Chegou ao fim o Mundial Sub-20, prova que foi atentamente seguida pelos portugueses. A “Geração Coragem”, orientada por Ilídio Vale, conseguiu inesperadamente chegar à final, após eliminar Argentina e França. O futebol praticado não foi brilhante, mas a competência e determinação colocadas em campo pelos jovens lusos merece ser destacada.
No que diz respeito à competição, os jogos foram-se tornando mais interessantes com o avançar das eliminatórias. Na fase de grupos, todos os favoritos se superiorizaram, sendo a principal surpresa a eliminação do Uruguai. Nos oitavos, jogos muito equilibrados mas sem grande espectacularidade, enquanto que nos quartos a qualidade aumentou significativamente. As meias-finais foram disputadas com muitas cautelas por parte das equipas. Portugal e Brasil levaram a melhor e marcaram presença em Bogotá para o jogo decisivo, proporcionando um duelo emocionante. A canarinha acabou por conquistar o seu 5º campeonato, aproximando-se da Argentina (6 triunfos). Em suma, uma prova onde os jogadores que demonstraram qualidade em princípio vingarão (em relação aos sub-17 existe muito menor probabilidade de errar). Os elementos destacados pela FIFA foram:
Melhor jogador: 1º Henrique (Bra), 2º Nélson Oliveira (Por), 3º Jorge Enríquez (Mex)
Melhor guarda-redes: Mika (Por)
Melhor marcador: Henrique (Bra) 5 golos/3 assistências, 2º A.Vázquez (Esp) 5 golos/2 assistências, 3º A.Lacazette (Fra) 5 golos/1 assistência
Prémio Fair-Play: Nigéria (3 amarelos/5 jogos)
Destaques (Visão de Mercado):
11 ideal (4222): GR Mika (Por), LD Cédric (Por), DC Marc Bartra (Esp), DC Nuno Reis (Por), LE Diego Reyes (Mex), MDef Jorge Enríquez (Mex), MDEf Danilo (Por), MO Óscar(Bra), MO James Rodríguez (Col) PL Nélson Oliveira (Por), Henrique (Bra)
Melhor jogador: Não estamos de acordo com a atribuição do prémio a Henrique, que nem sequer era titular à partida. Na nossa opinião, Óscar foi claramente o melhor jogador do mundial, seguido por Nélson Oliveira, que caso estivesse numa selecção com outros argumentos seguramente faria mais golos. 1º Óscar, 2º N.Oliveira, 3º Henrique
Melhor jogo: Claramente o Brasil-Espanha dos quartos, encontro de grande qualidade, com belos golos, jogadas espectaculares e um vencedor indefinido.
Melhor golo: A prova não teve muitos golos brilhantes. Talvez o de Sunu, frente à Colômbia, seja o melhor (ver aqui aos 7 segundos).
“Olheiro Visão de Mercado” – Jogadores que pelo potencial que demonstraram podem no futuro (o ideal seria no imediato para antecipar) representar os grandes de Portugal (alguns dos que referiremos são já inacessíveis):
Brasil – A canarinha, sem contar com as duas principais figuras (Neymar e Lucas), tinha à partida Coutinho como a principal estrela (esteve algo inconstante). Contudo, foi Óscar de longe o principal destaque da turma de Ney Franco, que teve em Dudu, vindo do banco, um desequilibrador muito veloz em todas as partidas. Curiosamente, aproveitando a desinspiração de Willian, foi Henrique (começou como suplente) que se assumiu como o goleador da prova. No futuro, Casemiro e Danilo (que rende mais como médio) também poderão vingar.
México – Notável o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no país centro-americano. Uma selecção que actua em 3-4-3, muito bem organizada e com jogadores de qualidade. Na defesa, Néstor Araújo é o patrão, algo duro de rins mas muito forte no jogo aéreo, destacando-se também Diego Reyes, que actua pela esquerda e demonstrou grande segurança. À frente da defesa actuou Jorge Enríquez, trinco que apesar das limitações em termos de construção, oferece grande apoio aos centrais, principalmente nos duelos aéreos. Os homens das alas são Ibañez e Orrantia, dando profundidade e contribuindo nas tarefas defensivas. Na frente, Erick Torres desiludiu, assumindo-se Ulises Davila como o elemento mais criativo da equipa.
França – Como habitualmente composta maioritariamente por jogadores de origem africana, o principal destaque da selecção gaulesa foi Lacazette, que foi suplente em todas as partidas, entrando para marcar. No meio campo com muito músculo, Fofana e Grenier assumiram o controlo das operações e têm tudo para brilhar (o jogador do Le Havre inclusive já foi associado ao Real Madrid). Na frente, aproveitando o menor fulgor de Kakuta, Griezmann exibiu grande qualidade nas suas acções.
Colômbia – A anfitriã preparou-se convenientemente para acolher a prova e tentar chegar ao título. Um jogo infeliz, frente ao México, acabou por impedir que a equipa de James Rodríguez, que se assume cada vez mais como um jogador de top, chegasse mais longe. À parte do jogador do Porto, Ortega foi uma agradável surpresa na ausência de Cardona. Na defesa, Pedro Franco é um líder, surgindo Quinones como um lateral muito ofensivo pela esquerda, ao contrário de Árias, mais contido mas que revelou competência. No ataque, o fortíssimo Luís Muriel, já na Udinese, clube que tem uma incrível rede de prospecção de talentos.
Nigéria – Os africanos estiveram em grande na prova, até serem eliminados pela França, algo injustamente. A grande estrela foi Ahmed Musa, mais sobre a esquerda, flectindo para o centro e criando desequilíbrios (também pode jogar à direita, fez 2 golos ao Ajax ainda ontem). O lateral-esquerdo do Vitória de Setúbal Terna Suswan esteve em excelente plano, jogador para apostar. Numa selecção de vocação ofensiva, os avançados Kayode e Egbedi garantiram poder de fogo no ataque. O melhor jogador do Mundial Sub-17 há 2 anos (Sani Emmanuel) teve poucas oportunidades para mostrar o seu valor, mas quando entrou foi sempre mais uma ameaça para os adversários.
Argentina – Numa selecção onde Lamela é a principal figura, a grande surpresa foi Carlos Luque. Um jogador muito jovem (18 anos), muito rápido e com uma facilidade tremenda em criar desequilíbrios sobre a esquerda. A baliza esteve também bastante segura com Andrada, não sendo esse factor a ditar o afastamento da equipa. Destaque igualmente para Rodrigo Battaglia. Iturbe não fez uma boa prova, no entanto, é muito novo ainda.
Espanha – Caiu nos quartos, num encontro onde talvez tenha justificado a passagem à fase seguinte. Muita qualidade na equipa em todos os sectores (talvez o defensivo seja o mais frágil). O central Marc Bartra, o trinco Oriol Romeu, muito inteligente tacticamente e na leitura dos lances, os médios Isco e Canales, que não enganam, e o próprio Rodrigo, a provar que merece uma oportunidade no Benfica. Nota ainda para A.Vázquez, que demonstrou eficácia quando saltou do banco, sendo inclusive um dos goleadores da prova.
Egipto – Excelente a participação africana, sendo derrotada apenas pela Argentina. Um guarda-redes de grande qualidade (Elshenawi), uma defesa forte (Hegazi, central poderosíssimo), um meio campo que troca muito bem a bola (Tawfik, trinco, e El Neney, um pouco mais à frente) e criatividade na frente, com destaque para Ibrahim, médio ofensivo que surgiu em grande plano.
Equador – Os sul-americanos valem essencialmente pela sua frente de ataque, apesar de contarem com John Jaramillo, um grande guarda-redes. Depois, ofensivamente, muitas soluções de grande qualidade, desde Edson Montaño, passando por Marcos Caicedo e terminando em De Jesús (Juan Cazares no banco foi também uma excelente alternativa).
Destaque ainda para: GR Jean Efala e PL Franck Ohandza (Camarões), ME Joel Campbell (Costa Rica) e Alibrahim (A.Saudita).
Qual o balanço que faz deste Mundial Sub-20?

