Sendo reconhecida como a competição mais inovadora e bem-estruturada do desporto norte-americano, todos os anos a NBA gera lucros astronómicos numa combinação entre direitos televisivos, merchandising e venda de bilhetes. A capacidade de auto-promoção da liga é inigualável à escala global, captando milhões de fãs dos quatros cantos do mundo, sendo que muitos deles, nem são grandes apreciadores de basquetebol. Deste modo, quem desembolsa uma quantia assinalável para ver um jogo-espetáculo quer ver os melhores jogadores dentro de campo e não a aplaudir na primeira fila. Kawhi Leonard, extremo dos Los Angels Clippers, MVP da final de 2019 e, atualmente, o melhor jogador do mundo, em apenas três semanas de competição e nove partidas disputadas, já “descansou” por duas vezes, alegadamente por ter uma pequena lesão no joelho. Vociferam algumas vozes em torno da liga, em especial das cadeias televisivas e patrocinadores, que pagam biliões de dólares para transmitir as super-estrelas a brilhar dentro da quadra, enquanto as equipas técnicas fazem a gestão física das suas super-estrelas, como fez Doc Rivers, resguardando-os para a altura das decisões. Todos os anos é abordado a questão do load management; o excessivo número de jogos da fase regular (82 partidas e muitos quilómetros de viagem), potenciando muitas das lesões que fustigam os basquetebolistas. Parece cada vez mais difícil encontrar o “check and balance” entre a vertente financeira e desportiva residindo, aqui, o busílis da questão: nenhuma das partes parecem estar dispostas a perder dinheiro reduzindo, por exemplo, o número de jogos ou alargando o calendário (começando a regular season no início de Outubro). É certo que a liga, desde o precedente de Gregg Popovich, em 2012, que ordenou os seus principais jogadores para San Antonio numa partida em Miami, tem sancionado e multado certas equipas por estes descansos esporádicos, por entenderam que prejudicam a imagem da competição.
Será curioso assistir, num futuro próximo, qual a política e as medidas definidas pela NBA num tema sensível e pouco consensual. É notório que o “caso Leonard” foi mal gerido pela equipa californiana e pela liga, tendo havido discursos e ações contraditórias; Mike Bass, um dos porta-vozes da NBA, defendeu a ausência do jogador, tendo a equipa de L.A. sido multada pela organização poucos dias depois após um paradoxo do seu treinador sobre o local da lesão.
A liga norte-americana, que tanto nos habituou a ter um modus operandi bem definido a todos os níveis, parece não possuir uma solução a curto/médio prazo, nem um modelo que satisfaça todos os seus intervenientes num tópico que urge ser resolvido. Perde a liga, perde a competição, perdem os fãs.
Visão do Leitor: Diogo Pacheco


8 Comentários
Chico
Isto espelha a mentalidade americana. Negócio sempre acima de tudo, inclusivamente da saúde e vontade própria dos intervenientes. Na Europa, a gestão física das maiores estrelas do futebol é um não-assunto, especialmente quando têm problemas crónicos de saúde. O Kawhi não se deve andar a desgastar em jogos back-to-back se quer estar a 100% nos playoffs, que é quando realmente importa jogar a sério (todos sabemos que os Clippers lá estarão). Mesmo a ser gerido em Toronto, saiu do avião depois da final a coxear.
A solução seria diminuir o número de jogos da época regular, se querem manter o número de jogos “vendíveis”, criavam uma espécie de playoffs entre as equipas que não conseguiram chegar aos playoffs por draft picks.
MuchoG
O Kawhi alegadamente tem um problema crónico degenerativo no quadricep, mesmo o ano passado só jogou por volta de 65 jogos e mesmo assim acabou os playoffs a coxear, penso que ele tem desculpa. Neste caso o problema foi a comunicação dos Clippers ser inconsistente com o que diz porque a NBA já afirmou que considera Kawhi Leonard um jogador que não está a 100% logo pode falhar jogos.
Os problemas são óbvios, a NBA perde dinheiro porque por exemplo um Clippers-Bucks era um jogo muito antecipado pelo duelo Kawhi-Giannis e muita gente perdeu o interesse quando se soube que o Finals MVP não ia jogar, incluindo eu. A NBA neste momento vive das suas estrelas mais que qualquer outra liga, os adeptos seguem cada vez mais os jogadores e não equipas.
Soluções? Não vejo muitas que já não tenham sido implementadas, a NBA já reduziu o número de vezes que uma equipa joga dois jogos em dois dias e simplesmente não podem obrigar alguém como Kawhi Leonard a jogar. Ah e ouvi por aí reduzir a regular season, nem pensar que a NBA iria perder tanto dinheiro ao cortar jogos do calendário.
O mais importante é ter os jogadores prontos para os playoffs, agora o entusiasmo é muito porque a época começou agora mas a regular season é muito longa e lá para o jogo 40/50 já só queremos playoffs, ninguém quer saber se Kawhi falha o jogo 56 contra Memphis. Se estiverem lá todos para o jogo 7 das conference finals, isso é que é importante.
Gunnerz
Os jogadores americanos nem ao mundial gostam de ir quanto mais fazer jogos a feijões sabendo que estarão nos playoffs de qualquer maneira. A NBA está para mim neste momento como o Futsal português. A fórmula 1 só não está assim para mim pq as corridas são de 2 em 2 semanas, não dá para me fartar. 82 jogos que já deviam ter sido e muito reduzidos na NBA.
Brunacci
Tens de começar a ver a formula 1.5, é bem mais interessante. É a mesma corrida mas as equipas top 3 não contam eheh. Foi uma piada inventada pelos fãs e hoje em dia já toda a gente sabe que existe. The best of the rest!
f1point5.com
Gunnerz
Acredita que ando mais tempo a querer ver o sainz, ricciardo ou albon do q Hamilton e afins.
Jacobo
Quanto a Kawhi acho que ele tem mesmo que fazer esta gestao porque tem um problema qualquer no joelho que nao lhe permite estar sempre a 100%.
Isto de descansar é da era moderna, nunca vi Kobe a descansar mas novos tempos novos habitos.
Nunca vai haver uma regra que agrade os dois lados mas uma que devia ser implementada seria as estrelas nao podiam descansar em jogos fora. Se quisessem descansar seria em casa, a frente dos seus adeptos.
Por fim podiam comecar a epoca um bocado mais cedo, por ex fins de Setembro, e reduzir os 82 jogos para 70. Ja conseguiam mais margem de recuperacao para os jogadores.
Berto
Entretanto na Europa a UEFA e FIFA aliado às Federações Nacionais, ainda tentam alargar o calendário futebolístico da Nova Era – futebol Negócio de Milhões,
Aimario
Neste momento este problema não tem uma solução a curto prazo, mas a associação de jogadores vai ter que se envolver para se chegar a um acordo. Desde que o Adam Silver se tornou comissário da NBA que o poder ficou muito mais do lado dos jogadores. Resumindo o problema, a NBA não tem interesse na redução dos jogos devido aos direitos televisivos pagos pela ESPN e TNT, os jogadores não têm interesse na redução pois esta levaria a menos direitos televisivos para a liga o que implicaria uma redução no cap das equipas e respetivos ordenados dos jogadores. Serão as televisões, liga e associação de jogadores que terão que chegar a um acordo sobre este assunto, uns não querem pagar tanto para depois não surgirem as estrelas nas suas transmissões e existirem menos jogos, o que leva a menos audiências e patrocínios, outros não querem pagar tanto aos jogadores se os acordos forem reduzidos, querendo manter os acordos bilionários que foram realizados terão que manter o numero de jogos, os jogadores não querem receber menos, veremos o que acontecerá…