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O Arrefecimento do Caldeirão

Outrora alvo de grandes disputas, o mítico Estádio dos Barreiros tem uma história peculiar, que remonta aos princípios do século XX.

Em 1923, o Clube Desportivo Nacional adquiriu 18.000 m2 de terreno numa zona dos Barreiros, tendo em vista a construção de um recinto para a prática desportiva, nomeadamente o futebol, tentando bater a concorrência (neste caso, o Clube Sport Marítimo, que jogava no campo Almirante Reis, no centro do Funchal). As obras iniciaram-se em 1925 e, em 1927, o recinto foi inaugurado com o nome Stadium dos Barreiros.

À época, era um estádio com relvado em terra batida, com as dimensões necessárias para a prática do futebol. Este campo ocupava cerca de 5.000 m2, sendo que o restante do terreno estaria disponível para futuras ampliações e fixação de infraestruturas essenciais para a prática desportiva naquela arena. No total, ocupava uma área de 13.000 m2.

No dia da inauguração, a equipa convidada a jogar contra o Nacional foi o todo-poderoso Vitória Futebol Clube de Setúbal, fixando-se o resultado em 0-0. Apesar da estreia ter ocorrido em 1927, as obras só ficaram concluídas em 1930 (algo comum em Portugal…). Durante este período, o Clube Desportivo Nacional começa a acumular problemas financeiros, uma vez que a conclusão das obras teve custos muito elevados para a realidade da altura – imagine-se, 848 contos! Com o valor das obras por pagar, as despesas de manutenção e gestão do espaço e a falta de sócios e simpatizantes, apenas 3 anos após a conclusão das obras, os empreiteiros (como consequência do não pagamento) arremataram judicialmente a arena denominada por Stadium dos Barreiros (no dia 4 de Março de 1933) para o Tribunal Judicial do Funchal, autos de execução contra o Clube Desportivo Nacional.

Assim, em 1933, passados 10 anos após a aquisição dos terrenos para a construção do Estádio, termina a ligação do CD Nacional com aquele espaço, devido a problemas financeiros.

Ultrapassada esta breve fase nacionalista e após a arrematação, um grupo de figuras ilustres da Madeira decidiram manter o campo em atividade, suportando as despesas de manutenção, defendendo a aposta de um espaço na cidade para a prática desportiva, criando-se a “Comissão de Manutenção e de Exploração”. Esta comissão requisitou em 1938 uma intervenção urgente, de modo a realizar melhoramentos, devido ao mau estado de conservação do campo. Em 1939, consequentemente, é aprovado um projeto para melhoramentos no campo, prevendo-se uma lotação de 10.600 lugares e um custo de 1.400 contos! Um verdadeiro investimento desportivo na região, no período em causa.

Em 1947, e após muitos anos em batalhas judiciais, chegou-se à conclusão de que seria necessário expropriar mais 20.000 m2 de terreno, de modo a permitir a construção de acessos viários e infraestruturas, nomeadamente a tão famosa pista de atletismo que dava aquela mística ao recinto. Durante os anos seguintes, reuniram-se apoios, executaram-se projetos e legalizou-se tudo o necessário para o arranque das obras, que, contudo, só iniciariam em 1956: 23 anos depois da perda de posse dos terrenos por parte do Nacional.

No dia 5 de Maio de 1957, é inaugurado o novo Estádio dos Barreiros, com cerca de 26.600 m2 e uma capacidade entre 12.000 a 15.000 espectadores (surreal, diziam os meus antepassados)! Porém, o Estádio pertencia ao governo regional madeirense e estava ao dispor do desporto, tentando potenciar a promoção do mesmo na ilha.

O Marítimo, depois de uma digressão africana, na década de 50, onde ganhou 12 dos 13 jogos, regressa à ilha com a ideia que esta era muito pequena para a sua dimensão, logo procurando soluções para a consolidação da estrutura do clube. Começa então uma luta por parte do Marítimo para conquistar um espaço definitivo, de modo a participar em provas regulares do campeonato português, como coletividade de dimensão nacional. Lutando contra os entraves dos rivais regionais, da insularidade, das condições políticas da altura e da realidade social, o clube verde-rubro foi tentando incorporar-se nas competições nacionais, desesperando por uma infraestrutura desportiva.

Passaram-se largos anos de disputa pelo recinto entre os três grandes da Madeira, o União da Madeira, o Nacional e o Marítimo, sendo que durante as décadas de 50-70 a divisão regional tinha um peso enorme no futebol madeirense!

Em 1972/73, o Marítimo ganha o Campeonato da Madeira, o que daria acesso à II Divisão Nacional (após várias conversações com a FPF, decidiram-se pela realização de um play-off de acesso, permitindo a entrada direta na II Divisão Nacional), algo muito contestado na altura pelo União da Madeira e Nacional. Surgiram diversos entraves e complexidades, tendo o Marítimo esperado pelo melhor acordo possível entre todos, acabando por entrar na II Divisão apenas devido ao alargamento da mesma. Quatro épocas após ter chegado à II Divisão, o CSM cumpre o sonho de regressar à 1º Divisão. Compreendeu-se, então, ser necessário um recinto digno desse feito.

O Estádio dos Barreiros, pertencente então ao Governo, é assim cedido ao clube para a realização de jogos no maior palco nacional, pois era a infraestrutura com melhores condições para jogos deste calibre.

Em 1976/77, no dia 15 de Maio de 1977, inicia-se um novo ciclo no antigo “Stadium dos Barreiros”, com uma vitória do Marítimo sobre o Olhanense, renascendo assim o clube para a glória, após a conquista do Campeonato de Portugal em 1925/1926. No entanto, nas épocas desportivas de 80/81 e 82/83 o Marítimo desceu para a II Divisão, o que reativou as guerras em torno do Mítico Caldeirão. Em 1985/86 subiu novamente ao maior escalão do futebol português, de onde nunca mais saiu. Daí para cá, tem sido uma presença constante e, em inúmeras vezes, uma “dor de cabeça” para certos clubes.

Com a viragem do milénio para o Século XXI, as equipas madeirenses ascenderam ao topo do futebol português (Marítimo e Nacional). O seu rival, os alvinegros – Nacional – já possuíam um Estádio próprio com capacidade para pouco mais de 2.000 espectadores, no entanto, sempre reivindicaram o Estádio dos Barreiros, não se chegando a qualquer conclusão definitiva. Na passagem para os anos 2000, tornou-se evidente que o Caldeirão necessitava de uma profunda intervenção, de modo a corresponder às expetativas desportivas do Marítimo, em constante crescimento. O Governo Regional disponibilizou fundos para obras de melhoramento, tendo assinado um programa de apoio para a concretização das tão necessárias obras, algo que ainda faz correr muita tinta na região. (Na minha opinião, todo este processo à volta do mítico estádio é algo confuso e digna de uma história decente, servindo este texto de resumo).

Em 2008, o Marítimo contratou a PLACAR – Projetos, Ordenamento e Informação Lda., para desenvolver um projeto de arquitetura que contemplasse uma remodelação ao estádio, com pelo menos 9.000 lugares. Este pedido foi feito, de maneira a que a infraestrutura cumprisse todas as normas da UEFA e da Liga Portuguesa, sendo ao mesmo tempo um Estádio “Comercial”. Em 2009 o CSM lançou um concurso público, tendo por preço base 46,5 milhões de euros, tendo o Governo Regional apoiado com 31,5 milhões, garantindo o avanço imediato do plano da obra. De modo a impedir qualquer constrangimento a nível do financiamento, o recinto foi remodelado por fases, permitindo a utilização do estádio durante as obras. Por dificuldades administrativo-burocráticas, a mesma seria interrompida de forma abrupta em 2010, ainda que essa paragem tenha culminado com a abertura da bancada Topo Norte, com cerca de 2.500 lugares. Com o recomeço, em Julho de 2014, foi concluída a 2ª fase, ficando o Estádio com capacidade para 7.500 espectadores. Em 21 de Outubro de 2016 foi concluída a antiga central, estabelecendo-se um estádio com capacidade para 9.500 espectadores e com uma infraestrutura completamente modernizada, assistindo-se, ainda, ao desaparecimento da mítica pista de atletismo.

Com a remodelação do Estádio dos Barreiros e com a comparticipação direta do clube e do governo, o Estádio, que era da região, enraizou-se completamente como o ESTÁDIO DO MARÍTIMO, o que ainda hoje é inconsensual.

Relativamente à parte desportiva, o clube revela-se a equipa com mais palmarés da região, contando nos seus feitos, entre outros, os seguintes:

– Primeira equipa insular a participar numa competição europeia, a 14 de Setembro de 1994 (tinha eu 3 meses de vida), na Bélgica, frente ao Antuérpia. Até à data presente, o clube já conta com quase 10 participações nas competições europeias, com a realização de sensivelmente 40 jogos;

– Campeão do Campeonato de Portugal – (1x);

– Campeão II Divisão Nacional – (4x);

– Campeão AF MADEIRA 1ª Divisão – (35x);

– Campeão AF MADEIRA Taça – (25x);

– Finalista vencido da Taça da Liga – (2X)

– Finalista vencido da Taça de Portugal – (2x)

Desde a remodelação do Estádio, a performance desportiva da equipa tem melhorado, até ao ano presente. Passaram treinadores pelo clube com grande capacidade de gestão desportiva, como é o caso de Ivo Vieira, Pedro Martins e Daniel Ramos – técnicos que tornaram o Caldeirão numa autêntica fortaleza, fazendo os adversários recearem jogar na ilha da Madeira. Após 3 anos com um registo impressionante em casa, só perdendo em raras exceções, o Caldeirão arrefeceu! E a que se deve?

– À falta de visão da estrutura administrativa do CSM, nomeadamente o Presidente Carlos Pereira, cujo nome já não cai em boas graças perante os adeptos. Tendo em conta a experiência e o tempo à frente do clube, pede-se muito mais;

– Ao endividamento do clube na remodelação do Estádio;

– À gestão desportiva dos atletas dos escalões de formação (Eu, como ex-atleta, sei da realidade da formação. Existem muitos bons jogadores locais que são esquecidos em detrimento de mão-de-obra mais barata… Chegando-se aos juniores, são contentores e contentores de estrangeiros que vêm ocupar o lugar dos que já vêm dos juvenis, apesar de serem de qualidade duvidosa);

– Aos interesses burocráticos em redor do Estádio;

– Aos preços pornográficos praticados pela Liga, que levam cada vez menos adeptos ao estádio, esquecendo-se que o futebol é um espetáculo;

– À falta de uma cultura vencedora, esquecida devido a interesses monetários.

Podia acrescentar muito mais, mas só queria ressalvar certos problemas que assombram a região e o clube pelo qual tenho um carinho especial, o Marítimo.

Desde a história do estádio à realidade desportiva, sinceramente, pensava que a remodelação dos Barreiros traria uma nova dinâmica ao clube, no entanto, a verdade é que o mesmo está em vias de cair no esquecimento desportivo devido às más políticas de gestão da SAD, que tão maltratado têm uma organização centenária. Os resultados falam por si: são 9 jogos sem ganhar, algo impensável para um adepto verde rubro. Pode-se pensar que isto é falso, mas existem muito fiéis ao CSM – daquele estilo a que chamamos de ultra. Eu próprio já fiz muitas viagens por Portugal a acompanhar o Maior das Ilhas, mesmo recebendo em troca, muitas vezes, eliminações e maus resultados.

A mística vai-se esfumando e com ela leva o que achávamos imponente…

Chega o arrefecimento, após épocas de evolução. Há que jogar à bola! Agradar à massa associativa, lutar pela Europa!

Marítimo há só um, e ser maritimista é ser madeirense duas vezes!

Para finalizar, partilho um vídeo de contestação/frustração dos adeptos à equipa, equipa técnica e SAD:

https://www.facebook.com/CSM1910Adeptos/videos/2350069185020567/

Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): noizero

António Hess
Author: António Hess

15 Comentários

  • RodolfoTrindade
    Posted Novembro 16, 2018 at 4:46 pm

    Gostei!!!

    Tenho duas pessoas amigas que são adeptas do Marítimo e vou indicar-lhes este post…

  • Marega
    Posted Novembro 16, 2018 at 4:46 pm

    Grande texto! Eu,como sócio do maritimo, estou revoltado com estes resultados ja nao se ganha á 9 jogos, é uma vergonha. E também nao há muita aposta na formação. Quem foi o ultimo jogador da formação a se destacar no maritimo?
    Mais uma vez, gostei do seu texto! Antes era dificil conquistar pontos nos barreiros, agora nós a que tamos sempre a perder pontos, tem que mudar!

  • TomaspereirA
    Posted Novembro 16, 2018 at 5:14 pm

    Faz-me uma enorme confusão que esta gestão desportiva do Carlos Pereira não tenha qualquer oposição. Um clube como o marítimo, consolidado na primeira liga há 30 anos (depois dos três grande e do braga, é a que está há mais tempo), tem à sua frente um homem sem ambição nenhuma, que parece que não quer que o clube cresça. Foram criadas equipas B e C, no entanto, não se aproveita nenhum jogador da formação, muitas vezes são escolhidos técnicos ridículos, do ponto de vista de não se conhecer nada deles, para um clube desta dimensão (PC Gusmão e Cláudio Braga, só nos últimos 3 anos) e um desinvestimento na equipa principal impressionante. Com um presidente com o mínimo de ambição e competência, o marítimo era, a par do VSC, a quinta potência nacional. Tem sócios e adeptos para isso, tem um estádio quase sempre bem composto, tem o orgulho madeirense, e tem as bases para tal. É pena.

  • rmatos24
    Posted Novembro 16, 2018 at 5:47 pm

    Parabéns pelo artigo, fiquei com uma ideia bastante clara da história do estádio e de toda a envolvência e rivalidade existente entre os “três grandes” da Madeira, além da paixão que demonstras pelo clube.

    Apesar de não ser madeirense, sempre simpatizei bastante com o Marítimo. Tive oportunidade de passar umas semanas na Madeira e fiz questão de visitar os Barreiros e comprar uma camisola do Marítimo. Como dizes e bem, transmite uma mística. E concordo, parece que essa mística se está a perder. A mística é algo intrínseco, que passa para fora através dos jogadores, dos treinadores, dirigentes e adeptos. E nos últimos tempos, o Marítimo parece um clube mais desligado. Ir ao Caldeirão era sinónimo de grandes dificuldades para os grandes (e os outros claro) e isso esfumou-se um pouco. Percebo as razões que apresentas e concordo com as mesmas, dá a ideia de se estar a colocar os interesses económicos e pessoais em detrimento do sucesso desportivo e da vontade dos adeptos. Nos grandes clubes, isso também acontece, mas a capacidade económica é tanta, que se sobrepõe naturalmente aos mais pequenos.

    Pessoalmente também não gosto deste treinador do Marítimo e penso que a escolha deveria ter sido mais ponderada. O plantel continua competitivo e interessante, com jogadores de qualidade, mas tem de dar para mais. Espero que regresse à qualidade habitualmente apresentada.

  • TreinadorDoCafe
    Posted Novembro 16, 2018 at 6:02 pm

    Parabéns pelo texto, bem estruturado, simples e com paixão pelo Marítimo à mistura, o que proporcionou uma leitura muito agradável.

  • Lunatics
    Posted Novembro 16, 2018 at 6:26 pm

    Artigo muito interessante, Parabéns.

    Contudo, “aos preços pornográficos praticados pela liga”. Não são os clubes que definem o preço dos bilhetes?

    Percebo o ponto dos “contentores” de jogadores vindos de fora, mas também conheço quem tenha jogado no Marítimo e ache que foi prejudicado em detrimento de outros jogadores da Ilha..

  • enolagay_
    Posted Novembro 16, 2018 at 6:55 pm

    Por vezes as pessoas chamam-me de racista quando digo que o número de jogadores estrangeiros devia de ser o mais limitado possível…Isto aqui da formação do Marítimo é só um exemplo de muitos… Há que começar a olhar para a prata da casa e não ter vergonha do jogador português…Sejamos orgulhosos, porque todos sabem que temos talento que sobra! Estrangeiros sim, mas de qualidade e que possam acrescentar algo mais á equipa…Agora carradas de jogadores duvidosos em detrimento do jogador português é que não…

    • JoaoMiguel96
      Posted Novembro 17, 2018 at 9:58 am

      A questão é que tu nem deves poder limitar os estrangeiros por cá. No mínimo, podes limitar extra comunitários (fora da UE), mas mais que isso não podes.

      • josediogo
        Posted Novembro 17, 2018 at 3:34 pm

        De qualquer dos modos, já era uma iniciativa interessante.

        • johnny balls
          Posted Novembro 17, 2018 at 8:19 pm

          existem acordos entre portugal e o brasil que não permitem discriminar os trabalhadores de um face aos nacionais e é extensível ao futebol. acho que o problema são sim os empresários e a promiscuidade com as direcções, este tipo de transações nos juniores são claramente para pagar comissões

  • El Pibe
    Posted Novembro 16, 2018 at 6:59 pm

    Obrigado pelo texto, os Barreiros têm muita história para contar.
    No entanto parece-me que as 3 equipas madeirenses deviam jogar nos Barreiros (pelo menos Marítimo e Nacional, já que a Ribeira Brava chega bem para o União neste momento).
    A dimensão do Funchal não justifica dois estádios e a Choupana está num local no mínimo caricato…
    Isto permitiria que o investimento publico se mantivesse nas mãos do governo ao serviço da população em geral e dos clubes regionais, e aliviaria tanto o Nacional como o Marítimo das despesas que enfrentam para manter os seus estádios, deixando margem para enfrentarem os custos da insularidade.

  • Guedes
    Posted Novembro 16, 2018 at 7:48 pm

    Obrigado pelo excelente artigo! Desconhecia por completo esta realidade em torno do Estádio dos Barreiros e os clubes madeirenses mas é de favto muito interessante. Excelente. Por artigos como este é que este blog é a melhor leitura desportiva neste pais.

  • Antonio Clismo
    Posted Novembro 16, 2018 at 10:21 pm

    Fica muito mais barato ao maritimo ir buscar jogadores ao brasil do que a Portugal continental.

    Um clube que não se importa em produzir is seus proprios jogadores, é uma sentença de morte em termos de sustentabilidade.

    E logo numa região com tanto talento Como é o caso da Madeira.

  • josediogo
    Posted Novembro 17, 2018 at 2:41 pm

    Texto fantástico.
    Isto é que deveria ser o jornalismo e os artigos da comunicação social em portugal.
    Parabéns, bela leitura.

  • Flavio Trindade
    Posted Novembro 17, 2018 at 7:44 pm

    Antes de mais nada parabéns pelo artigo.

    É sempre bom e salutar lermos opiniões fora da caixa e fora do âmbito dos clubes habituais.

    O Maritimo é daqueles clubes que sempre me causou muita estranheza como não deram um passo em frente e não se solidificaram como um clube “europeu”.

    Primeiro porque tem uma massa adepta que não sendo gigante em número é grande o suficiente, sendo facilmente o clube com mais adeptos na Madeira.

    Segundo porque o apoio do Governo Regional sempre foi forte, e é conhecida a paixão de Alberto João pelo Maritimo e mesmo com a mudança no Governo Regional e os custos do novo Barreiros, o Maritimo deveria ter uma estrutura suficientemente organizada.

    Terceiro porque ainda não se falava em scouting e já o Maritimo tinha uma rede privilegiada na América do Sul.

    Quarto, o Maritimo foi um dos percursores das equipas B e de lá retirou muitos dividendos, mesmo quando todas as outras equipas B cessaram. Cito por exemplo o nome de Pepe.

    Quinto, exceptuando Guimarães, Braga e Bessa, nenhum outro estádio é mais temido que os Barreiros.

    Falta acima de tudo planeamento mais cuidado nas épocas (principalmente nas últimas), treinadores capazes e plantéis com mística (Já não há Brigueis)…

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