O desporto está recheado de histórias improváveis, de heróis impossíveis cujo super poder não lhes é dado, mas sim trabalhado e merecido. Nos Estados Unidos essas histórias ganham ainda outros contornos.
Toda a gente aprecia os relatos dos atletas que tinham tudo para não serem estrelas. A dimensão física dos desportos é ainda mais evidente, e os super atletas, os que dão cedo nas vistas no seu percurso universitário, as estrelas e primeiras escolhas dos drafts, são por norma aqueles atletas cuja conjugação obedece ao talento e ao ser mais forte, saltar mais alto, correr mais rápido. Na NFL toda essa dimensão física tem um peso ainda mais vincado.
O que faz com que a história de Julian Edelman seja ainda mais improvável.
Aos 34 anos, um dos mais reconhecidos slot receivers da liga, disse adeus à modalidade devido a problemas físicos que já o apoquentavam há algum tempo e que o fizeram perder a quase totalidade da época anterior.
Jules como é carinhosamente conhecido no seio dos adeptos dos Patriots, não poderia ter um percurso mais improvável. Começou como quarterback, o sonho de qualquer jogador de futebol americano, mas devido à sua altura, não era propriamente alguém que se destacasse. Recebeu zero ofertas de bolsa após os seus anos de secundário. Acabou por satisfazer a sua ambição na modesta universidade de Kent, onde em 3 anos de “college” conseguiu o score de 30 passes para touchdown ao mesmo tempo que tinha 31 intercepções, e um registo de 13 vitórias e 33 derrotas. Apesar de não ser particularmente prolífico com os seu braço, a sua capacidade de trabalho e a capacidade de estender jogadas em corrida chamaram a atenção da raposa Bill Bellichik, que o selecionou na 7ª e última ronda do draft de 2009. O alquimista dos bancos da NFL, tratou de converter o QB num dos slot receivers mais temidos da Liga e num parceiro de eleição para outro underdog também selecionado na 7ª ronda, Tom Brady.
A história seguinte já toda a gente conhece.
3 títulos mais tarde, e inclusivamente com um MVP do Superbowl no currículo, termina uma das histórias de um atleta que à partida teria tudo para não triunfar, mas que devido à sua ética e capacidade de trabalho conseguiu superar todas as adversidades e tornar-se num dos jogadores mais instrumentais da dinastia dos Patriots.
Como qualquer boa história e como acontece com qualquer personalidade forte, já há quem especule se esta retirada não será um até já e se Julian Edelman não entrará a bordo do comboio dos campeões Bucs, para uma última viagem ao lado dos companheiros de sempre Brady e Gronkowski.
Flávio Trindade
Explosive, elusive, tough, talented.
Simply, 𝐫 𝐞 𝐥 𝐞 𝐧 𝐭 𝐥 𝐞 𝐬 𝐬. pic.twitter.com/QwJUvtoQ4h
— New England Patriots (@Patriots) April 13, 2021


3 Comentários
Kafka
Lenda, que grande jogador
Fdx já tenho tantas saudades da NFL…. É “criminoso” estarmos todos os anos 7 meses sem NFL
DNowitzki
Vai fazer um ano sabático e, em 2022, estará com os amigos Gronk e TB12 a fazer as despedidas, em conjunto, da NBA.
Tenho dúvidas de que venha a ser eleito para o AOF, mas será sempre uma lenda entre os Patriots.
Tem calma: já só faltam 5 meses para chegarmos a agosto e o cheirinho regressar.
DNowitzki
Que disparate! NFL e não NBA!