Na época 2000/01, enquanto adjunto do “Mestre” Jaime Graça, na Associação Desportiva Fazendense, fomos convidados a participar na “Taça Amizade”. Na altura a competição disputava-se a duas mãos, jogo em casa e fora, e tínhamos como adversário o “rival” União de Almeirim. Os jogos coincidiam com a nossa 3ª semana de treinos – na 5ª feira jogávamos em casa e no sábado iríamos a Almeirim.
No início de época, numa das primeiras conversas, pergunta-me o Mister: “Queres preparar bem a equipa fisicamente e depois à 5ª Jornada vem outro para o nosso lugar, ou começamos de início a meter esta malta a jogar?”. Eu respondi: “A partir do momento em que você disse ao presidente que iríamos iniciar os treinos no campo e abdicar da mata que ele aconselhou, temos que começar é a ganhar”. Ele riu-se. A sua ideia de treino era completamente diferente daquela que vivenciou enquanto jogador profissional e internacional. Ele ia para o treino ensinar o “jogo dele”, o jogo que tinha na cabeça e nas “trivelas” de um dos melhores médios do seu tempo. Treinávamos apenas uma vez por dia. Antes do treino, no balneário, falava 10 minutos com os jogadores explicando-lhes o treino que íamos fazer e quais os seus objetivos. No campo começamos por uma corrida em regime aeróbio de 10 minutos, seguida de um ligeiro aquecimento articular e bola. Mas bola a Jogar! A jogar 8 contra 7 e um guarda-redes, jogos de 9 contra 9 e normalmente com solicitações em crescendo de 6-8-10 minutos, com tempo de pausa para beber água e onde o Mister aproveitava para reforçar as suas ideias e reforçar a base do “nosso jogo”. Na 2ª semana agendámos dois jogos de treino, com apenas um dia de intervalo entre eles. Era nossa intenção simular o esforço e a recuperação que iríamos encontrar na competição da taça a duas mãos, no sentido de adaptar o corpo ao facto de termos apenas um dia de descanso entre os jogos. Por um lado, iríamos estar um pouco habituados ao facto de termos apenas um dia de descanso e seguramente iríamos apresentar-nos melhor preparados para o 2º jogo do que o nosso adversário.
A ideia tinha um propósito: não apenas vencer a União de Almeirim, mas o que daí adviria. Ao jeito dele dizia-me que “com a vitória ganhávamos moral para continuar a trabalhar e não nos chatearem a cabeça com resultados à 3ª semana de treino porque não fomos correr para a mata.” E assim foi, realizámos um jogo com o Coruche, em que ganhámos por 3-1, e dois dias depois perdemos por 4-1 com o Estrela de Vendas Novas. Recordo-me perfeitamente desse jogo e da nossa incapacidade em jogar. Os jogadores estavam cansados (fisicamente) e desligados (mentalmente) do jogo. No primeiro jogo da taça ganhamos em casa por 1-0. Foi um jogo muito equilibrado, com oportunidades de golo para ambas as equipas, e cheio de emoção. Anteviam-se imensas dificuldades para o jogo final, em Almeirim, face ao contexto e à qualidade do adversário, que tinha uma grande equipa, sendo um dos candidatos à subida de divisão. No 2º jogo a diferença foi enorme: nós estávamos Preparados ou, talvez seja melhor dizer, melhor adaptados para aquela realidade, e vencemos com grande facilidade por 4-1.
Recordo este episódio sempre que se iniciam as competições europeias, numa realidade e contexto diferentes, em que as equipas passam a competir de 3 em 3 dias.
Antes, durante e após a 1ª jornada Europeia foi usual falar-se de Experiência. De “fora” para rotular equipas, jogadores e treinadores que nunca tinham jogado um jogo Europeu, e por consequência não têm experiência de jogar a esse nível; de “dentro” para sustentar a experiência em jogar como determinante. Mas afinal de que nível se trata? Não terão os jogadores do Benfica, Porto e Sporting “experiência” suficiente para jogar contra equipas com o nível do Zenit, Bate Borisov e o Maribor? Do mesmo modo, o estreante Rio Ave e o Estoril não têm experiência suficiente para jogar com grande parte das equipas da liga Europa, comparando essas equipas com Benfica, Porto e Sporting que jogam o mesmo campeonato? Uma coisa é jogar contra equipas mais fortes, outra completamente diferente, é não ter “experiência” para jogar.
Sem querer tirar importância às vivências, e ao saber que daí advém, questiono se a experiência, ou a falta dela, é, por si só, suficiente para justificar algo?
Vejamos o caso do Rio Ave que joga pela primeira uma competição Europeia. Eliminou o IFK Goteborg, que já venceu a prova por duas vezes, em 1982 e 1987, na 3 ª eliminatória da prova, e o Elfsborg, nos playoffs, chegando à fase de grupos. A equipa de Vila do Conde, “sem experiência”, atinge a fase de grupos após duas eliminatórias, e simultaneamente tem um registo brilhante no campeonato. De realçar que, em 15 dias, a equipa jogou 5 jogos superando o Elfborg e vencendo o Vitória de Setúbal (2-0), o Estoril (1-5) e o Boavista (4-0) para o campeonato nacional. É, assim, um exemplo de como uma equipa “inexperiente” a toda a linha, no que respeita a participação nas competições Europeia, atingiu a fase de grupos e liderou o Campeonato Nacional. É um facto que estando a jogar a fase de grupos e defrontando equipas mais competitivas, o Rio Ave deixe de ter o índice de sucesso que revelou até agora, quer em termos internacionais, quer nacionais, e que a sua performance se ajuste à sua capacidade.
Um exemplo completamente diferente do anterior, mas ao mesmo tempo esclarecedor do que pretendo realçar, de que a Experiência, ou a falta dela, não é determinante para o sucesso, foi o facto de, na 1ª jornada da Liga dos Campeões, o treinador do Chelsea ter optado por Drogba, em detrimento Diego Costa, justificando que o Jogador ainda não está Preparado para jogar 3 vezes por semana. É verdade que o Chelsea tem recursos que nenhuma equipa em Portugal tem e pode facilmente abdicar de um jogador como o Diego Costa, que tem sido fundamental neste início de época, mas não é menos verdade que a Preparação para Jogar é determinante. É fácil concordar que o Diego Costa tem experiência suficiente para jogar qualquer jogo, assim como para jogar mais que uma vez por semana, como atesta o facto de ele ter sido um dos finalistas da última edição da liga dos campeões. Talvez por ter começado a época um pouco mais tarde devido à sua participação no Mundial, o seu treinador entenda que ele não esteja ainda preparado para jogar, a um nível de topo, 3 vezes por semana.
Mesmo os mais experientes têm que se Preparar e, assim, a Preparação para competir atinge uma maior dimensão que a própria Experiência de jogar – Preparar o jogo e, simultaneamente recuperar, para voltar a competir em 3 dias. Este acaba por ser o grande desafio do treinador: preparar estes ciclos em que a equipa tem que jogar no máximo, com o mínimo de 3 dias de intervalo entre os jogos. Neste curto espaço de tempo o treinador deve ter a competência de continuar a consolidar o jogar da equipa, reforçar princípios de jogo, aperfeiçoar a estratégia para o jogo seguinte e simultaneamente contemplar a recuperação para que os jogadores estejam o mais aptos possível para competir no próximo jogo. No caso dos jogos a meio da semana, salvo raras exceções, as circunstâncias são as mesmas para as equipas que se defrontam. As condições alteram-se quando se defronta quem esteve a toda a semana a preparar-se para o confrontar, mas isso é o preço que as equipas têm que pagar para jogar na Europa. Não é fácil superar estes ciclos de jogos registando apenas sucessos e é nestes momentos, em que as competições se cruzam, que quem não estiver bem Preparado fica mais longe de atingir os objetivos pretendidos. Esta primeira jornada não teve qualquer consequência para o Benfica em termos do campeonato Nacional pois venceu os seus jogos. No entanto, perdeu um jogo importante, não determinante, para as aspirações em passar aos oitavos de final da liga dos campeões. Por seu lado o Porto obteve uma vitória e uma excelente exibição na Liga dos Campeões, mas em contrapartida perdeu 4 pontos no campeonato nacional, perdeu a vantagem que tinha para o Benfica e viu-o distanciar-se em mais 2 pontos. O Sporting não venceu o Belenenses em casa, perdeu dois importantes pontos em Maribor e, no jogo em que se previa um maior grau de dificuldade por se disputar em Barcelos e na sequência de 3 jogos consecutivos, acabou por realizar um excelente resultado e uma boa exibição fruto da sua entrada forte no jogo, com golos aos 8 e 11 minutos. Rio Ave e Estoril, ambos perderam o seu jogo na Liga Europa contra adversários mais fortes, e na última jornada perderam pontos face ao mesmo período da época anterior. O Rio Ave perdeu com o Arouca enquanto no ano passado tinha empatado. Por sua vez, o Estoril tinha vencido em Coimbra e este ano empatou.
A 2ª jornada europeia realiza-se entre a 6ª e a 7ª jornada e vai ser interessante acompanhar o desempenho das equipas em questão.
Os ciclos de jogos são os seguntes:
Benfica: Estoril x Benfica (27 Set.) – Bayer Leverkusen x Benfica (1 Out.) – Benfica x Arouca (5 Out)
Porto: Sporting x Porto (26 Set.) – Shakhtar Donetsk x Porto (1 Out.) – Porto x Braga (5 Out)
Sporting: Sporting x Porto (26 Set.) – Sporting x Chelsea (30 Set.) –Penafiel x Sporting (5 Out)
Rio Ave: Braga x Rio Ave (27 Set.) – Aalborg BK x Rio Ave (2 Out) – Nacional – Rio Ave (5 Out)
Estoril: Estoril x Benfica (27 Set.) – Estoril x Panathinaikos (2 Out) – Gil Vicente x Estoril (5 Out)
A dificuldade parece emergir na capacidade ou incapacidade de gerir jogos com curtos intervalos de tempo entre eles. Este facto parece-me mais pertinente do que falar em experiência ou falta dela. Recuperar, é a palavra chave. Como o fazer e o que fazer, pode marcar a diferença…
Bruno Lage, treinador de futebol
Bruno Lage, treinador de futebol



0 Comentários
LuisRafaelSCP
Para mim o problema é a preparação… o nível do nosso campeonato é baixo. Nas competições europeias, os erros pagam-se mais caro, encontram-se equipas capazes de dividir e até superiorizar-se ao nosso jogo… etc.
Gustavo Gomes
Não sei até que ponto dar um exemplo do que se passou no campeonato distrital pode ajudar à sua causa, mas pronto, ele tentou passar a ideia.
O nível de intensidade do nosso campeonato é baixíssimo comparado com o inglês, por exemplo. Mas é superior ao brasileiro.
O problema do nosso campeonato são as sucessivas paragens. Há sempre um toque-pára o jogo- segue a jogar. É intenso porque os lances são disputados ao limite, não existe a preocupação de abordar os lances de forma a que a jogada continue. Por um lado os jogadores têm que largar a bola em muito pouco tempo, mas por outro acabam por decidir sempre mal.
Vejo o nosso futebol como uma mistura entre o futebol brasileiro (técnico), italiano (fechado, feio e duro) e francês (forte com lances rápidos).
Por exemplo o futebol espanhol já não tem esta influência do futebol italiano, tem mais influência inglesa, um jogo mais aberto, directo, dando primazia ao 4-4-2 jogado ao campo todo, com a bola a correr todos os sectores.
Anónimo
Gustavo Gomes, na liga espanhola quase todas as equipas jogam no tipico 4 2 3 1 Espanhol, que nada tem a ver com 4 4 2. O jogo espanhol é semelhante ao nosso, embora mais aberto e mais fraco taticamente, sendo que provavelmente mais forte tecnicamente, até pelos valores envolvidos num e noutro campeonato. A questão da intensidade de jogo está no treino e nos treinadores. Se o ritmo de treino e exigencia aumentar isso repercute-se nos jogos. Pegando no exemplo da liga inglesa, vemos que não é pelo ritmo de jogo ser muito alto que as equipas são muito boas.
Joel
André Santos
A maioria das equipas espanholas joga agora com 4-2-3-1 ou 4-3-3 devido à universalização dessa táctica. O mesmo acontece em todas as outras ligas. Mas não pode esconder que geneticamente o futebol espanhol sempre usou o 4-4-2 como a sua tactica preferida. Vá ver como jogavam as equipas espanholas nos anos 90 e 00 e mesmo a selecção espanhola.
Raul e Morientes sempre na frente.
LuisRafaelSCP
Gustavo Gomes,
Ou seja, o nosso campeonato é pouco competitivo (equipas com baixos orçamentos e equipas que procuram contra as equipas de competições europeias jogar o menos possível para conseguirem um ponto), sendo que dessa forma, as nossas equipas não chegam preparadas devidamente à europa.
Foi o que eu disse.
Gustavo Gomes
A Espanha sempre usou o 4-4-2 como Portugal sempre deu primazia ao 4-3-3. Há coisas que estão intrinsecamente ligadas à história futebolística de cada país. Isso é apenas mais uma delas.
Ruben F.
Concordo com bastantes pontos daquele primeiro comentário do Gustavo Gomes. O nosso campeonato tem jogos de baixíssimo ritmo e com muito pouco tempo útil de jogo porque estamos constantemente a ouvir o apito. Tudo é falta. Toques mínimos ou toques mais sérios, é sempre falta. isto quebra muito o ritmo, quebra o espectáculo e quebra a intensidade.
E também é verdade que os jogadores, por causa disso, tentam largar a bola mais depressa. O problema é que temos muitos jogadores que pura e simplesmente não sabem decidir, muitos daqueles jogadores que até têm os pés certos mas nunca perceberam a parte mental do jogo.
Quanto à preparação, acho que conta mas também a experiência conta. A pressão de jogar na Europa é diferente quando se está lá todos os anos ou quando se vai lá pela primeira vez. Por muito que os nossos jogadores pudessem estar melhor preparados fisicamente (e podiam), acho que o problema do nosso futebol é mesmo o aspecto mental. Os nossos jogadores são muitas vezes talentosos mas não sabem usar esse talento, não sabem metê-lo em prática, porque pura e simplesmente não sabem interpretar o jogo
Diogo Palma
Eu acho que o nosso campeonato carece de profissionais que consigam dar mais qualidade e inovação aos métodos de treino praticados actualmente.
Em termos de jogo jogado a nossas equipas (no geral) têm pouca intensidade, muita passividade, algumas desconcentrações, etc e isso nota-se mais quando jogam nas competições europeias com equipas de outros campeonatos mais competitivos (ex: Premier League e Bundesliga).
Devimos adoptar aos métodos usados em Inglaterra e na Alemanha para termos equipas mais competitivas fisicamente e com capacidade para jogar de 3 em 3 ou de 4 em 4 dias por semana sem denotar grande desgaste.
Eu acho que os treinos feitas cá em Portugal são muitos ligeiros, com pouca intensidade … parece que andam ali a passear.
Os tenistas e os ciclistas (por exemplo) fazem dias seguidos de competição ao mais alto nível, porque é que os futebolistas (alguns deles, nem todos) quando jogam duas vezes por semana ficam de rastos?
Diogo Palma
A rotatividade do plantel também acho que é mal gerida por todos os treinadores do nosso campeonato, a maioria quase não faz essa rotação mas por outro lado o treinador do Porto roda o plantel em excesso.
Na minha opinião cada treinador deveria ter uma equipa base e ir dando algum descanso a jogadores nos jogos teoricamente mais fáceis. Ir dando descanso a 2 ou 3 jogadores no máximo para a equipa não perder o fio de jogo (por exemplo por a descansar um lateral, um médio e um extremo e no jogo seguinte voltar a apostar no 11 base durante alguns jogos seguidos e depois voltar a dar descanso por exemplo a um central, a outro médio e ao avançado e por ai em diante … rodando a equipa conforme o adversário e fazendo descansar todos os jogadores de forma moderada e equilibrada).
Renato Teixeira
Só se fala na excessividade do plantel do Porto porque se empatou este último jogo em que o terreno estava impraticável em certas zonas e porque se ficou a jogar com 10 durante SETENTA minutos com uma equipa que ficou com os 11 atrás da bola até ao final do jogo (não é uma crítica). O Porto com o excesso de rotatividade merecia ter vencido o Boavista e não venceu em Guimarães sobretudo por factores externos porque após o 1-1 houve um golo limpo que dava o 2-1 e provavelmente a vitória. Se calhar o excesso de rotatividade não teve nada a ver com o facto de termos dado 6-0 ao BATE com uma equipa fresca não? Ou a desculpa do adversário fraco passa por cima disso? Eu sou portista e estou a gostar do que está a ser feito… Mas cada um tem direito à sua opinião
Coríntio
O Jorge Jesus anda sempre a dizer que os treinadores portugueses são de top, mas eu sempre tive sérias dúvidas em relação a isso. Temos 4 ou 5 bons mas de resto são tudo treinadores de clube pequeno sem o mínimo de compreensão da exigência do futebol europeu e sem inovação no que toca aos métodos de treino. Continuam a treinar como faziam no tempo em que eram jogadores, ou no que aprenderam na Universidade nas poucas aulas a que frequentavam.
Depois lá encontram uns livros na Fnac ou assim (traduzidos para portugues claro, porque não sabem ler mais língua nenhuma) sobre Táctica ou Treino e lá mudam algumas coisas nos seus processos.
Chirola
Esse tem sido o método do Lopetegui uma rotação alta da equipa, o que penso que os vai beneficiar quando chegar à fase de maior intensidade do campeonato, com Taças internas campeonato e champions, pois iram ter 1 Plantel preparado para qualquer jogo e não apenas 11 jogadores.
Kullman
Portugal tem excelentes treinadores, o problema é a falta de dinheiro que impede que haja mais qualidade nos clubes, nomeadamente atletas para competir a um nível de topo.
André Santos
Os treinadores portugueses estão é à vontadinha. Se apostassem em treinadores estrangeiros como estes apostam em jogadores estrangeiros aposto que para garantir os seus lugares iam apostar mais em jogadores da formação portugueses.
E já agora, porque não dirigentes estrangeiros. Para ver se isto não mudava logo para melhor num par de meses. De que vale encher os bolsos agora se amanhã o negócio está destruído?? É nisto que os dirigentes deviam pensar antes de ficarem com as comissões de milhares de transferências vindas do estrangeiro nos últimos anos.
Luis Reis
Concordo com a sua leitura do panorama geral que temos em relação aos treinadores, mas também entendo que não seja "barato" apostar em treinadores estrangeiros, da mesma forma que a maioria dessas equipas apostam em mercados baratos e acessiveis como o Brasileiro…
João Pedro
Portugal tem alguns dos melhores treinadores do mundo. As equipas portuguesas, para a qualidade individual que têm, são as que apresentam melhores princípios e as mais organizadas. Claro que há treinadores que não o fazem e que apresentam equipas desorganizadas e sem princípios nenhuns mas são uma minoria.
Quanto ao modelo de treino vamos então ver o que as equipas inglesas têm feito nas competições europeias nos últimos anos… Adoro liga inglesa pela intensidade dos jogos mas é sem dúvida das ligas onde o jogo é mais desorganizado e onde as equipas defendem pior, daí estas não terem tido muito sucesso ultimamente (à excepção do chelsea que ganhou a CL e a LE em anos seguidos e a jogar sempre muito feio). Quanto ao campeonato alemão é o melhor exemplo de um campeonato muito físico durante muito tempo mas onde se tem alterado essas ideias nos últimos anos, onde os treinadores têm apostado mais na qualidade técnica, tactica e capacidade de decisão. Essas alterações têm as implicações que temos visto (desde as grandes campanhas dos seus clubes nas competições europeias até à seleção alemã).
André Santos
Para não falar do aproveitamento que os alemães fazem dos seus jovens jogadores que tem vindo a crescer de mãos dadas com a qualidade da liga alemã.
Por cá continua tudo ao trambolhão. Tudo feito às três pancadas. Quando alguma coisa corre bem, aparecem logo imensas pessoas a recolher os louros. Quando correm mal, desaparecem todos subitamente.
Kafka I
O que importa acima de tudo é a qualidade, isso da experiência é um factor mas não é por aí, o factor qualidade sobrepõem-se ao factor experiência…
O Ajax em 94/95 venceu a Champions com uma média de idades a rondar os 20 anos, e tirando o Rijkaard e o Blind que tinham mais de 30 anos, todos os restantes tinham 17/18/19/20 anos e não foi por isso que o Ajax deixou de literalmente ser um rolo compressor triturando TUDO o que lhe apareceu à frente, jogando o futebol mais espectacular que alguma vez vi até hoje…
Portanto estamos a falar de uma equipa onde a maioria tinha apenas experiência de jogar nos…..Juniores, e não foi por isso que deixaram de vencer, e porque venceram? porque tinham qualidade, e a qualidade sobrepõem-se à experiência…
A experiência só serve de "desempate" quando o nível de qualidade é similar entre 2 jogadores, e aí sim há o "desempate" do lado de quem tem mais experiência…mas se um jogador x for superior ao jogador z, de nada vale ao jogador z ser mais experiente, pois vai perder na mesma para o jogador x que é menos experiente..
LuisRafaelSCP
Óbvio, se a experiência fosse o fundamental, os jogadores em vez de terminarem aos 34 anos, terminavam aos 45!
João Lains
Com todo o respeito, mas para de insistir nessa que a média de idades dessa equipa rondava os 20 anos, porque isso nem sequer é verdade. E até poupo trabalho para que não tornem a ler isto por aqui:
Média de idades da lista de convocados: 24,25 (24)
Média de idades do onze inicial: 24,72 (25)
Média de idades dos jogadores utilizados: 23,69 (24)
Média de idades do onze inicial, excepto Blind e Rijkaard: 23
Média de idades dos jogadores utilizados, excepto Blind e Rijkaard: 22,09 (22)
Média de idades dos jogadores que terminaram os 90 minutos: 24,09 (24)
Elementos com ou menos de 19 anos na lista de convocados: Seedorf (19), Kanu (18) e Kluivert (18)
Elementos com ou mais de 30 anos na lista de convocados: Blind (33) e Rijkaard (32)
Média de idades do Ajax aquando da primeira jornada da Liga dos Campeões 1994/95: 23,5 (24)
Kafka I
"Média de idades dos jogadores utilizados, excepto Blind e Rijkaard: 22,09"
Sim e para ti a época começou e acabou na final de Viena em 1995 é isso? esses jogadores não fizeram a época toda queres ver?? em Setembro de 1994 a média de idades era 21,09, portanto onde é que eu inventei alguma coisa???
Qual é a diferença de dizer que tinha uma média de idades a rondar os 20, e o valor exacto ser 21,09?? há uma diferença abismal de facto…
Kafka I
Na primeira jornada, em que venceram o Milan por 2-0, tirando o Bling e Rijkaard (e eu frise isso mesmo no meu comentário, ou seja, "tirando Blind e Rijkaard") a média de idades era de 22,1 anos…e portanto qual a diferença entre haver uma média de idades de 22 ou eu dizer que tinha uma média de idades a rondar os 20 anos??
João Lains
Não não, essa média fiz eu questão de a colocar no último ponto. A equipa do Ajax iniciou a sua prestação na Liga dos Campeões com uma média de 23,5 anos. Nesta equipa nem havia jogadores com 17 anos e os que tinham idade júnior também não eram tantos quanto quiseste fazer parecer, apenas três.
Kafka I
Aliás tirando o Blind e Rijkaard (e eu frisei isso mesmo no meu comentário), mais nenhum jogador tinha sequer 25 anos, mas pronto, queres ir ao pormenor, eu reformulo e digo que o Ajax foi (e é ainda) o campeão europeu mais novo da história com média de idades de 22.1 anos, tirando os seus 2 jogadores mais velhos…e mesmo não tirando esses 2, continua a ser a equipa mais nova de sempre a ser campeã europeia
João Lains
Portanto, a média desses jogadores mais jovens era de 22 anos e não os tais 20 (é uma diferença significativa), o que não deixa de ser impressionante em comparação com os 28 da equipa do Milan que subiu ao relvado nessa final.
Kafka I
Admito o meu "exagero", mas acima de tudo quis realçar que quando há qualidade, tudo o resto é um pouco posto de lado, como esse Ajax provou…
Andre Carmo
Adorei este artigo!! Muito interessante mesmo! dos melhores que ja li na visao de mercado.
Muito sinceramente a visao de mercado devia evoluir de um blog, quem sabe num jornal, ainda sonho com o dia de manha em que vou beber cafe e tenho a visao de mercado pa ler, estou farto de ler os jornais sensacionalistas da bola e do record com falta de qualidade jornalística, em que se discute mais as polémicas e casos da jornada, que o futebol e o desporto no geral, do correio da manha nem vale apena falar.
Faz falta algo como a visao de mercado, na imprensa nacional. Eu pessoalmente já tento promover a visao de mercado seja online seja pessoalmente, pelo meu grupo de amigos e conhecidos.
Espero que continuem a crescer
SL
druyda
Muito falam da liga inglesa mas a verdade, neste momento, os clubes ingleses levam banho de bola ou têm muitas difculdades de qualquer clube que apareça na frente.
A liga inglesa é de uma intensidade incrivel mas estão a pagar bem caro na europa e a sua selecção inglesa.
Rui Sancho
Excelente texto, um dos melhores. Estou a adorar este novo espaço aqui no VM, realmente pedagógico e a fugir aos lugares comuns. Assim vale a pena! Parabéns!