No começo da época anterior poucos esperariam uma prestação tão positiva por parte do Moreirense. O vencedor da Taça da Liga em 2017 obteve a sua melhor classificação de sempre na I Liga, terminando no 6.º lugar e falhando o 5.º apenas na última jornada, onde foi derrotado pelo Vitória SC, que assumiu essa posição na tabela final. Curiosamente, o treinador Ivo Vieira trocou os Cónegos pelos vizinhos de Guimarães, abrindo-se um espaço no Moreirense para um antigo treinador dos vimaranenses. Vítor Campelos, técnico de 44 anos e que foi o líder da equipa B do Vitória SC durante três temporadas, abandonando o projecto em 2018, terá assim a sua primeira experiência na primeira divisão portuguesa, após contar no seu currículo com passagens como adjunto pela Arábia Saudita, Irão ou Emirados Árabes Unidos. Trata-se de uma aposta arriscada de Vítor Magalhães, mas que tem como objectivo manter o Moreirense a praticar um futebol positivo e capaz de potenciar os vários talentos do plantel. Recorde-se que, em Guimarães, Campelos trabalhou com nomes como Raphinha, Sacko, João Pedro, Konan, Joseph ou Tyler Boyd. O objectivo passará por dar continuidade à campanha de 2018/19, isto é, colocar o Moreirense num lugar confortável na tabela desde cedo e, se possível, intrometer-se na luta pela Europa.
Analisando o grupo de trabalho, a saída de Chiquinho foi a de maior relevo, sobretudo tendo em conta o facto de ter sido o melhor jogador da equipa, não só pelos seus números individuais, mas pelo peso que tinha no colectivo. De resto, também saíram o guardião Jhonatan, que acompanhou Ivo Vieira até Guimarães, Rúben Lima, o central Ivanildo, que, tal como Heriberto Tavares, terminou o empréstimo, mas há armas suficientes para realizar uma boa época. Para a baliza chegou Mateus Pasinato, que irá concorrer com Trigueira, enquanto o sector defensivo conta com reforços como Abdu Conté, Steven Vitória, Rosic ao Djavan, que procurará colmatar uma lacuna existente desde o afastamento de Rúben Lima. A estes juntam-se os experientes João Aurélio, Iago Santos e Halliche, bem como D’Alberto, que pode ser solução em ambas as laterais. Seguindo para o meio-campo, Campelos tem soluções para aplicar um futebol positivo, com as chegadas dos irmãos Filipe Soares e Alex Soares a despertarem enorme expectativa, assim como o brasileiro Luiz Henrique. Este poderá ser ainda o ano de afirmação de Ibrahima Camará, enquanto Fábio Pacheco deverá ser o tampão. Na frente, Luís Machado e Fábio Abreu chegam para fazer esquecer Heri, enquanto Bilel tem nova chance de mostrar o seu talento. Já Pedro Nuno poderá ser solução nos três corredores, ao passo que Texeira, Lucas Rodrigues e Nenê lutarão por uma vaga na frente de ataque.
Deste modo, vislumbramos que, a pouco mais de um mês de fechar o mercado, o Moreirense conta já com um plantel muito homogéneo e competente, que conta com várias soluções por posição e que tem condições para repetir, ou pelo menos aproximar-se, do feito realizado no ano anterior. A dúvida reside na forma como alguns reforços se irão adaptar e na capacidade de Vítor Campelos lidar com o primeiro desafio a este nível.
Reforços – Mateus Pasinato (XV de Piracicaba, empréstimo), Steven Vitória (Lechia Gdansk), Abdu Conté (Sporting), Rosic (SC Braga), Djavan (Chaves), Alex Soares (Omonia), Filipe Soares (Estoril), Sori Mané (Cova da Piedade), Luiz Henrique (Náutico), Fábio Abreu (Penafiel), Luís Machado (Feirense).
O craque – Ibrahima Camará
Melhor XI: Mateus Pasinato; João Aurélio, Steven Vitória, Iago Santos, Djavan; Fábio Pacheco, Ibrahima Camará, Filipe Soares; Fábio Abreu, Pedro Nuno, Nenê.
Jovem a seguir – Filipe Soares
Prognóstico VM: 9.º lugar
Rodrigo Ferreira


3 Comentários
Estigarribia
Será sempre complicado fazer uma época igual ou melhor que a transacta, quando, ainda por cima, o novo treinador, Vítor Campelos, tem a ‘terrível missão’ de fazer esquecer Ivo Vieira no comando técnico do conjunto de Moreira de Cónegos. Ainda assim, o Moreirense possui uma boa mistura de jogadores com tarimba de 1ª Liga (Pedro Trigueira, João Aurélio, Steven Vitória, Halliche ou Nenê, por exemplo) e de jovens jogadores (Lucas, Bilel Aouacheria, Sori Mané, Luiz Henrique, Ibrahima, Iddriss ou Pedro Nuno, por exemplo) que poderão formar um colectivo muitíssimo interessante de acompanhar no campeonato. Veremos se Vítor Campelos tem ‘unhas’ para esta guitarra.
Sobre o prognóstico do VM, acho que o 9º lugar é demasiado ambicioso para um clube como o Moreirense, pelo que um 10º ou 11º seria um lugar mais realista para com o turma minhota. Contudo, e como no futebol tudo muda de um momento para o outro, o Moreirense até pode muito bem superar o 9º lugar e continuar a fazer história na 1ª Liga.
Já agora deixo aqui algumas curiosidades sobre o Moreirense:
Maior goleada na 1ª Divisão: 4-0 à Académica de Coimbra (2004/2005)
Maior goleada sofrida na 1ª Divisão: 0-5 com Paços de Ferreira e Vitória de Setúbal (2012/2013)
Jogador com mais jogos pelo clube na 1ª Divisão: Jorge Duarte, 98 jogos (2002/2003 a 2004/2005)
Jogador com mais golos pelo clube na 1ª Divisão: Rafael Martins, 16 golos (2015/2016)
Treinadores com mais jogos pelo clube na 1ª Divisão: Manuel Machado, 68 jogos (2002/2003, 2003/2004) e Miguel Leal, 68 jogos (2014/2015, 2015/2016)
Saudações Leoninas
João Ribeiro
Futebol de qualidade foi o que caraterizou a passagem de Vítor Campelos pela equipa B do Vitória e, tanto que a equipa B do Vitória praticava o melhor futebol entre as equipas profissionais do clube e que chegou a ser a melhor equipa da Liga Ledman na 2ª volta do campeonato 2017/2018. O plantel do Moreirense perdeu peças chaves mas chegaram jogadores de muito boa qualidade e experiência, arriscando-me a dizer que este plantel até é ligeiramente superior ao do ano transato. No entanto, tal não significará que faça melhor, até porque isso é quase impossível, mas tem todas as condições para fazer top 10.
Antonio Clismo
Filipe soares e mais 10