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Nenhuma estrela mas com um veterano que pode igualar Pelé

A Austrália só marcou presença numa fase final de um Mundial até 2006 (o de 1974, no qual não superou a fase de grupos), mas prepara-se agora para disputar a principal competição de selecções pela quarta vez consecutiva. Após a “geração de ouro” (composta por elementos com um percurso muito sólido na Europa – sobretudo na Premier League – como Schwarzer, Moore, Neill, Emerton, Grella, Bresciano, Kewell, Viduka ou Cahill) ter conseguido eliminar o Uruguai no playoff rumo ao Alemanha’2006 (torneio no qual os homens de Hiddink só foram eliminados nos oitavos pela futura campeão Itália graças a um penálti de Totti aos 95′), recolocando assim os socceroos no campeonato do mundo 32 anos depois, a controversa passagem para a Confederação Asiática de Futebol mudou o contexto futebolístico australiano. Desde logo, o hábito de competir contra formações asiáticas (bem mais fortes que as da Oceânia) nas fases de apuramento para o Mundial ou na Taça da Ásia permite uma maior evolução, mas a principal mudança reside na possibilidade de apuramento directo para os mundiais, ao contrário do que sucedia quando competia na Oceânia e acabava, quase sempre, eliminada no playoff intercontinental por uma formação europeia (a Escócia em 1986) ou sul-americana (a Argentina em 1994 e o Uruguai em 2002). Assim, foi de forma directa que a Austrália atingiu o África do Sul’2010 e o Brasil’2014. Para levar a equipa à Rússia, a aposta foi Ange Postecoglou, que havia sido o timoneiro no Mundial’2014. Apesar do feito que foi vencer a Taça da Ásia em 2015, os socceroos não fizeram uma fase de qualificação de encher o olho, tendo falhado o apuramento directo pela primeira vez desde que competem na AFC. Ao 3.º no grupo B da 3.ª fase de qualificação (atrás de Arábia Saudita e Japão), seguiu-se a misão de superar duas eliminatórias para estar na Rússia. Na primeira, eliminou a super-surpresa Síria (a viver uma terrível guerra civil que a levava a ter de jogar os encontros em casa na Malásia) somente no prolongamento da 2.ª mão, ao passo que no derradeiro playoff vergou as Honduras para carimbar o passaporte para o Mundial.

Após cumprir a missão do apuramento, Postecoglou abandonou o cargo e o holandês Bert van Marwijk foi a aposta para orientar os australianos na Rússia. Com experiência em clubes como o Feyenoord, o Hamburgo ou o Borussia Dortmund, o seu grande feito foi ter conduzido a Holanda à final do Mundial’2010, tendo assim já experiência no maior palco do desporto-rei (aliás, van Marwijk é herdeiro da tradição de treinadores holandeses na Austrália, a qual se atesta por em 3 das 5 participações dos socceeroos em mundiais o técnico ter sido holandês). Os 23 escolhidos para o mundial conformam um grupo de jogadores sem nenhum elemento que se assemelhe, sequer, ao estatuto de estrela, com alguns atletas em formações de qualidade mas com um nível médio inferior ao de 2006. O plantel caracteriza-se por ter, na sua grande maioria, entre 24 e 30 anos (só 6 dos convocados estão fora desta faixa etária, sendo dois deles os guarda-redes suplentes), estando a maior parte dos elementos de maior preponderância (Ryan, Sainsbury, Mooy, Rogic ou Leckie) na casa dos 25/27 anos, pelo que se pode dizer que este elenco chega à Rússia num momento em que conjuga bem experiência com frescura física. Inserida no grupo C juntamente com a França, a Dinamarca e o Perú, passar aos oitavos pela segunda vez na história afigura-se como uma tarefa muitíssimo complicada e improvável. Ainda assim, para a Austrália, que se está a tornar presença habitual nos mundiais (e só isso prova um grande crescimento), o objectivo deve ser dar uma imagem competitiva e que orgulhe o futebol do país, um pouco à semelhança do que sucedeu em 2014, quando os socceroos não somaram qualquer ponto mas venderam cara a derrota contra Holanda e Chile. Isto naquele que deve ser o último mundial de Tim Cahill (38 anos),  um verdadeiro “canguru” (tal a sua capacidade de impulsão e perigo no jogo aéreo com somente 1,78 metros) que foi o herói do playoff contra a Síria com um bis e que pode marcar pelo quarto mundial consecutivo e assim igualar o recorde de Pelé, Seeler e Klose.

 Estrela: Aaron Mooy (Médio, 27 anos, Huddersfield) – Mooy deu um grande salto na carreira nas últimas duas temporadas. Após ter cumprido boa parte da formação no Bolton, de Inglaterra, o médio regressou à Austrália e ganhou protagonismo no país natal, sobretudo após, em 2015-2016, ter apontado 17 golos ao serviço do Melbourne City, o que lhe valeu o regresso a terras de sua majestade. No Huddersfield, foi fundamental quer na campanha que levou à subida à Premier League quer na boa época que o clube fez no escalão principal (Mooy participou em 36 das 38 jornadas da PL, somando 3 golos e 4 assistências), e espera-se que acrescente essa rodagem competitiva a esta selecção.

Jogadores em destaque: Mathew Ryan (Guarda-redes, 26 anos, Brighton) – É, juntamente com Mooy, o herdeiro da vaga de australianos que “encheu” a Premier League nos primeiros anos deste século. Guardião de qualidade, terá de estar ao seu melhor nível para acrescentar potencial à turma de van Marwijk. Há vários anos titular dos socceroos (vai para o segundo Mundial, tendo também defendido as redes da Austrália nas mais recentes edições da Taça das Confederações e da Taça da Ásia), Ryan destacou-se no Club Brugge antes de rumar ao Valencia, onde ainda fez 21 jogos em 2015-2016. Após nova passagem pela Bélgica (no Genk) rumou à Premier League e foi o titular de um Brighton que conseguiu fazer uma época tranquila.; Tom Rogic (Médio, 25 anos, Celtic) –  Considerado por adeptos e imprensa o único jogador desta selecção com “factor-x”, Rogic tem-se afirmado como indiscutível no Celtic de Rodgers, levando 117 jogos, 30 golos e 22 assistências nas derradeiras 3 temporadas. Médio de características ofensivas (costuma atuar nas costas do avançado), Tom Rogic forma, juntamente com Luongo, Jedinak, Mooy ou Leckie, um miolo que é, indiscutivelmente, o sector mais forte desta equipa.; Mathew Leckie (Extremo, 27 anos, Hertha Berlim) – Com um sólido percurso no futebol alemão (197 jogos entre Bundesliga, 2.Bundesliga e Taça da Alemanha), Leckie é um ala forte tecnicamente, bom no drible (ganha bastantes faltas) e rápido. No Brasil’2014 deixou excelentes indicações e será preciso a sua melhor versão para conseguir criar desequilíbrios nos adversários. Depois de várias épocas no Ingolstadt, rumou no começo da época ao Hertha e foi importante para a equipa da capital, com 6 golos e 3 assistências em 29 jogos.

XI Base: Ryan; Risdon, Sainsbury, Milligan, Behich; Jedinak, Mooy; Leckie, Rogic, Kruse; Juric.

Jovem a seguir: Daniel Arzani (Extremo, 19 anos, Melbourne City) – O novo “menino bonito” do futebol australiano, a sua convocatória respondeu aos apelos que os fãs da selecção fizeram ao longo dos últimos tempos. Extremo que pode jogar em ambas as faixas, entusiasmou ao longo dos últimos meses no Melbourne City e tornou-se no jogador australiano mais novo de sempre a estar num Mundial. Ainda só tem uma internacionalização, obtida no passado dia 1 de Junho num amigável frente à República Checa.

Principal ausência: James Troisi (Médio, 29 anos, Melbourne Victory) – Habitualmente utilizado nos últimos anos da selecção, esteve no Mundial’2014, na Taça das Confederações’2017 e Taça da Ásia’2015, na qual marcou o golo ao minuto 105 que deu a vitória na final da prova contra a Coreia do Sul. Alinhou em 8 partidas na fase de apuramento mas acabou excluído no “sprint” final.

Convocatória: Guarda-redes: Brad Jones (Feyenoord), Mathew Ryan (Brighton), Danny Vukovic (Genk);Defesas: Aziz Behich (Bursaspor), Milos Degenek (Yokohama F. Marinos), Matthew Jurman (Suwon Samsung Blue Wings), James Meredith (Millwall), Josh Risdon (Western Sydney), Trent Sainsbury (Grasshopper Zurich); Médios: Jackson Irvine (Hull City), Mile Jedinak (Aston Villa), Robbie Kruse (VfL Bochum), Massimo Luongo (QPR), Mark Milligan (Al-Ahli), Aaron Mooy (Huddersfield), Tom Rogic (Celtic), Tim Cahill (Millwall); Avançados: Daniel Arzani (Melbourne City), Tomi Juric (Luzern), Mathew Leckie (Hertha Berlin), Andrew Nabbout (Urawa Red Diamonds), Dimitri Petratos (Newcastle Jets), Jamie Maclaren (Hibernian).

Selecionador: Bert van Marwijk

Prognóstico VM: Fase de grupos

Pedro Barata

As selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: UruguaiRússia,Egipto
Grupo B: Marrocos
Grupo C: FrançaDinamarcaAustrália
Grupo D: IslândiaArgentina
Grupo E: Costa RicaBrasilSérvia
Grupo F: SuéciaCoreia do SulMéxico
Grupo G: InglaterraPanamáBélgica
Grupo H: SenegalJapão

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