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Guia do Euro’2020: Uma Laranja que deixou de ser Mecânica

Após a presença na final do Mundial’2010, os Países Baixos entraram num ciclo negativo, onde nem as meias-finais do Brasil’2014 disfarçaram a crise. Na verdade, o talento que anteriormente abundava, sobretudo no meio campo e no ataque, começou a rarear e os resultados foram caindo de forma abrupta. O fundo chegou quando a Holanda falhou a qualificação para o Euro’2016 e o Mundial’2018, algo impensável para uma das principais potências do futebol europeu. Assim, este apuramento, em conjunto com a final da Liga das Nações, em 2019, onde perderam frente a Portugal, significa o renascimento do futebol holandês, que tem aspirações a ir longe na prova. Depois de ficarem em 2.º no grupo de qualificação, atrás da Alemanha, os Países Baixos irão agora medir forças com a Ucrânia, a Áustria e a Macedónia do Norte, estreante na competição. Existe, por isso, algum favoritismo em torno da turma de Frank de Boer, que terá aqui a sua primeira experiência neste tipo de torneios, mas, até tendo em conta o histórico recente, a ‘Laranja Mecânica’ terá de ter os pés bem assentes na terra. No fundo, orgulhar essa alcunha é mesmo um dos principais objetivos nesta prova. Há muito que esta Laranja não é Mecânica, tanto a nível de resultados (última e única vitória foi em 1988), como em termos exibicionais. Habituámo-nos a ver uma formação dominadora, com muita circulação de bola e muito caudal ofensivo, mas isso deu, recentemente, lugar a uma equipa que aborda os desafios mais na expetativa, muitas vezes em contra-ataque e, inclusivamente, quase sempre sem uma referência no centro do ataque. Assim, será pela porta da surpresa que os Países Baixos quererão deixar marca, até porque existem algumas dúvidas em torno do que este conjunto poderá apresentar no certame europeu. Olhando para a convocatória, é visível a importância que a Eredivisie continua a ter (11 elementos) sobretudo o Ajax, que conta com 5 jogadores, fora outros tantos formados no clube, e, perante esta nova geração que começa a aparecer (7 jogadores abaixo dos 23 anos) e o leque de jogadores em grandes clubes, parecem existir razões para encarar o presente/futuro com algum otimismo.

A Estrela: Memphis Depay (Avançado, 27 anos, O. Lyon) – Está de partida da Ligue 1, mas deixou uma grande marca em 2020/21, onde foi um dos melhores jogadores da prova. Carregou a formação de Rudi Garcia às costas, mostrou toda a sua qualidade técnica, de drible e de remate, sendo que, atuando numa posição de ‘falso 9’ é um elemento preponderante nesta equipa. Contribuiu ainda com 22 golos e 12 assistências no total da temporada e chega a este torneio em excelente forma.
Jogadores em Destaque: Frenkie de Jong (Médio, 24 anos, Barcelona) – Realizou uma boa temporada em Espanha, onde foi um dos elementos que se valorizou nas mãos de Ronald Koeman, e pode acrescentar qualidade técnica, inteligência e visão de jogo em qualquer posição do meio campo ou até partindo da defesa. Simboliza o jogador moderno, capaz de desempenhar várias funções com qualidade, tendo ainda apontado sete golos. Matthijs de Ligt (Central, 21 anos, Juventus) – Sem a presença de Van Dijk, deverá ser ele o patrão da linha defensiva, emprestando a sua capacidade física, leitura de jogo e qualidade na marcação e desarme. Não vem de uma grande temporada em Turim, mas tem talento para ser um dos melhores da posição na prova. Georginio Wijnaldum (Médio, 30 anos, Liverpool) – Outro dos jogadores que irá mudar de clube neste defeso, mas que deixa um legado importante em Anfield e que soma já mais de 70 internacionalizações A. Médio muito completo, forte fisicamente e com qualidade na posse, sendo que pode ser utilizado em qualquer função na zona intermediária. Deverá ser um dos indiscutíveis de Frank de Boer.
XI Base: Cillessen; Dumfries, De Ligt, Blind, Wijndal; Marten de Roon, Frenkie de Jong, Wijnaldum; Berghuis, Malen, Memphis Depay.
Jovem a Seguir: Donyell Malen (Avançado, 22 anos, PSV) – Continua na Eredivisie, onde é uma das principais figuras, sendo que, esta temporada, apontou 27 golos pela formação de Eindhoven. Avançado móvel, muito capaz no ataque à profundidade, agressivo e com facilidade na finalização. Pode partir do corredor esquerdo ou ser utilizado no centro do ataque.
Principal Ausência: Virgil van Dijk (Central, 29 anos, Liverpool) – O defesa dos Reds, Bola de Ouro em 2019, lesionou-se gravemente em outubro do ano passado e continua sem jogar desde então. Trata-se, naturalmente, de uma baixa de peso, uma vez que estamos perante um dos melhores, senão mesmo o melhor, central do mundo na atualidade. Assim, ainda que os Países Baixos possuam soluções de peso para esta posição, nenhuma está ao nível do “senhor 85 milhões”.
Convocatória: Guarda-redes: Jasper Cillessen (Valencia), Tim Krul (Norwich), Maarten Stekelenburg (Ajax). Defesas: Patrick van Aanholt (Palace), Nathan Ake (Manchester City), Daley Blind (Ajax), Denzel Dumfries (PSV), Matthijs de Ligt (Juventus), Jurrien Timber (Ajax), Joel Veltman (Brighton), Stefan de Vrij (Inter Milan), Owen Wijndal (AZ Alkmaar). Médios: Donny van de Beek (Manchester United), Ryan Gravenberch (Ajax), Frenkie de Jong (Barcelona), Davy Klaassen (Ajax), Teun Koopmeiners (AZ), Marten de Roon (Atalanta), Georginio Wijnaldum (Liverpool). Avançados: Steven Berghuis (Feyenoord), Cody Gakpo (PSV), Luuk De Jong (Sevilla), Donyell Malen (PSV), Memphis Depay (Lyon), Quincy Promes (Spartak), Wout Weghorst (Wolfsburg).
Selecionador: Frank de Boer.

Prognóstico VM: Oitavos-de-Final

Rodrigo Ferreira

4 Comentários

  • Amigos e bola
    Posted Maio 27, 2021 at 10:19 am

    Ofensivamente, muitíssimo longe da Holanda de há 10, 20 anos atrás. Defensivamente, melhoraram imenso.

    Infelizmente, não estou otimista. Podem surpreender, é claro, mas falta profundidade a esta seleção, e mais talento na frente, o que não quer dizer que não o tenham. Têm, mas em menor quantidade face a outras gerações.

  • Tiago Silva
    Posted Maio 27, 2021 at 10:36 am

    O XI é interessante e têm boas opções no banco, mas continuo muito espantado pelas ausências de Botman e de Lang principalmente! Também o Bergwijn apesar de não ter jogado muito esta época poderia ser uma peça importante vinda do banco, poderia estar em vez de Promes ou Gakpo ou saiam os 2 e entravam Bergwijn e Lang. Mas continuam a ter uma equipa interessante, ainda longe dos tempos mais aureos, mas com este selecionador não vão a lado nenhum.

    No XI base do VM alteraria Blind por de Vrij apenas.

  • Af2711
    Posted Maio 27, 2021 at 1:35 pm

    Com Koeman via mais potencial nesta seleção. No entanto, não se pode descartar. Anda ali um pouco abaixo do nível da Bélgica.

  • BrunoAlves16
    Posted Maio 27, 2021 at 6:36 pm

    Uma laranja ainda longe dos tempos áureos da década de 90 e inícios de 2000 e que chega a este europeu depois de falhanços sucessivos nas duas últimas qualificações. Tem alguns jovens de qualidade que poderão ser uma boa base no futuro, tendo como grande contrariedade a ausência do líder e capitão Van Dijk.
    Passar a fase de grupos é obrigatório, tudo o que vier depois daí já será lucro

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