Cada vez mais são os jogadores portugueses que dão o salto para o estrangeiro ainda antes de completarem o seu processo de formação. A oportunidade de ingressar num grande clube, um novo estilo de vida e uma maior massa salarial são alguns dos aliciantes mais comuns para convencer um jovem prodígio a emigrar tão cedo. João Carlos Teixeira é mais um desses elementos. Reforço do Liverpool em 2011, sendo júnior na altura, acabou por não atingir o patamar que certamente esperava, isto é, vingar na equipa principal dos Reds. Contudo, deu nas vistas nos escalões secundários, nomeadamente no Brighton & Hove Albion do Championship, algo que lhe permitiu ser o jogador do ano da Academia do Liverpool em 2015. Deste modo, esperava-se agora que o médio natural de Braga tivesse a oportunidade de aparecer no histórico clube inglês. Acontece que as reservas foram a realidade mais próxima desse objectivo. A chegada de Klopp ainda deu lhe um novo fôlego, chegando mesmo a referir que o alemão gostava de si, mas os minutos continuaram a ser poucos, acabando o golo na FA Cup por ser 0 seu ponto mais alto na passagem pela cidade dos Beatles. Em final de contrato, o FC Porto acabou por garantir o seu concurso a custo zero. Os dragões procuravam o criativo que não existira na época anterior, enquanto que João Carlos Teixeira entrava novamente num grande clube, no seu país, um local onde poderia finalmente demonstrar o seu talento aos portugueses depois de uma saída precoce e onde poderia ambicionar títulos. O técnico mudara e a pré-época permitiu que se mostrasse de forma assertiva a Nuno Espírito Santo. Raramente pareceu ser encarado como uma opção principal, mas quando entrou revelou alguns pormenores interessantes, embora os alternasse com momentos de displicência e até de vedetismo. Agosto marcava o arranque da época oficial e o reforço dos dragões ficava fora das contas, algo que um mês depois ainda não se alterou. Nada mudara portanto na sua carreira. Utilizado em todos os jogos de preparação, acabou por ser convocado apenas em três dos oito jogos oficiais dos azuis e brancos, não sendo utilizado em qualquer um deles. Na verdade, existem muitas opções para o meio-campo azul e branco e a chegada de Óliver Torres acabou por lhe retirar ainda mais espaço. Com contrato até 2020, fica a dúvida em torno do que poderá acrescentar o centrocampista de 23 anos ainda nesta temporada, sendo que a sua criatividade e qualidade técnica poderiam ser úteis ao meio-campo portista em alguns desafios.
Rodrigo Ferreira


17 Comentários
El Cholo
Começa a ser recorrente o Futebol Clube do Porto anunciar com grande protagonismo um jogador no intuito de dar bicada ao Sporting, neste caso por ser da nossa formação, e depois têm o rendimento que se vê.
Ghilas, Marega, Suk, entre outros
BrunoFerreira27
Ainda gostava de saber que “grande protagonismo” este jogador recebeu por parte do Porto…
Jorge
Não me parece que este seja um caso igual aos que mencionou… O Porto tentou a sua sorte num jogador que até fez uns joguinhos com Klopp e precisava de um médio com características mais ofensivas (depois chegou Óliver), mas até agora, a aposta no JCT não tem resultado.
Acho que neste caso não houve intenção nenhuma de dar uma bicada ao Sporting.
Lavish
Boas. Penso que ainda é muito cedo para estas conclusões. Refiro-me a ti mas também ao autor do texto. Estamos com um mês de futebol. Abraço.
Ninja
Este esteve longe de ser uma bicada ao Sporting à boa moda de Marega… O único jogador disputado por ambos os clubes neste defeso foi Rafa.
A não opção por JCT, especialmente depois da saída de Bueno não tem grande explicação. Dizer que o seu problema é Oliver não faz sentido, não pisam os mesmos terrenos e podiam perfeitamente conviver no meio campo quer com Danilo ou com Ruben atrás… Adrian lhe ter roubado o lugar é outro mito, não são parecidos em nada. Apesar de tudo, a sensação de que o Porto não tinha extremos e MOs suficientes foi ilusória… Os minutos que tanto Jota, Varela e JCT vão ter são prova disso.
Começa-se a confirmar a previsão de que NES é um treinador pouco desenvolvido em termos de organização ofensiva. As suas ideias para esta fase do jogo, se é que as tem, ainda não se viram.. Isto porque projectar os laterais e mandá-los ir cruzar à linha para um PL sem grandes características fisicas não é uma ideia de jogo, é a falta dela.
NES tem de abrir o livro e deixar de jogar como jogou no Valencia, as transições valeram-lhe um 4o lugar lá… Mas o mais provável é valeram-lhe um 3o aqui.
Despedi-lo é carta fora do baralho mas com Toral no mercado… Pode-se sempre sonhar.
Rasgo
Bruma, Ilori, João Carlos… Nem sempre ganhar dinheiro mais cedo é a melhor opção.
Rui Pedro
Isto é estranho, ia jurar que o Pinto da Costa tinha dito que este ano só ia contratar jogadores para acrescentar, para serem titulares. E até ver… Depoitre é pior que o Gonçalo Paciência, o Boly pior que o Marcano e este João Teixeira nem sei se tirava o lugar ao Graça na B
Fabio Teixeira
Vedeta
Tiago Silva
O João Carlos Teixeira é um bom jogador mas que ainda tem que ganhar confiança. Ele tem um bom drible, controlo de bola e visão de jogo, mas sinceramnete já tem o Otávio e o Oliver ou mesmo o André André à sua frente.
Daniel Alves
A única coisa estranho que vejo nesta situação é que NES apostou muito nele nos jogos de pré-época, tanto quanto sei, e depois a sério não o tem utilizado…Isso parece-me estranho
Guilherme
A coisa estranha chama-se Oliver.
Estivela
Não há regras para isto. Para muitos funciona ir cedo, outros não. É a mesma coisa que alguém que está bem num Braga, Guimarães, etc. Se calhar a melhor movimentação não é ir para um dos três grandes, mas esperar pelo momento certo. Nada é linear e cada caso é um caso. No entanto é perfeitamente compreensível porquê estes jovens dão estes saltos cedo e não podemos julgar.
João S
Diz-me aí um com quem tenha funcionado, i.e., que se tenha afirmado no clube para onde saiu tendo ainda idade de junior (ou menos). É que muito sinceramente nao estou a ver ninguem. (Não vale dizer CR7)
Tiago Silva
O Bruno Fernandes, por exemplo.
Bruno Marques
Boas isto são provas que sair cedo de Portugal é mau. Já temos vários exemplos (Pedro Mendes, Edgar Le, Agostinho Ca, Pedro Delgado), mesmo Bruma achou que podia estar melhor!
Os miúdos das formações do Sporting, Benfica e Porto, é que deviam ver estes exemplos, ainda este ano saíram muitos da formações para o estrangeiro.
Edge
Sempre critiquei quem saia de Portugal ainda verde. Muitos dos jogadores da selecção do Rui Jorge são bons mas os q estão lá fora n tem oportunidade simplesmente porque não estão preparados para os campeonatos lá de fora. os Tiagos Iloris, os Ivans Cavaleiros e os Brumas saem da portugal muito cedo local aonde teriam oportunidades para crescer e serem bons.
Paulo
As contas do Benfica são um logro, Se uma dia LFV de lá sair saber-se-á a verdade e nessa altura será tarde demais!