Os nórdicos têm claramente outra postura em relação a estes temas, e há muito tempo que tentam contribuir politicamente para melhorar as condições dos trabalhadores migrantes no Qatar. A Noruega inclusive, muito antes de saber que ia ficar de fora, admitiu boicotar desportivamente a prova.
A Federação dinamarquesa realçou que a participação no Mundial’2022 será meramente desportiva. Através de um comunicado o organismo teceu duas críticas à organização do país asiático, que é insistentemente acusado de violar os mais básicos direitos humanos, e explicou que os seus parceiros comerciais não vão participar em qualquer «atividade oficial» no Qatar e que os dois principais patrocinadores abdicaram do seu espaço na roupa de treino para darem o lugar a mensagens humanitárias. A Federação acrescenta ainda que vai minimizar o número de viagens ao Qatar para funcionários e parceiros, para que a participação no Mundial seja «principalmente focada na vertente desportiva e assegura que estará atenta ao cumprimentos dos direitos dos trabalhadores que estiverem no hotel e instalações que a equipa vai utilizar.
DBU øger presset på Qatar forud for VM næste år.
Læs mere om de nye kritiske tiltag her:https://t.co/3ozuH1P7w8 pic.twitter.com/wR5P5GNIKu
— DBU – En Del Af Noget Større (@DBUfodbold) November 17, 2021


31 Comentários
cards
muito bem.
aqui na tuga está tudo preocupado com os milhões que a FPF poderá perder caso a seleção não vá ao mundial…
JFN
Bem, não é o boicote que gostaria de ver, mas é melhor que nada…
Francisco Ramos
É de aplaudir.
Era bom que as pessoas percebam que o futebol é um negócio mas que devem ser estabelecidos os limites que podemos atingir. Seja dentro, seja fora de campo.
BrunoV
Qual o limite?
Continuar a ser patrocionado por marcas que usam a “escravatura” e o trabalho infantil, mas usar mensagens humanitárias no mundial?
TOPPOGIGGIO
Essa questão é pertinente pois fazer as duas coisas acaba por revelar alguma falta de coerência…
TOPPOGIGGIO
“Já agora” e muito Off Topic, mas relaciona-se com a nossa correcção com os nossos semelhantes, no caso da Aminata Diallo, que supostamente mandou agredir a colega de equipa no PSG, e todos nós, dissemos que “a ser verdade, deve ser severamente punida” (mas fizemo-lo quase acusando-a), ao que parece o novo rumo da investigação aponta para a esposa do Abidal, uma vez que este supostamente andou a dormir com a agredida e os agressores ter-se-ão descaído nesse sentido… É imprensa cor-de-rosa? É, e não é propriamente o tipo de conteúdo que acorda-se de manhã a dizer “quero fazer parte disto”, mas da minha parte acho importante a “desformatação” da ideia inicial… Desculpem…mas lembrei-me disso pois ainda que em proporções nda comparáveis, continuamos no campo da humanidade/dignidade.
Kafka
Já abordei aqui o tema, nós sociedade ocidental não estamos preparados nem iremos abdicar de ser incoerentes, porque isso implicaria uma mudança radical no nosso estilo de vida, visto o nosso modelo de sociedade que nos permite ter todo este conforto que existe no Mundo Ocidental, depende também da exploração do trabalho escravo, infantil, entre outras coisas
Estamos dispostos a tirar todas as fábricas da China, Vietname, Bangladeche etc e passar a pagar a um Parisiense 1500 eur por mês para fazer os nossos ténis, em vez de pagarmos 20 eur por mês a uma criança do Vietname?? É que assim uns ténis que hoje custam 100 eur, secalhar passam a custar 400 eur… Estamos preparados para isso?
Vamos pôr os telemóveis e todos os seus componentes a serem produzidos em Nova York em vez de serem produzidos na China? Passamos a pagar 3 ou 4 mil eur por um tlm?
A malta fala das marcas de roupa (e bem), mas as empresas de tecnologia é igual… A maioria nem sonha que a maior parte de um iPhone depende de trabalho escravo para poder ser fabricado
TOPPOGIGGIO
De acordo. É correcto falar-se do que já se fala, mas falar (seja verbalmente ou por acções) do restante também e nesse quesito, acabamos todos por, de forma directa ou indirecta, contribuir para muits dessas situações…
Diogo Moura
A Apple acho que nem é a pior, mas Xiaomi, Huawei… se a malta sonhasse a quantidade de empresas/fabricas ligadas à produção de um só telefone tinha um colapso. Existem modelos que passam por mais de 100 empresas diferenças (umas produzem plásticos, outras chips, outras lentes, outras baterias, outras componentes.. um sem fim!).
Mas sim, concordo.
Fazemos todos activismo de Nike nos pés enquanto fotografamos manifs em 4K num Iphone.
É uma hipocrisia pegada, só boicotamos aquilo que não nos afecta e sobretudo fazemos para ficar bem vistos.
Nas redes sociais todos choram, mas aposto que nunca foram capaz de dar 1€ que seja a um artista de rua ou dar um cabaz de Natal a um vizinho desfavorecido.
j. chamberlin
Muita verdade no que dizes Kafka.
Sinto que essa mudança radical seria muito bem vinda na nossa sociedade atual.
Iria ajudar a dimunir um pouco a cada vez mais evidente desigualdade social, e colocar um travão no materialismo desenfreado em que vivemos.
Francisco Ramos
Penso que não entendo o meu comentário.
Os limites podem ser de várias formas.
Podemos fazer com que um jogador de seleção não tenha acima de 40/50 jogos por época pela sua saúde física. Mas o que está a fazer a FIFA? Está a aumentar o número de jogos nas pausas das selecções, a UEFA criou uma competição nova, querem Mundial a cada 2 anos, etc. Ou seja, querem que o jogador seja esticado ao limite e estatisticamente há cada vez mais lesões no futebol e com o avanço da medicina até devia ser ao contrário.
O limite pode ser o sítio onde se escolhe para a realização destes eventos. Esse poder de decisão está nas mãos da FIFA e todos sabemos as razões (e o pós) da escolha do Qatar para um Mundial.
O limite pode ser no controlo salarial como na NBA, pode ser nos tetos salariais (como existe na Liga Espanhola), pode ser nas comissões aos agentes, etc.
Como vê, existem muitos pontos onde podem controlar. Dizer à Nike para não usar mão de obra infantil é que está fora do seu alcance (e penso que terá alguns produtos na sua posse feito desta forma, mas aí não há problema porque se for cá a mão de obra, você acha caro e não compra).
E outra coisa, Roma não foi construída num dia. Logo devíamos aplaudir mais atos como estes, por mais pequenos que sejam, porque é daí que vem a mudança. Ir com muita sede ao pote já se sabe o resultado!
DNowitzki
Então e a malta/miudagem chinesa ou vietnamita que faz os equipamentos não merece a existência de boicotes?
Diogo Moura
A Dinamarca é patrocinada pela Hummel, que tem sede na Dinamarca. Além disso a Hummel é uma marca ligada a filosofias de vida e patrocina países mais desfavorecidos, portanto, de todos os que por aí andam, não há muito a dizer. Até é capaz de ser a melhorzita no que toca a mão de obra barata.
Relativamente à fabricação têxtil, não faço ideia onde é que as peças são produzidas, portanto, deixo este para alguém mais informado me responder.
Rosso
Compreendo-os perfeitamente, e é uma das razões por que não ficaria muito aborrecido se Portugal não fosse a este Mundial totalmente atípico pelas piores razões.
Francisco Torgal
Excelente exemplo. Mentalidades nórdicas.
J Silver
O Fernando Santos está um passo à frente e vai boicotar desportivamente. Muito bem.
JFN
Haha, excelente
coach407
Mensagens políticas? Mas na Dinamarca não se sabe que em competições UEFA/FIFA é proibido exibir mensagens políticas ou religiosas durante o jogo?
Um jogador que levante a camisola e tenha uma mensagem qualquer desse género é punido com o cartão amarelo.
Não estou a ver como é que um árbitro pode autorizar qualquer mensagem explícita. Vão ter de negociar isso muito bem com a FIFA. E não me cheira que a FIFA queira propriamente arranjar problemas com o Catar.
TOPPOGIGGIO
…mensagem HUMANITÁRIA. Ainda que sejam mensagens que se tocam (ainda para mais sabendo o motivo que está por detrás de tal acção) acho que “todas as pessoas merecem ser tratadas com dignidade” ou “não ao Nazismo” por ex. não são mensagens iguais… Se a FIFA proíbe mensagens humanitárias aí sim aplicar-se-ia o que disseste, mas não creio que seja o caso pois o” No to racism” por ex. é usado e incetivado….
Kafka
Exactamente, a mensagem “no to racism” é humanitária não é política, e a própria FIFA está sempre a utilizar essa mensagem
TOPPOGIGGIO
Exacto.
coach407
Mensagem humanitária porquê? Porque eles chamaram-lhe isso?
É claramente uma mensagem POLÍTICA em relação às leis e condições de trabalho no Catar (definidas a 100% pelas entidades POLÍTICAS do país).
Comparar com o No To Racism que é uma mensagem sobretudo para os adeptos, para os próprios jogadores e para outros simpatizantes que até pode ter uma dose mínima de pressão política, mas algo perfeitamente ténue.
Aqui não há dúvidas nenhumas. É um ataque claro às políticas do Catar. Podes considerar que também é uma mensagem humanitária por se referir a direitos humanos, certo, mas também é uma mensagem política e isso é completamente inquestionável e é óbvio para toda a gente.
TOPPOGIGGIO
Por isso é que eu disse “as mensagens tocam-se” ainda mais “porque sabemos o que está por detrás desta acção”. É política sim, mas relativamente a questão LEGAL (perante a FIFA) que levantaste, são diferentes… Nos exemplos que te dei, um refere-se à política de forma directa (logo a FIFA proibiria) e outra de forma indirecta (pode ser que passe )…. Agora a questão como aqui já foi referido é a coerência, se tivermos em conta as condições de trabalho para produzir equipamentos por ex….
vascoosb
Este caso, apesar de ter origem politica (tudo e politico btw), vai para alem disso. Dai a legitimidade do boicote a meu ver.
ruimarcos29@hotmail.com
@coach407 pode ler-se o seguinte no texto – “abdicaram do seu espaço na roupa de treino para darem lugar a mensagens humanitárias” – friso roupa de treino. Logo, nos jogos do Mundial não se aplica.
telmoluz79
Equipamento de Treino..Equipamento de Treino. Equipamento de treino.
Mushy
Ao menos se tentassem ler o texto todo, em vez de mandarem postas de pescada, apenas para criticar…
Exatamente!! É nos equipamentos de treino!!!!
Mantorras
Eles normalmente papam menos grupos que a malta fo Sul. É de aplaudir.
Miguel Lopes
Ainda estou para saber se papam menos grupos, ou se são melhores atores a fazer show-off.
Jose Santos Silva
De louvar e normal serem os nórdicos a tomar esta posição pois têm uma sociedade mais evoluída que coloca direitos humanos mais acima nas prioridades.
Convenhamos que Portugal, como em tantas outras coisas, tb nos direitos de trabalhadores e humanos estão algures entre o Qatar e a Dinamarca, lá para a cauda da UE.
É normal que atitudes destas n sejam tomadas por PT. Aliás, fosse o Qatar uma ex-colónia como Angola e faríamos antes uma operação de charme para atrair petrodólares
E sim, tb na Dinamarca se usam sapatos e telemóveis feitos à custa de vidas, mas isso não implica que não se deva chamar a atenção para estas situações, fazendo pressão para mudar as mentalidades, da Fifa, do Qatar e do mundo em geral
Pablo
Como foi o anúncio desta notícia por parte da Dinamarca? No Twitter? Epá coitado dos apanhadores do coltan, esses não merecerem nada…