Mais cedo ou mais tarde, chegará o momento que muitos adeptos portugueses tentam adiar: o adeus de Cristiano Ronaldo à Seleção Nacional.
Durante mais de duas décadas, CR7 não foi apenas um jogador. Foi o rosto, a voz, o capitão e a referência de várias gerações de portugueses. Marcou golos impossíveis, bateu recordes que pareciam inalcançáveis e liderou Portugal nos momentos mais importantes da sua história, culminando na conquista do Europeu.
Mas o futebol não perdoa o tempo. Por mais extraordinário que seja um atleta, chega sempre a altura de passar o testemunho.
O problema para a seleção não será apenas substituir os golos de Cristiano. Será substituir tudo o que ele representa. Os números impressionam, mas a influência vai muito além das estatísticas. Ronaldo entrou em campo durante anos com a responsabilidade de carregar as expectativas de um país inteiro e transformou essa pressão em motivação.
Portugal tem atualmente uma das gerações mais talentosas da sua história. Jogadores como Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rafael Leão, Vitinha e João Neves garantem qualidade suficiente para Portugal continuar competitivo ao mais alto nível. No entanto, nenhum deles parece destinado a ocupar o espaço simbólico deixado por Ronaldo.
E talvez esse seja precisamente o erro que muitos irão cometer: procurar “o novo Cristiano Ronaldo”. Não haverá outro. Tal como não houve outro Eusébio, dificilmente haverá outro CR7.
O futuro da Seleção passará por uma liderança mais repartida, menos dependente de uma única figura. Portugal continuará a ter talento, continuará a produzir grandes jogadores e continuará a lutar por títulos. Mas será uma equipa diferente.
Quando Ronaldo deixar definitivamente a Seleção, não terminará apenas a carreira internacional de um jogador. Terminará uma era. E as eras não se substituem; apenas dão lugar a novas histórias.
A verdadeira dificuldade de Portugal não será encontrar um substituto para Cristiano Ronaldo. Será aprender a viver sem ele.
Acho que esta é uma daquelas situações em que só vamos perceber a dimensão da perda quando ele já não estiver lá. Tal como aconteceu com Eusébio para uma geração anterior, muitos adeptos vão olhar para trás daqui a 20 anos e perceber que tiveram o privilégio de acompanhar um dos maiores jogadores da história do futebol.
Além da questão desportiva, existe outra realidade que os portugueses terão de aceitar: dificilmente voltaremos a ter um jogador com o impacto global de Cristiano. Em muitos países, quando se falava de Portugal, pensava-se imediatamente em Ronaldo. A sua influência ultrapassou o futebol e ajudou a projetar a imagem do país a uma escala sem precedentes.
Portugal continuará a produzir grandes jogadores, alguns deles de nível mundial, mas a probabilidade de surgir outro atleta capaz de dominar o futebol durante duas décadas, conquistar múltiplas Bolas de Ouro e discutir constantemente o título de melhor jogador do planeta é extremamente reduzida. Não é falta de talento; é simplesmente porque jogadores desta dimensão aparecem muito raramente na história do futebol.
Quando Ronaldo se retirar da Seleção, Portugal não perderá apenas o seu melhor marcador de sempre. Perderá também uma figura única, um embaixador do país e um símbolo que dificilmente será igualado. Encontrar um substituto para a posição em campo será possível. Encontrar alguém que tenha o mesmo impacto dentro e fora das quatro linhas será, provavelmente, impossível.
Pedro B.


1 Comentário
Luso
Concordo.
Se para os adeptos será dificil não ter lá o jogador para a federação será a dobrar visto que não vão ter o jogador nem o dinheiro que ele dava.
Por outro lado Portugal tem uma geração muito jovem o que lhes dá tempo para ultrapassar este desfalque.
Na primeira derrota vai ser um desastre a tentar arranjar culpados e vão sentir na pele a pressão que durante 20 anos pouco ou nada tiveram.