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Génio Tático (Guardiola), City vs Arsenal

Em dia de derby, pouco se falou da vitória do Manchester City sobre o Arsenal no Etihad. A turma de Guardiola teve uma superioridade inequívoca, 59% de posse de bola, 19 remates contra 4, 12 remates à baliza contra 2, entre outras estatísticas, tendo em Aguero o grande protagonista (o Argentino lá vai realizando uma excelente temporada, com 20 golos em 28 jogos, sem dar muito nas vistas). Mas o que saltou à vista foi a genialidade tática de Pep. Apresentou, na teoria (e o Espanhol pouco gosta de teoria) um 4-3-3, com um meio campo “pouco intenso”, à exceção de De Bruyne, quem diria que Gundogan e Silva jogavam juntos na Liga mais intensa do mundo, num dos 5 jogos mais difíceis que o Manchester City tem em casa, desfazendo a ideia de que a defesa não depende da intensidade / estatura dos seus intervenientes (defesa e meio-campo principalmente), mas sim da disposição tática e dinâmica que o treinador coloca na equipa, e que sucesso teve. Falávamos do 4-3-3, que de 4-3-3, só teve em organização defensiva. No começo do jogo qualquer espectador e até o próprio Unay Emery, percebeu que o Man. City estava em 4-3-3, como se pode ver na seguinte imagem:

Porém, Guardiola tinha outra ideia em mente. Os Blue, apresentaram uma dinâmica ímpar no futebol mundial (habitual), subindo em organização ofensiva Fernandinho, juntando Laporte e Walker mais a Otamendi, ficando o City a jogar em 3-4-3 (com Sterling e Bernardo bem abertos, a oferecerem soluções a Walker e Laporte).

Em organização defensiva, Guardiola optou pelo 4-3-3, com Fernadinho a juntar-se a Walker, Otamendi e Laporte, ficando Gundogan como Médio Defensivo e De Bruyne e Silva como Médios Interiores (ou Médios Centro).

O Manchester City conseguiu, com os 3 defesas em 3-4-3, fixar os AV’s adversários (Lacazette e Auba), com Sterling e Bernardo bem abertos, permitiu que houvesse muito espaço entre a linha defensiva do Arsenal, espaço aproveitado quer por Aguero quer pelos 4 do meio campo (com mais enfase para Silva e De Bruyne). Em 4-3-3, defendeu na sua habitual organização defensiva, conseguindo superioridade no meio-campo (mais uma vez) e com Sterling e Bernardo a ajudar os laterais para não haver igualdade numérica.

Guardiola mostrou ao Mundo (mais uma vez) que não é só modelo (é também estratégia) e que não há sistemas táticos, mas sim dinâmica (e modelo sobretudo) que permitem abordar qualquer jogo de qualquer forma, mantendo uma identidade, mais uma vez ímpar.

Um génio.

Visão do leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): DCA

António Hess
Author: António Hess

28 Comentários

  • Boris Yeltsin
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 2:42 pm

    Um jogo entre o Barça “Tiki-Taka” de Pep vs o City de Pep. Quem ganharia?

    • Senna
      Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:03 pm

      Barça. Só o factor Messi chega para desiquilibrar. Já nem falo do trio do meio campo.

    • kanjy6
      Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:28 pm

      Para mim, sem dúvida Barça… Executantes de outro nível em todas as posições (menos GR)

    • Mantorras
      Posted Fevereiro 4, 2019 at 6:12 pm

      O City nao ia ter bola nesse jogo. Esse Barca era bem superior ao City.

      • M'difh
        Posted Fevereiro 4, 2019 at 8:42 pm

        O City de Guardiola não precisa de posse como o seu Barça. Apesar destes terem outros executantes, a inteligência táctica deste City é qualquer coisa de ímpar.

        • Mantorras
          Posted Fevereiro 4, 2019 at 9:49 pm

          O Barcelona tinha uma qualidade individual descomunal. Impunha o seu jogo contra praticamente todos os adversarios, era impressionante. Era um nivel acima do City actual, na minha opiniao.

          • M'difh
            Posted Fevereiro 4, 2019 at 11:31 pm

            O Barcelona a nível de posse de bola foi do melhor que já houve, ninguém lhes tirava a chicha mas considero o City de Guardiola mais coeso a nível táctico. A maneira como o Barcelona de Pep apareceu, pelo seu estilo e pelo efeito Messi, amedrontou muitas equipas por essa Europa fora. Notava-se que os treinadores adversários preocupavam-se mais em não deixar jogar o Barça do que meter os seus próprios jogadores a jogar futebol. Aconteceu até com Mourinho, e a partir do momento em que este se preocupou mais com o seu Real conseguiu destronar esse Super Barça que marcou para sempre uma Era no futebol, e de maneira

            • Mantorras
              Posted Fevereiro 6, 2019 at 8:48 pm

              Tudo certo, e a velha questao de uma equipa jogar aquilo que a outra permite… e acho que num confronto directo o Barcelona subjugava o City.

  • Francisco Ramos
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 2:47 pm

    Sem tirar nem por. Cada vez mais no futebol moderno, mais do que a táctica, interessa as dinâmicas utilizadas. Isto permite que a táctica seja variável durante o jogo para uma melhor ocupação de espaços em processo defensivo e do espaço no processo ofensivo. O SC devia por aqui os olhos quando o Militão joga a defesa direito, isto é, a dinâmica a atacar devia ser completamente diferente e evoluir para uma 3-5-2.

  • ShutterIsland
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 2:50 pm

    Walker era um poço de força e não tinha inteligência não era? De Bruyne foi dispensado por Mourinho porque não tinha intensidade não era? Sterling definia pessimamente não era?
    Como diz JJ “queres saber tão bom treinador és? Pergunta aos teus jogadores!”

    Um dos muitos aspectos que fazem de Guardiola o melhor da história, digo isto ganhe ele mais alguma Champions ou não! Génio!!

    • M'difh
      Posted Fevereiro 4, 2019 at 8:45 pm

      Melhor da história?? Guardiola é génio, talvez o melhor treinador da Era Moderna do futebol!! Agora melhor da história? Com o devido respeito e sem querer menosprezar a sua opinião, sabe a que treinadores o está a comparar?

      Cumprimentos

  • Pulga
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 2:55 pm

    Incrivel? Sim. Resultou? Sem dúvida. Para repetir? Dúvido.

    Existem demasiadas hipóteses de catástrofe nesta estatégia. Se um treinador se prepara para ela será uma catástrofe. Se os jogadores entram nervosos ou em “piloto automático” será uma catástrofe. Se o adversário anular a estartégia nos 1ºs 10 minutos será uma catástrofe.

    É uma estratégia genial mas é uma “One night only”.

    Mais genial que a teoria (qualquer treinador já deve ter pensado nisto) é a prática. Só jogadores que confiam completamente no seu treinador podiam pôr esta estratégia em prática.

    Exelente texto, que haja mais destes no VM.

  • Daervar
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 2:56 pm

    Não desfez a ideia de que uma boa defesa tem que viver de uma boa dose de “intensidade”. Resultou contra a equipa igualmente menos intensa das big5, resultaria em desastre contra outras. Guardiola é um mestre.

  • Chico
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 2:59 pm

    Ou seja, Jorge Jesus foi mesmo visionário ao ver em Bernardo Silva um lateral.

  • bojo
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:01 pm

    Não sei se entendi bem a questão da genialidade aqui descrita. Que Guardiola é um ET todos sabemos, mas o que foi descrito não é propriamente novo. A Juve de Allegri fez várias vezes o mesmo e até outros treinadores na Premier League já o fizeram com sucesso (Conte, por exemplo).

    Enfim, acho que o texto é pertinente, mas endeusa uma coisa que, não sendo banal, está longe de ser inovadora ou sequer nova.

  • sideways83
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:06 pm

    O factor Messi desigualava para o Barça, além disso essa equipa nem chegou uma final da Champion, espero que seja este ano.

  • Antonio Clismo
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:08 pm

    Já em Portugal.. a história faz-se com bombos..

    E 5% de tempo útil.

  • Estigarribia
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:42 pm

    Excelente texto, DCA. Boa análise ao Manchester City de Guardiola.

    Pep Guardiola é e sempre será um génio ao nível da tática ou, como se diz cá em Portugal, será sempre “mestre da tática” (se Jorge Jesus lê este comentário ainda começa a barafustar e a dizer que foi ele quem inventou o futebol).

    Mas voltando ao tema “Guardiola”: Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City. Três equipas que sempre souberam interpretar aquilo que Guardiola queria para os seus jogadores (talvez na Baviera a mensagem não tenha passado tão bem quanto na Catalunha e em Manchester, mas o Bayern jogou o melhor futebol nessas épocas).

    Agora gostaria de ver Pep Guardiola, quando sair dos Citizens, na Seleção de Espanha e nesse caso teremos uma Roja altamente perigosa e completamente imprevisível. Estou muito curioso e expectante para ver Guardiola como selecionador espanhol (se isso, um dia, vier a acontecer).

    Saudações Leoninas

  • Mike-UK
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 3:46 pm

    correndo eu o risco de soar a um disco riscado (ele próprio) vou repetir o que digo desde Setembro do ano passado: um Liverpool, um Chelsea, Barça, Real ou PSG… este City sofre com as transições rápidas. E o teste real será aí. Aliás, este ano o Lyon já provou que com velocidade o desmultiplicar posicional do 3-4-3 para o 4-3-3 é falho e pior, quando as coisas correm mal, não há alternativa.
    O jogo de ontem promoveu momento incríveis. O 2-1 do Aguero é um hino ao futebol e o resumo de muito trabalho, muitas horas e muita qualidade dos de campo e dos do banco, mas não creio que este Arsenal sirva como pano de fundo para aulas de banho táctico nenhuma – já com o de 2003, com Pires, Henry, Bergkhamp, Ljundberg e Vieira e com tudo o que traziam ao jogo, o City jamais poderia subir a linha de centrais desta maneira…

    • El Pablito
      Posted Fevereiro 5, 2019 at 2:00 pm

      Mike, completamente de acordo. Mas o próprio Pep sabe que os gunners não são desafio semelhante a essas equipas e que iam sofrer bastante com intensidade e linhas altas. O confronto com o Liverpool no inicio do ano é a prova disso, onde houve muito mais cautela por parte do City e em alguns períodos baixaram linhas e intensidade para tambem eles poderem aplicar o ataque rápido / contra ataque, mas sem tentar dar espaço ao Liverpool.

      De resto, já ha muito tempo (desde que o pep ta la) que espero um confronto entre City e Real, apesar de este ano o Real não estar tão forte como o ano passado.

  • Rodrigo Ferreira
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 4:18 pm

    Isso de não haver sistemas é mentira. Todas as equipas precisam de referências. Pode-se dizer é que não são estáticos. De resto, bom texto.

  • Kuiper
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 4:21 pm

    Óbviamente genial Guardiola, mas nada é perfeito. A velocidade na transição, especialmente se falarmos de jogadores que consigam aliar sprint e força, são o tendão de Aquiles desta tática do City. Colocar muitos jogadores na frente, com o intuito de criar superioridade no ataque e uma pressão super agressiva no primeiro momento defensivo, acaba por ter este tipo de fraquezas. Há o trade-off futebol-golos-espetáculo/jogar de forma sustentada e segura: Guardiola opta claramente pela primeira, apesar de o seu futebol extremamente posicional, de conquista de espaço e manutenção de posse de bola possa fazer parecer o contrário (ainda muitos dizem que as equipas do Guardiola só sabem passar a bola)

  • Joao Antunes
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 4:46 pm

    Não pondo em causa todo o génio de Guardiola e muito menos querendo estar a comparar a valia de treinadores e/ou as equipas, mas o SC Braga utiliza esta mesma variação de sistema e tem dado frutos. Marcelo Goiano tanto é o 3º central (mais pela direita, tal como Walker) na saída em posse, como é o defesa-direito em processo defensivo. Neste caso, deixar os parabéns ao treinador Abel por esta bela interpretação do futebol de Guardiola.

  • Rev7
    Posted Fevereiro 4, 2019 at 7:03 pm

    Como todo o respeito e para mim Guardiola é o melhor treinador do meu tempo, mas o que se descreve não é novo e já vi várias equipas fazerem ou tentarem fazer o mesmo. Não percebo bem o hype e a singularidade neste caso. Acredito que há fans no futebol que gostam de enaltecer os seus idolos e acabam por serem injustos para com outros que merecem também reconhecimento.

    A forma como Lyon joga nunca é enaltecido ou analisado aqui; o Monaco de Leonardo Jardim campeão jogava de uma forma muito peculiar numa dinâmica entre os médios interiores, laterais e frente de ataque que nunca vi referenciarem e que me pareceu bastante único; o próprio Klopp e a forma como construi o meio-campo com jogadores considerados “bombos” também seria bastante interessante analisar. O que eu quero dizer é que cada vez que se enaltece um treinador com exemplos assim é o Guardiola, os outros são constantemente ignorados quando eles próprios influenciam o futebol actual. E mais uma vez o que vemos aqui é algo já repetido pelo próprio Pep e por outras equipas. E desculpem discordar do “não há tácticas”. Há sim, os jogadores precisam de referências se não andam perdidos em campo. Nestas imagens parece não haver, mas provavelmente 80% do jogo veremos que os jogadores estão nas suas posições, sendo esta dinâmica pontual que vai acontecendo ao longo do jogo de acordo com o início das jogadas e posicionamento do adversário

    • AGomes
      Posted Fevereiro 4, 2019 at 7:34 pm

      entendo o teu ponto e até concordo. no entanto, o lyon é uma das equipes mais bagunçadas. e só mesmo insistir em genesio faz com que o time não avance uma casa.

    • Dca
      Posted Fevereiro 4, 2019 at 10:16 pm

      O Monaco do Jardim criava muita superioridade com os Médios Alas por dentro, mas isso, muitas equipas fazem. Colocava-te muitas imagens aqui.
      Agora, puxar um DC para o meio-campo em ataque posicional e meter os defesas laterais por dentro, ninguém o faz. Principalmente quando faz parte da estratégia.

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