Chelsea 3 – 1 Manchester United (Eto’o 17′. 45′ e 49′; Chicharito 78′) – Vitória 100 de Mourinho no campeonato inglês (treinador que precisou de menos jogos para chegar a esta marca). O Chelsea, com Eto’o em evidência, vergou em Londres o United à sua posição na tabela (já está a 14 pontos do 1º), deixando claro que a diferença de pontos entre ambos não é mero acaso. Num jogo intenso mas nem sempre bem jogado, os dois gigantes ingleses procuraram a vitória, mas a qualidade individual e colectiva dos londrinos acabou por fazer a diferença (ainda mais quando o emblema de Manchester não podia contar com RVP e Rooney, os seus dois melhores jogadores). Curiosamente, o United até entrou melhor na partida, com ritmo elevadíssimo e a não deixar jogar os Blues, que se debatiam, confusos, na teia armada por Moyes. Os Red Devils eram rápidos a recuperar a bola, tal como a circulá-la. As primeiras oportunidades de golo surgiram naturalmente, com o United a sufocar o Chelsea — tanto que, aos dez minutos, o conjunto de Manchester tinha cerca de 70% de posse de bola. Contudo, após os primeiros quinze minutos, os londrinos começaram a acertar marcações e a fazer-se mais com a bola, equilibrando um pouco o jogo, embora este estivesse ainda sob domínio do United. Assim chegou o primeiro golo, numa das poucas vezes em que o Chelsea conseguiu articular uma jogada e após avisos de Ramires e Willian. Eto’o ganha um ressalto passa por Jones e o seu remate deflecte em Carrick, enganando De Gea e dando vantagem ao Chelsea. Com o golo, os Blues cresceram e tomaram conta do jogo, não impedindo, porém, uma ou outra investida do United. Foi numa dessas tentativas que Welbeck desperdiçou o empate para, quatro minutos depois, Oscar falhar o 2-0. Já em cima do intervalo, Eto’o aproveita boa jogada colectiva para encostar e alargar a vantagem, que se manteve até à ida para os balneários. O regresso ao jogo não podia ter corrido melhor aos homens da casa. Logo aos 49’, Eto’o (quem mais?) assinou o hat-trick numa recarga e acabou de vez com quaisquer dúvidas. O Chelsea foi controlando o jogo sem sobressaltos, podia até ter marcado mais um golo, mas foi então que um certo mexicano entrou em campo. O “caça-blues” Chicharito podia ter reduzido a distância num lance com Cech, em que o guardião o fintou na linha de baliza (literalmente) e, aos 78 minutos, marcou mesmo, devolvendo o United ao jogo. Os pupilos de Moyes insistiram, invariavelmente com Januzaj em evidência, mas revelaram-se inconsequentes, os seus esforços sempre esbarrando na barreira defensiva blue (que já tinha promovido a estreia de Matic). Para lá dos 90’, Vidic seria expulso, no último lance de registo do jogo, já que o resultado manter-se-ia inalterado até final. Destaques: Manchester United – os red devils entraram bem, com grande intensidade e a tentar fazer posse, impedindo sempre que o Chelsea saísse com a bola controlada. No entanto, foram perdendo fulgor à medida que o tempo passava e deixaram fugir o controlo do jogo (a força competitiva era uma das virtudes nos elencos de Ferguson, mas com Moyes essa maturidade fugiu), o que resultou no primeiro golo. Assustadora a facilidade com que Eto’o passou por Jones no primeiro golo (aliás, todo o sector defensivo esteve bastante desastrado), com o meio-campo e ataque a demonstrarem, após aqueles minutos iniciais em bom plano, uma banalidade incrível. Apenas Januzaj (este não engana) mostrou armas e talento para contrariar o marasmo e falta de ideias. Claro que a falta de Rooney e Robin Van Persie é decisiva, mas apenas acentuou o que já estava à vista de todos: uma falta de ideias e qualidade concordantes com a posição dos red devils na tabela (se o nível não aumentar, e isto até pode implicar ir ao mercado, dificilmente o ainda campeão inglês vai chegar ao 4º lugar, o Top3, esse já é uma miragem). Chelsea – Não cedeu numa jornada em que Arsenal e City já tinham vencido e demonstrou que a luta pela PL vai ser a 3. Os pupilos de José Mourinho entraram perdidos em campo, mas conseguiram tomar o controlo do jogo, verdade seja dita que o timing dos golos também ajudou. Eto’o (que agravou ainda mais a crise do Man Utd) deu razão ao técnico português e realizou o seu melhor jogo desde que está em Londres. Hazard, Willian e Ramires estiveram em destaque com a sua técnica e capacidade de trabalho, David Luiz, novamente a médio defensivo, apesar de faltoso, recuperou e distribuiu (e ainda apoiou o ataque como tanto gosta), Cech revelou frieza num momento de alta tensão e a defesa esteve segura. Nota final, para a futurologia: Mou tem uma equipa cada vez mais à sua imagem, começa a talhá-la para ser campeã e apesar da insistência sem sentido no discurso triste que a equipa é jovem (um argumento até falso), que não há uma obsessão pelo título e que o City é que tem obrigação de ser campeão, a verdade é que os blues reúnem todas as condições para vencer a PL este ano.
No outro encontro do dia, o Tottenham bateu fora o Swansea por 3-1 e igualou o Liverpool no 4º lugar. Os spurs, que somaram a 4ª vitória consecutiva na PL, voltaram a contar com um Adebayor concretizador (35´e 71´) e ainda beneficiaram de um autogolo de Chico (53´). Bony reduziu para os galeses aos 78 minutos.



13 Comentários
Kacal l
Vitória justa do Chelsea, depois de um inicio forte e pressionante do Man Utd, só deu Chelsea, fizeram uma Boa exibição, defensivamente e tacticamente são sempre fortíssimos e quando estão bem ofensivamente é difícil jogar contra o Chelsea e hoje estiveram fortes ofensivamente, tiveram mais oportunidades de golo e foram mais eficazes, contaram com um Eto´o inspirado e foi a primeira vez que vi um PL do Chelsea marcar tantos golos e decidir um jogo, a ser fundamental (esta época), excelente exibição do Eto´o, a dupla de centrais também tem estado muito coesa, o Ramires joga sempre bem e o Willian também fez uma boa exibição, o Hazard esteve mais "apagado" hoje, nos últimos 15/20 minutos o Chelsea deixou jogar e desceu as linhas, geriu o resultado, a época exigente e não vale a pena forçar, uma boa exibição dos Blues.
Já no Man Utd é mais do mesmo, entrou forte e a pressionar alto, criou algumas ocasiões de perigo e depois "adormece", desce as linhas e deixa andar, depois arrisca-se a sofrer golos, parece que "desaparecem" do campo, só quando sofreram os três golos é que "acordaram" e começaram a jogar, tendo sido assim nos últimos jogos, mas depois já vão tarde, para além das lacunas do plantel e das lesões, a principalmente a dupla Rooney/RVP faz muita, muita falta, sem eles fica difícil e as outras lacunas ficam á vista, exibição "pobre" do Man Utd, em geral, é uma vitória justa do Chelsea e três pontos importantes.
alexandre miguel
De Gea não defende uma , mesmo sendo bolas fáceis deixa as passar …
Hoje no 3º golo deixou a passar por entre as pernas e depois bateu-lhe no cotovelo , no segundo entre as pernas também .
Já com os Spurs tinha sido o mesmo .
porquinhodaindia
À exceção dos minutos iniciais o Chelsea FC fez o que quis do jogo perante um adversário frágil (sem Rooney e sem Van Persie) e perdido (não se percebem as opções de Moyes nem a forma de jogar da equipa). Bem Mourinho a partir do banco (as substituições foram em bom timing e tacticamente de encontro ao que o Chelsea FC pretendia), muito bem Eto'o, excelente dinâmica defensiva do Chelsea FC (uma das marcas de Mourinho).
Stanislas Wawrinka
Inacreditável como o David Moyes mesmo a perder 3-0 não desmonta o duplo pivot defensivo…
Francis
Manchester United em campo é a imagem do seu treinador. Uma equipa boba e toto. Golos que equipas de top nunca podem consentir. É uma equipa que tem bola mas que não tem classe em campo. E é demasiado passiva. Este ano nem a Champions.
João Lains
A minha única dúvida para este desafio era perceber se o Man Utd seria capaz de marcar algum golo porque já estava à espera que o Chelsea fizesse pelo menos três. A equipa visitante não pôde contar com Rooney, Nani, Van Persie e Fellaini, o que acabava à partida com todas as esperanças de sair de Stamford Bridge com algum ponto, onde o Chelsea mantém um percurso imbatível.
David Luiz é uma nódoa, perdi a conta ao número de vezes em que foi ultrapassado e não acho que isto esteja relacionado com questões de posicionamento mas de abordagem aos lances. Azpilicueta muito competente em termos defensivos, à direita ou à esquerda tem de ser titular. Cahill muito seguro, é o único elemento no eixo da defesa que eu não prescindia. Ivanovic seguro defensivamente mas uma lástima nos cruzamentos. Oscar muito desinspirado. Ramires traz sempre muito ritmo ao jogo, muito importante nas saídas rápidas para o ataque. Um queniano que ninguém consegue parar. Willian sempre muito voluntarioso em tarefas defensivas ou na pressão aos defesas contrários. O lugar no onze tem justificado, mas precisa de algumas estatísticas para justificar todo o investimento. Hazard transpira confiança e isso nota-se na forma como parte para cima dos adversários embora hoje isso não tenha trazido muitas consequências. Eto'o não fez um grande jogo mas foi decisivo com os três golos e merece a distinção de homem do jogo. Matic estreou-se mas já só foi a tempo de fazer uma intercepção.
O Chelsea não é a equipa mais forte nem a que melhor joga, mas é extremamente competente e complicadíssima de bater. Está num bom caminho para ser campeão inglês.
Fábio Teixeira
À partida para a 23ª jornada, o Arsenal lidera a corrida ao título inglês com 51 pontos, seguido do City com 50 e do Chelsea com 49. Mais abaixo, Liverpool (42), Tottenham (43), Everton (41 – menos um jogo) e Man. United (37) fecham o top-7.
Restringindo-me ao Chelsea, a equipa de Mourinho ocupa neste momento o 3º lugar. Conhecendo toda a gente o poder competitivo do Special One, é certo e sabido que algo menos do que o título de campeão inglês, é uma época falhada. Contudo, este ano, Arsenal e Manchester City assumem-se igualmente como fortes candidatos.
Os Gunners, com a adição de Özil, a confirmação de Ramsey, uma defesa segura e um coletivo confiante, ganharam um espírito competitivo como há muito não se via no Emirates. Porém, as lesões (Podolski regressou agora, mas Arteta, Ramsey, Diaby, Walcott e Chamberlain continuam lesionados) aliadas à profundidade do plantel (poucas solução em comparação com os rivais) podem afastar a equipa de Wenger do primeiro lugar.
O Manchester City têm-se revelado um autêntico rolo compressor em casa (10 vitórias em 10 jogos, 38-6 no saldo dos golos), mas fora sofre para vencer os seus jogos. De todos os clubes em Inglaterra, é o que tem claramente a equipa mais forte (plantel vasto, vários jogadores de qualidade para cada posição e um treinador competente), pelo que uma vitória final não espantaria em nada.
Porém, é o Chelsea parte como favorito. Isto porque os blues têm uma vantagem relativamente aos outros dois rivais. Apenas tem duas deslocações complicadas (City e Liverpool), cabendo depois a Arsenal, Everton, Tottenham, United e Newcastle a árdua tarefa de se deslocarem a Stamford Bridge. E para além disso, já receberam um reforço de peso. Nemanja Matić chega a Londres para ser titular para ontem. O sérvio vai ocupar uma das posições mais debilitadas da equipa, pois nem Lampard, nem Mikel, nem Essien, nem David Luiz oferecem as garantias que Mourinho pretende (sustentabilidade defensiva à cabeça), pelo que muitas vezes cabe a Ramires redobrar os esforços para equilibrar a equipa. O médio ex-Benfica vai ser importante também na questão da construção a partir do meio campo defensivo, coisa que não havia sendo feita até então.
Mitique
Manchester City será campeão a meu ver, espero bem que não mas tem uma equipa muito forte…
O Tottenham demonstrou que podia estar bem melhor na liga inglesa se o AVB não fosse o treinador inicial na época.
Anónimo
este Manchester tem de comprar um guarda redes em condições!!!!!!!
este De Gea é uma nódoa! e não digo isto só deste jogo!
há bons e baratos á venda!
rpga
João Lains
Begovic creio que seria uma excelente opção, guarda-redes de elite numa equipa modesta. Mas também não acho que esse seja o principal problema do Manchester United nesta altura e há outras posições bem mais carenciadas.
Sr. Santos
O VM certamente percebe que o discurso do Mourinho tem como intuito sacudir a pressão do Chelsea e colocá-la no City.
Falando em €, o City tem um investimento muito maior que o Chelsea, tem uma equipa de topo há anos e conseguiu ser campeão uma vez, e em jeito de milagre. Portanto, a obrigação continua a ser do City em vencer a Liga. Foi o que mais investiu, é o que tem mais "estrelas", e terá de conviver com isso.
Mobster
Só queria ver um video com a reacção do Mourinho ao drible do Chech !! Arranjem lá isso sff :)
João Lains
https://www.youtube.com/watch?v=rhPVGCT4kaM