Cautela é o que se pede quando se fala da situação de Iturbe no F.C. Porto. Não serão discutidas as potencialidades do argentino, muito menos aquilo que ele poderia oferecer a Vítor Pereira neste momento. O dossier do ‘Mini-Messi’ foi tratado de forma errónea pelos próprios responsáveis portistas desde o início. Talvez cativados pelas demonstrações absurdas de talento com a nacional argentina sub-20, talvez pela necessidade de mostrar, desde logo, acerto numa contratação no mercado sul-americano, depois da partida do último expoente máximo oriundo daquele continente, Falcao. Iturbe não chega nas mesma condições mediáticas que Kelvin, ou Atsu, à equipa principal do F.C. Porto. Estes vêem logo o seu destino traçado em plena pré-época: iriam rodar, mostrar que aquele futebol que os trouxe até à Invicta fazia sentido no nosso país. Não foi um mau julgamento a contratação do jovem recrutado ao Cerro Porteno. Afinal de contas, o rapaz mostrava dotes difíceis de encontrar em alguém com tão curta idade. A decisão dos dirigentes portistas (Vítor Pereira até aqui ainda isento de culpas) começa a ser pecaminosa quando o método adoptado para a sua utilização nos jogos roça a nulidade. Convém não esquecer que Iturbe custou quase 5 milhões de euros por apenas uma parcela do passe. Um jovem atleta para evoluir, tem que jogar. Não vem nos livros, é factual. Os 110 minutos de jogo do argentino são na sua maioria registados na deslocação a Pêro Pinheiro, encontro onde foi substituído ao intervalo, por lesão. Continuando no tema minutos, é impossível não reparar no crime, no autêntico disparate que foi o seu lançamento no último desafio dos dragões diante do Benfica. Ok, era para a Taça da Liga, o F.C. Porto desde sempre assumiu que rodaria elementos com parca utilização. Ok, grandes jogadores supostamente aparecem em grandes jogos, mas…a 5 minutos do fim?! Soou mais a um fracassar da resiliência de Vítor Pereira (aqui começa a sua quota-parte no cartório) perante a insistência da comunicação social sobre a invariável ausência de Iturbe das convocatórias azuis. Soou a tentativa desesperada de calar as vozes que se erguem contra a não-utilização de Iturbe. Mas sobre os erros e as vacilações de Vítor Pereira aos microfones já estamos conversados.
Como se explica esta gestão de Iturbe? Deveria o Porto ter emprestado o argentino como fez com Atsu (com os resultados que se conhece)? Conseguirá o ‘Mini-Messi explodir’ no Dragão na próxima época? Ou a maneira como todo este processo foi gerido (que culminou com esta utilização estranha no Estádio da Luz) é apenas mais uma prova de como os azuis e brancos tem abordado mal a presente temporada (desde o maior orçamento de sempre não chegar para um avançado de qualidade, à questão do treinador, aos jogadores contrariados)?


