No entanto, considero-me um adepto excepcional quando o futebol é jogado na Liga dos Campeões. Perco a cabeça, fico maluco, já nem ligo tanto a raparigas. Porquê esta mania da Champions? Não será isso criticável? Porque estou a falar tanto sobre o sexo feminino? Tudo boas perguntas, apenas responderei a duas.
A Champions significa tanto para mim porque, como adepto de um clube português, é um privilégio vê-lo lá a jogar. É como se eu fosse um criado naquelas mansões inglesas do Séc. XIX, e só podia ir à sala servir o jantar e vir embora. Nada de charutadas à frente da lareira, brandy à frente da lareira, e tudo mais que parece ganhar classe por se estar em frente a uma lareira. Ir à Liga dos Campeões é como ir para a sala, convidado pelos Lords. Estar no estádio a ver a nossa equipa na fase a eliminar é como estar com o brandy, charuto e amigos em frente à lareira.
É, também, ver o nome do meu clube projectado por esse continente adentro, por esse mundo “a fora”. É ter um grande amor e saber que as pessoas invejam-me e admiram-no por todo o lado, sem a possibilidade de fantasiarem sexualmente com ele. É como deve ser ir levar o puto à escola e a professora dizer que ele é o mais inteligente. É como deve ser ir buscar a miúda à escola e a professora dizer-nos que ninguém se “atirou” a ela. Que maravilha.
Eu sou muito adepto do meu clube e adoro futebol. Mas será criticável eu ficar mais emocional com a Champions do com as ligas e taças nacionais, e sentir durante a competição europeia uma excitação tal e qual sentiria se Deus viesse, hoje à noite, cá abaixo explicar-nos algumas coisas? Acho que não, porque o meu amor mantém-se, apenas a minha reacção é diferente. Talvez por nunca tomar essa experiência como garantida e considera-la sempre o tal privilégio. Talvez já seja o brandy a subir-me à cabeça.


