Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

“Fair-Play” Financeiro: A solução ideal para o futebol europeu, ou uma medida contornável?


Em Setembro de 2009, a UEFA aprovou por unanimidade um conceito de “fair-play” financeiro, com o objectivo de criar um maior bem estar na modalidade, controlando as finanças dos clubes. Este conceito, introduzido pela entidade que gere o futebol europeu, obriga os clubes a apresentarem uma maior disciplina e racionalidade nas suas finanças, impede que as equipas com dívidas possam competir nas suas provas, indirectamente encoraja investimentos e apostas no futebol juvenil. Acima de tudo é uma tentativa de equilibrar o futebol, impedindo que os “novos ricos” paguem salários e transferências absurdas por determinados jogadores.

À primeira vista parece ser uma boa solução, mas será que o é mesmo? Ora vejamos: No fecho do mercado de transferências, o Zenit pagou 100M€ por aqueles que seriam, porventura, os dois melhores jogadores do nosso campeonato, Hulk e Witsel. Uma enorme despesa, isto sem contar com os prémios de assinatura e salários durante a duração dos respectivos contratos. À partida, o Zenit não conseguirá cumprir com os requisitos do “fair-play” financeiro da UEFA, já que o mercado russo não é dos mais atractivos, o seu campeonato não gera receitas televisivas extraordinárias, entre outros aspectos. Consequentemente, as suas despesas serão bastante superiores às suas receitas. Contudo, tudo isto pode ser contornável, caso a Gazprom (principal investidor do clube) decida renovar, neste caso aumentar, os contratos de patrocínio. A Gazprom investiu dinheiro naqueles dois jogadores, caso este montante seja assinalado como verba proveniente do patrocínio anual, o Zenit conseguirá assim contornar o “fair-play” financeiro imposto pela UEFA, cumprindo assim as obrigações por ele estipuladas. Este é apenas um exemplo, já que a mesma prática poderá ser executada pelo PSG, que poderá declarar um novo contrato, igualmente de patrocínio,  que cubra as elevadas despesas efectuadas. Os “novos ricos” são controlados por multimilionários, que na sua maioria possuem companhias internacionais, pelo podem perfeitamente declarar que o dinheiro entrou no clube que gerem através de um dos seus negócios, contornando assim as medidas impostas pela UEFA. Na opinião do leitor será esta a medida adequada? Que outras restrições poderá apresentar a UEFA? A existência de um tecto salarial (indirectamente obrigaria os melhores jogadores a repartirem-se por diversos clubes, pois pretendiam salários elevados) não seria a melhor solução para um futebol menos “desequilibrado” em termos financeiros? 

A. Carvalho

Deixa um comentário