Durante anos, o meio-campo do Sporting teve donos claros. Na próxima época, isso está em risco.
Hidemasa Morita entra nos últimos meses de contrato e pode representar a perda do “relógio japonês” da equipa, enquanto Giorgi Kochorashvili nunca se conseguiu afirmar. No meio deste cenário, João Simões continua a alternar entre bons momentos e longos períodos de ausência no jogo.
A resposta terá de ser dada no mercado, com critério e intenção.
Para dar impacto físico e presença, Issa Doumbia (Venezia) surge como um perfil interessante. Intenso, forte no duelo e com capacidade de transporte, oferece uma dimensão que hoje falta e aproxima-se daquilo que se esperava ver de João Simões, mas com maior maturidade.
Mas substituir Morten Hjulmand implica outro nível de exigência. Leon Avdullahu (Hoffenheim) apresenta-se como o substituto ideal: critério com bola, agressividade sem bola e uma liderança natural. Não seria uma contratação fácil, exigiria um investimento elevado , mas garantiria continuidade na identidade da equipa.
Numa lógica diferente, mais estratégica, surge Nathan De Cat (Anderlecht). Um dos talentos mais promissores do futebol belga, que em condições normais estaria fora do alcance. No entanto, o fim de contrato abre uma oportunidade rara, num cenário semelhante ao de Zeno Debast, inclusive pelo clube atual do atleta.
Por fim, há a necessidade de garantir equilíbrio.
Lukáš Červ (Viktoria Plzeň) encaixa nesse perfil. Tal como Hidemasa Morita, é um médio fiável em todas as fases do jogo, garantindo critério, consistência e leitura tática, aquilo que muitas vezes não se vê, mas que sustenta tudo o resto.
No fim, o Sporting precisa de clareza: ou reconstrói um meio-campo com liderança e critério, ou arrisca perder a base que sustenta toda a equipa.
Roberto Leal

