Iremos analisar a semana. E tanta análise há para fazer. Temos, no entanto, de falar primeiro num assunto muito quente na imprensa desportiva americana. Desde logo porque gostamos de falar; e porque com este frio, qualquer coisa com a temperatura acima de morna vale a pena explorar.
Bill Belichick, o experiente treinador dos Patriots, tem sido muito criticado pela decisão de deixar o Tight End Rob Gronkwaski em campo no final do jogo e com este decidido. Enquanto protegia o chutador no pontapé de conversão, com o resultado em 58-24 e com menos de 4 minutos para o fim, Gronk partiu o antebraço. Belichick já veio justificar-se, dizendo que sempre treinou assim, nunca tira o pé do acelerador (também recebeu algumas críticas pela forma como a equipa continuou a atacar com o jogo já decidido) e não poupa os seus jogadores. Disse também que se não houvesse lesão as críticas eram absurdas, e que as lesões são golpes de sorte e azar, podendo acontecer a qualquer altura. Tudo isto é verdade, no entanto faz parte também do trabalho pensar com cautela. A verdade é que Gronk é o segundo melhor jogador da equipa. E com um jogo decidido a lógica de o manter em campo, ainda por cima numa Special Team, é sem dúvida questionável. Que foi azar, isso é inquestionável. Curiosamente, e sabê-lo-á quem acompanha estas coisas, Belichick é um treinador muito manhoso. Um tipo calculista, frio. Ou seja, esta maneira de pensar o jogo é quase anti-Belichik. Claro que, quando as coisas não resultam é-se preso por tudo. Até por ter um cão. Ou mesmo que não se tenha. Lembramo-nos, há uns anos, quando os Colts ainda de Peyton Manning estavam perto de conseguir um record perfeito, o treinador da equipa de Indiano foi criticado por ter descansado jogadores. Aí a justificação era a de, ao retirar-lhes a possibilidade de cumprir esse objectivo, o treinador baixava-lhes o nível de motivação. Assim quando chegassem aos playoff, estariam mais “moles”. Claro que, quando perderam, isso veio logo à baila. A questão é obviamente discutível e ambígua, e a verdade é que só quem ganhar é que não será criticado. Ou quem perder tanto que ninguém quer saber. Andy Reid, treinador dos Eagles, fez o mesmo com o melhor jogador da sua equipa que Belichick fez com Gronk. LeSean McCoy, com o jogo decidido, sofreu uma concussão e falhará pelo menos o próximo jogo na equipa. Não foi um tópico discutido porque os Eagles não interessam a ninguém. Achamos que se se puder proteger os jogadores mais importantes em situações irrelevantes, deve-se fazê-lo. E deve-se fazer sem que isso comprometa a filosofia da equipa e do treinador. Porque seja em que desporto for, e especialmente num rijo como este, as lesões são acasos infelizes. Se um treinador poder diminuir a probabilidade de não ser feliz, seria inteligente ao aproveitá-lo.
Vamos então à semana:
Melhores equipas
49ers: Colin Kaepernick, esta é a liga; liga, este é o Colin. Benvindo à NFL. Uau. E que tal isto para uma estreia? Jogar contra uma das melhores defesas da liga e desfazê-la… Está boa, Colin. Que jogo fantástico do QB de São Francisco. Uma das melhores exibições de sempre numa estreia. E a excitação não se fica por aqui. Colin mostrou potencial para ser a peça que falta no puzzle do Superbowl que os 49ers andam a reconstruir há anos. Ele corre, ele passa longo e curto, e não fez nenhum Turnover. Mostrou segurança e imenso talento. Agora Jim Harbaugh, pode, e deve, passar as noite em clara a ponderar quem deve meter a distribuir o jogo da sua equipa. Talvez seja precipitado “sentar” Alex Smith, mas as capacidades demonstradas pelo QB de segundo ano talvez sejam demasiadas para o treinador de São Francisco. Uma palavra ainda para Aldon Smith. Esta semana juntaram-se 2 artistas a J.J. Watt na luta por MVP defensivo. Aldon Smith foi um deles. Que exibição. Fez 5,5 Sacks, 7 placagens individuais, forçou um Fumble e ainda “bateu” 7 vezes no QB dos Bears. Com esta defesa e um possível talento a QB, esta pode tornar-se a equipa favorita para ganhar tudo.
Patriots: Foi o décimo ano consecutivo que estas duas equipas jogaram. Na liga, isto é normal, visto as equipas que não jogam na mesma divisão nem sempre se encontram. Mas estes, mesmo em divisões diferentes, são rivais antigos. Durante a última década Peyton Manning e Tom Brady lutaram pelo “título” de melhor QB. Um nos Colts, outro em New England. Peyton parecia melhor, e ganhou mais MVP da liga, mas Brady era campeão mais vezes. Agora em Denver, a rivalidade continuará “mais logo” nos playoff. Entretanto outro malandro tinha chegado a Indiana para importunar Brady. Assim, a antecipação para este jogo era grande: como se iria portar Andrew Luck no primeiro embate com o Santo Tom? Portou mal. Luck fez o pior jogo como QB. Mas nós perdoamo-lo. Foi como ver um bebé tentar nada 100 metros. Ainda não dá. Erros, precipitações, más decisões. Tudo coisas com que Luck aprendeu. Esperemos que tenha tirado notas enquanto estava sentado. Brady derreteu a defesa dos Colts durante 60 minutos. 59 -24. Diz tudo. Não piquem o menino. Vá lá.
Buccanears: Grão a grão… Lá foram eles subindo e neste momento são candidatos a ir aos playoff. Doug Martin já lá está. O rookie tem-se exibido ao melhor nível que há na liga, em termos de RB. Com mais 136 jardas compete com RG III e Luck por rookie do ano. Ora, na conferência NFC há um lugar para a fase a eliminar, assumindo que um dos wild-cards vai para que ficar em 2º entre Bears ou Packers. Buccs ou Saints, Dallas ou Giants ou Redskins. Vai ser giro.
Melhores exibições
Matt Schaub: O jogou tornou-se um tiroteio. Houve descontrolo defensivo e rambóia ofensiva. Contra os Jaguars?! Talvez não seja o melhor sinal para um equipa como Houston ter um jogo tão equilibrado em casa com uma das piores equipas da liga (vitória em prolongamente). O ponto mais positivo foi a exibição do QB, que fez um dos melhores jogos de sempre. Com 527 e 5 passes para TD, Schaub colocou-se em Bicos dos pés para se chegar à elite. Veremos nos playoff o seu real valor.
Von Miller: O 3º candidato a MVP defensivo. 3 Sacks, 7 placagens e 2 fumbles forçados. Phillip Rivers, que já não estava bem, ficou pior. Este homem é uma das maiores forças destruidoras que há em qualquer uma das defesas da liga.
Robert Griffin III: Que potencial. 14 acertadoes em 15, 200 jardas em passe, 85 jardas corridas e 4 passes para TD, Griffin pode ganhar qualquer jogo contra qualquer equipa. Se não viram, vejam alguns dos passes que fez contra os Eagles. Washington entrou na corrida pelos playoff.
Maiores desastres
Matt Ryan: Com 5 intercepções e nenhum passe para TD, Ryan continua a descer o seu nível exibicional quando comparado com o início de época. Clássico Falcons, clássico Ryan. Ganharam, é certo, mas continuamos sem acreditar.
Ken Wisehunt: Os Cardinals perderam com os Falcons. Mas a determinada altura estavam a ganhar 13 – 0. Até que o treinador da equipa de Arizona substituiu o QB John Skelton por Ryan Lindley. A opção foi técnica, o jogou acabou 19 – 23. Em termos de técnica, correu bem…
Ataque dos Chiefs: Se quiserem experimentar ver NFL para perceber se gostam, não vejam esta equipa. Obrigado.
Principais destaques?
Luís Figueiredo


