Nota prévia: Como referimos no dia da transferência de Hulk. Saiu Jardel, saiu Deco, saiu Quaresma, saiu a dupla Lucho-Lisandro, e nessa altura, como agora, parecia que era “o fim do Mundo” (que os rivais iam aproveitar, etc), mas em todos os casos o Porto deu a volta e conseguiu sempre potenciar novos elementos com o rótulo de “decisivo”. É incontornável que a saída do Incrível pode ser decisiva (pela negativa) na temporada do conjunto de Vítor Pereira. O brasileiro era de longe o jogador mais influente da equipa e aquele que mais jogos resolvia sozinho (o Porto perde 40% da sua força), mesmo em termos de balneário e presença perante o grupo era um líder claro (num elenco apenas com 5 portugueses veremos qual será o impacto igualmente neste capítulo). Se juntarmos a isto o timing da venda dos dragões, já fora do período de transferências nacionais, ficando sem hipótese de encontrar um substituto à altura, estamos perante uma situação que pode ter consequências (principalmente até Janeiro), não só a nível interno como, e principalmente, no que diz respeito à Liga dos Campeões.
Com Hulk o Porto era o principal candidato a vencer o campeonato, sem o Incrível os azuis e brancos perdem grande parte parte do favoritismo (o internacional brasileiro sozinho praticamente vencia uma Liga), mas continuam a ter o plantel mais equilibrado dos candidatos ao título: muitas soluções para todas as posições, mesmo no meio campo Danilo (ansioso por voltar a esse sector) é uma alternativa à posição 6 e 8; elenco experiente (no 11 titular, à excepção de Jackson, pressupondo que Varela vai ganhar o lugar, já todos venceram a Liga, por outro lado Helton e Lucho emprestam a sua liderança à equipa, o que em determinados momentos é decisivo. A frase de “El Comandante frente ao Vit. Guimarães disse tudo «Aqui não se pode ter dois empates seguidos»); sólido (a base da equipa já actua junta há 2/3 anos: Helton, Otamendi, Maicon, Fernando, James, Moutinho); e ainda com muito talento (James e Alex Sandro em termos técnicos são do melhor que o futebol português tem neste momento). Veremos é se esta capacidade colectiva a juntar ao aparecimento de figuras que agora viviam na sombra de Hulk são suficientes para atenuar a saída do jogador mais decisivo no futebol português depois de Jardel (com o Incrível em campo o Porto já não perdia para a Liga desde Dezembro de 2009, pode não ter o talento de Deco, João Vieira Pinto, etc, inclusive noutros campeonatos o seu impacto pode ser nulo, no entanto em Portugal, poucos na história, tiveram a importância do internacional brasileiro).


