O futebol croata tem vivido um domínio incontestável do Dínamo de Zagreb neste século, graças aos 11 campeonatos consecutivamente arrecadados, num total de 18 desde o surgimento da liga croata. Até há alguns anos, o eterno rival, o Hajduk Split, conseguia dar-lhes luta, embora sem sucesso nos seus intentos de desviar os Azuis do título. Além disso, os Brancos de Split têm perdido algum gás nessa luta pela glória, cedendo algum protagonismo a outro emblema do litoral da Croácia.
Na baía de Kvarner localiza-se Rijeka, que é a terceira maior cidade do país, cuja economia se desenvolve à volta do turismo e da construção naval, pelo que também não é de espantar que lá se encontre o principal porto marítimo desta nação dos Balcãs. Deste modo, o clube foi fundado há 70 anos com o nome Sportsko Društvo Kvarner, que seria alterado para NK Rijeka em 1954, sendo que somente em 1995 se adicionava o H de Hrvatski (que significa Croata). Entretanto, com 2 Taças da Jugoslávia nas vitrinas, os Brancos de Rijeka foram um dos fundadores da 1. HNL, a liga principal da Croácia, em 1992. Tal como o Dínamo, o Hajduk e o Osijek, também o HNK Rijeka se pode vangloriar de nunca ter sido despromovido.
Apesar de ter participado em todas edições do campeonato, nunca se sagrou campeão. No rol muito restrito de vencedores da 1. HNL apenas se registaram o Dinamo de Zagreb, o Hajduk Split e o NK Zagreb (apenas uma vez). Todavia, o emblema da Costa Adriática conta no seu palmarés com uma Supertaça (2014) e três Taças (2005, 2006, 2014) do país dos Balcãs. Porém, em 2012, com a entrada de Damir Miskovic para a presidência desta entidade desportiva, iniciou-se a sua reorganização, concluída no ano seguinte, que permitiu que 70% do clube fosse adquirido por Gabriele Volpi (dono do Spezia Calcio da Serie B italiana e da Orlean Invest Holding), através da holandesa Stichting Social Sport Foundation, enquanto os restantes 30% pertencem à cidade.
Perante a entrada do capital privado. os novos donos do Rijeka começaram a investir em novas infraestruturas. Por exemplo, um novo centro de treinos foi inaugurado em 2015, que além de 4 campos para os jovens da academia, inclui o Estádio Rujevica. Este recinto, que foi palco de uma partida de preparação da Croácia antes do Euro 2016, é temporariamente a casa do clube, que alberga actualmente mais de 6100 espectadores. Pondera-se para os próximos tempos uma ampliação para os 8000 lugares, de forma a poder receber encontros da fase de grupos da Liga Europa e da Liga dos Campeões. Por outro lado, prepara-se a construção de um novo recinto desportivo, de categoria 4 da UEFA, no local do mítico e belo Estádio Kantrida (que se encontra entre o Mar Adriático e os penhascos de uma antiga pedreira). A título de curiosidade, este último projecto, que se prevê finalizar em 2018, envolverá Gino Zavanella, o arquitecto responsável pela idealização do Estádio da Juventus.
Noutro plano, o projecto desportivo de Volpi e de Miskovic é recente, mas permitiu a participação do Rijeka na fase de grupos da Liga Europa em 2013 (eliminou o Estugarda nos play-off para enfrentar o Vitória de Guimarães, o Bétis e o Lyon) e em 2014 (encontros com o Feyenoord, Sevilha e Standard Liège). Contudo, a melhor campanha europeia foi realizada em 1980, quando atingiu os quartos de final das Taça das Taças, onde sucumbiu perante a Vecchia Signora. A nível interno, o elenco orientado pelo técnico esloveno Matjaz Kek foi vice-campeão nas últimas 3 temporadas, ao passo que arrecadou a Taça e a Supertaça em 2014.
Em termos das saídas mais sonantes nos últimos mercados de transferências, o destaque vai para a de inverno de 2015, no qual se verificou a ida de Andrej Kramarić (adquirido por cerca de 1 milhão de euros ao crónico campeão da capital em 2013) para o Leicester, por valores a rondar os 9 ME. No último defeso, o ponta-de-lança Bezjak (que esta época era o melhor marcador, pois levava 7 golos na presente edição da 1. HNL) foi vendido ao Darmstatd a troco de 2 ME. Porém a equipa não vacilou ao perder o seu melhor artilheiro e teve um bom início de campeonato, apesar de não ter alcançado a fase de grupos da Liga Europa. devido aos empates com o Basaksehir (nulo na Turquia e 2-2 na Croácia) na 3.ª pré-eliminatória.
Focando na campanha interna, o Rijeka encontra-se actualmente na 1.ª posição, fruto de 13 triunfos, 2 igualdades e nenhuma derrota, num total de 41 pontos. Possui o melhor ataque da presente edição da 1. HNL, com 33 golos marcados. Para tal têm contribuído os 17 tentos alcançados pelo trio composto pelo extremo austríaco Alexander Gorgon (6), o avançado suíço Mario Gavranovic (6) e médio croata Franko Andrijasevic (5). Na baliza, o capitão Andrej Prskalo contabiliza 7 consentidos, em 15 jogos na liga, com o auxílio dos defesas Mitrovic Matej (fez todos os jogos nesta competição até ao momento) e Elez Josip (que marcou ambos os golos do triunfo contra o Hajduk Split neste sábado).
Deste modo, o Rijeka vive um excelente de forma, que se tiver continuidade ao longo da temporada, poderá ser crucial para fazer história e conquistar o seu primeiro título de campeão croata. Precisamente aquele que lhe escapou em 1999, depois do empate com o Osijek na última jornada (1-1) que foi um autêntico balde de água fria na euforia da sua massa associativa, que viu o título fugir-lhes nesse encontro, enquanto o Dínamo de Zagreb cumpria com o seu plano e ascendia até ao topo da classificação, instalando-se a festa na capital.
Luis Enrique Santos


1 Comentário
Tiago Silva
O Rijeka tem um projeto ambicioso e jogadores interessantes! O extremo Gorgon, ex-Austria Viena, tem muita técnica e cruza muito bem criando diversos desequilibrios no lado direito do ataque. O atacante suiço Gavranovic (já foi apontado ao Benfica), ex-Zurich, é um goleador nato, bom a jogar de costas para a baliza e a proteger a bola. Não conheço o restante plantel mas sei que tem jovens muito bons que estão a crescer com a equipa e um primeiro lugar na liga é muito bom! A maior sorte para eles!