Num dos momentos mais importantes do futebol português e que ficará para sempre na história do desporto nacional, a verdade é que nem tudo foi positivo e Portugal perdeu claramente uma oportunidade única de cimentar uma posição de afirmação no contexto do futebol internacional.
Não tirando o mérito ao triunfo do Porto e à caminhada de sonho do Braga, e claro está, não ignorando o mais importante – estarem duas equipas portuguesas na final – também são nestes momentos que devíamos aproveitar para fazer a diferença e principalmente marcar a posição do futebol português na elite internacional, ficando apenas a uma ligeira margem da Bundesliga, La Liga, Série A e Premier League. Contudo, isso não aconteceu e por várias razões: um futebol de muito fraca qualidade (os leitores da Marca escreviam nos seus fóruns que um Almeria-Hércules teria outra emoção). De facto não se compreende o porquê do péssimo espectáculo apresentado, e os nervos não podem servir de desculpa (talvez a opção de Domingos em acabar o jogo com 2 trincos explique algo, por outro lado, Artur não fez uma única defesa em todo o jogo, o que também não abona nada na perspectiva dos azuis e brancos). No entanto, o registo negativo mais evidente acabou mesmo por ser o fraco papel do jogador português no contexto actual. As equipas entraram em campo com dois capitães brasileiros, o Porto acabou o jogo com 2 jogadores portugueses (sendo um deles Rolando que festejou a conquista com a bandeira de Cabo Verde, quando numa situação semelhante, Pepe festejou ao serviço do Real com a bandeira de Portugal) e o Braga com 3. Se fosse uma final entre o Besiktas e o Real teríamos mais portugueses em campo do que quando estão presentes duas equipas lusas, o que não deixa de ser preocupante.
Em suma, perdemos uma oportunidade, talvez única, de elevar ainda mais o nosso futebol, e acabamos por passar uma mensagem de um futebol algo pobre, mesmo trapalhão, demasiado agressivo e quezilento, pouco emocionante e que tem como base: o jogador sul-americano.


