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Guia do Euro’2020: Forte candidata a equipa sensação

Vencedora em 1992, naquele que foi um triunfo bastante atípico (ocuparam a vaga da excluída Jugoslávia), a Dinamarca parte para esta competição com o objectivo de chegar longe. Depois de várias prestações pobres em fases finais neste século, sendo que em 2008 e 2016 nem sequer esteve presente, a federação procurou revolucionar e romper com o passado, apostando num selecionador ofensivo (Kasper Hjulmand) e capaz de colocar em prática um novo ideário futebolístico. Perante uma geração talentosa em potência e um campeonato cada vez mais em crescendo, o antigo treinador do Nordsjaelland tem deixado uma primeira impressão bastante positiva (8 vitórias em 11 jogos) e capitalizado a qualidade ao seu dispor. Desde logo, os escandinavos lideram o seu grupo de apuramento para o Mundial’2022, foram vencer no terreno da Inglaterra para a Liga das Nações e deram um salto positivo em termos de golos marcados (28 golos nas últimas 9 partidas contra 23 em toda a qualificação para o Europeu, num grupo bastante acessível). Deste modo, apesar de não existir uma estrela ao nível dos irmãos Laudrup, estamos perante uma seleção candidata a equipa sensação do Europeu, ainda que o quadro não permita facilitismos. A Dinamarca terá de medir forças com Bélgica, com quem somou duas derrotas recentemente, Rússia e a vizinha Finlândia, pelo que terá de estar ao seu melhor nível para seguir em frente. Contudo, dos escandinavos é de esperar um futebol criativo e ‘cada vez menos nórdico’, ainda que com uma forte pressão sem bola.

Estrela: Christian Eriksen (Médio Ofensivo, 29 anos, Inter) – A temporada não começou de feição, mas a pouco e pouco foi ganhando o seu espaço nos Nerazzurri e terminou mesmo como titular e a fazer alguns golos. Soma mais de 100 internacionalizações e é o maestro desta equipa, podendo acrescentar o seu critério com bola, qualidade no passe, remate e nas bolas paradas.
Jogadores em Destaque: Simon Kjær (Central, 32 anos, AC Milan) – Patrão da defesa dos Rossoneri e o capitão desta seleção. Um líder nato, com muito rigor na marcação, posicionamento e no jogo aéreo. Realizou uma excelente temporada (39 jogos), onde foi o bastião da 3.ª melhor defesa do Calcio. Kasper Schmeichel – (Guarda-redes, 34 anos, Leicester) – Neste momento deve estar no Top 10 Mundial na sua posição e, se estiver em ‘modo muro’, como tem estado (em praticamente todos os jogos faz defesas do outro mundo), os dinamarqueses vão ter mais condições de superar os adversários que vão ter pelo caminho. Pierre-Emile Højbjerg (Médio Defensivo, 25 anos, Tottenham) – Uma das notícias agradáveis na temporada dos Spurs. Não acusou a subida de nível competitivo e foi uma das figuras da equipa (53 jogos), mostrando a sua grande disponibilidade física, capacidade de pressão e qualidade na meia distância. Será certamente um indiscutível neste Europeu.
XI Base: Kasper Schmeichel;, Wass, Kjær, Christensen, Mæhle; Højbjerg, Delaney, Eriksen; Braithwaite, Y. Poulsen, Jonas Wind.
Jovem a Seguir: Jonas Wind (Ponta de Lança, 22 anos, Copenhaga) – Possivelmente o jogador mais cotado do campeonato dinamarquês. Avançado alto (1m90), muito forte no jogo aéreo, mas também com qualidade técnica. Marcou 17 golos na temporada, aos quais acrescentou 8 assistências, e apontou 3 nas 6 internacionalizações A a que teve direito. Um dos candidatos a jogador revelação do torneio.
Principal Ausência: Rasmus Falk (Médio Centro, 29 anos, Copenhaga) – Outra das figuras do clube dinamarquês, sendo um criativo com qualidade técnica, inteligência e qualidade no passe. Apontou 4 golos e 7 assistências, mas acabou preterido das opções de Hjulmand.
Convocatória: Guarda-redes: Kasper Schmeichel (Leicester), Jonas Lössl (Midtjylland), Frederik Rønnow (Schalke). Defesas: Jens Stryger Larsen (Udinese), Simon Kjær (AC Milan), Andreas Christensen (Chelsea), Joachim Andersen (Fullham), Daniel Wass (Valencia), Mathias Jørgensen (Fenerbahçe), Joakim Mæhle (Atalanta), Jannik Vestergaard (Southampton), Nicolai Boilesen (Copenhagen). Médios: Mathias Jensen (Brentford), Christian Nørgaard (Brentford), Pierre-Emile Højbjerg (Tottenham), Thomas Delaney (Dortmund), Anders Christiansen (Chelsea), Christian Eriksen (Inter Milan), Mikkel Damsgaard (Sampdoria), Robert Skov (Hoffenheim). Avançados: Martin Braithwaite (Barcelona), Andreas Cornelius (Parma), Andreas Skov Olsen (Bologna), Yussuf Poulsen (Leipzig), Kasper Dolberg (Nice), Jonas Wind (Copenhagen).
Selecionador: Kasper Hjulmand

Prognóstico VM: Quartos-de-Final

Rodrigo Ferreira

5 Comentários

  • João-Pedro Cordeiro
    Posted Maio 26, 2021 at 9:51 am

    Sou um pouco suspeito visto ser um fã incondicional do futebol e seleção dinamarquesa, mas esta parece-me ser uma das principais candidatas a outsider/dark horse da competição, perfeitamente capaz de chegar longe. O plantel está recheado de jogadores talentosos e, mais do que isso, de jogadores cheios de experiência de grandes palcos. No máximo o que se pode apontar a esta seleção dinamarquesa é ser no global uma seleção homogénea na sua qualidade e lhe faltar um “factor x” que ganhe jogos por si mesmo como chegou a ter em tempos com Simonsen, Elkjaer ou Laudrup.

    Anders Christiansen é claramente a maior surpresa da convocatória. Tão inesperado como merecido, tem sido um jogador completamente à parte na liga sueca e o grande responsável pelo título do Malmö em 2020. Nos últimos anos nenhum jogador na Allsvenskan jogou a um nível tão alto como Christiansen e até custa a entender (e eu não gosto nada desse tipo de discurso) como é que ainda/nunca chegou a um clube e liga de outro patamar. Tem o skillset perfeito para uma liga como a espanhola ou a italiana.

    Há dois nomes que discordo totalmente da sua presença, porém, mas que são explicados pelo historial que têm na equipa e o que lhe trazem do ponto de vista motivacional. Tanto Zanka, como Boilesen estiveram a um nível muito baixo esta temporada e em teoria já não deviam aqui estar. Compreende-se a sua chamada do ponto de vista de gestão do grupo, até porque nisto da seleções e com tão pouco tempo para treinar não são só os aspetos táticos que contam. Idealmente, Andreas Maxso (uma das razões do surpreendente título do Brondby) e Casper Hojer (de longe o melhor lateral esquerdo dinamarquês da atualidade com uma capacidade brutal de servir o último terço e com saída certa para o Sparta Praga) ocupariam os seus lugares. De qualquer maneira, Zanka será provavelmente o quinto central pelo que só lá está pura e simplesmente para motivar o grupo. (Kjaer/AC > Vestergaard > Andersen > Zanka)

    De resto não faltam nomes que podiam aqui estar, mas que se compreende que não estejam por ser praticamente impossível de os encaixar. Oliver Abildgaard foi um dos melhores médios do campeonato russo. Marcus Ingvartsen ou Andrew Hjulsager tiveram temporadas brutais do ponto de vista individual, por exemplo. Mikael Uhre foi o melhor marcador da liga dinamarquesa e outro dos principais obreiros do título do BIF. Rasmus Falk traria desequilíbrio (além de ser um dos meus jogadores preferidos), Lasse Schöne podia ser importante pelo critério e experiência… Jens Jonsson é provavelmente o maior injustiçado depois de uma bela época em Cádiz. Dalsgaard está há muito no grupo, mas esteve lesionado algum tempo. Scholz e Sviatchenko têm estado a um nível muito alto no Midjtylland e podia perfeitamente ocupar o lugar de Zanka. Pione Sisto chegou a ser dado como certo no grupo e era quem mais se aproximava de trazer o tal “factor x”, teve uma boa temporada. Idém para Alexander Bah, mas será uma questão de tempo…

    Mas lá está, é muito complicado (se não mesmo impossível) afirmar que qualquer um deles merecia estar na lista em detrimento de outro. Um onze com Schmeichel; Wass, Kjaer, AC, Maehle; Delaney, Hojbjerg; Poulsen, Eriksen, Braithwaite e Wind é capaz de qualquer coisa, além de algo que é fundamental: esta é uma seleção muito bem orientada e que está em excelentes mãos. Hjulmand é um excelente treinador e trouxe tudo aquilo que a DBU queria quando não renovou com Age Hareide apesar dos excelentes resultados deste. Não tenho dúvidas de que a Dinamarca é neste momento uma das seleções mais divertidas e interessantes do futebol europeu.

    PS

    O vídeo de apresentação é uma maravilha. Super cuidado, repleto de pequenos pormenores e com presença de antigas figuras da seleção dinamarquesa, bem como outros desportistas do país.

    • Tiago Silva
      Posted Maio 26, 2021 at 10:54 am

      Excelente comentário como sempre. Devido aos teus comentários comecei a acompanhar com maior interesse principalmente os campeonatos dinamarquês e sueco e há um grupo muito bom de atletas a aparecer que juntamente com uns nomes experientes e de outro nomeada podem muito bem vir a ser a equipa sensação. E depois a federação teve dedo no treinador que está a fazer um belíssimo trabalho e mesmo no campeonato europeu de sub-21 tornaram-se na segunda equipa mais entusiasmante do torneio atrás de nós na minha opinião. Grandes nomes não só do campeonato dinamarquês como de campeonatos à volta como Victor Nelson do Copenhaga, Magnus Andersen do Nordsjaelland, Lindstrom do Brondby (o nome mais interessante), Carlo Holse do Rosenborg (entrou com tudo neste recomeço da Eliteserien) e Nikolai Baden Frederiksen (um dos maiores nomes fora do Salzburgo na liga austriaca representando o Tirol).

      Também gosto bastante do Bah que referiste também, lateral bastante ofensivo e que entrou com tudo no Slavia Praga. Na liga dinamarquesa como referiste saltam os nomes de Vindahl Jensen, Sviatchenko, Maxso, Hojer, Rasmus Falk Jensen (fiquei fã depois daquela grande exibição frente ao United na época passada), Lindstrom, Uhre e Wind são os nomes que saltam mais à vista e a maioria é bastante jovem, havendo ainda os estrangeiros Diks, Cajuste, Sulemana e claro Evander. Muita qualidade que existe na Dinamarca, gostava que os clubes portugueses olhassem para este campeonato com mais atenção, como o Vitória fez com Mumin que apesar de ter terminado mal a época, tem imenso potencial na minha opinião.

      Para mim o melhor XI seria Schmeichel, Maehle, Kjaer, Christensen, Hojer (fica a dúvida como poderá render a este nível, mas é um dos melhores jogadores do campeonato dinamarquês, inclusivamente acabou com 8 assistências num mais modesto AGF), Hojbjerg, Delaney, Skov Olsen, Eriksen, Braithwaite e Poulsen. Mas há muita qualidade e muitas escolhas para um grande selecionador, sem dúvida uma seleção a acompanhar!

  • Amigos e bola
    Posted Maio 26, 2021 at 9:58 am

    Têm matéria prima para fazer um gracinha.

  • BrunoAlves16
    Posted Maio 26, 2021 at 10:27 am

    Plantel interessante e com capacidade de incomodar as selecções mais fortes. Chegam com uma mescla de uma certa renovação combinada com a experiência de alguns (Não muitos) elementos mais batidos, como Kjaer, Eriksen ou até Delaney, mas parece-me sobretudo uma selecção mais homogénea, já estiveram a bom nivel no último mundial (eliminados pela vice-campeã Croácia nos penaltis) mas chegam agora na melhor fase depois de uma década mais pobre do que a anterior em termos de prestações.

    Individualmente estou com curiosidade na prestação de alguns dos elementos mais novos como Jonas Wind ou Maehle, creio que poderão surpreender.

    O grupo não é dos mais fáceis com a candidata Bélgica, a sempre incógnita Russia e a estreante Finlândia, mas acredito que se imponham frente aos russos e mesmo frente aos belgas, pelo que aposto na passagem. Depois a eliminar tenho mais dificuldade em prever até onde podem chegar.

  • JoaoMiguel96
    Posted Maio 26, 2021 at 11:44 am

    Só espero que o Wind brilhe e faça o que saiba. É um craque de todo o tamanho e talvez dos jogadores mais interessantes da Dinamarca, atualmente.

    Não deixa de ser engraçado que há tanta qualidade nos avançados, mas um dos meus preferidos nem deve ter sido cogitado. Junker tem estado em altas nos Urawa Red, no Japão, e já no Bodo era uma máquina de golos. E o Sviatchenko, aparentemente, é o próximo a ir para lá.

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