Fantástico! O norueguês consegue defender o ceptro pela terceira vez desde que o conquistou em 2013, impondo no desempate a sua enorme capacidade nas partidas a menos de 30 minutos e consolidando o seu lugar entre a elite do desporto planetário. Mas o mais relevante desta final foi a maneira como recolocou os focos mediáticos no Xadrez, com toda a imprensa mundial a dar muito destaque a esta decisão -a hipótese de haver um vencedor norte-americano pela primeira vez desde Bobby Fischer em 1972 muito levou a isso-, a qual não só foi a final mais igualada da história (esta triunfo surge após um inédito empate a 6, 773 movimentos e 51 horas de tensão em frente ao tabuleiro repartidas entre 3 semanas) como foi a primeira vez desde 1990 -quando Garry Kasparov e Anatoly Karpov se enfrentaram pela quinta e última vez- que o título se decidiu entre o n.º1 e o nº2 mundiais.
O norueguês Magnus Carlsen, de 27 anos, renovou o título mundial de Xadrez, batendo na final o norte-americano (de ascendência italiana) Fabiano Caruana, de 26 anos. Em Londres, as 12 primeiras partidas do embate, realizadas a ritmo normal, saldaram-se num empate –a primeira vez que tal sucedeu em 132 anos-, decidindo-se hoje, 3 semanas após o começo do desafio entre ambos, o campeão através de partidas rápidas (25 minutos por jogador mais 10 segundos adicionais por movimento).
Carlsen, um especialista nesta matéria (sabia que se o embate tivesse esta forma de decisão teria muita vantagem), aproveitou os erros de um Caruana muito precipitado e dando sensação de cansaço para ganhar as três partidas e conservar o título. Esta final reafirma o poderio do norueguês jogando em períodos de tempo curtos, o qual foi bem expresso pela lenda Garry Kasparov no seu Twitter pessoal : “O consistente nível de jogo de Carlsen em Xadrez rápido é fenomenal. Todos jogados pior à medida que jogamos mais e mais rápido, mas a sua percentagem pode ser a menor de sempre, talvez apenas uma redução de 15%. Enorme vantagem neste formato”, escreveu.
“O resultado mostra que ele é o jogador mais forte do mundo”, disse um resignado Fabiano Caruana após a derrota. Carlsen, o rei do Xadrez, leva também para casa o prémio monetário de 550 mil euros. Recorde-se que o norueguês tornou-se campeão do mundo em 2013, quando bateu o indiano Vishy Anand tendo apenas 22 anos.
Pedro Barata


9 Comentários
Rui Afonso
O facto de ser ter “resignado” a um empate e não ter arriscado a vitória na última partida clássica, quando tinha uma vantagem posicional considerável, é bom indício do seu poderio e auto-confiança no rapid chess.
Parabéns ao Mozart do xadrez pela vitória e ao Caruana pela excelente prestação no modo clássico (viu-se uma grande preparação no jogo do americano).
Sykander
Thomas Shelby?
LevonAronian
O meu segundo jogador favorito depois de “mim”.
Incrivel como estando longe do nível a que estava há 3/4 anos atrás continua a ser de maneira indiscutível o número 1.
Parabéns ao Caruana por todo o percurso até chegar esta final, e pela prestação nos 12 jogos clássicos, mas não ganhando nessa fase era praticamente impossível vencer o tie-break
Manucho1
FeelsOkayMan ? magnificent
Lopes da Silva
Apesar dos 6 empates e da boa preparação de Caruana, “sabia-se” que Carlsen era o grande favorito. A diferença entre ambos os jogadores ainda é considerável, e sendo Caruana o número 2 mundial diz muito da distância do “planeta Carlsen” para a Terra. Mas uma nota, apesar de Caruana ser número 2 mundial, é-o na modalidade clássica, em rápidas (5-10 minutos) e semi-rápidas (estes 25 minutos) creio que não está no top 10 sequer. Aqui vantagem do Carlsen é ainda maior, que é número 1 em todas as modalidades, já tendo até detido os três títulos mundiais em 2014.
Mas foi bom ver esta atenção mediática toda dedicada ao Xadrez. E obrigado ao VM por fazer um post sobre estes mundiais.
Lopes da Silva
*12 empates
DaMajorLS
Li num artigo que na versão rápida o Caruana era nº8 e na versão blitz era nº16 no ranking enquanto que o Carlsen é o nº1 nas três vertentes. No mesmo artigo referiam que há uns meses no Open de Paris (se não estou em erro) o Caruana tinha sido “cilindrado” em 20 partidas rápidas por 16,6-3,5 por um jogador top-10 mundial na versão clássica (esse jogador também disputou a qualificação que o Caruana ganhou para jogar nesta final com o Carlsen). Caso fossem necessários jogos de desempate o Carlsen era apontado como claro favorito como se veio a confirmar.
f0ra de Jogo
Grande Visão de Mercado
Eduardo Giorfi
Inegável o mérito de Carlsen, mas não compartilho desse furor em torno do seu nome. Jogou o match claramente com a intenção de levar a disputa para o tiebreak, apostando em sua supremacia nessa modalidade. Prefiro aqueles que correm o risco da derrota aos que se satisfazem na comodidade do empate, apenas apostando no erro alheio. Saudades de Tal, Kasparov, Jidith Polgar…