A temporada futebolística que agora termina revelou-se francamente produtiva para os jovens do campeonato português. Mais ou menos conhecidos, foram vários os atletas nascidos a partir de 1996 capazes de dar cartas a um nível já muito elevado, contribuindo decisivamente para as exibições e resultados que as respectivas equipas foram alcançando. Como tal, e apesar da forte concorrência (Raphinha, Rúben Dias e Matheus Pereira também teriam sido excelentes opções), considerando a regularidade apresentada, papel na definição táctica do clube e qualidade demonstrada, André Horta foi, para o VM, o melhor jovem de 2017/18.
Chegado a Braga após uma experiência agridoce no Benfica (teve a oportunidade de se estrear com a camisola do “clube do coração”, até foi aposta numa fase inicial, mas acabou por desaparecer do mapa subitamente), Horta não se impôs desde logo no emblema à guarda de Abel Ferreira (foi titular, para a Liga, apenas em Outubro, quando já se jogava a 8ª jornada), mas assim que o fez, não só agarrou o lugar com mérito, como até ajudou a elevar a qualidade de jogo da equipa para outro nível.
Na verdade, sendo certo que os bracarenses sempre foram pautando pela envolvência ofensiva e facilidade em atingir a área contrária, não é menos certo que foi com o centrocampista a comandar as operações no centro do terreno que tal foi mais óbvio. Durante um certo período de tempo, o Sporting de Braga foi mesmo unanimemente apontado como o conjunto a praticar melhor e mais fascinante futebol no nosso país; quem era a principal referência? André Horta que, mesmo não oferecendo golo (somente um tento), trouxe todo um mundo de oportunidades aos arsenalistas do Minho: assistências (seis na Liga), inteligência, discernimento e disciplina (para se ter noção, olhando apenas para o campeonato, Horta fecha o ano com uma precisão de passe na ordem dos 87%, 12% mais que o “concorrente” João Carlos Teixeira e superior à esmagadora maioria dos jogadores de outras equipas da Liga).
De resto, a confiança que Abel, por fim, acabou por depositar em si atesta bem a sua preponderância. Apesar do tal início periclitante, com utilização irregular, logo que ganhou espaço fez questão de segurar o lugar – que não perderia mais. Afinal, foi titular nas derradeiras 12 jornadas do campeonato, período que coincidiu, curiosamente ou não, com a melhor forma do Braga: nesse período, houve 9 vitórias, 34 golos apontados e um festival de oportunidades criadas; muitas, sem surpresa, vindas dos pés do próximo reforço do Los Angeles FC.
Consoante apontado no primeiro parágrafo, tendo este sido um ano de destaque no que a jovens diz respeito, facilmente outro poderia receber esta consideração e um, em particular, salta à vista: Raphinha. O brasileiro teve melhores números (só golos foram logo 15 para o campeonato), certamente, mas decaiu imenso nos últimos três/quatro meses (fosse o prémio dado em Janeiro e seria seu, sem contestações), somou mesmo exibições negativas, e, desse modo, perdeu a “carruagem” para Horta. Já Rúben Dias e Matheus Pereira, sem desprimor para com as respectivas temporadas (que valeram ao primeiro a convocatória para o Mundial e ao segundo o regresso, aparente, ao Sporting), simplesmente, na súmula das partidas, não atingiram o nível do médio que este ano representou o Sporting de Braga.
António Hess
O melhor para os leitores do Visão de Mercado:



14 Comentários
Rodrigo Ferreira
Metia o Raphinha, mas aceito. Boa época do Horta, mudou o SC Braga quando entrou. Surpreendeu-me.
Gravensilla
Acho que se tornar no líder da defesa do Benfica e convocatória para o mundo dão ao Ruben uma outra vantagem.
Adorei partes da época do Horta, Raphinha e do Matheus contudo. Foi um bom ano para estes jovens todos!
JoaoJ
Mantenho o que disse mas daqui a uns meses já vemos o que o Chaves faz sem o Matheus.
stanpanan
A.Horta, mais uma gestão horrorosa do Benfica… Quando ainda estava verde jogava sempre, deixa de jogar, deixa de jogar de e não volta a calçar Onde vi isto? D.Gonçalves)… Foi emprestado ao Braga, aqui tudo bem, fez um boa época, evoluiu e quando se apresentava como uma boa alternativa para a próxima época é vendido por um valor baixo…
Harryke
Neste caso tenho de concordar com a votação. Rúben dias assumiu se na defesa do Benfica, o que face à concorrência do Luisao não era difícil, mas deu uma resposta muito positiva tendo em conta as exigências do clube da Luz. O rafinha fica em segundo, mas por uma margem mínima, é um enorme reforço para o Sporting. Quanto à escolha do André horta por parte do VM, respeito, mas não acho que mereça o destaque dos outros dois. Uma coisa é certa: teria lugar no plantel do Benfica este ano se não tivesse sido vendido
RodolfoTrindade
Foi também a minha escolha!!!!
Antonio Clismo
Como é possível num campeonato a 18 equipas haver uma aposta em jovens jogadores tão fraca?
Em que campeonato é que 70% dos jogadores envolvidos são estrangeiros?
Mesmo a segunda liga vai pelo mesmo caminho, os clubes deixaram de apostar nos mais jovens..
Tirando as equipas B não há nada.. ninguém arrisca
AngeloGJ
Ja reparaste quantos estrangeiros ha na premier league? talvez ate seja mais do que esses 70% que falas que ha em Portugal, e os clubes precisam de jogadores se nao ha suficiente jogadores nacionais teem que os substituir com estrangeiros, acho eu.
Antonio Clismo
Se trouxerem qualidade, nada contra.
Mas o que vemos é jogadores completamente banais a comporem os plantéis de quase todos os clubes em Portugal.
Diz-me quantos guarda redes nacionais fazem parte dos plantéis das 18 equipas da primeira liga? Se calhar nem 10.. e os que fazem parte têm papéis bastante secundários nos plantéis.
Centrais quantos contas?
Pontas de lança??
Tiago Peixoto
Eu votaria Matheus Pereira, Raphinha e talvez Ruben Dias antes de votar no André Horta, mas é apenas a minha opinião. A verdade é que o jogador do Braga fez uma época de grande nível.
Humberto Cruz
E depois foi pra MLS… Eu não compreendo
Foi no ano 21
Muito se fala na forma como os clubes f«gerem os seus activos, principalmente os que vêm da formação. E aqui à um presidente especialmente visado em Portugal, LFV. Muito se falou de Cancela, Bernardo e de todos os outros da fornada dos 15M, mas para mim, o caso mais grave é mesmo este de André Horta. A forma como foi aposta na formação principal no início da época passada foi demasiado excessiva (não estava pronto para ser um titular absoluto), depois desaparece completamente…Agora faz uma grande época em Braga e é vendido ao desbarato para os USA, sendo que a equipa precisa urgentemente de alguém a fazer aquela posição….demasiado estranho este caso de Horta.
Mantorras
Krovinovic para mim.
Slayer500
Para mim acho que o Rúben Dias fez uma época inesquecível e de alta qualidade ..fez esquecer o Lindelof que agora deve ser inferior ao Ruben. So ha uma coisa que acho que o Lindelof era melhor que era o transporte de bola ate ao meio campo ;coisa que o Ruben ainda pode e vai melhar muito.
Mas contudo acho que o Krovinovic se não se tivesse lesionado tinha sido uma aposta muito forte e secalhar podia ter ajudado o Benfica a chegar ao Penta