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Iker Casillas – A lenda que nasceu há vinte anos

Quem, há vinte anos, comprou bilhete para o jogo entre o Atlético de Bilbao e o Real Madrid, estava muito longe de imaginar que, mais do que a garantir entrada em mais um clássico do futebol espanhol, estava a assegurar presença num momento que ficaria para a história do futebol mundial. Quem, a 12 de setembro de 1999, entrou no mítico estádio San Mamés, não podia saber que ali teria lugar a estreia a titular de Iker Casillas. Mas foi. Casillas estreou-se nesse dia como guarda-redes de futebol profissional, aos 18 anos, no clube onde jogou e cresceu desde os 9. O resto é história.

Esse primeiro jogo, numa noite amena na capital do País Basco, não foi o melhor cartão de visita para Iker. Sofreu dois golos, sem culpa sua, é certo, mas quem hoje olha para o que foi a carreira do espanhol sabe que ele se habituou mais a desviar as bolas da sua baliza do que a ir buscá-las lá dentro. Esse primeiro jogo não foi, também, um exemplo do que foi a carreira do espanhol. Naquela noite, empatou, mas todos sabemos que foram muito mais as vezes em que ganhou.

Daí para cá, mais concretamente entre 1999 e 2015, San Iker, como os fãs começaram a chamar-lhe algures durante esses anos, fez mais 724 jogos pelo Real Madrid, graças aos quais conquistou 18 títulos: 5 campeonatos de Espanha, 2 Taças do Rei, 4 Supertaças espanholas, 3 Ligas dos Campeões, 2 Supertaças Europeias, 1 Taça Intercontinental e 1 Mundial de Clubes. Foi capitão durante boa parte dos 16 anos em que serviu os merengues e foi, claro está, idolatrado por sócios e adeptos madrilenos. Ficou por pouco que não se tornou o jogador com mais jogos pelo Real Madrid, mas muitos concordarão que o lugar de uma das maiores lendas da história deste clube ninguém lhe tirará. Deu a craques como Figo, Beckham e Zidane o privilégio de saberem que podiam jogar com a certeza de que a baliza estava segura. Pelo meio, como se tudo isto não fosse suficiente para o tornar numa das maiores figuras do futebol, liderou a Espanha ao topo da Europa por duas vezes e tocou o céu quando foi campeão do Mundo. Quem não se lembra da defesa na final do Mundial de 2010 com que entregou o título à Espanha?

A vida de Iker de branco foi feita de muitos altos, como já se viu, mas terá acabado em baixo como o guardião não gostaria nem merecia. Acabou à força, relegado ao banco de suplentes, primeiro desavindo com Mourinho, depois com Benítez. Entre recordações e lágrimas, despediu-se do Bernabéu e rumou ao Fc Porto. Contra os agoiros de muitos, o Iker de azul e branco foi o mesmo de sempre. Tornou-se portista, portuense e até um pouco português, entregou-se ao clube como se ali começasse a carreira, como se tivesse ainda tudo para provar. Salvou o FC Porto em anos maus de anos ainda piores, desesperou os rivais com defesas impossíveis – aqueles jogos contra Benfica e Sporting, meu Deus! – e foi um dos heróis do campeonato reconquistado em 2018. O coração traiu-o quando se preparava para fechar a carreira a jogar, como tanto gostaria. Mesmo assim, Casillas não se deu por vencido e ainda não decidiu por um ponto final na carreira, num misto de teimosia e amor ao futebol.

É certo que Casillas nunca foi um guarda-redes consensual, nunca foi considerado pela maioria o melhor do Mundo, viveu sempre ofuscado pelo amigo Buffon, por Čech, van der Sar ou Kahn, mas não me lembro de ter visto ou ouvido alguém negar que San Iker foi sempre um senhor dentro e fora de campo, um exemplo de dedicação ao futebol, aos clubes e à selecção e será lembrado por isso, talvez mais do que pela sua inegável e superlativa qualidade. E é isso que interessa. Long live San Iker!

Visão do Leitor: João Baptista

3 Comentários

  • Kacal
    Posted Setembro 12, 2019 at 9:10 pm

    Excelente post, completo e com tudo dito. Nada a acrescentar. Parabéns!!

    O Casillas é uma lenda, um dos melhores da história na sua posição e ficará imortalizado nessa história. Não diria um senhor, pelo menos não tanto como Buffon, mas sempre teve boa conduta. Agora por acaso nunca foi dos meus GR preferidos, os meus preferidos foram Petr Cech e Van der Sar.

  • RicardoFaria
    Posted Setembro 12, 2019 at 9:33 pm

    Grande Iker!
    Um privilégio para mim enquanto portista poder dizer que o San Iker é um dos nosso!!

    Saudações DesPortistas!

  • RLuz
    Posted Setembro 12, 2019 at 9:45 pm

    San Iker é um dos meus guarda redes favoritos de sempre!
    As vezes parecia que não acreditava, quando via este “monstro” das balizas a jogar no FC Porto.
    Só não concordo um pouco com o ” acabou à força relegado para o banco”, como referiu parece que teve umas desavenças com Mou, mas efetivamente o nível dele tinha descido, sendo preterido por outros treinadores.
    Mas qualquer das formas é sempre bom que falem(de preferência bem) dos guarda redes.
    Uma posição extremamente difícil, exigente e solitária que é sempre algo desvalorizada!

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