Skip to content Skip to sidebar Skip to footer

O desabituar de Bruno Fernandes

Já se sabe que não são nem serão fáceis os próximos tempos de Jorge Silas em Alvalade. Com um plantel emocionalmente em cacos e com desequilíbrios latentes na sua composição, o técnico de 43 anos não só terá a pressão de mostrar resultados num prazo relativamente curto, como terá à sua volta um universo leonino completamente fraturado e dividido, o que não resultará certamente num ambiente altamente confortável quando jogar diante dos seus adeptos.

Ainda assim, mesmo com exibições muito longe do desejável, a verdade é que os últimos jogos do Sporting mostraram sinais de mudança, ou pelo menos de tentativa dela. Uma mudança que poderá ou não resultar, mas que realça para já algo inegável: a coragem de Silas.

Até a entrada do treinador português no comando dos leões, e durante todo o reinado de Keizer (ignorando a curta estadia de Leonel Pontes), todo o fio de jogo da equipa verde-e-branco girou à volta de um só jogador: Bruno Fernandes. Desde a primeira frase de construção, passando pelo desequilíbrio, terminando na zona de finalização, o médio português comandava todas as etapas da partida, resultando numa fluidez completamente dependente de duas pernas, dois braços e uma só cabeça. Uma medida que em parte se justificava dado a clara diferença de qualidade de Bruno Fernandes relativamente ao resto do plantel (tanto na época passada como na atual), e que resultou na melhor época de sempre a nível europeu de um médio na história do futebol – 32 golos e 18 assistências – mas que criou, além de um desgaste imenso do atleta (físico e mental), uma dependência excessiva que acabou por retirar autoconfiança a quem o rodeava. Observa-se o último ano da equipa e contam-se pelos dedos das mãos uma finta, um passe a rasgar ou um momento de “nota artística” de jogadores que não surgisse de… lá está, Bruno Fernandes.

Observando os jogos frente ao Alverca, Rosenborg ou Vitória de Guimarães, mesmo tratando-se de três diferentes competições (e com resultados diferentes), foram notórias as diferenças da monopolização do n.º8 leonino no futebol da equipa. Com Eduardo a assumir a primeira fase de construção e Coates e Mathieu a subirem mais no terreno, com a transição rápida de Vietto e Jesé numa zona mais adiantada, a verdade é que nota-se uma equipa muito mais resguardada ofensivamente, mas simultaneamente mais envolvida entre si. Parece claro que Jorge Silas quer reconstruir o futebol leonino a partir de uma “estaca zero”, começando por dar estabilidade defensiva (10 golos sofridos em 8 partidas para o campeonato até ao momento) e, até possuir mais qualidade (e tempo de trabalho) no grupo que lidera, apostar num futebol mais rápido e direto, que parece favorecer o estilo de jogadores como Luciano Vietto, Jesé ou Yannick Bolasie. 

Veremos mais uma época monstruosa de Bruno Fernandes em termos estatísticos? Provavelmente não. Irão os adeptos ter paciência para mais um “ano zero” em termos de futebol? Pouco plausível. Mas no meio de tamanha tempestade, parece-me justo realçar a coragem do jovem treinador dos leões em tentar criar uma verdadeira equipa. Se irá resultar ou não? Isso já é outra conversa…

Visão do Leitor: Fernando Costa

15 Comentários

  • Fake Plastic Fans
    Posted Outubro 29, 2019 at 7:05 pm

    “Um plantel emocionalmente em cacos”???? Só esta primeira frase já me chateou. Mas qual o problema com o plantel do Sporting?

    É que quem lê isto parece que o Silas tem obrigação de ganhar o campeonato e a Liga Europa, quando não, o objetivo é ficar em 3º… tendo jogadores como Bruno Fernandes, Mathieu, Vietto, Acuna, Battaglia…

    Ontem surgiu um vídeo de uma festa no balneário depois da vitória frente ao Vitória. O que acontece fora dos relvados pouco afeta a equipa, deixem-se de tretas.

    • Fernando Guilherme Costa
      Posted Outubro 29, 2019 at 7:39 pm

      Fake Plastic,

      O plantel do Sporting, na minha opinião, tem lacunas algo gritantes, não propriamente na questão da qualidade, mas até mais na falta de jogadores para X posição (apenas 1 PL puro e não há um verdadeiro “6”).
      Creio que essas lacunas só realçam que Silas não tem, de facto, de ser campeão em tudo. Antes pelo contrário. O que não significa que não possa haver evolução e maior rentabilidade deste plantel.

      Abraço

    • Rodrigo Ferreira
      Posted Outubro 29, 2019 at 10:26 pm

      Também não vejo nada em cacos, mas enfim. Agora é moda dizer isso e confundir o que se passa entre direcção e claques com as 4 linhas.

  • Muska
    Posted Outubro 29, 2019 at 7:09 pm

    Concordo com o autor do texto na ideia principal do texto, mas acho que o Bruno Fernandes continua a ser o melhor jogador da equipa e deve continuar a passar por si grande parte do jogo do Sporting.
    Ao dividir responsabilidades, exigir mais de outros elementos, o Sporting torna-se menos dependente do Bruno Fernandes e isso é bom, pois até ele tem jogos maus e claramente que o ano passado foi um ano sem igual em termos produtivos.

    Mas acho que esse desabituar devia ter o seu foco apenas na criação de oportunidades. Se o Sporting este ano tem qualidade individual que não tinha em anos anteriores, com Vietto, Bolasie, Jesé, os esquecidos Plata e Camacho e Luiz Phellype que já cá estava, continua a faltar qualidade na construção, na manutenção da bola e o poder de controlar o jogo.
    A solução mais viável que vejo era, sem dúvida, tirar responsabilidade ao Bruno na definição e transportá-la para a criação. Um regresso à formula JJ, com Bruno Fernandes a 8 na tarefa de fazer chegar a bola em condições ao último terço com um trinco atás dele responsável pela primeira fase de construção: Eduardo ou Rodrigo Fernandes e nunca Doumbia.

    Um meio campo a 2 com Bruno Fernandes permitiria fixar Vietto no centro e não obrigava o Acuña a fazer todo o flanco como tem sido habitual, visto que peca na criatividade e raramente tem solução além do cruzamento. Poderíamos ter Bolasie na esquerda, que dá mais profundidade que o Vietto e oferece na mesma o jogo interior, o Vietto na sua posição natural nas costas do ponta de lança e ainda abrir para espaço para mais um extremo que jogasse aberto na direita – Plata.

    Isto na minha perspetiva iria melhorar imenso o jogo ofensivo do Sporting, mas também concordo com o autor do texto na medida que o principal objetivo do Silas passe por melhorar a manobra defensiva. Atualmente qualquer equipa cria perigo ao Sporting e por mais táticas ofensivas que se pensem ou tentem executar, a desorganização defensiva deita tudo a perder e a tarefa de organizar a equipa, minimizar o risco de erros individuais e dar confiança aos jogadores será sem dúvida a mais importante nesta altura e à qual o Silas deve e vai dar prioridade.

  • Fernando Guilherme Costa
    Posted Outubro 29, 2019 at 7:15 pm

    Para mais contactos:
    M: fernaando.costa@gmail.com
    IG: @fernandoguicosta

  • mcthespecialone
    Posted Outubro 29, 2019 at 7:34 pm

    Neste momento, o modelo de Silas parece ter por base algumas ideias do futebol Italiano. Uma equipa muito objetiva, a procurar um futebol direto, que se preocupa mais em defender bem do que em criar muitas oportunidades de golo e que se sente mais confortável em organização defensiva do que em organização ofensiva.

    Isto parece uma contradição pois Silas fala sempre na necessidade de controlar o jogo com bola e na criação de desiquilibrios através da posse. Ora, eu acho que Silas está a falhar em algumas escolhas porque há jogadores que não têm perfil para esse modelo e que não estão a permitir implementa-lo como este idealiza.

    Por exemplo, Doumbia, Eduardo e Bolasie são jogadores pouco cerebrais. Que privilegiam o físico sobre o técnico e que não promovem segurança na posse. Cada vez que decidem não procuram a opção que coloca a equipa mais próxima de criar perigo mas procuram a primeira opção em que pensam. São precipitados a jogar. Não pensam nas consequências das suas decisões para o coletivo.

    Daniel Bragança, Rodrigo Fernandes, Matheus Nunes são elementos que encaixariam muito melhor no tal modelo projetado pelo Silas mas por uma razão ou por outra, a aposta efetiva neles não ocorre.

    Ou Silas muda o perfil das suas escolhas ou então nunca veremos em campo a equipa a jogar como ele diz que quer que ela jogue. A bola está do lado de Silas e só o tempo dirá se conseguirá promover estas dinâmicas.

  • Estigarribia
    Posted Outubro 29, 2019 at 7:57 pm

    Antes de mais, excelente texto, Fernando Costa.

    Penso que se o Silas quiser pôr o Sporting a jogar mais em equipa, as responsabilidades não podem cair todas nos ombros do Bruno Fernandes e têm de ser divididas por todos os jogadores sejam eles o Vietto, o Jesé, o Bolasie, o Acuña, o Mathieu, o Coates, o Doumbia, entre outros. Nenhuma equipa deve ser totalmente dependente de um jogador já que pode-se dar o caso de, por exemplo, o Bruno Fernandes se lesionar ou ser expulso (como aconteceu no Bessa esta época) e depois a equipa fica descalça no jogo seguinte. Esse é, a minha opinião, o grande e aliciante desafio de Silas: conseguir pôr a equipa a jogar como uma verdadeira equipa, quer na defesa, quer no ataque.

    Saudações Leoninas

    P.S.: Espero que Rodrigo Fernandes, Matheus Nunes, Daniel Bragança e Pedro Mendes (estes dois só depois de Janeiro) possam integrar a equipa principal logo na reabertura do mercado de transferências. É fundamental começarmos a integrar os jovens de maior talento da nossa Academia para começarmos a ter uma base para a próxima época.

  • Tiago Silva
    Posted Outubro 29, 2019 at 10:08 pm

    O maior erro do Varandas foi não ter vendido o Bruno Fernandes enquanto podia. Dava uma lufada de ar fresco aos cofres leoninos e o Bruno nunca mais vai exibir o nível do ano passado, portanto acho que mais ninguém irá oferecer propostas de 60/70M por ele. O Sporting sempre foi assim, fez isso com o William, com o Gelson assim só de casos mais recentes.

    • Rodrigo Ferreira
      Posted Outubro 29, 2019 at 10:24 pm

      Recusou 45M como qualquer um de nós recusaria se fosse presidente.

    • DICAS
      Posted Outubro 30, 2019 at 12:56 am

      A proposta que ele diz ter recebido foi de 45 M

      Acho que não há duvida que se assim foram os factos tomou a decisão correcta.

      Mas lá está, é a palavra dele contra a da CS e os mil e um pretendentes … cada um escolhe a fonte que assume ser mais fiável num meio onde nada é verdade ou mentira apenas um limbo entre ambas

      • Meu nome é Toni Sylva
        Posted Outubro 30, 2019 at 12:29 pm

        A questão é que mesmo por 45 devia ter saído. Mas os vossos adeptos nunca aceitariam. Assim, ficou cá, não está a valorizar, e nem com ele o Sporting fica ao nível dos dois de cima, nem sem ele ficaria ao nível dos de baixo. Mas não vejo como a direcção poderia ter aceitado os 45. Não é por nada, mas são 9 milhões de contos. O que ficasse para a Banca abatia a dívida. O resto permitia muitas folgas.

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Outubro 29, 2019 at 10:29 pm

    Parece-me certo tentar puxar outros jogadores para cima e dar-lhes protagonismo, de modo a tirar pressão do Bruno. No entanto, parece-me que Silas não está a saber aproveitar o Bruno. Ontem vi-o várias vezes colado à linha na saída de bola. Não tem nexo. Vejo-o a fazer piscinas constantemente porque a equipa está posicionada muito atrás. Seja ele a vir atrás para lançar, seja ele a correr nas costas da defesa. Silas tem de definir melhor o que pretende de Bruno Fernandes pois não pode andar em todas as zonas do campo ao mesmo tempo, muito menos ser deslocado para zonas laterais e ficar fora da zona de decisão.

    • DICAS
      Posted Outubro 30, 2019 at 12:49 am

      A unica missão do Bruno deveria ser de médio ofensivo com preocupações ofensivas.

      Para isso seria necessário haver dois medios competentes atras que ficassem quase que exclusivamente com as funções defensivas. Ai jogadores como Vietto, Bruno e Bolasie (mais um PL competente tambem) so com funções ofensivas seria uma autentica avalanche por jogo!

      O grande problema está nos dois médios ! porque simplesmente não existem !

      No momento ofensivo escondem-se ou perdem a bola, no momento defensiva são simplesmente maus …

      É ridiculo pois não servem para fazer absolutamente nada

      Dai achar que uma aposta em Matheus e Rodrigo não seria risco nenhum pois o risco é continuar com médio como Dumbia, Wendel ou Eduardo

  • Joga_Bonito
    Posted Outubro 29, 2019 at 11:07 pm

    Em essência nenhuma equipa pode depender só de um jogador. Aliás, diria que se todos no Sporting elevassem o nível o BF até podia render mais, sendo mais apoiado. em teoria, com mais volume de jogo, poderia marcar mais. Só creio que perderia no factor livres, caso tivesse de partilhar essa função com alguém. Agora, como a maioria dos golos foram de meia distância, ele até podia marcar muitos, mas não acredito que volte a marcar 32.

Deixa um comentário