Terminou a 1ª fase do Mundial Sub-17, que se realiza até dia 10 de Julho no México. Até aqui, a prova ficou marcada pelo grande número de golos apontados (nenhum jogo terminou 0-0) e pela fraca prestação de selecções como a Holanda e a Dinamarca, que estiveram em grande plano no Europeu da Sérvia. Sem a campeã em título Suíça ou as potências Gana e Nigéria, os espectáculos não perderam qualidade e tem-se assistido a uma boa competição.
Grupos A e B
O grupo A era composto por México, Holanda, Congo e Coreia do Norte. A laranja mecânica ficou inesperadamente no último lugar, sem alcançar qualquer vitória. Os comandados de Albert Stuivenberg apresentaram-se com pouca dinâmica e cometeram erros defensivos inadmissíveis, talvez por algum excesso de confiança, o que acabou por ser decisivo nas contas finais. A selecção anfitriã, com um esquema semelhante à equipa principal, poderá ser uma nação a ter em conta na luta pela vitória. Intensos, aguerridos, velozes e evoluídos tecnicamente (curiosamente, à semelhança de 2005, altura em que Giovani dos Santos e Carlos Vela brilhavam, em 2011 duas das grandes figuras são Giovani Casillas e Carlos Fierro), somaram por vitórias todos os encontros efectuados. O Congo é um dos países com jogadores mais jovens (embora saibamos que é suspeito), que apesar de alguma ingenuidade, criam perigo em transições rápidas para o ataque. Por último, a Coreia do Norte é uma selecção muito prática, que corre poucos riscos, mas sem a qualidade necessária para vingar. O grupo B era composto por França, Argentina, Japão e Jamaica. A nação gaulesa exibiu uma qualidade de jogo excelente na primeira partida (goleou a albiceleste), mas relaxou nos encontros seguintes e foi mesmo ultrapassada pelo Japão na liderança. Equipa forte fisicamente na rectaguarda, muito criativa na frente de ataque e que pode ter uma palavra a dizer neste mundial. A Argentina foi também uma das grandes desilusões da prova (embora no Sudamericano não tivessem convencido totalmente). A equipa sul-americana depende muito da inspiração dos homens da frente, pois apresenta um meio campo banal para o que estamos habituados. Os nipónicos têm também uma selecção bem organizada, segura em termos defensivos e imprevisível no ataque, que demonstra a evolução do futebol asiático (o Uzbequistão e a Austrália, que disputa a qualificação na Ásia, também estão apurados). Por último, a Jamaica, que apesar de muita vontade em deixar uma boa imagem, não conseguiram vencer nenhum jogo.
Grupos C e D
O grupo C era composto por Uruguai, Inglaterra, Canadá e Ruanda. A selecção britânica acabou por ficar com o 1º lugar, pois a equipa charrua perdeu propositadamente, de modo a enfrentar o Congo nos oitavos de final (veremos se não é surpreendida). Os comandados de John Peacock, apesar de serem considerados por muitos como favoritos à vitória final, exibiram-se de maneira pouco espectacular, muito dependentes da explosividade pelos flancos. O Uruguai é uma selecção bastante organizada, eficaz defensivamente e pragmática em termos ofensivos, que é talvez uma das equipas com maior maturidade em prova. O Canadá deu boa réplica, porém, alguma inexperiência e uma clara falta de soluções comparativamente às duas nações favoritas impediram que seguisse em frente. No último lugar, o Ruanda, que pratica um futebol genuíno e bastante agradável, mas tremendamente ineficaz. O grupo D era constituído por EUA, Uzbequistão, Rep.Checa e Nova Zelândia. Surpreendentemente, a selecção asiática conquistou o primeiro lugar, depois de ser goleada injustamente na primeira jornada pela equipa da Oceânia. Uma equipa que revelou um grande espírito de entreajuda e um grande sentido de colectivo, e que tem sido uma das principais revelações do torneio. Os EUA também são já presença habitual nestas competições, e não fugiram à tradição de equipa que não brilha mas que revela grande competência. A Nova Zelândia conseguiu igualmente o apuramento para os oitavos de final. A facilidade da fase de qualificação no seu continente é um factor que pesa e muito no que toca à competitividade da equipa, pois com selecções de maior calibre enfrenta grandes dificuldades. No último lugar, a Rep.Checa desiludiu, mas apesar de tudo não era a pior equipa do grupo.
Grupos E e F
O grupo E era constituído pela Alemanha, Equador, Panamá e Burkina Faso. A selecção germânica dominou por completo, venceu todos os jogos tranquilamente, contando claramente com jogadores de maior categoria, para além de uma maior experiência. A equipa sul-americana deixou uma má imagem no primeiro jogo (goleada por 6-1), mas é bem superior ao Panamá e ao Burkina Faso, o que acabou por confirmar ao terminar no 2º lugar. Já a selecção centro-americana, conseguiu o apuramento para os oitavos na estreia, o que só por si já é um feito de assinalar. O Burkina Faso foi talvez a equipa mais fraca da prova. A equipa de Rui Pereira demonstrou grandes fragilidades defensivas e muita imaturidade, não sendo capaz de ombrear com as restantes nações. O grupo F, claramente o “grupo da morte” e que teve melhores jogos até aqui, era composto por Brasil, Austrália, Costa do Marfim e Dinamarca. A canarinha venceu com facilidade os nórdicos, mas tendo pela frente os Socceroos e os “elefantes” tremeu e muito. Contudo, terminou no primeiro lugar e é um dos principais candidatos à vitória. A selecção da Oceânia apostou principalmente no jogo directo para o homem da frente, bem apoiado por Makarounas, táctica que deu resultados, essencialmente devido à qualidade do avançado. Já os africanos, contam com a estrela em ascensão Souleymane Coulibaly, jogador explosivo e muito forte na finalização, e com uma equipa muito física mas que é criteriosa em posse. Por último, a Dinamarca foi uma decepção, pois depois de exibir grande qualidade no Europeu, não conseguiu repetir a façanha e ficou no último lugar. Os médios Fischer e Norgaard não tiveram a mesma influência no jogo da equipa, que cometeu alguns erros que não se esperava em termos defensivos.
Oitavos de final: Uzbequistão-Austrália; Congo-Uruguai; Brasil-Equador; Japão-Nova Zelândia; Alemanha-EUA; Inglaterra-Argentina; França-Costa do Marfim e México-Panamá
Qual o balanço que faz da prova até ao momento? Quem será o vencedor? Prognósticos? E o melhor jogador? As revelações?

