, o United jogava. Muitos dos 4-2-3-1 transformam-se inumeras vezes em 4-4-2, por isso discordo da tua análise.
Quanto ao 4-4-2 de Mourinho no Porto não faz sentido compará-lo com um 4-4-2 clássico, pois são esquemas muito diferentes-
Cinzel
Eu gosto do 4-4-2. Sem dúvida que o mais importante numa tática é a dinâmica.
Muitas equipas, ainda que não de forma declarada, variam muitas vezes o seu sistema para o 4-4-2. Um exemplo disso, o Real Madrid: quando joga Modric, Alonso, Di Maria, Bale, Ronaldo, Benzema, vemos que o Alonso e Modric ficam pelo centro do terreno, Ronaldo na frente para não se desgastar sem bola, com o Benzema, e Bale e Di Maria nas linhas a defender, compensando os dois homens que ficam na frente sem bola.