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Os Neuer’s e Kralj’s da 31.ª jornada

Fonte: Instagram Franco Israel

Todos os adeptos de futebol reconhecem a posição de Guarda-Redes como a mais ingrata do desporto. Encontram-se familiarizados com a lenga-lenga do costume: se um avançado falhar vários golos cantados, mas marcar um, mesmo que não seja o golo da vitória, a bola no fundo das redes é rapidamente elogiada ao passo que os falhanços caem no esquecimento; se um guardião passar os noventa minutos da partida a defender “tudo e mais alguma coisa”, mas sofrer um único golo onde falha de alguma maneira, mesmo que com culpas partilhadas, leva com críticas avassaladoras em cima e o resto da equipa é ignorado.

Afinal de contas, quanto “valem” os golos sofridos para avaliar um guarda-redes?

Em qualquer época e campeonato, independentemente dos clubes e respetivos guardiões titulares, os debates sobre a qualidade dos últimos puxa sempre por um dado estatístico comum: os golos sofridos (GS) pela equipa. Ênfase no uso da palavra “equipa” aqui, pois o que frequentemente acontece, é a verificação dos GS ao longo, por exemplo, da liga nacional por parte de todo o plantel. Ora, da mesma maneira que não se pode associar todos os golos marcados (GM) da equipa ao avançado – atribuindo todo o mérito ao mesmo – também não se pode fazer o mesmo com o guarda-redes e os GS – atribuindo toda a culpa ao mesmo.

No entanto, existe uma diferença enorme nestas comparações, pois o tal avançado tem, de facto, uma estatística sobre quantos golos marcou e, como tal, é possível tirar outros números e percentagens em concreto para o avaliar desta maneira – que, pessoalmente, irei sempre achar insuficiente. Já do lado da baliza, não existe nenhuma contagem constantemente em atualização a cada jornada sobre o guardião com mais defesas ou intervenções positivas impactantes no resultado final, pois isso traz outro grau de subjetividade – como avaliar se uma parada realmente vale por um golo ou não? Uns acharão que uma determinada defesa vale, outros não, é impossível de se acertar numa definição global, contrariamente à factualidade de um golo marcado.

Porque surgiu este tópico? Porque todas as épocas adeptos usam este parâmetro dos GS para comparar guarda-redes e, inevitavelmente, o argumento “este GR é melhor que aquele pois tem menos GS” surge sem grande sentido, por tudo o que refiro acima e mais agora… Como julgar, principalmente no fim de uma época, quantos golos foram culpa do GR, do central, do coletivo ou simplesmente de ninguém? Vão-se ver repetições dos golos e fazer as contas? Então, mas e as repetições das inúmeras intervenções dos GRs que impediram tantos outros GS? Ou até o jogo de pés cada vez mais importante hoje em dia na distribuição das equipas e que, num encontro, podem iniciar a jogada de um golo?

Terminando com o exemplo do nosso campeonato e os três grandes. Ironicamente, nenhum clube chega ao fim da época com os adeptos totalmente satisfeitos com o(s) seu(s) elemento(s) de baliza. No entanto, não deixa de ser interessante observar que estão todos muito próximos no tal fator dos GS e, ainda mais interessante seria se o Sporting – de longe, o clube que mais gerou debates sobre os seus guarda-redes – terminasse como a melhor defesa do campeonato, apesar de pouco provável. Assim, pergunto eu para os três clubes: o problema estava na baliza, no coletivo ou simplesmente não havia problema nenhum, extrapolaram-se golos “normais” e estamos perante uma época onde as equipas marcam/sofrem mais – mais de 100 golos de diferença para 22/23!

Clubismo? Não é nada comparado com o Jogadorismo…

Nem vou comentar muito sobre isto, até porque debrucei-me parcialmente sobre o assunto no artigo #25 da rubrica, ao qual recomendo uma nova leitura. Ao longo destes últimos dois meses, ainda mais como Sportinguista, foi inevitável encontrar mais comentários sobre as “enormes” defesas, “fantásticas” exibições e “muito superior” jogo de pés de Franco Israel, até porque é mais fácil este tipo de elogios impulsivos surgirem em grupos de chat. No entanto, os mesmos que não perdiam um segundo a compará-lo com Adán mais para criticar o último do que elogiar o atual titular, agora são os mesmos que criticam os outrora atributos do uruguaio – ou que se remetem ao silêncio para não serem acusados de incoerência. O futebol realmente são dois dias. Antigamente, sentia que o problema maior era o clubismo, mas cada vez mais começo a ver a ideologia do “jogadorismo” a crescer exponencialmente. A forma como se extrapola tudo e mais alguma coisa só para se cair num jogador que não se gosta ou exagerar a qualidade de outro que se aprecia tem sido bastante notória esta época em várias equipas… e, infelizmente, continuará na próxima.

Se se critica quando se está mal…

Na jornada passada, abordei a opção do Vizela em trocar Buntic, o seu guarda-redes titular, por Francisco Ruberto, concluindo que estava a ser prejudicial e que não era pelo primeiro que a descida quase inevitável do clube se avizinhava. Mas como o futebol muda de um dia para o outro, Ruberto fez agora por merecer este parágrafo positivo sobre a sua prestação extremamente impactante no resultado final contra o Rio Ave, aguentando um empate com uma estirada mesmo com a pontinha dos dedos aos 66’ e uma mancha impressionante aos 73’ contra um adversário que vinha isolado desde o meio-campo. Quiçá, se acontecer um milagre nestas últimas jornadas, estas defesas poderão ter sido decisivas…

Defesas Neuer da Jornada:

– Francisco Ruberto (Vizela): impossível não destacar o 1×1 aos 73’ numa parada com a perna soberba a um avançado isolado desde o meio-campo.

– Trubin (Benfica): mais um 1×1 de destaque desta jornada, desta vez aos 39’ pelo ucraniano que abre bem os braços, agigantando-se perante o adversário.

– Ricardo Batista (Casa Pia): num dos seus melhores jogos da época, a parada aos 73’ destaca-se das restantes.

Falhas Kralj da Jornada:

– Trubin (Benfica): é verdade que tem jogadores à frente que lhe podem ter dificultado a abordagem aos 27’, mas demonstra a lentidão de movimentos que o carateriza em mais um golo onde não fica bem na fotografia.

– Kosuke (Portimonense): não deixa de ser um grande chapéu do oponente aos 90’+3, mas apenas é golo devido à hesitação desnecessária do guardião que acaba por ficar desposicionado.

– Israel (Sporting): tentativa de passe terrível aos 6’, originando o golo adversário sem necessidade.

Visão do Leitor: AdeptoImparcial

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

8 Comentários

  • hugooliveira74
    Posted Abril 30, 2024 at 11:22 am

    Eu sei que parece um exagero, mas é preciso destacar mais uma grande exibição do Ricardo Velho na Amadora. Não só pelas defesas que fez (quando engata é um muro à frente da baliza, e não são poucas as vezes que isso acontece), como também o passe que dá início ao 3º golo.

    Se criticamos os Guarda-Redes quando erram os passes, também temos que os elogiar quando fazem coisas acima da média

    • AdeptoImparcial
      Posted Abril 30, 2024 at 3:40 pm

      Exagero nenhum, eu é que já começo a ter dificuldades em falar de Ricardo Velho sem me acusarem de ter algum bias, tal é a consistência absurda das suas exibições bem acima da média. Não quero spoilar o fim desta rubrica, mas será muito pouco provável nomear algum outro GR que não o Velho para melhor da época 23/24.

  • Ricard Bapt
    Posted Abril 30, 2024 at 12:00 pm

    Boas…
    O segundo golo sofrido pelo Israel ele esta quase encostado ao poste esquerdo e a bola entra quase a meio da baliza. Acaba por ser ma leitura da jogada no espaço, colocou se mal, e má intervençao….

    • AdeptoImparcial
      Posted Abril 30, 2024 at 2:07 pm

      Também estranhei à primeira vista e na repetição reparo que ele escorrega – ironicamente, tal como o Hjulmand no mesmo lance – no momento do remate o que faz com que dê a sensação que esteve sempre mal posicionado. Ele estar bem posicionado estava, mas naquele meio-segundo antes do remate, começa a deslizar e acaba por perder o equilibrio. Mal batido no máximo, mas os erros maiores vieram dos colegas – a forma como a bola chega à baliza é inaceitável.

  • Cody Madison
    Posted Abril 30, 2024 at 12:26 pm

    Aquela mania de brincarem com a bola na defesa, em vez da mandarem uma bujarda para o meio-campo, um dia vai sair caro ao Sporting. Andam jogos e jogos a brincar com o fogo, um dia queimam-se…
    __
    SL ?

    • Velho do Restelo
      Posted Abril 30, 2024 at 2:03 pm

      Deixa o mestre Amorim fazer como ele gosta, faz parte do plano.

    • AdeptoImparcial
      Posted Abril 30, 2024 at 2:05 pm

      Haha às vezes assusta, isso é certo, mas é assim que a grande parte das equipas joga hoje em dia, principalmente os candidatos a títulos. Já jogamos assim desde que Amorim chegou, aqueles passes que parece sempre que o adversário vai chegar a tempo de cortar – e, naturalmente, aconteceu uma ou outra vez – mas está sempre tudo controlado :b a do Israel foi mais precipitação e nervosismo que outra coisa, acontece ainda é novo.

      • Cody Madison
        Posted Abril 30, 2024 at 5:00 pm

        AdeptoImparcial,

        Eu até posso vir um dia a mudar de ideias, mas irrita-me profundamente ver isso em abuso em todos os jogos.
        __
        SL ?

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