”O Patinho Feio” foi escrito pelo autor dinamarquês Hans Christian Anderson e foi publicado pela primeira vez em 1843. A fábula conta-nos a história de uma ave que nasce num celeiro numa família de patos e que por ter características diferentes daquilo que seria de esperar é considerada feia. Deslocada e infeliz, a ave é marginalizada por todos os membros do celeiro e pela própria família até que finalmente amadurece e, para surpresa de todos, se transforma num cisne. No final da história todos comentam como aquela é a mais bela de todas as aves.
Lima chegou ao Benfica no início desta época numa altura em que o Meio-Campo do clube da luz explodia. Javi Garcia já tinha rebentado e Witsel era uma bomba-relógio. A opção de ir buscar um avançado era, no mínimo, questionável.
Lima chegou ao Benfica no início desta época numa altura em que o emblema da águia havia emprestado Nelson Oliveira e rescindido com Saviola. A opção de pagar 4 milhões de euros (mais Michel) por um avançado de 29 anos era, no mínimo, estranha.
Vindo de um rival que havia ficado atrás na classificação por um valor significativo e sem grande currículo aos 29 anos, o brasileiro foi o oposto de uma contratação atractiva. Lima chegou ao Benfica no início desta época como um patinho feio.
Como tal, foi marginalizado. Suplente, como seria de esperar, dos mais “belos” Rodrigo e Cardozo, o reforço encarnado era apenas considerado um plano de emergência. O próprio clube parecia pouco confortável com a presença do jogador, surgindo notícias que a sua contratação tinha sido feita apenas para precaver a eventual saída de Óscar Cardozo.
Claro que como em qualquer conto de fadas que se preze, a nossa personagem principal é chamada à acção para alterar o seu destino por via do acaso ou da mera passagem do tempo. É que até os adeptos, normalmente tão positivos e sonhadores, maldiziam Lima como os outros membros do celeiro maldiziam o Patinho Feio. Com Cardozo lesionado, Lima podia mudar a sua sorte.
Lima estreou-se oficialmente pelo Benfica contra a Académica, entrando aos 74 minutos. Um golo do brasileiro impediu a derrota do vice-campeão nacional e a boa amostra exibicional permitiu ao avançado ganhar alguma confiança de adeptos e equipa técnica. Nunca mais foi olhado da mesma maneira.
Lima marcou ou assistiu em todos os jogos da liga feitos pelo Benfica. Aliás, Lima marcou ou assistiu em todos os jogos que fez pelo Benfica este ano, tirando contra o Barcelona. Tem sido provavelmente o melhor jogador do clube este ano e tem todas as características de um grande avançado: é rápido, é bom de cabeça, tem um bom passe, tem um óptimo remate de todas as distância e com ambos os pés e, melhor que tudo, é um jogador que cria lances em vez de apenas os finalizar. Faz lembrar um pouco Torres nos primeiros anos do Liverpool, em que qualquer jogada podia ser perigosa.
Com efeito, nada disto diminui a qualidade dos outros avançados do Benfica e a importância deles para o respectivo plantel; nem tão pouco se prevê com certeza que Lima mantenha este nível até ao final da época ou da carreira. Aconteça o que acontecer no futuro, uma coisa é certa no presente: Lima transformou-se num cisne. Agora é ele a mais bela de todas as aves.
Luís Figueiredo


