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O tio que deixou o sobrinho sem Mundial lidera os talentosos que regressam 36 anos

No dia 15 de Novembro de 2017, o Perú saiu à rua para festejar a vitória por 2-0 contra a Nova Zelândia na 2.ª mão do playoff intercontinental, a qual deu aos sul-americanos o bilhete para estar no Mundial’2018 após o nulo registado no 1.º embate. E a ocasião não era para menos: os peruanos haviam acabado de colocar termo a um jejum de presenças na fase final da principal competição do futebol mundial que durava desde 1982, quando estiveram no certame que decorreu em Espanha. Com efeito, essa presença colocou um ponto final no melhor período dos incas em termos de mundiais, com participações no já referido Espanha’82 mas também no México’70 (na qual, na segunda  fase final da sua história após ter estado no primeiro mundial em 1930, atingiram os quartos-de-final, a sua melhor prestação de sempre) e no Argentina’78, sendo que há um nome transversal a estas 3 torneios: Teófilo Cubillas, nome maior do futebol peruano com 13 partidas e 10 golos apontados em mundiais (só 7 atletas têm mais) e que alinhou no FC Porto entre 1973 e 1977. Após esta fase, o Perú caiu numa longa travessia no deserto no que toca a campeonatos do mundo, a qual se atesta não só por 8 tentativas falhadas de classificação mas também por, em 5 das 7 fases de apuramento sul-americano entre 1990 e 2014, la blanquirroja não ter passado do 8.º lugar, o que mostra que, na maior parte dos casos, o regresso nem perto esteve.

Para atacar o objectivo Rússia’2018, o comando técnico da selecção foi entregue ao argentino Ricardo Gareca, que começou com um excelente 3.º lugar na Copa América’2015. No entanto, o optimismo gerado por essa prestação começou por não ser correspondido no arranque da caminhada rumo à Rússia, já que o Perú somou uma vitória, um empate e 4 derrotas nas 6 primeiras rondas da qualificação. No entanto, os comandados de el tigre foram melhorando e, com um registo de 3 vitórias e 2 empates (um deles em Buenos Aires) nas últimas 5 jornadas, a equipa subiu do 8.º lugar que ocupava à 13.ª ronda para o 5.º posto (à frente do bicampeão da Copa América Chile) que lhe permitiu aceder ao referido playoff contra a Nova Zelândia. Os bons resultados com Gareca (ilustrados pelo 3.º lugar na Copa América’2015, pelos quartos-de-final na Copa América’2016 e por esta presença na fase final do mundial) valeram aos incas uma subida do 59.º posto do ranking FIFA ocupado em Março de 2015 (data da chegada do argentino ao cargo) para o actual 11.º lugar (em Outubro obteve a sua melhor posição de sempre neste ranking, o 10.º lugar). Esta conjuntura levou os peruanos ao optimismo e ao sonho de continuar a fazer história na Rússia, mas um duro e inesperado golpe abalou todo o país: Paolo Guerrero, o grande capitão, avançado, referência e líder da selecção, acusou positivo num controlo anti-doping realizado em Outubro, tendo-lhe inicialmente sido aplicada uma sanção de um ano, a qual foi depois reduzida para 6 meses, podendo assim o jogador do Flamengo estar no mundial. No entanto, a 14 de Maio e a um mês do certame, o TAS aumentou em 8 meses a pena (para um total de 14 meses) e assim Guerrero via-se, aparentemente, impedido de estar na Rússia. Mas em novo volte-face, a 31 de Maio, o TAS permitiu mesmo que o dianteiro estivesse na Rússia, tendo uma carta escrita pelos capitães dos adversários do Perú na fase de grupos a apelar à despenalização tido um papel fundamental na decisão final. Desta forma, la blanquirroja encara este Mundial com optimismo, já que conta com um elenco talentoso (vários nomes podem “explodir” na Rússia) que vem elevando os patamares competitivos da selecção e que promete futebol de qualidade. Integrada no grupo C com França, Dinamarca e Austrália, pedir-se-á a Gareca que potencie ao máximo a força do colectivo e o talento de algumas individualidades (num país que sempre foi visto como uma espécie de “mina de ouro desaproveitada” em termos de matéria-prima futebolística) para sonhar com os oitavos-de-final. Um bom resultado na estreia contra a Dinamarca seria crucial, sendo certo que, para o futebol do país, estar nesta fase final é já um título.

Estrela: Paolo Guerrero (Avançado, Flamengo, 34 anos) – Depois de muitos episódios e reviravoltas, Guerrero liderará o Perú no regresso a um Mundial 34 anos depois.  Além de ser o melhor jogador da selecção (é um dianteiro forte em diferentes tipos de finalização e muito capaz a jogar de costas para a baliza e servir de referência para o jogo directo, esperando pelos apoios dos companheiros e ganhando faltas), Guerrero é também um líder carismático e contagiante, com uma personalidade que se vinha relevando fundamental para os êxitos peruanos. Melhor marcador da história da selecção (32 golos marcados), esta competição é uma espécie de consagração de carreira mas Guerrero, muito competitivo, não quererá apenas marcar presença, sendo preciso que o avançado do Flamengo esteja ao seu melhor nível para que a equipa de Gareca continue a fazer história. Devido à suspensão, fez apenas 3 jogos em 2018, pelo que poderá acusar alguma falta de ritmo, mas, se os peruanos quiserem olhar pelo lado optimista, essas 3 partidas foram em Maio.

Jogadores em destaque: Alberto Rodríguez (Central, Junior Barranquilla, 34 anos) – O experiente central (73 partidas pela selecção e presença em 3 Copa América) mantém-se como um dos esteios da defesa dos incas. Com um estilo sóbrio mas eficaz, as lesões impediram que El Mudo chegasse ao patamar que a qualidade apresentada no SC Braga parecia permitir. Da solidez da sua dupla com Christian Ramos depende muito do sucesso colectivo; Christian Cueva (Médio-ofenisvo, São Paulo, 26 anos) – Um dos principais responsáveis pela subida de rendimento do Perú nos últimos 3 anos, Cueva é um dos nomes que terá de estar no seu melhor para que o Perú vá longe. Com um sólido percurso ao serviço do São Paulo (87 jogos e 20 golos em dois anos), o criativo poderá ter neste torneio uma grande oportunidade para se valorizar e, quem sabe, rumar à Europa ; André Carrillo (Extremo, Watford, 26 anos) – Cedido pelo Benfica ao Watford na última temporada, La Culebra é um grande talento (rápido, forte no um contra um, ágil) com um aspecto mental deficitário e que tarda em “explodir” ao nível de clubes. Depois de uma campanha na Premier League em que mostrou o seu valor mas, uma vez mais, foi irregular (titular em 16 partidas da Premier League, menos de metade), Carrillo é outro dos homens que terá de estar no seu melhor para que o Perú possa sonhar, até porque, se os adversários derem espaços, pode encontrar o contexto ideal para brilhar.

XI Base: Gallese; Corzo, Ramos, Rodríguez, Trauco; Tapia, Yotún; Carrillo, Cueva, Flores; Guerrero.

Jovem a seguir: Renato Tapia (Médio, Feyenoord, 22 anos) – O médio rumou com apenas 17 anos para a Holanda, alinhando primeiro no Twente e depois no Feyenoord, vencendo em Roterdão a Eredivisie em 2016-2017. Tem sido um indiscutível para Gareca à frente da defesa juntamente com Yotún mas a verdade é que, depois de entre Setembro e Janeiro ter sido titular no Feyenoord, só alinhou de início por 3 vezes nos últimos 3 meses da campanha, pelo que terá na Rússia uma oportunidade para provar o seu valor.

Principal ausência: Sergio Peña (Médio, Granada, 22 anos) – O único peruano que não está contente com o volte-face no “caso Guerrero”. Peña, jovem que esta época ganhou algum espaço no Granada, estava a estagiar com os restantes 22 convocados por Gareca quando se soube que o avançado, afinal, estaria disponível para alinhar no Mundial, e acabou por ser o elemento preterido para que o capitão entrasse na lista. A grande curiosidade é que Peña é sobrinho de Paolo Guerrero, pelo que se pode dizer que o seu tio deixou o médio do Granada sem Mundial.

Convocatória: Guarda-redes: Pedro Gallese (Veracruz, México), José Carvallo (UTC), Carlos Cáceda (Municipal); Defesas: Luis Advíncula (Lobos), Miguel Araujo (Alianza Lima), Aldo Corzo (Universitario), Nilson Loyola (Melgar), Christian Ramos (Veracruz), Alberto Rodríguez (Junior), Anderson Santamaría (Puebla), Miguel Trauco (Flamengo); Médios: Pedro Aquino (Lobos), Wilmer Cartagena (Veracruz), Christian Cueva (São Paulo), Edison Flores (Aalborg BK), Paolo Hurtado (Vitória Guimarães), Andy Polo (Portland Timbers), Renato Tapia (Feyernoord), Yoshimar Yotún (Orlando City); Avançados: André Carrillo (Watford), Raúl Ruidíaz (Morelia), Jefferson Farfán (Lokomotiv) e Paolo Guerrero (Flamengo).
Selecionador: Ricardo Gareca
Prognóstico VM: Fase de grupos

Pedro Barata

As selecções já abordadas no nosso guia:
Grupo A: UruguaiRússia,Egipto e Arábia Saudita
Grupo B: MarrocosIrão
Grupo C: FrançaDinamarcaAustrália
Grupo D: IslândiaArgentina
Grupo E: Costa RicaBrasilSérvia
Grupo F: SuéciaCoreia do SulMéxico
Grupo G: InglaterraPanamáBélgica
Grupo H: SenegalJapão

12 Comentários

  • touny71
    Posted Junho 7, 2018 at 2:27 pm

    Este Peru até pode não passar a fase de grupos, mas é das seleções que melhor joga. Incrível vê-los, uma equipa super entusiasmante. Certamente que o França – Peru será dos melhores jogos deste Mundial.

    Curioso ainda é que o Peru é a equipa com a média de alturas mais baixa (1,77 m), menos 8 cm que Dinamarca (1,85m), menos 6 que França (1,83m) e 5 que Australia (1,82)

  • Pedro Barata
    Posted Junho 7, 2018 at 2:40 pm

    Decisões bombásticas e reviravoltas em relação à presença, ou não, da grande estrela de um regressado 36 anos depois. Um apelo dos rivais de grupo a mostrar a força que os jogadores têm. E um miúdo que foi excluído à última hora e que é sobrinho do craque. A grande história do pré-Mundial é esta, não há dúvidas.

  • M4R7UCH0
    Posted Junho 7, 2018 at 3:11 pm

    Queria tanto ter o Tapia no SPORTING, ja o sigo a 2 anos tem muito futuro a meu ver.

  • Estigarribia
    Posted Junho 7, 2018 at 3:34 pm

    A Seleção do Peru é uma seleção com imensa qualidade e ainda bem que pode contar com Paolo Guerrero no Mundial de 2018. Ainda assim, existem alguns nomes nos rojiblancos que vou seguir com alguma atenção: Raúl Ruidíaz, Christian Cueva e Miguel Araujo.
    Para acabar quero dizer que o destino é uma coisa irónica: em 1985, Ricardo Gareca, internacional argentino, marcou o golo que levou a Argentina ao Mundial de 1986 e que deixou os peruanos de fora do México; passados uns anos, o mesmo Ricardo Gareca pega na Seleção do Peru e leva-os ao Campeonato do Mundo. É coincidências do caramba…

  • Manchester Is Red
    Posted Junho 7, 2018 at 3:37 pm

    A par de Jiménez e Seferovic, mais uma bela montra para um jogador excedentário do Benfica.

    Que façam os 3 um grandíssmo Mundial e que se ponham a andar daqui para fora.

    • Kacal
      Posted Junho 7, 2018 at 3:46 pm

      Não sou benfiquista, mas acho um pouco excessivo e ingrato até falar dessa forma de um jogador como o Jiménez, que sempre deu tudo em campo pelo Benfica quando foi a chamado a jogo e marcou golos importantes para o Benfica alcançar os seus objectivos e os seus adeptos terem a possibilidade de festejar.

      • Estigarribia
        Posted Junho 7, 2018 at 3:53 pm

        Kacal, o Jiménez é daqueles jogadores que dá tudo em campo e que qualquer treinador gostaria de ter na equipa. Penso que é um jogador “à Sérgio Conceição”, já que é raçudo e não desiste de cada lance indo até ao fim.

        • Kacal
          Posted Junho 7, 2018 at 4:50 pm

          Concordo. E tem aquela “estrelinha” de marcar os golos decisivos. Não é um goleador, mas é um avançado útil de ter num plantel.

      • Manchester Is Red
        Posted Junho 7, 2018 at 3:53 pm

        Excedi-me em relação ao Jiménez… Mea culpa.

        Mantenho a minha opinião em relação aos restantes 2.

  • Kafka
    Posted Junho 7, 2018 at 5:52 pm

    O Peru até pode perder os 3 jogos, que já ninguém lhes tira o “título Mundial de 2017”,a forma como o País INTEIRO festejou o apuramento, ao ponto de ser decretado feriado nacional nacional e ter havido honras de estado, foi algo igual a terem sido campeões do Mundo, e foi provavelmente o momento mais alto do ano de 2017 a nível futebolístico em todo o Mundo… Inesquecível a festa de todo um País

  • Bacano Driblador
    Posted Junho 7, 2018 at 6:04 pm

    Agora no Mundial de 2030, o Peña só têm que repetir a façanha!!!

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