Caso para tanto?
A Polaris Sports, uma das empresas de Jorge Mendes, é agora representante dos ciclistas João Almeida e Rúben Guerreiro, mas nem todos ficaram contentes com esta entrada do super-empresário no mundo do ciclismo. Marc Madiot, histórico diretor da Groupama-FDJ, inclusive mostrou-se muito crítico com esta situação no ‘Grandes Geules du Sport’, da RMC. “Não quero que o ciclismo se converta num futebol. No futebol os empresários têm uma carteira de jogadores que querem transferir com a maior frequência possível para ganharem dinheiro. Cria-se uma especulação numa bolha financeira. O futebol está assim. E com o covid? Estão à beira do abismo! Queremos que gente como Jorge Mendes entre no ciclismo? Não queremos nenhum Jorge Mendes no ciclismo! Que fique em Portugal com os seus futebolistas, mas que não entre no ciclismo”, afirmou o francês. “O Jorge Mendes não vai ganhar no ciclismo o que ganha no futebol. Pode ser que o faça com outras ideias e que essas ideias não sejam boas. Em algum momento vai querer aproveitar-se do sistema geral do ciclismo e isso seria muito perigoso. Se o Mendes é o agente do João Almeida, então o João Almeida nunca virá para a minha equipa”, disse ainda.


5 Comentários
PedroSCP
Seria incrível se a sua ideia fosse ajudar os ciclistas portugueses a chegar ao World Tour e dar-lhes condições para que isso aconteça! Agora se a ideia for fazer dinheiro com transferências de ciclistas entre equipas… Quero acreditar que não é essa a ideia, mas com Jorge Mendes nunca se sabe, apesar de ser algo estranho tentar fazer dinheiro com o ciclismo…
Antonio Clismo
Não há dinheiro no ciclismo. Acredito que o Jorge mendes vá criar o seu espectro de influência Como o governo do cazaquistão dava à Astana, ou a equipa do Bahrain ou EAU actualmente..
Mesmo nos tempos do Armstrong era a US Postal que dominava as influências todas no ciclismo.
Antonio Clismo
A pergunta que se coloca é: Terá Portugal ciclistas suficientes em qualidade e quantidade para colocarem pelo menos 10 unidades no World Tour?
Rui Costa e Nélson Oliveira não terão muitos mais anos pela frente e há apenas uns 4 ou 5 bons ciclistas abaixo dos 27 anos.
João Oliveira
Rúben Guerreiro
Ivo Oliveira
Rui Oliveira
André Carvalho
Não há assim mais ninguém com qualidade para competir no World Tour. Talvez o Diogo Barbosa e o Pedro Andrade consigam chegar a este nível pois estão na melhor equipa de desenvolvimento (Axeon)
A não ser que nos próximos anos haja um entusiasmo tal com o ciclismo em Portugal e todos os jovens queiram ser ciclistas e se dê uma geração espontânea de grandes ciclistas como há agora na Eslovénia por exemplo… Mas não estou a ver isso a acontecer.
NR7
Temos bem mais jovens do que esses a despontar, acredite. Talvez ainda não se note tanto, mas é uma modalidade que começa a reconquistar o seu valor em Portugal. De qualquer das formas, a Axeon, como bem referiu, já tem o hábito de apostar em portugueses e esse é outro fator decisivo. Sendo uma das melhores formações do mundo, isso ajudará imenso ao progresso dos ciclistas portugueses mais promissores. Existem jovens a aparecer bem por aí como o Diogo Barbosa e o Guilherme Mota ou, numa vertente feminina, a Daniela Campos e a Maria Martins (esta já mais conhecida e com medalhas ganhas, inclusive). São os primeiros exemplos que vêm à mente.
O “fenómeno” Rui Costa ajudou muito numa primeira fase para começar a ser dado mais valor ao ciclismo. Agora, o “fenómeno” João Almeida poderá ser essencial para o ciclismo ser cada vez mais aposta por parte de uma geração de jovens e acredito que poderão aparecer bem mais “pérolas por lapidar”.
Pedro Barbosa
Apenas uma correção ao resumo apresentado pelo VM: a Polaris Sports é uma agência de negociação de direitos de imagem e não vai ser, ao que sabemos, representante nos contratos profissionais de ciclismo. Foi apenas anunciada uma parceria com a Corso (uma das principais empresas de agenciamento no ciclismo profissional), com o olho claramente no potencial em termos de marketing em Portugal. O João Correia da Corso e a Polaris Sports estiveram obviamente atentos ao interesse gerado em Portugal pelo Giro d’Italia do ano passado e querem potenciar o novo appeal que os ciclistas portugueses ganharam.
Marc Madiot é conhecido por não ter propriamente ‘papas na língua’ e esta foi mais uma em que claramente não se informou ou refletiu antes de falar. O que não entendo mesmo já que a realidade é que o ciclismo já tem vários “super-agentes”, com o exemplo máximo em Giuseppe Acquadro, que têm tão ou mais influência que um Jorge Mendes. Parece às vezes que acordou ontem ou simplesmente não fala com os seus pares. Bastava estar um pouco atento às “novelas” que foram as negociações em volta dos contratos de Andrey Amador ou Richard Carapaz da Movistar para a Ineos.
Para os mais desatentos, isto é uma realidade crescente em TODOS os desportos. Hoje, mais que nunca, um atleta tem cada vez mais consciência do seu valor comercial e os valores que se praticam no mercado, e a profissionalização dos agentes foi fundamental para isso acontecer. Já chega de ter pais ou amigos a representarem atletas que chegam a fazer circular dezenas de milhões.