O fluxo de emigração do Norte de África para a península escandinava aconteceu em termos muito significativos e, como não poderia deixar de ser, acabou por ter influência nos campeonatos e nas selecções nacionais. Na Noruega, a liga continua a ter um nível competitivo bastante pobre, apesar de lá despontarem jogadores muito interessantes. Martin Odegaard, o miúdo que conseguiu uma transferência para o Real Madrid, é considerado o maior talento daquele país, mas há vários craques com potencial para mais. Iver Fossum, médio do Stromgodset, mudou-se recentemente para a Bundesliga, mais concretamente para o Hannover 96, deixando Mohamed Elyounoussi como o jovem mais promissor do campeonato, não devendo estar longe o salto para outro patamar. Aos 21 anos, o extremo/ médio ofensivo já fez duas épocas fantásticas ao serviço do Molde, tendo impressionado pela qualidade técnica (é um desequilibrador puro, muito forte no drible) e pela capacidade goleadora, que lhe valeu quase 40 golos. As boas prestações europeias – é uma das referências da equipa sensação da Liga Europa – permitiram que aumentasse a sua cotação e tudo leva a crer que Mohamed Elyounoussi irá mais longe do que o primo Tarik Elyonoussi, que actua no Hoffenheim. De origens marroquinas, o jovem do Molde é claramente um jogador à parte na liga norueguesa, fazendo a diferença em qualquer posição no apoio ao ponta-de-lança. Rápido, irreverente e com bom poder de decisão tendo em conta o seu estilo de jogo, o jogador tem tudo para ser uma das principais estrelas da selecção dos vikings. Futebolisticamente, Elyounoussi pouco tem de norueguês, mas talvez seja este perfume que faz falta para reerguer as selecções nórdicas.
O futebol não acontece só na Premier League e na La Liga, não passa só por Old Trafford e Camp Nou. Fora do Radar é uma rubrica com o objectivo de dar a conhecer jogadores do futebol mundial, independentemente da idade, que passam despercebidos ao adepto comum.



0 Comentários
Anónimo
Não entendo porque é que os clubes portugueses desprezam os campeonatos nórdicos na sua política de contratações. Muitos jogadores acabam por ir para clubes médios alemães ou clubes holandeses e sempre com valores acessíveis aos grandes.
Dial Square
Pedro Barata
Realmente é um mercado com aposta quase zero dos nossos clubes (assim de repente só me lembro do Karadas recentemente ) mas de facto há muito que eles deixaram de ser só "altos, loiros e toscos" , e de facto os nossos clubes devia passar a prestar mais atenção aos melhores jogadores de lá, até porque como referes e bem, eles depois adaptam-se bem a clubes competitivos da Premier League ou da Bundesliga
Pedro Barbosa
Vários factores podem explicar a falta de interesse em olhar para estes países. Primeiro scouting não é uma tarefa qualquer, exige tempo (bastante tempo mesmo) e recursos humanos, e não tem associada proveitos imediatos por isso a esmagadora maioria dos clubes não tem grandes departamentos e acabam por ter de priorizar certos países onde acham que há mais potencial, além de procurarem em termos locais e nacionais. Isso leva a que as prospecções no mercado funcionem quase de modo 'em bloco' com vários jogadores da mesma nacionalidade ou vizinhança a serem referenciados e contratados na mesma altura. A quantidade, tal como a qualidade, é importante. É provável que seja difícil para um olheiro justificar estar 6 meses na Noruega e vizinhança a ver talento só para reportar que existem talvez 2-3 potenciais contratações (números arbitrários, como é óbvio, mas se calhar não muito longe da realidade).
Outro factor pode ser cultural, convenhamos que é mais fácil para um sueco ou dinamarquês se adaptar à Alemanha ou Reino Unido do que a Portugal. Desde a língua, à dieta e aos costumes, clima e por sinal nível de vida, existe uma diferença considerável para Portugal do que comparando com os outros dois.
Não acho que em nenhum momento o futebol norueguês se vai tornar assim tão fantástico que de repente é fundamental conhecê-lo ao pormenor, principalmente quando compete com muitas outras ligas mais baratas, mais competitivas e em mercados mais apetecíveis em termos de marketing. Se existir oportunidades tudo bem mas é perfeitamente compreensível o, como foi dito, "desprezo".
Kafka I
Excelente justificação Pedro Barbosa, e concordo totalmente com a mesma..
Anónimo
Exacto, Pedro Barata. Eu não referi a Premier League, pois tenho a ideia de que normalmente passam por outro clube antes de despontarem lá, mas há-de haver de tudo. O que dizes faz bastante sentido Pedro Barbosa. No entanto, custa-me ver tantos sul americanos que acabam por não render o esperado (ou até nem terem tempo de jogo) cá.
Sem exemplos recentes é difícil dizer, mas talvez se pudessem adaptar ao futebol português e trazer características diferentes. Pessoalmente agrada-me este estilo de jogador, tem a técnica característica do Norte de África e já moldado em termos tácticos.
Dial Square
Pedro Barbosa
Dial Square,
Num mundo perfeito, todos os jogadores que passam por cá são acompanhados desde que chegam, com salários que lhes permitem viver de forma confortável sem privações (a realidade de um grande é MUITO diferente da realidade da maioria dos outros clubes) e a confiança da equipa técnica que lhes dará a atenção necessária para evoluir as suas características físicas e tácticas. Depois acordam do sonho, saem da cama num quarto minúsculo, sem pequeno almoço chegam ao treino onde não falam a mesma língua dos colegas e treinador e tem de depender de gestos ou um colega para perceber o que têm de fazer, dar o máximo no treino à espera que sejam notados e possam vir a ter uma oportunidade para jogar e demonstrar que podem ser algo. Esta infelizmente é a realidade de muitos estrangeiros (sejam eles sul-americanos ou origem africana) em Portugal. Isto sem meter agentes ou fundos de jogadores.
Em relação aos grandes (penso que é aí que vamos centrar a conversa) é mais complicado. Provavelmente vários jogadores aqui referenciados no blog podiam perfeitamente ser potenciais estrelas num Benfica, Porto ou Sporting. E alguns jogadores de grande potencial estão cá, vindos de realidades diferentes. Se calhar a melhor explicação é que não há espaço para todos e, infelizmente, quem estiver ligado a agentes ou fundos a operar cá tem primazia sobre todos os restantes.
Anónimo
Pedro,
Mais uma vez tens toda a razão, existem vários factores que definem o sucesso ou insucesso de um jogador. Depois existe a questão da quantidade de jogadores que possam interessar por cada país/zona como disseste.
De facto, entre Dinamarca, Noruega e Suécia talvez existam uns 7, 8 jogadores na idade(mais Benfica e Porto, neste caso) e nível que interessa aos grandes.
O que não falta são jogadores de potencial chegarem a Portugal, correcto, é mais uma curiosidade pessoal em ver jogadores desses mercados como noutros tempos acontecia (suecos no Benfica).
Dial Square
Óscar Alho
A Escandinávia tem evoluído a nível futebolístico e como tal aparecem mais estrelas. Os clubes portugueses deviam olhar de outra maneira para lá.
Este jogador parece-me ter um potencial elevado, pelo que vi na selecção.
Ps: Podiam fazer um fora do radar sobre Omar Abdullaharam…
João Lains
Existe uma grande comunidade de imigrantes, em especial, provenientes do Norte de África e do Médio Oriente, na Noruega. Quem é adepto de atletismo ou de futebol, já se familiarizou com os nomes de Jaysuma Ndure (velocista natural da Gâmbia), Joshua King (avançado formado no Man Utd), Alexander Tettey (médio do Norwich) ou Mohammed Abdellaoue (brilhou ao serviço do Hannover). O Tarik, primo deste Mohamed, transferiu-se para o Hoffenheim há alguns anos, mas não tem tido muito sucesso nos últimos tempos.
O Ghayas Zahid, médio ofensivo de origem paquistanesa, é internacional sub-21 pela Noruega e foi eleito um dos melhores jogadores do campeonato na última temporada. O Etzaz Hussain, que chegou a cruzar-se com o King no Utd, é um médio centro de origem paquistanesa e transferiu-se recentemente para o Sivasspor da Turquia. O Rafik Zekhnini, extremo de 18 anos de origem marroquina, brilhou no playoff da Liga Europa com o Dortmund (naquele célebre duelo em que os alemães viraram um resultado desfavorável de 3-0) e é seguido desde então por alguns dos maiores clubes europeus.
Depois existe o reverso da medalha. Lembro-me de um avançado que era o Mushaga Bakenga, que despontou com 16 anos no Rosenborg, ao lado do Markus Henriksen, que hoje é figura de proa no AZ Alkmaar e titular absoluto na selecção principal. Transferiu-se com 19 anos para o Club Brugge, mas hoje joga no Molde, depois de uma série de empréstimos sem muito sucesso.
No entanto, as selecções nacionais só têm a ganhar com esta miscigenação. A Alemanha que o diga. Ontem, no podcast da Bundesliga, falavam de características genéticas únicas do Leroy Sané (filho de pai senegalês e mãe alemã) e da diferença entre fibras musculares rápidas e lentas, à semelhança do Tiago Ilori.
Ivan Borges
Seria um grande reforco para o Scp e o Subs do Carrillo, apesar do potencial enorme de Gelson e Matheus ainda estao muito verdes e deste tipo de jogador que o Scp precisa, e porque tanto Bryan e J.Mario rendem muito mais no meio tal como o Mane e ficamos apenas com Gelson,Bruno Cesar,Matheus.
SL
Selecion-a-dor
O Sporting apresentou uma proposta de 2 milhões por este jogador, mas foi rejeitada pois o Molde pretende 3,5 milhões pelo jogador.
Rodolfo Trindade
É daqueles alvos interessantes ainda ao alcance dos clubes portugueses.
Vejo nele mais um extremo do que propriamente um médio ofensivo, mas o que destacaria mesmo é a sua visão pela baliza.
Carlos Gonçalves
os clubes portugueses nao actuam regra geral nesse mercado por um motivo muito simples: empresários.
o mercado a nivel de grandes empresarios está como que sub dividido em areas de actuacao.
Nuno Malaquias
A Noruega não vai ao europeu