A posição de guarda-redes sempre foi a mais especial entre todas as posições do futebol. Ao contrário de outros postos, o de nº 1 apresenta uma longevidade enorme, pois os guarda-redes não correm tanto como os jogadores de campo e não se lesionam com tanta frequência. Ao longo da história do futebol mundial, assistimos a carreiras notáveis e a fins de ciclo tardios. Peter Shilton (fez 1237 jogos nos clubes entre 1966 e 1997, mais 125 na selecção inglesa, foi eleito por 10 vezes como guarda-redes do ano na Liga Inglesa e, com 40 anos, foi presença no 11 inglês que terminou o Mundial 1990 na 4ª posição), Pat Jennings (fez mais de 1000 jogos entre 1963 e 1986, incluindo 119 pela Irlanda do Norte, participou em 2 Mundiais e fez os 3 jogos no Mundial 1986, com 41 anos), Jim Leighton (fez cerca de 700 jogos entre 1977 e 2000, participou em 4 Mundiais – fez 3 jogos no Mundial 1998, com 40 anos – e realizou 91 partidas pela Escócia), David Seaman (fez 1047 jogos entre 1982 e 2004, incluindo 75 pela Inglaterra e foi titular no Mundial 2002, com 38 anos), Neville Southall (fez quase 1000 jogos entre 1980 e 2000, incluindo 92 pelo País de Gales), Dino Zoff (fez 570 jogos na Serie A entre 1961 e 1983, 112 jogos pela Itália e campeão do Mundo em 1982 com 40 anos) e Andoni Zubizarreta (fez 1013 jogos entre 1980 e 1998, incluindo 126 jogos por Espanha e 4 Mundiais) são alguns dos muitos exemplos de longevidade nas balizas.
Brad Friedel – O norte-americano nasceu no dia 18 de Maio de 1971 (41 anos) e foi eleito como o melhor guarda-redes da história universitária dos EUA. O jovem Friedel passou pelo Newcastle, Brondby, Galatasary e Columbus Crew, antes de se fixar definitivamente em Inglaterra. Entre 1997 e 2000 actuou pelo Liverpool (fez apenas 31 jogos), seguindo depois para o Blackburn Rovers, onde jogou entre 2000 e 2008. Aí actuou em 357 jogos (em todas as competições), antes de se mudar para o Aston Villa (jogou nos villans entre 2008 e 2011). Actualmente, ainda é titular no Tottenham Hotspur e detém vários recordes. No outro dia, viu interrompida a sua série de 310 jogos consecutivos na Premier League e foi consagrado como o jogador mais velho a actuar pelo Aston Villa e Tottenham. Com os EUA, Friedel participou em 3 Mundiais, tendo abandonado a selecção em 2005 (se tivesse continuado, tinha participado em 5 Mundiais), com 82 internacionalizações. Neste momento, é o 14º jogador com mais presenças na Premier League (445).
Existem muitos outros exemplos de longevidade ainda no activo, como Ryan Giggs ou Paul Scholes (os dois mais badalados). O que faz estes quatro guarda-redes continuarem a jogar ao mais alto nível? Quando vão parar? Poderá Schwarzer aproximar-se no mítico recorde de Roger Milla (caso o australiano chegue ao Brasil, terá 41 anos e cerca de 200 dias e ficará a apenas 150 dias do recorde do camaronês)? Deverá Brad Friedel continuar a relegar Lloris para o banco do Tottenham?


