Assistiu-se a uma partida emotiva, equilibrada e com duas reviravoltas no marcador. O resultado de 2-3 foi injusto para o que se passou em campo, contudo, o FC Porto teve a estrelinha do jogo e saiu da Luz com uma vitória importante. O jogo começou mesmo com os dragões a pressionar alto, o que impediu o Benfica de construir jogo e ofereceu ao FC Porto a hipótese de recuperar a bola mais perto da baliza de Artur. O golo de Hulk, logo aos 7´ acentuou o domínio dos dragões (grande bomba do “Incrível”). Os encarnados, pouco a pouco, foram reagindo e tiveram boas ocasiões para chegar à igualdade. Cardozo e Aimar falharam na cara de Helton, quando estavam em condições de marcar golo. A resposta do FC Porto surgiu através de um livre de João Moutinho (à trave) e de uma boa jogada de ataque, com Janko a falhar na cara de Artur (o brasileiro ainda defendeu um remate de Álvaro Pereira, na recarga). Bem perto do intervalo, Cardozo aproveitou uma “bola morta” na área portista para bater Helton e fazer o 1-1.
No segundo tempo, foi o Benfica a entrar melhor e a fazer o 2-1 logo a abrir. Cardozo surgiu sozinho na área e cabeceou sem hipóteses para Helton. Na resposta ao golo, Vítor Pereira não teve meias medidas e colocou James Rodríguez em campo (retirou Rolando, deslocou Djalma para defesa direito e Maicon para defesa central). Pouco tempo depois, o colombiano recuperou uma bola no meio campo (na sequência de um contra-ataque perigoso do Benfica), tabelou com Fernando e fez o 2-2, naquele que terá sido o momento do jogo. Na entrada para os 15´ finais, Emerson recebe ordem de expulsão e o jogo só teve sentido único até aos 90´. Os dragões pressionaram mais e chegaram mesmo ao golo, na sequência de um livre. Maicon subiu mais alto (Artur foi mal batido) e aproveitou mais uma assistência de James na Liga ZON-Sagres, finalizando o score na Luz.
Destaques:
Jorge Jesus/Vítor Pereira – O treinador encarnado bloqueou a partir do banco com o 2-2. Já tinha errado com a entrada do Rodrigo para o lugar do Aimar (o espanhol foi uma nulidade, e se não estava bem fisicamente não podia ser opção), e com os últimos resultados (à semelhança do que aconteceu a época passada) pode ter ficado com “a cabeça a prémio”; Já VP ganhou este duelo de forma clara e deu uma chapada de luva branca a todos (principalmente aos adeptos do FC Porto). O treinador dos dragões (o VM foi o único meio de comunicação em Portugal que nunca o responsabilizou pelos resultados) com a entrada de James para o lugar de Rolando e a colocação de Djalma a lateral direito, arriscou tudo, demonstrou ambição (o mesmo se verificou com a entrada de Kléber para o lugar de Moutinho) e deu-se bem, conseguiu a reviravolta e deu um passo importante na luta pelo título.
Fernando – O melhor do clássico. Encheu o campo e ainda juntou à sua exibição duas assistências.
Artur/Helton – O guardião encarnado (apesar do golaço de Hulk) podia ter feito mais no 1º golo e foi claramente mal batido no 3º; já o guarda-redes azul e branco somou duas defesas decisivas na 1ª parte (Aimar e Cardozo estavam em boa posição) e ganhou este duelo.
Gaitán/Djalma – Apesar de serem extremos curiosamente acabaram o encontro a jogar na posição de lateral; O argentino falhou no lance capital do jogo (definiu mal um ataque 3 para 1 e na sequência desse lance o Porto na transição empatou) e foi superado pelo internacional angolano (competente a extremo ainda deu profundidade quando passou para defesa direito).
Cardozo/Janko – O paraguaio voltou a ser o elemento mais nos encarnados. Apesar do desperdício inicial, bisou, colocou o Benfica na frente e cumpriu; já o austríaco foi um dos piores elementos do Porto, falhou uma boa oportunidade para fazer o 2-0 quando seguia isolado e ainda deixou Cardozo em jogo no lance do 1-1.
Emerson/Álvaro Pereira – O brasileiro foi um dos responsáveis pela derrota do Benfica. Deu espaço a Hulk no 0-1 e ao ser expulso comprometeu por completo a estratégia dos encarnados; por sua vez o uruguaio apesar de menos exuberante que o habitual não comprometeu.
Maicon – Foi o melhor defesa do Porto (aliás como tem sido nos últimos jogos) e juntou a uma exibição imperial na defesa, o golo decisivo.
Witsel – O belga disse presente nos melhores momentos do Benfica, dominando por completo o meio campo, mas acabou por não ter a continuidade dos restantes colegas.
Moutinho/Lucho – A dupla de criativos do meio campo dos dragões entrou bem na partida, recuperou bastantes bolas através da pressão alta, mas acabou por falhar em muitos momentos do encontro. Como já referimos diversas vezes, qualidade não falta, nem criatividade, mas a lentidão do argentino e as limitações do português foram visíveis na maior parte do encontro.
Nolito/Garay – O espanhol realizou uma excelente 1ª parte e foi dos mais inconformados do lado encarnado. O seu drible estonteante deu grandes dores de cabeça aos defesas do FC Porto, contudo, não conseguiu juntar a isso, a eficácia que já demonstrou em outras partidas. O central argentino saiu lesionado, provando que a marcação do encontro para esta sexta-feira, a pedido dos encarnados, poderá ter prejudicado os interesses da Luz (Garay jogou 90´na quarta-feira).


