Luís Carlos Novo Neto nasceu para o futebol no Varzim. A sua estreia como profissional foi em 2007, numa vitória sobre o Benfica, por 2-1, para a Taça de Portugal. Jogou dois minutos. Ficaria cinco épocas no modesto clube da II Liga, ganhando a titularidade indiscutível apenas na última. A partir daí, foi sempre a subir.
Foi para o Nacional, onde disputou uma temporada em cheio. Atraiu o interesse de clubes como Porto, Arsenal e Siena, mas por fim rendeu aos cofres do clube insular 1,7M ao mudar-se para Itália. Só lá ficou meio ano. O Zenit ficou tão bem impressionado com as suas exibições que o comprou logo a meio da época. Não podia ter feito melhor: o português conquistou desde logo a titularidade, ultrapassando inclusivamente aquele que era considerado, até à data, um dos três melhores centrais portugueses da actualidade. Em menos de nada chegaria à Selecção Portuguesa, numa chamada mais que pertinente, mas que peca por tardia. Mais tarde, teria a sua estreia titular, normal dada a sua qualidade, no entanto à semelhança do que aconteceu com Vieirinha foi necessário uma sucessão de acontecimentos (lesões e castigos) para isso acontecer. Algo estranho, ou normal considerando a política deste seleccionador.
Tudo isto incita-nos a reflectir: o que será preciso para um jogador português se poder afirmar? A ascensão de Luís Neto é meteórica, incrível mesmo, no entanto certos pormenores são até incómodos – o central saltou da II Liga para a Selecção AA (com passagem pelo Nacional) sem passar pelos Grandes. Tiveram de ser os clubes estrangeiros (Siena e Zenit, com ajuda preciosa da formação da Madeira) a apostar no jogador, como aliás sucede demasiado frequentemente. Por que razão as equipas de outros países têm menos problemas em apostar e explorar a qualidade dos nossos jovens que os Grandes, que deveriam ser a representação máxima do jogador nacional? Neto prova que há, efectivamente, qualidade em Portugal. Temos é de procurá-la e apostar nela. Os nossos Grandes parecem algo reticentes em fazê-lo, pelo que cada vez mais a única opção para os nossos jovens é arriscarem uma aventura fora do país.
Visão da Leitora (perceba melhor como pode colaborar no VM aqui!): Inês Sampaio



35 Comentários
Ricardo
Sem dúvida.
Há muita qualidade em Portugal, camadas jovens até em escalões secundários. O problema é mesmo a falta de aposta.
Talvez se fossem implementadas as regras que o VM disse há uns tempos sobre a obrigação de jogar com 4 portugueses a nossa realidade fosse diferente. Assim ou a selecção tem a sorte de um Zenit apostar num Neto ou daqui a uns anos andamos a lutar para empatar contra a Arménia.
Perspectivador
Excelente artigo. Gostava que fizessem um artigo com as potencialidades do nosso país. Jogadores que poderiam ser convocados para o Brasil caso a gente chegue lá e jogadores portugueses com potencial para serem aposta dos grandes.
telmo
Concordo
Tiago
Mais um excelente post da Inês, como já é habitual…e um grande central. Para mim Neto devia ser uma das prioridades do Benfica para a próxima época, aposto que mete esses Lisandros, Dorias, etc, no bolso. Talvez o problema é falar português da Povoa do Varzim.
Luís |_W@r@dU_|
Este post relaciona-se de certo modo com o post mais recente sobre a necessidade de apostar (ou será forçar a aposta?) no jogador Português.
Ainda bem que algum clube estrangeiro pegou nele, e outro de imediato o sucedeu. Se calhar, se fosse um clube Português, ainda estava na respectiva equipa B.
Continuo a achar que não se pode obrigar os clubes a fazer o que nós queremos (sim, que eu também quero). Nos outros países, também há-de haver quem faça posts a comentar como o jogador X não é aproveitado pelos clubes nacionais e está no Porto/Benfica/Braga.
Isso é positivo! A diversidade traz maior qualidade e equilíbrio. Em Portugal não se fazem, normalmente, grandes pontas-de-lança. Haverá alguma falha na formação ou algum problema de cultura nesse capítulo, não sei. Duvido que seja genético.
E por falar em genética, é aí que a diversidade é mais importante. Sem diversidade genética, cedo começam a aparecer os defeitos congénitos. No futebol sucederia o mesmo: sem virem pontas-de-lança de fora competir com os nossos pela titularidade, basta ser um coxo que marque 5 golos por época para se ser o melhor ponta-de-lança português. À custa da diversidade, um jovem português cresce por ter maior competitividade.
Se depois ele desenvolve noutro país o seu jogo, não tenho nada contra. O CR se não fosse para Inglaterra, seria o mesmo jogador? Se o Sporting conseguisse mantê-lo (por ser obrigado a manter uma quota de Portugueses no onze e preferir o melhor deles), a selecção teria a ganhar?
Há, de facto, jogadores competitivos em competições menos mediáticas, e devia haver uma maior aposta em enviar olheiros para as mesmas. Mas só com uma melhoria nas competições não-profissionais é que o jogador Português se vai valorizar (ainda mais), seja cá ou lá fora.
Mário Rebelo
Acredito que o Gonçalo Paciência, Aladje e talvez Baldé venham a colmatar um pouco essa escassez de "matadores".
quanto à internacionalização dos jogadores é realmente bom, mas também é verdade que nos grandes, na última década, só houve três ocasiões em que houve aposta nacional/vinda de baixo: FCP em 03/05, FCP agora e Sporting agora. só é pena que seja necessário (tal como com o Neto) fatores externos (financeiros muitas vezes) para acontecer isto.
LMMarado
Relativamente aos matadores, espero que sim.
Quanto ao resto, concordo.
Não sou um especialista em futebol ou em desporto, mas repito que, mais do que obrigar os clubes da primeira divisão a ter muitos Portugueses, seria bom ter maior cultura desportiva (para gerar maior receita de bilheteira e merchandising), uma maior distribuição de receitas televisivas e uma aposta em estruturas competitivas melhores nas competições não-profissionais (de jovens e de séniores) e na Liga de Honra. Assim criar-se-ia um ciclo de geração de receitas.
Dando melhores condições ao jogador Português que já joga, que já é titular na sua equipa pequena, e ao seu clube, certamente a competitividade aumentaria e o surgimento de craques ou de jogadores muito apelativos para equipas de meio da tabela da Primeira Liga aumentaria.
Gostava de ver o VM surgir com propostas destas, mais difíceis de delinear, mais morosas de aplicar e de colher frutos, mas que a longo prazo seriam fulcrais, creio.
No entanto, continuaríamos a ter uma liga de promoção para melhores destinos, nunca um destino final para craques de nível mundial. Quer esses sejam Portugueses, quer sejam doutros países.
Rui Lopes
Olhando para a selecção nacional, nesta ultima decada beneficiou da aposta de clubes portugueses em duas ocasiões.
Na altura que o Porto é campeão europeu e mete na selecção P.Ferreira, R. Carvalho, N. Valente, Costinha, Maniche, Deco.
Depois destes se retirarem andamos a colher frutos da aposta que o P.Bento fez no Sporting e onde agora temos na selecção R. Patricio, Veloso, Moutinho, Nani e Ronaldo que não sendo aposta do P.Bento é formado no Sporting.
O problema é que a aposta do P.Bento foi já há 5 anos (2008) e a partir dessa altura não há quem aposte nos jovens, o que torna a selecção "velha".
Vamos esperar que as dificuldades financeiras vividas no país faça com que os grandes e não só apostem no jogador português, porque qualidade o jogador português tem.
Senhor Patrao
Gostei do post e da intenção, mas pode ser discutido. Não se pode basear num exemplo (neste caso Luis Neto) e partir do mesmo para uma generalização.
Mas a verdade é que não há mesmo uma aposta em Portugal nos nossos jogadores e na nossa formação, e penso que parte disso é da mentalidade portuguesa, do sentimento de inferioridade que nos persegue e nos leva a perder em finais contra Grécias, nos leva a levar golos nos últimos segundos, a perder em penaltis, nos leva a não brilhar nos grandes palcos mais vezes, quando o merecemos.
Por isso saúdo a Visão de Mercado, os seus pontos de vistas e ideias para fomentar uma nova fornada e crescimento do futebol (e desporto) português.
tosta
O problema dos jogadores portugueses é que querem muito ir para fora e depois estragam se!! Espero que muitos jogadores jovens aprendam com o Agostinho Cá e aprendam a ficar mais tempo no clube de formação para depois poderem saírem crescidos e completos. Aposto que o Neto (dos meus jogadores perferidos)tinha propostas dos grandes portugueses
David Seraos
Sim também existe essa problema, mas também à a outra face que vão para fora porque nenhum grande português se interessa por eles e até tem bastante qualidade
Daniel Gomes
ainda no outro dia num outro post, quando se falava do jogador português, com qualidade ser caro, peguei precisamente no exemplo do Luís Neto
LuisRafaelSCP
Nem mais Inês.. o segredo está na aposta! Há muito que digo isso e chateia-me profundamente ver pessoas dizer que se aposta no mercado estrangeiro porque não há portugueses do mesmo nível, é mentira! Se apostarem vão ver que aparecem vários portugueses de bom nível para jogar no Benfica, Porto ou qualquer outro clube!
Josefa
Empresários e dirigentes nacionais com 'interesses mútuos'
Afonso Almeida Luís
Espero não estar a dizer nenhuma asneira, mas penso que tanto o Sporting como o Porto, estavam interessados no jogador, antes de se mudar para Itália, mas o presidente do Nacional pediu um valor muito acima desses 1,7 M. Não sei se foi efetivamente assim, ou se foram apenas boatos de jornais, mas de qualquer maneira é de realçar a sua grande evolução, e também a boa formação do Varzim, que tem trazido alguns excelentes jogadores para a 'ribalta' do futebol nacional.Por ultimo dizer que acharei um grande absurdo se este jogador não for titular nos próximos jogos da seleção(se continuar a demonstrar esta qualidade, como é óbvio)P.S: Excelente post…..
S. Oliveira
O seu texto aborda uma questão deveras interessante.
Concordo com aquilo que escreveu quase na totalidade.
Não obstante, há um ponto com o qual não concordo minimamente e que, basicamente, acaba por estragar, na minha opinião, o seu texto. É a parte em que refere: "tiveram de ser os clubes estrangeiros a apostar no jogador como sucede tão frequentemente".
Cabe perguntar: porque é que tiveram de ser os clubes estrangeiros a apostar no jogador e não os nacionais?
Este pergunta é duma pertinência enorme. Neste particular caso, estou recordado que saíram diversas vezes notícias sobre o interesse dos grandes de Portugal no Luís Neto. Saiu cá para fora uma afirmação do presidente do Nacional cujo conteúdo se reportava, mais ou menos, a algo como: "Luís Neto não sai por menos de 5 milhões". Não deixa de ser curioso que tenha saído por 1,7 milhões para o Siena (já foram pagos?).
Está, portanto, encontrado um dos porquês de não se apostar tanto no mercado nacional. É recorrente encontrarmos situações destas no mercado nacional, seja com o Nacional, seja com o Marítimo, seja com quem for. Os clubes da nossa Liga tendem a inflacionar tremendamente o valor dos jogadores para com os clubes portugueses (o Vitória, esta temporada, parece ser excepção).
Claro está que isto contribui para a falta de aposta em jogadores da nossa liga. É natural que existindo mercados mais "baratos" se fuja do nosso e do jogador português.
LMMarado
Concordo que a dificuldade em comprar a preços competitivos dentro de portas é um factor muito importante no cenário actual.
Jogadores de futuro incerto são muito caros para os grandes, por vezes. Há casos de transferências nesses moldes que deram fiascos.
s_junior
Será que o Luís Neto não valia os 5 milhões pedidos pelo nacional?
O lamementavel é que foi vendido por menos de 5 milhões.
mv
exacto. O estranho aqui não foi pedir os 5 milhões mas vender depois por menos
PORTOCAMPEÃO
Grande jogador, o Neto. Para mim já merecia a titularidade na selecção ao lado de Pepe.
Paulo Almeida
bom texto Inês, realmente é estranho este "medo" de apostar no jogador português, e Neto é o melhor exemplo, grande jogador.
João Lains
Este texto só faz sentido porque todos os comentadores só estão a pensar na qualidade do Neto. "Tiveram de ser os clubes estrangeiros a apostar no jogador" O que nesta questão é importante perceber é que clubes é que apostaram nele. Por exemplo tanto Zenit como Siena são inferiores ao Benfica. Mesmo o facto de o Neto ser internacional por Portugal está longe de garantir que fosse titular no Benfica. E falo no Benfica porque é o meu clube porque podia perfeitamente falar do Porto.
Também um lugar na selecção não se conquista de um momento para o outro. Se muitos queriam Neto e Vieirinha na selecçao há já algum tempo, duvido que esses mesmos os quisessem de imediato no onze inicial.
Depois não basta pegar num caso para generalizar. É conhecida a falta de opções, ou pelo menos com a qualidade de outros tempos, que o nosso selecionador tem ao dispor. Por muitas críticas que podemos fazer ao PB, sem ovos não se fazem omeletes.
MightyThor
O problema dos jogadores portugueses que, com 18-20 anos, sabem dar 2 chutos numa bola são os empresários que lhes enchem a cabeça de ideias, procurando o lucro rápido e não tendo a mínima preocupação com a sua evolução.
Os empresários cobram comissões pelas transferências e uma percentagem do ordenado do jogador representado. Portanto, têm como principal objectivo uma transferência o mais jovem possível para qualquer lado onde paguem mais.
Então, se derem uma oportunidade aos jogadores sem se terem acautelado com as respectivas renovações de contrato antes (profunda incompetência directiva, inaceitável numa estrutura que se quer profissional), depois não há quem os segure. Os empresários prometem Bayern's, Liverpool's, Barcelona's, que pagam ordenados incomportáveis para o clube formador e lá vão eles grátis ou quase porque "decidem" não renovar.
Se é para isto que um clube forma jogadores, é preferível comprar, estrangeiros ou nacionais, tanto faz.
Obviamente, sou Sportinguista.
Ilori tem potencial para deixar Neto muito atrás. Veremos se dá os passos inteligentes na carreira. Que ponha os olhos noutros, como Agostinho Cá, a quem se lhe augurava um futuro ainda maior que o dele. Ainda não está perdido, mas perdeu a hipótese de ter jogado num escalão profissional e, quem sabe, na formação principal do Sporting.
Dirão os adeptos dos rivais (que agora já não nos consideram rivais) que não perdeu grande coisa. Eu digo que sempre é melhor que jogar 20 minutos no Barcelona B. E Ilori está numa fase que o que precisa é de jogar, não de ganhar dinheiro. Para isso, tenha ele juízo, tem muito muito tempo.
Anónimo
Antes demais, e como varzinista que sou, fico muito contente com este reconhecimento ao Neto!
Em relação à aposta dos clubes portugueses relembro que o Benfica chegou a ter opção de compra sobre o Neto e mais dois jogadores do Varzim na altura e não quis exercer essa opção, talvez agora se arrependa!
P.S.: É Póvoa DE Varzim e jogadores como o Neto com valor há muitos tanto na formação do Varzim como de outras formações de clubes "secundários" (o Varzim é um histórico do futebol Português)
JC
Joni
Muito bom central sem dúvida e já estou a ver outro nesta linha que é o Steven Vitória…mas vá lá o Benfica trabalhou bem desta vez.
Pedro
A transferência de um jogador como o Neto, de um clube da II Liga para um dos grandes não dá comissões suficientes para alimentar a máquina. É sempre preferível contratar um argentino por 10 milhões, dos quais metade são para comissões que abrange a máquina dos dois clubes e mais uns intermediários pelo meio.
miguel
Tenho dificuldades em concordar com o post.
As principais razões são:
– os clubes de topo apostam na formação de jogadores e na promoção de jogadores de qualidade (nacionais e internacionais). Ainda assim, encontramos exemplos como Nani (Real Massama) Deco (Alverca, mas ex- Benfica), João Pereira (Gil Vicente mas ex-Benfica ) que servem de exemplo da aposta dos clubes na qualidade dos jogadores fora a sua formação
– Clubes como o FCP e o SLB projectam mais valias galácticas com vendas de jogadores que lhes garante uma hegemonia desportiva nacional e prestigio europeu (modelo desportivo ultra-competitivo)
– o caso do Neto devia ser um abre-olhos para os clubes do meio da tabela da liga e perceberem que têm um bom modelo de negocio a explorar (potenciar jogadores de talento extra-formação). A principal razão porque não tem funcionado é porque os clubes médios não têm força para combater os argumentos financeiros dos clubes de topo da liga( exemplos do Kleber e Eder são exemplos). Éder nada rendeu à Académica e muitas transferencias nacionais pagam-se com jogadores ou favores. Para contrariar isso só com a valorização da liga
– por necessidade existem clubes a fazer a valorização do talento nacional. É o caso do Vitoria de Guimarães mas que teve de vender com potencial e "inacabados profissionalmente e com pouca experiência" ao FCP e SLB
– o exemplo do Neto é residual no panorama das transferencias de jogadores. Os casos de sucesso nacionais são muito poucos e o mais comum são situações de insucesso (Bébé para MU, Antunes para Roma…)
– o exemplo de Neto acontece noutros países ( Piqué, Fabregas, Carvajal, Arteta, Mangala, Hulk, muitos internacionais brasileiros e argentinos). É normal e ainda bem que acontecem.
– Cabe às selecções nacionais promover o jogador português. Veja-se o exemplo das selecções sub-20. E de jogadores como Salvador Agra.
– Não concordo com o ataque ao seleccionador. Se têm corrido mal o jogo contra a Rússia podia ser réu por ter decidido colocar um jogador com ZERO experiência em jogos internacionais
O Neto representa apenas 1% da realidade do futebol nacional e deve ser visto como uma excepção e não uma regra.
Por ultimo a tónica do post. Transmite a ideia que todos os clubes são tapados . Olho para os clubes (FCP, SLB) como exemplos a serem seguidos. Não é a toa que são competitivos n Europa, rivalizam desportivamente com orçamentos 5 vezes maiores e geram mais valias económicas. Como poucas empresas nacionais
mv
Se tivesse lido este post antes nem tinha escrito o meu. Concordo a 100%
mv
Ir para fora do país muitas vezes também significa crescer como homem e como pessoa pelo que por vezes nem é negativo para a selecção Portuguesa. Não estou a falar de jovens de 18 e 19 anos claro, mas um pouco mais velhos. E a verdade que o que falta em Portugal são mais clubes intermédios (financeiramente) que possam ter jogadores deste género. Ter um Sporting de Braga no campeonato Português é muito curto para pensarmos em manter mais jogadores portugueses.
O Vieirinha teve as suas oportunidades em Portugal e talvez por ser considerado um craque precoce nunca deu nada aqui. Se não tivesse ido para a Grécia se calhar andava com o seu colega Márcio Sousa pelo Tondela.
O Neto saiu de Portugal já com 23/24 anos. A verdade é que mostrou no Nacional toda a sua qualidade mas tivesse ido para o Benfica ou para o Porto e andaria a ser o 3º ou 4º central (nessa altura). Se fosse para o Sporting com toda a instabilidade existente, andaria a ser alvo de todas as criticas. O unico clube que lhe poderia dar a estabilidade para jogar nessa altura a um nivel elevado era o Braga. Acabou por chegar agora (com 25 anos) a um clube muito forte e pegou de estaca. Tenho quase a certeza que tivesse ficado em Portugal e não tinhamos esta alternativa para a selecção. Talvez faça um carreira tipo Danny (considerado juntamente com o Vagner Love os melhores estrangeiros de sempre a jogar na Rússia), ou talvez ainda tenha oportunidade de dar mais um salto para um Liga com mais visibilidade (não necessáriamente um clube melhor).
David Seraos
Não conhecia o Neto, mas fiquei logo em alerta com a exibição que fez contra a Russia, que exibição de senhor.
Sim o Neto é 1%, também não concordo que se deva obrigar os clubes a ter quotas, acho que o resultado seria nulo. Para o modelo do Benfica e Porto não encaixa pois contratam barato para vender caro e com os presidentes dos clubes médios a tentar inflacionar o preço quase nunca acontecem esses negócios. O "problema" foi o Sporting ter parado o forte investimento que fez aos jovens, agora voltou. Mas acho que o Benfica e o Porto podiam apostar um bocado também na sua formação ou em jogadores nacionais, sendo que o Porto vai fazer isso este ano e o Benfica parece que é mais um ano com zero portugueses no 11.
Mas acho que se devia olhar para o que se fez na Alemanha, na restruturação da Bundesliga, e agora vê-se os resultados.
Anónimo
Não existe medo nenhum dos "grandes" em apostar no jovem jogador português. Refiro-me claro ao SCP.
Mau é realmente tentar ir buscar o jovem jogador português a equipes da "treta" (peço desculpa pelo termo mas o Nacional é um caso gritante deste genero de clube) e pedirem-nos 5,6,7 e 10 milhões de euros por jogadores que, apesar do potencial, ainda não provaram absolutamente nada. O caso mais recente é por exemplo o Joãozinho. 1 milhão de euros para continuar no SCP! Casos como este há imensos e muitos deles com o Nacional à mistura.
Depois claro, há a burrice tipica do jogador de futebol, vai para uma equipa em que joga 5 minutos, se a taça da liga acabar então nem 5 minutos joga enquanto talvez pudesse ir para uma com menos capacidade (financeira), ser titular e quem sabe dar um salto ainda maior.
Sem duvida que há qualidade e que é preciso procurá-la. Mas que também é preciso contornar imensos obstáculos é.
Cumprimentos,
Paulo Jorge
Miguel Lopes
Este tipo de jogador tem varios problemas associados:
1°Não dá comissionamentos elevados a quem negoceia.
2°Ao ser negociado entre muros para um dos clubes de topo custa o dobro que para o estrangeiro.
3°Era detido por um clube cujo presidente se julga a última bolacha do pacote, vamos ver agora a categoria quando a mama dos subsídios estatais secar.
Tirando isto é também gritante a falta de capacidade de observação do mercado interno tirando o Braga, mesmo no externo é tudo a base de mercenários (digo empresários), muitos dos dirigentes estão desprovidos de capacidade e até de querer fazer bons negócios. Mas desde quando é que para comprar determinada coisa eu preciso de alguém que me obrigue a faze-lo? Se não têm capacidade para escolher através da observação directa como é que escolhem através de videos? Mesmo atraves de vídeos eles estao disponiveis às dúzias na net, é so querer ver. Nao admito a falta de querer resolver problemas existentes em qq clube, nem falo por mim, mas nos vários blog's disponiveis no mercado se fala de nomes de pontas de lança, muito capazes e até algum tempo atrás acessiveis, como é possivel que os dirigentes sejam tão ignorantes? Como é possivel que se venda R.V.Wolfswinkel sem ter uma alternativa sequer? Com 5M €, não se compra quase nada, não que seja um Messi ou um Ronaldo, mas um que custava menos e até tinham opção de compra (Ghillas) deixa-se fugir ou no mínimo ficar muito mais caro, não é excelente, é o possível. .. Mas nao interessava resolver os problemas que arranjaram aos outros não é Godinho . Triste. Um conselho ao B.Carvalho, ouça os adeptos pelo menos podem servir de scouting, pelo menos para o Aston Villa serviu um dos que nós adeptos falamos, vamos ver no que dá, mas penso ser muito bom.
Xerife
Pois, mas é em vão, pois eles nao querem saber. Tentei contactar por intermediário (Sporting-Site de apoio) o scouting do Sporting sobre dois jogadores muito bons e que o valor de mercado é de 1M, falo de Federico Santander e Enzo Andía. Infelizente nao tive resposta. Podiam ser oportunidades de ouro. . .
Miguel Lopes
O clube parece estar a mudar, pode ser que isso também mude… Mas os interesses são muitos, o presidente é só um é complicado apesar de estar a trabalhar mais ou menos bem… Vamos ver o Helenius custou 2M € e se me perguntassem a mim acho que vai ser bom jogador, mas ver 2/3 videos deve dar muito trabalho. Se reorganizarem o sistema de detecção de possiveis aquisições se calhar tinham muito a ganhar, a época da observação in loco já foi e quanto maior for o campo de recrutamento maior pode ser o retorno.
Miguel Lopes
Refiro-me a Nicklas Helenius, esqueci-me de referir