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Os Neuer’s e Kralj’s da 32.ª jornada

Todos os adeptos de futebol reconhecem a posição de Guarda-Redes como a mais ingrata do desporto. Encontram-se familiarizados com a lenga-lenga do costume: se um avançado falhar vários golos cantados, mas marcar um, mesmo que não seja o golo da vitória, a bola no fundo das redes é rapidamente elogiada ao passo que os falhanços caem no esquecimento; se um guardião passar os noventa minutos da partida a defender “tudo e mais alguma coisa”, mas sofrer um único golo onde falha de alguma maneira, mesmo que com culpas partilhadas, leva com críticas avassaladoras em cima e o resto da equipa é ignorado.

Uma pequena análise técnica que escapa frequentemente ao adepto comum…

Caso em análise: golo do Boavista aos 26’ no embate frente ao Gil Vicente. À primeira vista, aparenta ser um grande golo sem muitas hipóteses para o guarda-redes, certo? Pois, discordo profundamente. Peço que revejam a jogada e se foquem totalmente no guardião forasteiro, Andrew. A bola vem do meio-campo, vai-se aproximando da área, tabela entre três jogadores, existe a preparação de um remate… e Andrew não ajusta a sua posição um centímetro. Solas dos pés bem assentes no chão, postura que até demonstra alguma potencial desconcentração – como se estivesse com a cabeça noutro lugar – e, consequentemente, coloca-se numa situação onde seria extremamente complicado de impedir um dos remates mais difíceis de se defenderem – bola a vir de cima para baixo e a obrigar o guarda-redes a movimentar-se para trás. É um pormenor que escapa a muitos, mas que pessoalmente, me cria uma confusão tremenda: os guardiões do nosso campeonato raramente se encontram em bicos de pés. E para os que acham que não importa, voltem a rever todos os golos sofridos em que o vosso guarda-redes quase chega à bola ou que até toca na mesma e imaginem se aqueles centésimos de segundo que se poupam em não ter de levantar a sola do pé – para além de se estar muitíssimo mais preparado para reagir estando em bicos de pé – não fariam toda a diferença. Dito isto, apenas usei este caso de Andrew para exemplificar algo que já acontece desde o início da época, não para criticar a sua exibição – até porque defende um penalty decisivo aos 74’ – até porque há outros exemplos esta jornada de situações semelhantes com Trubin – este é mesmo caraterizado pela sua frequente “posição estátua” em remates mais altos ou que envolvam uma mudança brusca de direção – e Ricardo Batista – a idade “pesa”.

Sofre três golos e, mesmo assim, é o melhor jogador da equipa.

O Portimonense tinha a tarefa mais difícil desta época pela frente este fim-de-semana: conseguir roubar pontos em Alvalade ao Sporting 100% vitorioso de Rúben Amorim. Mais difícil que isto só mesmo tentando escolher a grande defesa de destaque de Kosuke Nakamura, pois foram tantas de deixar qualquer adepto de mãos na cabeça que quase conseguiu roubar o espetáculo leonino. Se aos 3’ se pode acusar Gyokeres de facilitar – não deixa de ser uma excelente mancha – a palmada aos 20’, as defesas quasi-consecutivas aos 44’ – a primeira é mais “normal”, mas a segunda é a defesa da jornada – a parada com as pernas aos 59’ e mais uma enorme reação aos 80’ servem de demonstração do nível que o guardião consegue alcançar quando totalmente focado no seu jogo. Naturalmente, os típicos comentários “aposto que só joga assim contra os grandes” surgem e, sinceramente, esta época não são propriamente exagerados, mas que jogador não ficaria extra-motivado por defrontar um candidato ao título num dos maiores estádios do país? A verdade é que Kosuke realizou uma das melhores exibições individuais de um guarda-redes na Liga Betclic 23/24… e isso merece sempre ser valorizado.

Nota final só para esclarecer…

A secção abaixo das Falhas Kralj da Jornada é suposto conter menções de, lá está, falhas. Erros. Frangos. Golos sofridos em que o guardião é muito mal batido. Foi precisamente pelo feedback da comunidade aqui no VM que deixei de forçar certos golos onde o GR “talvez pudesse fazer melhor”. Só para relembrar este critério, pois desconfio que poderá haver um ou outro comentário sobre determinados golos desta jornada.

Defesas Neuer da Jornada:

– Kosuke (Portimonense): a maioria das suas intervenções merecia menção, mas pessoalmente, escolho a estirada no canto aos 44’ como a mais impressionante.

– Jhonathan (Rio Ave): daqueles voos sempre bonitos de se verem aos 90’+2.

– Caio Secco (Moreirense): reação soberba a um cabeceamento à queima-roupa aos 50’.

Falhas Kralj da Jornada:

– Ricardo Batista (Casa Pia): nem se antecipa ao lance, nem se coloca em posição correta, deixando a bola passar por debaixo das pernas aos 59’.

Visão do Leitor: AdeptoImparcial

VM-Desporto
Author: VM-Desporto

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