Quem irá acompanhar Pog no Tour? Ayuso deve ser o líder na Vuelta ou Giro por isso será poupado a esse trabalho. Veremos é se Yates (que é mais forte em uma semana) ou Almeida não terão de trabalhar para o esloveno na Volta a França.
Adam Yates assinou até 2025 pela UAE-Team Emirates. O ciclista britânico, de 30 anos, que já fez Top 5 no Tour ou Vuelta, além de ter conquistado a Volta a Alemanha, Volta a Alemanha, UAE Tour ou a Donostia San Sebastian Klasikoa, sendo que ainda tem vários pódios onde teve a concorrência dos melhores do Mundo, deixa a INEOS e junta-se assim à equipa de Pogacar ou João Almeida.
✍️ We're delighted to announce the signing of @AdamYates7 on a three-year deal.
Welcome Adam 🇬🇧 !
Full story > https://t.co/eHH8oil4N7#UAETeamEmirates #WeAreUAE pic.twitter.com/yBYxDMBaKH
— @UAE-TeamEmirates (@TeamEmiratesUAE) September 20, 2022


18 Comentários
Francisco Ramos
Nem João Almeida (ainda), nem Ayuso (ainda) nem Yates são candidatos a vitórias finais. Contudo, acho que existe espaço para todos.
Penso que Yates é mais forte em provas de 1 semana e será uma óptima ajuda a qualquer um dos outros 3 (e aqui incluo Pogacar) em provas de 3 semanas para destruir um pelotão numa etapa de montanha. É também bom como papa etapas se tiver essa liberdade.
E os outros seria Pogacar para Tour e entre João e Ayuso perceber entre Giro e Vuelta qual se adapta melhor às suas características.
Contudo, mais do que líderes acho que faltam mais gregários de luxo de forma a que se possam dividir entre as diferentes corridas no apoio dos seus líderes. Por exemplo na Vuelta, Soler passou a vida em fugas e como nem Ayuso podia ajudar João, nem o inverso, viram-se muitas vezes cada um por si e com isso acabam por perder mais tempo do que seria expectável.
João Ribeiro
A última semana do Soler foi brilhante em termos de trabalho para a equipa. Estar na fuga por vezes é precisamente para garantirem que serão uma ajuda mais à frente na etapa, que foi isso que o Soler fez brilhantemente nesta Vuelta. Até me surpreendeu.
Mas concordo na parte de que faltam mais gregários e não líderes na UAE.
Francisco Ramos
João,
Foi e não foi. Para ser um grande trabalho teria que ser colocado na fuga mas resguardar-se um bocadinho mais para ainda ter força quando os líderes chegassem à sua roda. Mas o que aconteceu foi Soler tentar vencer ou já estar desgastado quando da chegada. A estratégia funciona mas tem que ser melhor pensada, a meu ver.
Contudo, também me surpreendeu a forma como chegou à Vuelta, algo que já não lhe víamos há algum tempo.
Yazalde1906
Isto!
O Soler na etapa da Sierra Nevada quando se atirou a subir a parte mais complicada à morte deitou por terra as hipóteses de vir a ajudar o Ayuso/Almeida.
Sede de vencer
A UAE já tem os seus gregários jeitosos: Majka, Yates, Bennett, Mcnulty (parece na sombra do Kuss…), Tim Wellens, Grosschsrtner e Polanc/Formolo (média montanha) e umas quantas incógnitas.nomeadamente o Almeida, Ayuso, Fisher Black (estou curioso com este menino), Covi.
Não têm a profundidade da Jumbo ou Ineos, mas lembram-se das últimas prestações da Jumbo no Giro?
O enfoque da UAE será o Tour e levarão uma super equipa, estou em crer.
Francisco Ramos
O problema não são os gregários de Pogacar e mesmo esses deixaram muito a desejar este Tour quando foram completamente destruídos pela tática da Jumbo. O problema é não haver gregários para os restantes e Pogacar só haver um que consegue destruir corridas ou etapas sozinho. Basta perceber que em 44 vitórias, Pogacar tem 14 (1/3), segundo a pro cycling stats.
A Jumbo não tem nenhuma aposta real no Giro e na Vuelta tem tido por Roglic acaba por desistir do Tour. O Giro serve para ver se ciclistas como Foss ou Kuss se dão como líderes ou se necessitam de procurar novos talentos. Também ajuda a perceber se ciclistas como Kruijswijk voltam à forma de 18 ou 19!
Yazalde1906
João, permite-me a seguinte opinião:
O Soler esteve realmente bem a trabalhar em prol da equipa durante a última semana, e digo bem porque terá sido essa a táctica da equipa.
Já que eu considero que raras vezes faz sentido meter um ciclista na fuga do dia para mais tarde ajudar o seu líder, isto porque muitas vezes o ciclista em fuga chegará à última subida do dia com muito mais desgaste em cima que aquele que teria caso tivesse ficado no grupo dos favoritos. Wout van Aert há um e não há muito mais gente com essa capacidade.
Para que funcione têm de estar reunidas algumas condições, por exemplo ser uma fuga grande em que dê para se poupar bastante e uma grande dose de planeamento/sorte para que tudo funcione como esperado.
Bayern de Monchique
Enorme contratação para a UAE!
Na INEOS, o Adam não teve propriamente as 2 épocas que esperava dele com somente duas vitórias WT. É um ciclista com uma qualidade excecional mas não o vejo com um GC contender (em grandes voltas) dentro da UAE. Ou melhor.. acho que é um bom plano B.
Na minha perspetiva, Adam será primeira escolha para provas de uma semana e clássicas (Ardenas e Itália principalmente). Acho que será um muito bom complemento aos atuais lideres mas não como líder destacado (para GT) tendo em conta os atuais contratos: João (2026), Ayuso (2027) e Pogacar (2028). A aposta da equipa parece clara a menos que alguém vacile. O João só terá que continuar o seu caminho e evoluir em alta montanha.
De qualquer das formas Adam tem qualidade para limpar 2 ou 3 clássicas por época, etapas em grandes voltas e provas de uma semana e logo aí será positivo para a equipa.
Yazalde1906
Concordo que terá capacidade para lutar por provas de 1 semana, mas no restante discordo em absoluto.
O Adam tem qualidade para limpar 2 ou clássicas por época?
É que até hoje tem no cv a clásica de San Sebastian já em 2015 e dois top10 na Liege-Bastogne-Liege, de resto bola! E dizeres que será líder nas Ardenas só acontecerá se a UAE tiver com os padrões muito baixos.
Bayern de Monchique
Se se restringir a época de clássicas às maiores provas claro que o Adam não é o maior candidato nem foi isso que eu quis dizer ahah (Devia ter escrito essa frase de outra forma)
Parte atrás de uma primeira linha de ciclistas – verdade – mas dentro do bloco da UAE apresenta um perfil que poucos têm. Tem feito resultados interessantes em Itália (Milano-Torino à cabeça), nas Ardenas bate-se bem e há poucos dias andou bem no Canadá, ou seja, ele tem qualidade para este tipo provas (rompe-pernas) e por esse motivo acho terá a confiança da equipa. Agora.. não acho que ele vá ganhar as clássicas mais importantes do ano mas acho que é capaz de ganhar 2 ou 3 – independentemente do nível da prova.
A titulo de curiosidade, em 2020, 2021 e 2022 ~ 35% das vitórias da UAE foram em provas WT. Há muitas outras provas, nas quais a UAE vai competir, em que o Adam Yates será um belo trunfo. Se umas vezes irá como líder, noutras irá como outsider e talvez até como gregário. Se a época dele for orientada a tais provas mantenho a minha convicção.
Yazalde1906
Já percebi o teu ponto de visto.
Quando falaste em clássicas e ardenas pensei apenas nas grandes, entendi mal o alcance do teu comentário :)
De facto ele pode ter capacidade para obter resultados interessantes em algumas dessas provas, veremos qual é o objectivo da equipa, podem querer tê-lo como gregário de luxo/backup para o tour.
João Ribeiro
Não acho que deva ser visto como concorrência. A época de ciclismo é bem mais do que as 3 grandes voltas, e com o maior interesse das equipas pela vitória no ranking ainda mais esta máxima se aplica (tem-se assistido a uma grande disputa entre UAE, INEOS e Jumbo, assim como pela manutenção). Portanto, haverá espaço para todos liderarem e, cada vez mais, a aposta destas equipas será apostarem em 2 nomes para o Top-10 nas grandes voltas (pelo menos em Giro e Vuelta será dado quase adquirido).
A UAE também mostrou na última semana da Vuelta que é possível haverem dois líderes e a equipa trabalhar para ambos. Vimos etapas em que jogaram belas cartadas estratégicas e onde trabalharam para os dois líderes. Não é preciso “futebolizar” o ciclismo, falar em concorrências dentro da estrutura nem mandar tudo ao ar só porque não estão todos à mercê do português.
RuiMagas
O problema do povo que vem para o ciclismo a pensar que é futebol é que ciclismo é muito pela forma e momento. Esta Vuelta mostrou isso: João chegou em baixa forma comparado com Ayuso e isso no ciclismo a liderança é logo atribuída ao Ayuso porque o que a equipa quer é obter os seus objetivos e equipas completas se não tem opção A, jogam com a B ou C, nem que esses opções sejam para caçar etapas ou apostar só no seu sprinter. Mas na última semana o João estava em crescendo e o Ayuso tem 19 anos ter feito 3 semanas daquela maneira e acabar no pódio foi muito bom e a equipa correr e protegeu ambos e acabaram com um belo top3 e top5.
O Adam Yates deve vir com o propósito de trabalhar para o Pogacar mas lá está o ciclismo é forma ou momento, nunca se sabe se o Pogacar tem uma queda, lesão, doença ou arrebentar o motor, e Yates é o plano B para o top10 caso o Pogacar falhe, se não falhar? Melhor porque vai ter um Yates a trabalhar para ele certamente. E quem diz Yates, diz Ayuso ou Almeida e ainda temos McNulty que na última semana de Tour deu um passo a frente e diz que é uma carta dentro do baralho das gerais.
João Ribeiro
Costuma-se dizer que o futebol é o momento, mas se há desporto onde essa regra se aplica ao máximo é no ciclismo. Basta ver que, em grandes voltas, se corre uma etapa diferente todos os dias, onde a margem de recuperação é nula, e basta um pequeno desconforto para um ciclista que estava num grande momento passar a viver nas ruas da amargura (veja-se Pinot em 2019). Basta uma noite mal dormida, seja porque o colchão era mais desconfortável (parece ridículo mas é verdadeiramente uma enorme preocupação para as equipas, daí algumas delas levarem os próprios colchões para as provas e cada ciclista tem o seu) ou porque uma melga atrapalha o sono, para o ciclista não conseguir recuperar os músculos na sua totalidade e estar a perder 2-3 minutos na etapa seguinte quando numa anterior até ganhou tempo.
Ainda este ano, o Vingegaard passou de gregário do Roglic, para possível líder no Tour até ser mesmo o vencedor do Tour. O João Almeida estava em baixo de forma numa semana, andava-se a enganar nos caminhos do ITT, nunca ganharia uma grande volta porque não era top na montanha e porque nunca atacava e de repente faz uma última semana onde ataca a 80 kms da meta, onde reboca e parte o grupo dos favoritos já depois de ser alcançado e ainda fecha espaços a contra-ataques, faz 4º na Sierra de la Pandera e se calhar já nos pode dar uma grande volta futuramente. O próprio Hindley parecia um ET no Giro e agora teve dificuldades em fazer top 10 na Vuelta.
São exemplos de como o ciclismo é de facto o momento, e que não se pode rotular de “este é melhor que aquele” só porque faz uma prova melhor, e as equipas, sabendo disto melhor que qualquer um de nós, atuam no mercado para se precaverem precisamente destes maus momentos, não é propriamente para descartar ou dar concorrência interna a algum Almeida ou Pogacar desta vida (apesar de também servir para evitar comodismos, mas até aí os ajuda a evoluir logo longe de ser concorrência).
O papel do João, do Pogacar, do Ayuso, do Yates e/ou do Soler é servir os interesses da UAE e não o contrário, e isto custa a entender a esta nova classe de fãs.
RuiMagas
Ainda no final da Vuelta comentei que as transferências da UAE não estavam a ser nada de especial e estava a ver um Almeida ou Ayuso a ir ao Tour no apoio ao Pogacar para ombrear com Vingegaard e aquela super equipa que a Jumbo levou este ano. Mas com esta contratação fico ainda mais dúvidas do que irá acontecer nas lideranças das GVs na UAE.
O que eu acredito que irá ser é Almeida e Ayuso ambos líderes e a fazer Giro-Vuelta os dois , com Pogacar 100% no Tour com Yates no apoio e com hipóteses de ir a Vuelta com wild card dentro da equipa como Soler este ano, por exemplo, e caçar etapas.
Mas pelo menos a UAE mudou a estratégia e com este mercado de transferências deu a entender que o objetivo é corridas de 1 semana e ganhar Grandes Voltas sem o Pogacar porque não contratou os 4 sprinters que eles gostam de contratar todos os anos e ainda deve sair Gaviria e Richeze para a Cofidis provavelmente.
MM
É um nome forte, mas nao me parece que a ideia seja ofuscar o JA. O Yates deve vi para lutar por classifcas e provas de 1 semana e ajudar o Pogacar no tour.
O JA deverá ser aposta para Giro e apoio/plano B ao Ayuso na Vuelta, e vice versa.
Agora, se o JA nao confirmar no prxm ano que pode lutar por GC de 3 semanas, entao arrisca transformar-se em gregario de luxo de Pogacar ou Ayuso, e perder o lutar de co-lider para Ayuso, Yates, soler ou outro
MM
Duvida: o ranking de equipas do World Tour é mt valorizado? As equipas lutam para ganhar?
Nunca liguei a isso e desconheco se é motivo de celebração, se as equipas apostam em provas que nao as 3 principais voltas para ganhar mais pontos, etc (percebo na logica para equipas que nao querem descer de divisao, mas aqui questiono na optica das principais equipas)
Obg
Francisco Ramos
O ranking é bastante valorizado por duas razões:
– Primeiro. Entre as melhores equipas (INEOS, UAE, Jumbo, Quickstep), todas querem ficar em primeiro pelo prestigio.
– Segundo e mais importante. O ranking serve como liga por triénio. Se ficares nos últimos lugares és despromovido e com base na despromoção perdem o acesso a algumas das mais importantes corridas excepto por convite. Porque os lugares disponíveis assim são atribuídos.