Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

Geraint Thomas vence Tour e acentua hegemonia da super-equipa (6.ª vitória da Sky nos últimos 7 anos)

Triunfo ocasional ou vamos contar com Thomas nas próximas Grandes Voltas? É a vitória de um outsider, mas todos sabem que o britânico, não fosse a maneira como estava condicionado e quedas, já podia ter atingido este nível há mais tempo. O ‘problema’ para ele é que tem 32 anos, dificilmente vai apanhar um contexto destes (percurso, adversários a perderem todos tempo nos primeiros dias) e em 2019 ‘terá’ de ser o ano do 5.º Tour para Froomey. Neste capítulo será curioso perceber como irá gerir a Sky estas figuras, é que na próxima época também Bernal poderá querer esse protagonismo. Para já a única certeza é que não parece haver maneira de quebrar a hegemonia dos britânicos. A Movistar, mesmo tendo uma super-equipa, com Landa, Quintana, Soler, Valverde ou Amador, nem arranhou, e nesta fase só Tom Dumoulin parece preocupar Froome e companhia. Será igualmente interessante perceber como irá evoluir Roglic, que demonstrou que não é só um ciclista de uma semana. Em relação à Volta a França, ficou marcada pelo domínio da Sky (este ano foi Castroviejo o gregário de luxo) e de Thomas (sempre tranquilo e seguro, tendo ainda arrebatado duas etapas de montanha), pela monotonia (muitas jornadas aborrecidas), erros (o percurso foi um flop e a ideia de reduzir o n.º de ciclistas não impediu as quedas e domínio da Sky) e desilusões, com Quintana a ser a maior de todas (para muitos era o principal candidato à vitória), mas Majka, Bardet, Zakarin, Kittel (noutro nível), Adam Yates, Mollema e principalmente Barguil também desiludiram. Em relação às equipas foi uma prova muito pobre da Mitchelton-Scott (a ideia de deixar Caleb Ewan de fora foi um desastre), Cannondale, AG2R, Dimension Data, Movistar (apesar da vitória de Quintana e da classificação por equipas, falharam todos os objectivos e nem um ciclista colocaram no Top 5), Katusha e das pro-continentais, que abordaram sempre mal as fugas. Pela positiva, o festival de Sagan e Alaphilippe, o incrível 2.º lugar de Dumoulin (principalmente depois de ter feito o Giro), a excelente prestação dos LottoNL-Jumbo de Roglic, Kruijswijk e Groenewegen, e a maneira como Dan Martin foi tentando quebrar a monotonia.

Geraint Thomas entrou na história do desporto ao vencer pela 1.ª vez o Tour, a prova mais desejada no ciclismo. O britânico, que tinha como melhor registo na Grande Boucle um 15.º lugar, superou a concorrência de Tom Dumoulin (2.º), Froome (3.º), Primoz Roglic (4.º) e Steven Kruijswijk (5.º), e arrebatou a 105.ª edição da competição francesa, reforçando assim a hegemonia da Sky na Volta a França, que vai em 6 vitórias na geral individual nos últimos 7 anos: Wiggins (2012), Froome (2013, 2015, 2016 e 2017) e Thomas (2018). Esta é também a 4.ª vitória seguida da equipa britânica em Grandes Voltas, depois do triunfo de Froome no Tour (2017), Vuelta (2017) e Giro (2018). Nas outras classificações, Peter Sagan venceu pela 6.ª vez a camisola dos pontos, Julian Alaphilippe arrebatou a camisola da montanha, Pierre Latour foi o melhor jovem, enquanto a Movistar triunfou por equipas. Quanto à última etapa, Kristoff foi o mais rápido no sprint final nos Champs-Élysées em Paris, ao bater a concorrência de Degenkolb e Demare.

15 Comentários

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Julho 29, 2018 at 6:39 pm

    Tudo dito no negrito basicamente.
    Thomas merece este triunfo e agora acho que poderá focar-se nas Clássicas da Primavera ou mesmo no Giro. Ter um Tour no bolso já é extremamente positivo, embora os indícios que vinha dando nos últimos anos fosse que poderia atingir este patamar. É um ciclista muito completo e acaba por vencer esta prova sem tendo dias maus, sem falhas. Aproveitou o deslize de Froome no 1.º dia para se colocar numa situação favorável e não tendo dias maus soube proteger bem a sua posição na Sky e na própria corrida. Creio que não haverá nenhum problema com Froome porque este já ganhou o Giro e pela amizade que os liga, mas no próximo ano Froome irá dar tudo pelo 5.º Tour parece-me. Nota ainda para o poderio Sky mais uma vez, mas desta vez nem teve de esforçar-se muito. Bastou chegar à amarela e deixar as fugas vingarem na última semana. Ficou tudo fácil, dada a falta de capacidade da concorrência, mas nota para as excelentes prestações de Kwiatkowski, Bernal (um prodígio que mais ano menos ano será aposta numa GV) e Castroviejo.

    De resto, a Movistar foi uma desilusão total e começo a duvidar que Quintana alguma vez ganhe o Tour. Hoje em dia as diferenças até se fazem mais em etapas acidentadas, descidas e contra-relógios que na alta montanha, sendo que Quintana é mau em todas essas vertentes. A somar a isso a Movistar não consegue formar um bloco coeso em torno de um objectivo, muito por culpa de Unzué.

    Nesse sentido, o Dumoulin é mesmo o maior rival da Sky porque é forte no crono e tem evoluído muito nas montanhas mesmo não tendo equipa. Volta a fazer 2.º, mas tem muito mérito em se bater com a Sky desta forma. Já Roglic veremos se é para manter, pois tem todas as características para poder ganhar um dia também.
    Nota também para a BMC e Bahrain que acabaram por perder os seus líderes e ficaram descalças, tendo agora de apostar tudo na Vuelta. Bardet, Barguil, Adam Yates e toda a Michelton (é por isto que trazer um sprinter é sempre melhor), Katusha (nomeadamente Kittel), Cofidis e Lotto-Soudal foram uma desilusão.

    • Pulga
      Posted Julho 29, 2018 at 7:00 pm

      Discordo que não se fazem diferenças na montanha. O Top4 da geral foi de longe o quarteto mais forte na montanha, aliás, o Quintana teve francamente mal nesse aspeto.

      • Rodrigo Ferreira
        Posted Julho 29, 2018 at 7:42 pm

        Mas entre esses 4 ninguém fez a diferença uns contra os outros. É lógico que a montanha faz diferenças mas não no sentido que falava. É mais uma prova de eliminação, em que vão caindo km por km quem logo na primeira semana fica fora de combate.

    • porra33
      Posted Julho 29, 2018 at 8:49 pm

      Com o actual nível dos ciclistas também não me parece que em condições normais Quintana consiga fazer diferenças de tal tamanho nas montanhas que os outros não lhe consigam ganhar no contrarrelógio. Portanto vou mais longe e arrisco dizer que dificilmente Quintana voltará a ganhar uma grande volta, se não corrigir esse aspecto

  • RobbenKroos
    Posted Julho 29, 2018 at 6:56 pm

    A melhor forma de alguém travar a Sky nos próximos anos chama-se Lotto NL Jumbo; já têm dos melhores ciclistas na alta montanha do mundo em Roglic, Bennett e Kruijswijk, têm um excelente gregário em Antwan Tolhoek, e se contratassem Dumoulin, Oomen, Poels e O’Connor, conseguiam dar uma luta tremenda para 2019 nas grandes voltas.

    Já a Movistar demonstra ser uma enorme confusão em termos de definição de papeis na equipa; quiseram 3 em 1 com Valverde, Quintana e Landa para a geral, mas nenhum deles conseguiu nada para se lembrar algo positivo nesta edição, à exceção da grande vitória de Quintana na etapa ascendente dos Pirenéus, a rompe-pernas deste Tour.

  • RobbenKroos
    Posted Julho 29, 2018 at 7:15 pm

    Peter Sagan mais uma vez a ser protagonista neste Tour, este ciclista é impressionante e não me espantava nada que daqui a uns dois/três anos comece a pensar ganhar uma grande Volta, depois de completar a caderneta de camisolas dos pontos na Vuelta e no Giro; de resto não há muito mais a acrescentar

  • porra33
    Posted Julho 29, 2018 at 8:45 pm

    Já passou mais uma edição do Tédio de France. Em termos de espectáculo continua a baixar o nível e a perder para a Vuelta e o Giro. Uma montanha a sério só a 9ª ou 10ª etapa? Como é que é possivel ter um percurso onde Van Avarmaet anda mais de oito dias de camisola amarela? Depois a inclusão da etapa do pave também é bastante discutível, uma etapa onde a principal causa de diferenças entre os corredores são os azares de furos ou quedas para mim numa prova de três semanas não faz sentido (Já para não falar em certas barbaridades que li aqui e acolá que um voltista tem de andar bem em todos os terrenos – não, não tem; tem de andar bem na montanha e no contrarrelógio). Houve também poucas chegadas em alto, muitas depois de uma categoria especial ou primeira categoria o que atenua as diferenças que possam ser feitas na montanha.
    Até quando vai ser esta prova a derradeira prova de três semanas? Pessoalmente gostaria de ver todos os melhores ciclistas na Vuelta, é a prova mais espectacular. Neste momento o Tour vive mais de história e patrocínios do que do espectáculo de ser a maior prova de ciclismo que diz ser…
    Voltando à estrada, vitória justa de Thomas, foi o mais consistente e aproveitou bem os infortúnios dos outros ciclistas e mostrou finalmente que é um ciclista de 3 semanas. Já foi declaradamente como líder da Sky a duas voltas mas o azar bateu-lhe à porta e não conseguiu concluir. De resto em termos de geral, muito bem Froome e Dumolin que tiveram um excelente rendimento tendo em conta que ainda traziam um Giro nas pernas. Só o holandês é sempre uma ameaça certa à Sky, é pena que não tenha uma equipa que lhe permita também o apoio que os ciclistas da Sky e mesmo da Movistar e da Lotto Jumbo têm. Outros destaques da geral são claramente Roglic, que se está a tornar num ciclista de três semanas, na verdade no início se marcasse presença no top 10 seria excelente, e o esloveno mostrou-se ao nível do pódio (o esforço na montanha fez-se pagar no contrarrelógio onde é um grande especialista). De resto também na Lotto o lugar de Kruijswijk acaba por surpreender porque apesar daquele Giro que quase ganhou nunca mais se tinha apresentado em tão boa forma. E menção honrosa para a juventude com Latour que foi muito consistente e para o “The next big thing” Bernal, que vai dar de certo muitas alegrias à Sky. Nos pontos mais uma vitória fácil para Sagan a caminhar novamente para a história e para o record de mais camisolas verdes. A camisola da montanha fica também bem entregue a Alaphillipe um corredor muito ofensivo e que animou bastante o Tour. No capítulo das decepções destacar a Movistar apesar dos dois lugares no top 10 e da vitória de etapa, e a classificação das equipas, Quintana ficou bem abaixo do objectivo (não me parece que o colombiano volte a ser candidato a vitórias em grandes voltas, o seu fraco contrarrelógio é muito relevante nesta fase). Em termos de sprinters esperava mais de Colbreli e Kittel e Greipel também são das grandes decepções. Bem também a Quickstep que se fartou de ganhar, a Lotto Jumbo e a Sky. Espero que na Vuelta possamos ver Quintana, Valverde, Nibali e Uran e Bernal com mais liberdade, e também uma grande expectiva para ver quem a Jumbo vai levar e a Astana.

    • porra33
      Posted Julho 29, 2018 at 8:55 pm

      Esqueci-me só de mencionar Daniel Martin que esteve exemplar e fartou-se de atacar e animar as etapas de montanha!

    • Rodrigo Ferreira
      Posted Julho 29, 2018 at 8:57 pm

      O pavé faz parte do percurso e, como em todas as especialidades, há uns que se adaptam melhor que outros. As quedas e os furos fazem parte. Froome caiu no 1.º dia, Quintana furou no 1.º dia, Porte abandonou com uma queda em piso plano e Nibali com uma queda em subida.

      • porra33
        Posted Julho 29, 2018 at 10:39 pm

        O meu ponto é que incluir o pave no Tour ao invés de uma clássica é que acaba por prejudicar mais do que ser motivo de animação. As diferenças fazem-se por quedas e furos e não por capacidade física ou táctica de corrida. Basicamente os corredores da geral tentam sobreviver ao pave. Pessoalmente não incluiria e não gosto de ver no Tour mas é só a minha opinião. De resto concordo naturalmente que os furos e as quedas fazem parte.

    • Rodrigo Ferreira
      Posted Julho 29, 2018 at 8:58 pm

      Já agora a Astana deve levar o Miguel Ángel López para a Vuelta. A Sky é que estou curioso. A Jumbo deve levar o Kelderman.

      • porra33
        Posted Julho 29, 2018 at 10:46 pm

        A Vuelta vai estar interessante. Deverá ter os irmãos Yates, Angel Lopez, Carapaz, Uran, Nibali, Valverde, Porte, Aru, Esteban Chaves, gente para o espéctaculo. Estou curioso para ver o líder da Sky (levaria Bernal, mas talvez apostem em Henao). Ah e deve ter bastantes portugueses, seria interessante ver o José Gonçalves como líder da equipa!

  • Luis ES
    Posted Julho 29, 2018 at 8:59 pm

    A Sky dá 10-0 às restantes equipas em termos de estratégia, preparação e controlo das operações no Tour. Thomas, como plano reserva, aproveitou um Froome em menor forma e alcançou a sua GV finalmente, beneficiando dos azares e dos erros dos principais adversários da Sky. A equipa britânica teve em Castroviejo, em Bernal e em Poels a sua base para dominar as ocorrências nas etapas de montanha. Por outro lado, Dumoulin demonstrou que pode fazer Giro e Tour consecutivamente, mesmo sem necessidade de gregários, cimentando a ideia de que sim é homem para corrida de 3 semanas e que se pode transformar num forte voltista, cuja facilidade no contra-relógio e melhorias na montanha prometem para as próximas épocas. Na Lotto Jumbo parece ser a equipa com maior potencial para rivalizar com a Sky neste momento, a par da BMC: Roglic não sei será homem para fazer mais alguma vez top5 num Tour, mas é muito forte na descida, de modo que também será um dos homens da Lotto a seguir. Quanto à Movistar, incrível a sua desorganização, com Unzué a ser o principal culpado. Quintana, nesta equipa, não parece ter verdadeira voz de comando, dado que existe Valverde. Além disso, fica a ideia de que Landa ou mesmo Valverde, se fossem o líder supremo de fileira, reuniria mais consenso dentro da Movistar. Quintana apenas foi verdadeiramente apoiado na etapa que venceu, mas lá está porque o objetivo foi focado nessa etapa e numa classificação por equipas que nem de consolo serve após esta vergonhosa atuação ao longo de 3 semanas da Movistar. Quanto à AG2R, fica satisfeita pelo sucesso do Latour mas não se pode deixar Bardet tão desamparado e isso depois reflete-se na menor capacidade para atacar e para responder a ataques do francês, cujo estilo de ir progressivamente capturando poderia ser melhor aproveitado se tivesse boa companhia dentro da equipa nas etapas de montanha – será o Latour capaz disso nos próximos anos?
    Por fim, nos elogios destaques para a nova coqueluche francesa Alaphilippe, num ano em que a Quick-Step arranca vitórias como ninguém, e ainda para Sagan, que lá igualou Zabel – 6 vezes de verde, só lhe faltando um triunfo ao sprint em Paris – que teve nessa condição hoje como estreante Kristoff!
    Pela negativa também merece ser mencionado o nome de Cavendish, que não apareceu à frente das câmaras para sprintar, quando ainda tinha e tem hipóteses de arrebatar o recorde das 34 vitórias em etapas no Tour. Majka e Yates apareceram na 3.ª semana mas sem conseguirem uma etapa. Cofidis se não fosse Laporte não parecia que competia no Tour…

Deixa um comentário