Marcel Keizer é oficialmente o treinador do Sporting. Nos últimos dias, já com a confirmação de que o ‘Imperador’ seria o novo técnico leonino, muitos adeptos se têm questionado sobre quem é este homem de 49 anos. De alguma forma, essas questões também assaltaram a mente dos fãs do Ajax, quando no Verão de 2017 Marcel Keizer foi nomeado treinador do colosso holandês, como sucessor de Peter Bosz, de malas aviadas para o Dortmund depois de uma campanha europeia de sucesso, culminada com a presença na final da Liga Europa.
Enquanto jogador, Marcel Keizer teve uma carreira modesta. Médio centro, foi formado no Ajax, fazendo parte da mesma geração dos gémeos de Boer ou de Dennis Bergkamp (mais tarde seu adjunto na equipa principal). Na passagem a sénior não teve grandes oportunidades na equipa de Amesterdão, pelo que rapidamente se mudou para o SC Cambuur, onde cumpriu a maior parte da carreira: mais de 200 jogos, quase todos na 2ª divisão holandesa. Após passagem por outros clubes menores, Marcel acabou por se despedir dos relvados em 2003, enveredando prontamente pelo caminho de treinador.
Enquanto técnico, pouco há de relevante nos anos iniciais de Keizer, começando no modestíssimo Argon, da 5ª divisão holandesa. Até assumir o comando do Jong Ajax (equipa B do Ajax que milita na 2ª divisão), em 2016, o novo timoneiro sportinguista teve passagens sem grande destaque por vários emblemas, habitualmente com resultados igualmente modestos. Numa das melhores campanhas, ao serviço do FC Emmen, somou um 7º lugar na 2ª divisão, o que lhe valeu o regresso ao SC Cambuur, agora como treinador, para tentar salvar a equipa da descida na Eredivisie. Marcel, contudo, não teria sucesso, somando apenas 1 vitória e 2 empates em 11 jogos, ficando no último lugar e consequentemente descendo de divisão. Enquanto se preparava para com o Cambuur abordar a nova época, na Segunda Liga, surgiu então a proposta de regressar ao Ajax para treinar a equipa B, sucedendo a Jaap Stam.
Foi aqui que Marcel conheceu o seu período de maior sucesso. Após um início algo titubeante, o Ajax Jong rapidamente se estabeleceu como a melhor equipa da 2ª divisão, practicando um futebol atraente e goleador. No processo, Marcel trabalhou com vários jogadores promissores, que acabariam por ser lançados com sucesso na equipa A, como Frenkie de Jong, Andre Onana, Matthijs de Ligt, Abdelhak Nouri, Donny van de Beek, Davinson Sanchez ou Justin Kluivert. Depois do 9º lugar que Stam tinha atingido na época anterior, Marcel conseguiu terminar no 2º posto, mas acima de tudo agradou pela qualidade do futebol apresentado – factor fundamental para o formador clube holandês.
Com a saída de Peter Bosz para o Dortmund, Keizer foi nomeado treinador principal no Verão de 2017, mas viria a durar apenas uns meses, tendo sido despedido em Dezembro, deixando a equipa no 2º lugar a 5 pontos do PSV, mas já depois de sofrer eliminações na Liga dos Campeões, Liga Europa e Taça nacional (resultado que levou directamente ao seu despedimento). Em subsequentes entrevistas, o drama que atingiu o jogador Nouri no inicio da época (problema cardíaco e resultantes danos permanentes que o impossibilitaram de voltar a jogar futebol) viria a ser indicado como um dos factores que impactou fortemente e limitou o sucesso da equipa.
E o que sabemos então sobre Marcel Keizer, seu feitio e personalidade, e, acima de tudo, o futebol que procura apresentar? Em primeiro lugar, é um produto da escola do Ajax, procurando aplicar vários princípios fundamentais de uma formação que tem em Johann Cruyff uma referência absoluta.
A formação preferida é claramente um 4-3-3, que pode ocasionalmente variar para um 3-4-3 muito interessante, com um quadrado a meio campo. Uma lógica óbvia que Marcel procura é a criação de superioridade numérica em áreas chave do terreno (principalmente no centro) – conceito tão popularizado e implementado por Pep Guardiola.
Uma regra chave, e que seguramente veremos o Sporting a introduzir desde o início do reinado Keizer, é também a pressão rápida e intensa após a perda de bola. Enquanto em posse a equipa pratica um futebol expansivo mas calmo, as equipas do técnico de 49 anos têm uma fortíssima reacção à perda: a chamada regra dos 5 segundos, em que nos momentos imediatos a seguir à recuperação de bola por parte do adversário, todos os jogadores procuram a todo o custo reavê-la, compreendendo que é neste período que o oponente estará mais exposto a cometer erros.
Com bola, a equipa abre-se largamente no terreno. Marcel prefere um futebol envolvente com várias combinações, com os alas a terem papel chave – os três jogadores da frente trocam frequentemente de posição, por exemplo. É um futebol apoiado, com constantes diagonais – não esperem futebol de passes verticais do lateral para o extremo, mas mais diagonais desde o centro para as faixas, com overlaps regulares dos laterais.
Ao nível do treino, Marcel Keizer revela-se um treinador obsessivo. Investe muito tempo no futebol posicional, inclusivamente tem ao longo dos anos construído uma base de dados de vídeos de futebol, tanto das suas como de outras equipas, com exemplos que não se cansa de mostrar aos seus jogadores (por exemplo, de uma boa movimentação, com ou sem bola), educando os atletas através destes exemplos prácticos. É, ainda, um apreciador do estilo actual do City de Guardiola, do antigo Napoli de Sarri ou do futebol de pressão alta de Roger Schmidt no Bayer Leverkusen. A lógica clara de treino de Keizer, no fundo, é de procurar tornar o jogo mais controlável e previsível para si, através deste forte investimento no treino. Os avançados são os jogadores a quem mais exige e com quem mais irá trabalhar, sendo interessante verificar se em Janeiro o Sporting procurará o regresso de Francisco Geraldes e, acima de tudo, de Matheus Pereira, pois são exemplos do tipo de jogador que Marcel aprecia.
Em relação à personalidade, o holandês apresenta traços típicos da sua nacionalidade, nomeadamente a frontalidade, apontando sem rodeios o que “é bom e o que é mau “, não poupando palavras quando necessário. Por outro lado, e ao contrário de compatriotas como Van Gaal, Marcel é um homem mais introvertido, que não aprecia os holofotes. Algumas fontes no Ajax descrevem-no até como dócil, algo que o terá tornado a vítima fácil em 2017, aquando do despedimento do emblema de Amesterdão.
Em suma, então, o que significa isto para o Sporting? Os “leões” ganham um treinador de futebol que vai claramente procurar implementar rotinas de jogo e que é possuidor de um temperamento pedagógico de educação de futebolistas. Porém, também é bastante evidente que é um técnico cujas ideias levarão tempo a implementar: afinal, na única vez que assumiu um lugar a meio da época (Cambuur), falhou redondamente. A aposta em si, então, constitui um risco elevado, ainda para mais considerando que o Sporting está neste momento em 2º lugar, a 2 pontos da liderança: a pressão está presente, os adeptos não estarão inclinados a dar tempo para construir, querendo resultados imediatos.
Ao nível do perfil, sobressai a tranquilidade e introspecção – raramente levanta a voz, é observador e minucioso. Será interessante ver como os jogadores reagirão, depois de nos últimos anos terem tido um perfil como o de Jorge Jesus, diametralmente oposto. Como um risco maior, será a sua relação com a imprensa. Não há dúvidas de que com bons resultados terá bastante espaço, mas em alturas de tensão e perante o seu recolhimento, a imprensa poderá ser bastante agressiva, dando-lhe pouca margem de manobra.
Em suma, Keizer é uma aposta de enorme risco por parte de Frederico Varandas, em especial dado o momento do Sporting. Se o clube português estivesse estabilizado e numa fase de crescimento, Marcel Keizer poderia ser uma aposta em cheio, criando um modelo de jogo claro e fortalecendo a formação, através da promoção de jovens talento. Contudo, numa fase em que é urgente para o Sporting acelerar para não perder o comboio em comparação com Benfica e Porto, esta é uma opção de elevado risco, sendo que um perfil de treinador mais lutador e motivador (à imagem de Sérgio Conceição) seria, talvez, o mais adequado. Marcel tem muito pouco tempo e experiência como treinador de topo – precisará de uma estrutura forte e de apoio incondicional por parte de Varandas para vingar. O futuro destes dois homens, assim, parece estar fortemente ligado.
Visão do Leitor (perceba melhor como pode colaborar com o VM aqui): Daniel Rodrigues


29 Comentários
Joao X
Muito obrigado Daniel Rodrigues!
Achas que o Sporting tem um plantel com as características certas para que o Keizer tenha sucesso? Ou achas que falta um certo tipo de jogador?
pdomingues
Não sendo Sportinguista, quer-me parece que faltará o que falta hoje, profundidade no plantel.
Uma opção de classe na baliza, um central com saida de bola (apenas Mathieu é forte nesse aspecto e o Coates desenrasca, mas as alternativas são limitadas), e um 6 com capacidade de sair, que caia no meio dos centrais para sair a jogar, e fazer uma saida limpa.
Tem um jogador ideal, para qd jogar com a defesa a 3, Acuna faz perfeitamente o corredor todo. Nani tem na cara este tipo de jogo de posse e apoios, o bruno e o gudelj tb. Na frente tenho curiosidade em ver o Dost, neste jogo de apoios (evoluiu bastante nesse aspecto com o JJ)
Mas acima de tudo, o que está em jogo é uma mudança de filosofia e como o plantel a vai encarar.
Será de todo interessante de ver
Emigra
Como menciono, acho que jogadores como o Matheus Pereira principalmente (pela possiblidade de habitar os 2 flancos e pela capacidade de diagonais) e tambem Francisco Geraldes (por ser medio com cultura tactica que sem duvida iria assimilar bem as licoes do Keizer) poderao ser 2 opcoes a ter em conta, caso o Sporting os possa resgatar. Em relacao a faltar algum jogador ou nao, nos 3 medios é onde tenho mais duvidas. Bruno fernandes ira adaptar-se sem duvida, Gudelj tb ate porque conhecerá o sistema melhor que os outros devido à sua experiência no Ajax. Fica um lugar para a luta. Ou wendel ou geraldes ou entao sim um jogador a contratar.
Medean_Lion
Em primeiro lugar, parabéns ao Daniel Rodrigues pelo texto.
De facto, e tendo em conta o historial do treinador, é uma aposta de alto risco. Das duas uma: ou Varandas será criticado por brincar aos “Fm” desta vida ou será largamente elogiado por ter descoberto um treinador (quase) desconhecido. Só o tempo dirá se foi um erro tremendo (e inadmissível) ou um autêntico achado nos desertos dos Emirados Árabes Unidos.
Acho sinceramente que se trata de profissional mais talhado para o trabalho de laboratório do que propriamente para liderar este Sporting no campo. O objectivo é implementar um modelo tipo Ajax? Muito bem, mas então… o trabalho terá de extravasar o âmbito da equipa principal! E isso, quanto a mim, requer alguém completa e unicamente focado em questões relativas a toda a estrutura futebolística Sporting, mormente nos sectores ditos “de base” – a saber: perfil de jogadores pretendido (scouting), tácticas a serem implementadas nos escalões jovens, formação dos treinadores da formação, etc. Espero que Keizer, sendo ele um homem da Europa-Central-rés-vés-cultura-germânica, saiba implementar uma cultura de exigência, manifestada também na formação de “H”omens e não apenas de jogadores: o Sporting precisa de maturidade, compromisso e atitude, e não apenas de “craquezinhos à portuguesa”.
Concordo com o autor quando refere que talvez fosse mais importante ter trazido um treinador menos “científico” mas mais “sabichão”. Alguém com um historial forte no que à carreira futebolística diz respeito, ou com história no clube, poderia fazer com que os jogadores se sentissem mais “humildes” e dessem mais em campo – coisa que infelizmente nem sempre vejo.
Há quem queira Tiago Fernandes. Apesar do empate em Londres, achei as exibições de uma pobreza indescritível: em casa, só com a ajuda do árbitro é que vencemos o adversário; nos Açores, podemos agradecer a imprudência de Patrick pelo insulto ao árbitro e consequente expulsão.
Tendo em conta o que vi continuo a achar que Peseiro, apesar de não ser perfeito, não era o único responsável. Se fosse, o Sporting teria vencido o Chaves (último classificado) com alguma tranquilidade.
Tiago Fernandes é bom, mas novos Mourinhos ao virar da esquina é mito que já não cola. “É chão que já deu uva”. Tem de evoluir e provar o que vale no comando de equipas mais modestas.
Em relação ao esquema a ser utilizado, não creio que Keizer mude tudo já. Imagino-o a ter uma postura tipo Rui Vitória dos primeiros tempos, isto é: a proceder apenas a pequenas alterações uma vez que nem tudo é mau e o Sporting, é bom não nos esquecer-mos, está vivo em todas as frentes. Além disso, não estou a ver o Nani e o Bas Dost a pressionarem o adversário desenfreadamente. Mas… quem sabe…
Só para finalizar, gostaria de dedicar algumas linhas a alguns jogadores. Gudelj tem sido o exemplo vivo de como não é fácil escolher jogadores para um plantel. Apesar de ser um jogador querido de muitos comentadores aqui da Visão, tem sido um grande “flop”. Pode melhorar? Claro, mas se se chamasse Misic já tinha sido vaiado até pelo porteiro da sua casa. Tem estado muito mal, e tem usufruído de mais hipóteses do que muitos dos quem têm passado por Alvalade. Matheus Oliveira, quanto a mim, tem muito melhor qualidade de passe e leitura de jogo do que o sérvio. Tem feito jogos bastante interessantes no Vitória de Luís Castro. Se ganhar mais agressividade, tem tudo para lutar por um lutar no plantel. Tem bom remate, é forte nas bolas paradas, tem bom domínio de bola, e até já o vi marcar golos de cabeça. Além disso é canhoto, algo que não abunda no plantel.
Tiago Fernandes foi o terceiro treinador a não apostar, de forma consecutiva, em Wendel. Algo se passa. Muitos dizem que foi para lançar Miguel Luís, seu protegido e companheiro de batalhas passadas. Não sei. Quero ver como Keizer trabalhará com o jogador. Peseiro, antes de sair, deu-lhe a titularidade contra o Estoril. Até ver, foi o treinador que lhe deu mais confiança. Vamos aguardar.
Saudações Leoninas.
jp
Wendel está ou estava lesionado. Portanto nao havia como apostar nele…
Medean_Lion
Contra o Arsenal, por exemplo, não foi a Londres por mera opção técnica.
Emigra
Concordo em tudo com o que dizes. Keizer seria sem duvida aposta como homem forte para pensar todo o futebol da academia. Como treinador principal é aposta de alto risco.
Gunnerz
Obrigado pelo texto Daniel Rodrigues.
Honestamente eu gostei da escolha do varandas, não por conhecer o treinador em questão mas por fugir compleamente ao estilo de treinadores que o Sporting tem tido, e também por ser estrangeiro. Há muito que se exigia mudanças e esta é claramente uma de 180º, tanto no treinador como na estrutura.
Quanto ao Keizer não vou dizer que conheço porque seria mentira, agora pelo que já li antes e por este texto parece-me claro que é pelo menos um treinador com ideia e sistema de jogo, um estudioso e que realmente é aplicado ao seu trabalho. Pode correr mal, até está mais inclinado para isso nesta fase, mas eu estou ansioso por ver o que vem daí, primeiro porque a forma de jogar parece ser a que mais aprecio e segundo porque gosto da cultura futebolistica holandesa. Keizer terá todo o meu apoio daqui para a frente.
RodolfoTrindade
Excelente texto!!!
Fiquei a conhecer bem mais sobre o Keizer.
masterDC
Uma aposta de risco, não conheço o treinador mas pela descrição feita no texto parece-me ter boas ideias de jogo e que poderá beneficiar alguns jogadores que não têm estado tão bem, como o caso de Gudelj ou Bruno Fernandes. Veremos se com o tempo apostará em alguém da formação, se o Geraldes e o Matheus que me parecem ser boas opções irão regressar. Se apostará em Wendel que não tem sido aposta até agora.
Estou curioso para ver o que vai sair desta experiência.
Tiago Silva
Aprecio muito a pressão alta, uma equipa só consegue ter o controlo se tiver a bola, os jogadores sentem-se mais confortáveis com ela no pé. A pressão alta incomoda o adversário, deixá-lo nervoso o que leva a mais erros.
Não conheço o pormenor o futebol de Kaizer, mas pelo que leio é se conseguir implementar as suas ideias no Sporting vai melhorar e muito o futebol do Sporting e o futebol português, porque nasce um novo paradigma na qual as equipas portuguesas quererão seguir.
TomasEzequiel
Adorei o texto, deu a entender realmente quem é o Marcel Keizer, eu pessoalmente não o conhecia mas que com este texto deu para perceber o seu passado e a maneira como trabalha ligando diretamente ao Sporting e ao seu estilo de jogo! Parabéns e obrigado pelo excelente texto!!
Kacal
Acho que ideias e perfil tem, acredito que tenha competência e conhecimento. A duvida será mesmo o “caparro”, se irá lidar bem com a pressão de uma equipa principal e de ter de conquistar títulos já que a sua experiência de equipa principal é reduzida.
w0bbly
Durante o periodo no Ajax (equipa principal) muitas das vezes (e eu vi bastantes jogos, inclusive na televisão holandesa) e o futebol desse Ajax tinha alguns desses conceitos mas também tinha imenso futebol direto (nomeadamente para o Neres e para o Kluivert). Mas lá está esse período coincidiu com o acidente do Nouri e isso mexeu com toda a gente pelo que não estavam reunidas as melhores condições de trabalho. Mas nem sempre as equipas do Keiser se apresentam com futebol de posse e rendilhado. Até o vejo mais como uma versão mais vertical do futebol de posse (não tão rendilhado e apoiado na primeira e segunda fase de construção). Mas estou expectante para ver o que vai trazer. Numa primeira fase é certo que vão-se notar dificuldades, pois implementar o trabalho sem bola é exaustivo e requer muito mecanizar e estimulo de treino que em duas semanas não é possivel incutir
Estigarribia
Excelente texto, Daniel Rodrigues. Eu já tinha lido algumas coisas sobre o Marcel Keizer no zerozero (passo a publicidade) e, agora, com este texto brilhante fiquei a conhecer ainda melhor o técnico holandês do meu clube.
Se tudo correr bem no Sporting, espero que este novo paradigma que será introduzido em Alvalade seja seguido por outras equipas. Quero lembrar que, quando chegou ao Arsenal, Arsène Wenger também mudou para melhor os Gunners e o próprio futebol inglês também acabou por melhorar e muito, sendo hoje um dos melhores campeonatos do mundo.
Bruno Fernandes, Nemanja Gudelj (com quem se cruzou no Ajax), Wendel, Matheus Pereira, Jovane Cabral, Nani, Bas Dost, Raphinha, Marcos Acuña ou Jérémy Mathieu, por exemplo, são jogadores que encaixam perfeitamente, como uma luva, na ideia de jogo de Marcel Keizer.
P.S.: Espero que o Luc Castaignos consiga ser recuperado pelo Keizer. Ainda acredito que poderá valer a pena tê-lo no plantel.
Saudações Leoninas
mcthespecialone
O facto de ser mais low profile deverá ser a razão pela qual se optou por Keizer em detrimento de Miguel Cardoso até porque o estilo de jogo e as ideias de cada um são idênticas.
A ideologia é excelente e eu sou fã incondicional de Guardiola. O problema é que este estilo exige determinado tipo de jogadores e bastante tempo para a sua implementação. Cabe à equipa ir dando sinais que está a assimilar e que com tempo vai melhorar. Tempo esse que deverá depender da paciência dos Sportinguistas.
Agora avaliando o plantel para esta forma de jogar:
Baliza: exige um guarda-redes eximio a jogar com os pés e a controlar a profundidade podendo por vezes sair da baliza. Renan parece-me o mais próximo de ter tais características mas se for possivel ir ao mercado, melhor.
Laterais: o overlap é uma constante pelo que Acuña, Bruno Gaspar e até Ristovski parecem-me jogadores que se podem adaptar bem a isso. Garantir uma alternativa melhor ao Acuña era fundamental.
Centrais: bons de bola para começar a construção desde trás e rápidos para controlar a profundidade visto que a equipa vai jogar subida. Mathieu é o único central que tem alguma velocidade e que é forte a construir. Coates e Marcelo até nem são maus com bola mas são lentos. André Pinto prefiro nem comentar. Acho que aqui abre-se espaço para um jovem da formação: Tiago Djaló.
Médio Defensivo: Qualidade de passe, visão de jogo e rotatividade cobrindo uma vasta área do campo de forma a sustentar as subidas dos outros 2 elementos do meio-campo e dos laterais. Neste momento, não vejo ninguém que preencha estes requisitos. Gudelj tem qualidade de passe mas é pouco intenso. Uma mistura de Gudelj e Battaglia seria o ideal. É a principal posição a reforçar em Janeiro.
Médios centro: Criativos e capazes de entrar em espaços entre central e lateral e permitir aquele futebol de combinações à la Silvas do Man City. Bruno Fernandes, Wendel e Chico Geraldes parecem ter características para encaixar neste papel. Talvez o Wendel precise de trabalhar um bocado a vertente ofensiva mas acho que tem qualidade têcnica que sobra para ser este tipo de médio.
Extremos: rápidos sendo capazes de fazer diagonais e fortes na finalização. É muito importante ter alas esquerdinos e alas destros pois isso permite várias variantes no jogo da equipa. Raphinha, Jovane, Matheus Pereira, Diaby podem ganhar aqui um papel de destaque. Nani pode vir a derivar para o centro do terreno.
Ponta de lança: seja qual for o estilo de jogo quer se um matador. Mas além de finalizar, o PL deste estilo deve ser capaz de combinar a 1/2 toques, sair da posição para da opções de passe jogando por vezes de costas para a baliza e pressionar. O Dost que jogou no Wolfsburgo não seria a minha escolha mas o JJ trabalhou-o de tal forma que ele hoje faz muito mais do que finalizar jogadas.
Pondo isto em forma de onze:
Renan
Bruno Gaspar
Tiago Djaló
Mathieu
Acuña
Reforço
Bruno Fernandes
Chico Geraldes
Raphinha
Matheus Pereira
Dost
Kacal
Nani saiu do Sporting?! É que tem sido um dos “ganha pão” da equipa esta época e é dos mais experientes. Acho que vai “lucrar” ainda mais com Keizer a treinador.
mcthespecialone
Nani pode ser o que tu quiseres mas extremo não é. Zero capacidade de desiquilibrar na ala. Ele está numa fase da carreira em que faz mais sentido tê-lo em terrenos interiores do que na ala. Prova disto é as estatísticas desta época: está a fazer mais golos do que assistências. Por isto proponha colocá-lo na posição de médio centro deste estilo de jogo (um pouco à imagem do que faz o Zyech no Ajax). Não disse que ele era dispensável… aliás é um dos mais inteligentes e criativos do plantel. Vê lá se as carateristicas que refiro para a posição de médio centro não encaixam no Nani.
Ana Gouveia
Ana Gouveia
Não sendo ainda possível comentar o trabalho de Keizer, encontra-se aqui uma excelente forma deste se tornar mais próximo dos sportinguistas, bem como de qualquer amante do desporto rei!
Com esta leitura antecipa-se a chegada a Portugal de um perfil empenhado e com vontade de controlar o mais possível os resultados de cada conjunto de 90 minutos.
Quem reúne uma biblioteca de imagens como forma de treino e depois é obsessivo com regras como a dos 5 segundos… só pode querer o máximo da sua equipa.
Em boa hora chega quem vier por bem!
Vamos para a frente com bons espectáculos, Sporting!
Obrigada pela análise metódica e, nota-se, apaixonada pelas 4 linhas.
Precisamos de mais cronistas assim, Daniel Rodrigues!
Definitivamente.
BioSpot
Excelente texto.
Para quem não estava familiarizado com o trabalho do Kaizer, foi muito elucidativo. Agora falta ver se conseguirá implementar esta ideologia no Sporting. Seria de facto bastante bom se tal viesse a acontecer.
Rui Miguel Ribeiro
Surpreende-me que o autor do post e vários users falem da integração do Francisco Geraldes e do Mateus Pereira em Janeiro, alguns dão-nos como factos quase adquiridos. O Sporting tem alguma cláusula de retorno sobre esses jogadores? Duvido que tal seja uma evidência à la Vitória de Setúbal, para citar apenas um exemplo.
mcthespecialone
Olhando para os minutos que cada um está a ter não será dificil a negociação para um retorno
RodrigoRealista
Não é novidade que Keizer é uma incógnita. Não é novidade que este ano não vamos ganhar p**** nenhuma. Ninguém constroi uma época em Novembro.. Mas honestamente espero que seja uma lufada de ar fresco, que traga algum perfume ao jogo do Sporting e sobretudo que devolva aos jogadores a alegria e o prazer de jogar futebol, que parece ter faltado em muitos deles!!!
Pésquerdo
Em primeiro: excelente texto.
Segundo: retorno do Geraldes e Matheus para quê? Nem convocados são nos respectivos clubes, penso que já é evidente que não têm qualidade / vontade para ser jogadores de futebol. Um está demasiado preocupado em ouvir musicas indie e ler livros e o outro demasiado ocupado a ser burro.
Quanto ao treinador, parece-me um tipo de treinador que aprecio mas não consigo acreditar que vai resultar. Na minha opinião esta época irá correr mal, o estilo de jogo que implementa é perfeito para esbarrar nas defensivas super-organizadas do campeonato português e sofrer nas transições.
Depois, sem termos efectivamente um plantel de qualidade, temos ali alguns super egos que se acham a última bolacha do pacote. Acho que treinadores mansos, como dizem ele ser, são perfeitos para serem enterrados no plantel por jogadores como o Nani ou o Bruno Fernandes.
Grozny31
Concordo com tudo o que disseste.Nomeadamente o primeiro parágrafo. Já se viu que tanto um como o outro não iriam acrescentar nada por aí além, se nem nos respectivos clubes de empréstimo calçam.
Tinha algumas esperanças no Francisco, mas neste momento apenas me parece muita parra pouca uva. Quanto ao Matheus… disseste tudo.
Pésquerdo
Obrigado.
Quanto ao Francisco, vamos pagar para ver. Também não foi o meu candidato mas dou-lhe todo o benefício da dúvida e o que ele está a fazer com as claques é de homem com eles no sítio e bem feito.
Esta aposta no Keizer porém é arriscadíssima e parece-me uma jogada género D. Sebastião a invadir o norte de África. Só pode ser brilhante ou terrível e as chances de ser terrível são 90%.
Lourenco Vaz
Grande texto!
Uma aposta que tem tanto de interessante como de risco naquela que é, até ao momento, a grande prova de fogo do Varandas. Será sem duvida curioso assistir ao desempenho deste duo de perto. Boa sorte ao treinador, ao presi e á equipa.
GersonTR
Excelente crónica que confesso, fez-me ver este novo treinador (até então uma incógnita para mim e acredito eu, para 80% dos Sportinguistas) de uma forma diferente e esperançosa. Desde o ínicio que tenho dado o benefício da dúvida ao Varandas e estou optimista que esta visão e política de reforço que tem tido nestes primeiros meses vão ter sucesso. Mas como foi escrito a realidade é que este Marcel Keizer não terá tanto tempo para por em pratica esta mentalidade táctica e a pressão também não será algo que abonará a seu favor, mas espero que sim, que traga resultados positivos e que no mínimo se mantenha na luta até ao final do campeonato (o que será um prenúncio de “talvez” uma melhor época 19/20). Através deste fabuloso texto acredito que o futebol português e principalmente o meu Sporting só têm a melhorar!!!
Emigra
de facto as indicações iniciais tem sido positivas!!!
e também e’ bom que comece com jogos fáceis, para com vitorias dar confiança a equipa que o seu sistema funciona…
ansioso por sábado ver o primeiro jogo de Keizer.